Todos os dias um pássaro voa em direção à porta da nossa casa, pousando na maçaneta. E na porta fechada, logo percebe sua imagem refletida no vidro, e vorazmente inicia sua luta contra a própria imagem. Há desespero e urgência em combater esse reflexo – seu inimigo. Com visível determinação, não economiza esforços para expulsá-lo – ou subjulgá-lo – e reinar. Em seu mundo de aflição, seu inimigo não lhe oferece tréguas, sempre pronto para desafiá-lo, reage a qualquer movimento.

Por vezes, me aproximo, tentando abrir a porta para livrá-lo daquele torneio inútil. Mas antes de abri-la, voa para longe, refugiando-se na segurança dos arvoredos ao derredor. Sempre desafiante, recupera as forças para continuar o confronto.

Sou, para ele, o incompreensível que interrompe sua luta real. Estou impossibilitando-o de vencer seus temores, de efetivar sua conquista. Percebo-o incapaz  de entender sua realidade. Ao sair em seu socorro, transformo-me em mais um inimigo. E tão logo fecho a porta, ele novamente reinicia sua incansável – interminável – luta. Para ele não há alternativas, não há outro modo de viver.

Sua natureza subjulga sua razão.

Residimos nessa casa há anos, nossos voadores visitantes mudam. Muitos outros já estiveram sobre a mesma maçaneta, travaram a mesma luta – e todos perderam. Mais virão, repetindo essa mesma sina. Presos aos seus instintos – sua natureza, não podem fugir dela.

Sua luta pela sobrevivência o engana e conduz à morte.


É uma vida singular. Ele tem sua razão de viver, combater inimigo. Sem a frágil maçaneta perderia sentido a vida. 




Nada que eu faça permite-nos intergir. A diferença entre nossas naturezas é um imperativo intransponível. Somos incapazes de transformar tal realidade. Ele continuará perseguindo o objetivo de sua vida, até que o verdadeiro inimigo a ceife. Até lá, o verei muitas vezes, ele me verá outras tantas… e tudo permanecerá como está e sempre foi.

Em sua ilusão não há esperança… pobre pássaro.


Há um paralelo cruel entre esse pássaro e o homem. Este envolvido em sua realidade tem seus inimigos, com eles os temores. Arrancar das entranhas da alma a força para conquistar seus inimigos. São lutas intermináveis com o espelho, o mundo de seus pares. A apoiá-lo apenas a frágil maçaneta. Seu instinto subjuga-o completamente.


Diferente da mim, em relação ao pássaro, Deus tem poder para mudar a natureza do homem. Fazê-lo entender a realidade que o envolve e o destino cruel que o espera… ou continuar vivendo sobre uma frágil maçaneta.


Mas, em sua razão entorpecida, foge para um lugar – para ele – mais seguro. Consome-se em planos para as próximas investidas. Continuará lutando até um dia não mais voar para seu combate vão.






Como recuperar-lhe a razão?

Deus, por meio do Evangelho, faz com que o homem nasça de novo. Abre-lhes os olhos para que perceba inimigo real: sua índole, sua natureza. Ela que o engana, o consome, o faz repetir o mesmo ciclo de desesperança de todos os demais.




Importa-vos nascer de novo, diz o Senhor.




O novo nascimento, a mudança de índole, de natureza. Somente o poder de Deus é capaz de tão profunda transformação. Fornecer-lhe a esperança da vida eterna.


Oro ao Senhor para que, em sua bondade e amor, transforme o coração de milhões, e que esses venham a experimentar a verdadeira vida em Cristo Jesus.

A ele, honra, glória  e poder de eternidade a eternidade.

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