A realidade nos insinua advertências que, pelos nossos propósitos e ambições, temos demonstrado não atentar para elas. Esta não-percepção dos valores que nos circundam mostra, de um lado, que somos soberbos, por fazermos uma avaliação inadequada de quem somos, por outro, ignorantes, por desprezarmos tais ensinos. Esta dupla característica, falsamente, nos sugere fortes, senhores, quase eternos.
Desprezamos o ensino do nosso dia-a-dia: a presença constante das separações, das perdas. A cada escolha feita separamo-nos de outras possibilidades, abrimos mão daquilo que julgamos desnecessário, sem importância.

 
A vida tem repetido sua imperiosa ação quando somos lançados – sem escolha – para o interior de uma nova dimensão, despedindo-nos daquilo que julgávamos definitivo, ou pelo menos mais duradouro. Em nossa infância, éramos senhores em nossos lares. De repente encontramo-nos fora dele, seguimos em frente… na adolescência, livres, pensávamos senhores de todas as coisas. Muito foi deixado para trás: perdemos o ontem, o aconchego do carinho de nossa mãe, os sentimentos mais singelos, esquecemos nossos amores, foram tantas as advertências. Mal olhamos para elas, as perdas impostas formam as sendas desta vida.


De onde brota tal descaso? Do engano que alvoroça nossos corações? da falta de humildade que conduz nossa sabedoria?


A vida, em sua particularidade e singeleza, tem nos mostrado ser um processo constante de escolhas e predas. O inexorável se agiganta diante de todos nós: Um dia todos nós nos despediremos uns dos outros. Simplesmente, perderemos nossos pais, nossos amigos, nossos irmãos, até nossos filhos, perderemos tudo aquilo que pulsa junto com a nossa vida, que nos faz sorrir, que nos dá prazer, e por fim, perderemos a própria vida. Seremos lançados à eternidade, e de lá nada mais poderemos recuperar.


A negar tais argumentos, é mais uma vez oferecer “a ilusão” como norma da razão, e se separar, em definitivo, da possibilidade de compreender a realidade humana. Os sofismas da religião meramente humana – reencarnação, purgatório, obras, filantropias etc. – tentam obscurecer o pragmatismo da morte. Esta realidade considerada em sua força e imprevisibilidade compromete a fortaleza humana, revestindo a todos da finitude tão indesejada, da fugacidade tão desdita. É, sem dúvida, o maior confronto oferecido pela vida. Mas a eternidade se avizinha, e com ela a separação. A noite comunica ao dia para que mantenhamos a prontidão.


Há alguma escolha a ser feita que nos permita fugir deste roteiro tão perverso? Podemos estar eternamente junto às pessoas que amamos? Nenhuma religião afirmará com segurança que sim.


Em Cristo Jesus, o Senhor de todo o universo, o autor e mantenedor da vida, Nele podemos dizer que sim. Entrega teu caminho ao Senhor, confia nele e que as demais coisas Ele fará.
É Ele, e ninguém mais, que dá tal confiança: “a morte não tem poder sobre os que crêem”.



Bendito seja Nosso Deus e Salvador.


A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade




Natal de 2003.

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