Apostasia, graças a Deus


Muito há para comentar a respeito do tema, busquei ser seletivo para não ultrapassar os limites do interesse comum. Entretanto, me proponho a analisar essa profusão – e até confusão – de manifestações e doutrinas do que hoje se apresenta como Cristianismo, tentando resgatar o ponto central que acelerou o processo. Meu interesse é fornecer as motivações e desvios que levaram à situação que hoje estamos envolvidos.


Algumas informações a respeito da Apostasia precisam ser antecipadamente consideradas. Evitando assim, que ídéias pessoais tomem o lugar dos conceitos bíblicos. Trata-se, portanto, de um movimento de natureza espiritual, sua extensão chegará aos confins da terra. O seu propósito é substituir o Cristianismo bíblico. Empreendimento já intentado por vários movimentos religiosos, o catolicismo romano e muitas outras seitas; mas de acordo com as Escrituras, nada logrou tanto êxito. Portanto, é inevitável, que cresça mais e mais. Entender o cerne desse movimento é a proposta.
Caberá ao leitor as conclusões.


De pronto reconheço em vários líderes, pastores – e até, quem diria! Pastoras -, “apóstolos” as marcas inequívocas das obras das trevas; e que tenha usado suas convicções e discursos para exemplificar argumentos, mas tento não nominá-los. Percebo, que nessa questão, há acentuado personalismo e muita perda de energia em torno de acusações e defesas. A palavra me satisfaz completamente:
 

Mas estes, como criaturas irracionais, por natureza feitas para serem presas e mortas, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo a paga da sua injustiça; pois que tais homens têm prazer em deleites à luz do dia; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em suas dissimulações, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecar; engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição;
Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito, e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal. (2 Pe 2.12,22)

Não há como precisar seu início histórico, lemos que o primeiro desvio doutrinário surgiu no Éden; podemos, entretanto, afirmar que estava presente e identificada já nos dias do apóstolo João. Seus representantes, à época, apesar de muitos, constituíam-se minoria.

Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.

Reconheço a importância da Historicidade das Doutrinas Bíblicas, mas se trata da análise de suas motivações e propósitos, portanto atemporal.


Das pequenas concessões ao golpe mortal

A religião cristã, que sempre teve como pilar central o conhecimento da verdade e o serviço a Deus, foi golpeada mortalmente, perdendo completamente sua identidade, caiu por terra. Em prol de uma equivocada contextualização, foi permitindo retoques e respirando a brisa que soprava do humanismo. Assim, lenta e progressivamente uma nova perspectiva foi sendo adotada e no aconchego da secularização produziu uma nova realidade para natureza humana. A religião redefiniu sua própria etimologia, reviu sua razão de ser e abandonou a palavra de Deus. Decapitada, passou a rastejar sobre o próprio ventre, sobrevivendo, a partir de então, do pó da terra. Era a nova visão do cristianismo.

Há de se considerar que essa nova ordem surgiu pelo próprio interesse “cristão”. Líderes de intelecto cauterizado e ávidos em conquistas (psicologismo), desejando a qualquer preço (pragmatismo) usufruir dos prazeres e encantos do mundo,  para tanto, mercadejam princípios e doutrinas bíblicas (misticismo).

Dentro das várias dimensões e desdobramentos que envolvem esse novo cristianismo, duas abordagens, em especial, chamam a atenção, a teológica e sua conseqüência prática ou devocional.


Que serão tratadas adiante na Parte 2.

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade

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