A pessoa de Cristo – Esboço

Mogi das Cruzes, Agosto de 2010


Como abordar um conhecimento que somos incapazes de penetrar em todas suas nuanças?  É necessário que sejam fincados os marcos das Escrituras, e apenas delas,  e a contribuição de conceitos simples e reconhecidos para considerarmos algo tão sublime. 
A certeza que adentraremos aos palácios do conhecimento do Altíssimo, exige a prudência e a submissão que não nos é natural, precisamos anular a sabedoria pessoal e contarmos com a bondosa ajuda dos céus, pois sem ela nada podemos. E assim, iniciarmos a doutrina de Cristo, em suas naturezas.

Iniciaremos com a contribuição dos conceitos, pela definição do que é pessoa, mesmo que em seu sentido lato. Por Pessoa entendemos como aquele que é possuidor da faculdade da vontade, do intelecto e dos sentimentos. Isto posto, podemos afirmar que pessoas, tomando o universo das criaturas, são apenas os seres humanos e angelicais.

Uma questão a ser posta é que não há ninguém, por constituição, com duas ou mais faculdades da vontade, ou intelecto, muito menos sentimentos.

Outra definição necessária são os Atributos. Estes são características constitucionais da pessoa: a bondade, amor, inteligência. Com sua origem no Criador, Este comunicou às suas criaturas características próprias que as faz serem seres pessoais. Finitude, conhecimento, sentimentos, inteligência, volição etc.

Já a Natureza é a fonte que irradia a energia, nutrindo as faculdades e fazendo manifestar os atributos. Logo, os mesmos atributos podem ser movidos, por naturezas diferentes. Compreendemos assim que a força motriz que conduz a faculdade é a natureza.

Os marcos das Escrituras começam a orientar os argumentos: Jesus é a segunda pessoa da Triunidade Santa, portanto apenas Ele se revestiu de carne e revelou ao Pai. Nosso Senhor efetivamente é possuidor de duas naturezas. Antes de sua encarnação de forma alguma ele era humano, mesmo sendo Ele imolado desde a fundação do mundo. 






Ele, porém, estava na popa dormindo sobre a almofada; e despertaram-no, e lhe perguntaram: Mestre, não se te dá que pereçamos? E ele, levantando-se, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E cessou o vento, e fez-se grande bonança. Então lhes perguntou: Por que sois assim tímidos? Ainda não tendes fé? Encheram-se de grande temor, e diziam uns aos outros: Quem, porventura, é este, que até o vento e o mar lhe obedecem? (Mc 4.38-41)

O ato de dormir representa uma característica ausente ou desnecessária em Deus.  Segundo o Salmo 121, que diz: “Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará. Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel” .

Da mesma forma o questionamento final dos discípulos a bordo da nau: “Quem, porventura, é este, que até o vento e o mar lhe obedecem? “ mostra que a calmaria produzida não provinha de obra humana. Temos, pois, no texto a manifestação de duas naturezas: humana (dormir) e a divina (promover a bonança). Que se manifestam independentes e sem se confundirem, nem criar uma terceira natureza. A plenitude do exercício de cada uma das naturezas de Cristo está presente no texto.  Isto afirmamos com base no registro do escritor sagrado.
Em Cristo NÃO há duas Faculdades da vontade, mas sim duas manifestações distintas da vontade. Há, sim, a ação das naturezas de Cristo – humana e divina – sobre sua faculdade, que é uma só, resultando em diferentes manifestações da vontade.

Os atributos comunicáveis às criaturas humanas estão presentes em Cristo Jesus, que ora são conduzidos por suas naturezas distintas. Uma única faculdade com manifestações distintas de vontade, intelecto e sentimento.

Assim é possível entender sua ignorância em: “Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai.” (Mt 24.36). Seu intelecto conduzido  pela natureza humana desconhece o porvir.  Em contrapartida, lemos: “Eu e o Pai somos um.” (Jo 10.30), temos aí a plenitude de Deus.

Nosso Senhor é o próprio Deus em substância, eternidade, incorporalidade, imutabilidade, poder e glória, ao mesmo tempo é humano com sua corporalidade, finitude, crescimento, mortalidade, ignorância, porém com impecabilidade.

E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens.” (Lc 2.52). Este texto mostra que era programa de Deus o crescimento da figura humana de Cristo, mesmo que nela habitasse a plenitude de Deus (conf. Cl 1.19).


O Filho, a segunda pessoa da Triunidade santa, eterno e divino, nasceu, cresceu, morreu, ressuscitou, subiu aos céus, estando a direita do Pai. Este Deus entrou na história humana em Sua plenitude, é nosso Senhor e Salvador Jesus.
Jesus é um ser pessoal inseparável em suas duas naturezas.  Extirpar qualquer uma delas ou tratá-las separadamente desfaz o mistério da encanação e aniquila-se o escândalo da cruz, e tal suposição não conduz ao correto conhecimento do Senhor. Não provém do Espírito, mas sim, da mente carnal que nos assedia. É, antes, especulação anti-bíblica e não Cristológica. 

Perguntas tais como: Deus morreu? Deus nasceu? Em nada contribui para aprofundar os marcos da sã doutrina, tentam apenas promover dificuldade, que na realidade não existe.  
O que envolve exclusivamente o ser divino são objetos de Teologia Própria, e que falam especificamente do homem devem ser tratadas em Antropologia. 

A Ele honra, louvor e glória. 

O método e a mente cristã


Após algumas considerações resolvi, mesmo havendo que o faça melhor, escrever sobre uma questão básica da fé, o método para leitura-compreensão das Escrituras.

Somos, por natureza, conduzidos pelos nossos pressupostos, que invariavelmente, em relações às verdades espirituais, estão equivocados. Esta “liberdade acadêmica” sempre promoveu divergências doutrinárias. 

Mas, sendo Deus rico em misericórdia, pelo muito amor que nos amou permitiu a Hermenêutica. Uma forma de leitura-compreensão para minimizar os prejuízos causados pelo livre pensar.

O que poderia agradar mais às hostes do mal, senão a desqualificação da Hermenêutica? Assim, seriam manifestadas as convicções dos corações, que sabemos é desesperadamente corrupto. Outro não foi o encaminhamento natural do cristianismo que não alterar ou mesmo revogar as regras e princípios hermenêuticos. Não podemos tributar tal façanha apenas à nossa geração. 

A questão envolvida é: Existe um método definido para leitura bíblica, de forma que ouçamos a voz do Senhor? Ou ainda, há riscos no livre escrutínio das Escrituras ? 

Gostaria de iniciar refutando a idéia de “iniciados” para entendimento das Escrituras, e ainda a soberba católica que prega a autoridade única de seus  sacerdotes  do entendimento das Letras. 

Por outro lado, reafirmo, com toda convicção, a crença pessoal no sacerdócio do crente, sendo livre o acesso ao Senhor e às Escrituras. 

Mas a questão aqui não envolve pessoas, mas sim método.  

Iniciemos tomando o Éden, lendo a palavra do Senhor:  

Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gn 216:17  

Agora leiamos produto da astúcia da serpente, que adotou uma nova hermenêutica para o texto: 

Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Gn 3:1

  Foi introduzido o termo “toda a árvore do jardim” em lugar do que era apenas a “árvore do conhecimento do bem e do mal”. E que é mais grave é que tal interpretação teve aceitação de 50% da população da terra e trouxe conseqüências desastrosas sobre todos nós. 

Eva reage criando seu próprio método, adicionando ao texto valores de seu coração:

disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Gn 3:2-3 

De fato Deus apenas dissera: “Não comereis”. Eva adicionou ao texto, “nem tocareis” . Nada sabemos sobre suas motivações, é possível que tenha “entendido algo subjacente”. Ou apenas manifestar seu próprio coração.
Somos vítimas do método, que operou pela mente oportuna de satanás e Eva.

E a hermenêutica do Éden prevaleceu, e todos morremos… e pela morte veio a sabedoria humana.  

Contrário a hermenêutica do Éden, podemos afirmar que a leitura-compreensão é regida por critérios permanentes e eternos, ela não pode se separar do caráter e da sabedoria do próprio Deus, ou pagamos por isso.  

No registro dos textos sagrados, primeiro forma-se a letra, depois a palavra e, por conseguinte o significado completo. Na comunicação, Deus ofereceu-nos o significado completo, por meio de palavras e com uso das letras. 

Isto fundamenta e garante a Revelação e Inspiração bíblicas. 

As palavras registradas nas Escrituras, sopradas por Deus, respeitaram as características de cada escritor, mas em nenhuma passagem do registro bíblico foi obtida pela interpretação de qualquer um deles. Houve a apenas o registro, e em muitos casos, nem  para eles foram escritas.

Desta salvação inquiririam e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. 1Pe 1:10-11 

Deus Se comunicou conosco por meio das palavras utilizadas por homens.  Submeteu-Se às características próprias da palavra falada. Coube aos homens apenas entendê-las em seu sentido natural.  Decerto temos as questões de tempo e espaço (histórico-gramatical), mas sempre foram comunicações dentro da capacidade de entendimento de “com quem se falava”. 

Portanto, a Hermenêutica é serva das regras de linguagem estabelecidas pelo processo de comunicação do Senhor com as suas criaturas, jamais o contrário. E a Teologia, por sua vez, serva da Hermenêutica.

Isto posto, afirmamos que a sistematização e posterior, adoção das regras e princípios hermenêuticos é fundamental para saúde espiritual do servo.  É como sabemos o que Deus falou, jamais como achamos que Deus falara. Há a questão do Distanciamento, ao qual devemos respeitá-lo.

Quanto mais simples e natural for a interpretação do texto, respeitando-se as particularidades supra, mais compreender-se-á o que o Senhor falou. 

A multiplicidade dos métodos utilizados para compreensão das Escrituras construíram  o complexo doutrinário ofertado pelas diversas correntes cristãs. Muitos deles tão frontalmente excludentes que sugerem textos completamente diferentes. 

Assim como a serpente e Eva, muitos têm adicionado “informações subjacentes”, o resultado é a particularização e criação de grupos a cada esquina a cada tempo. E com isso, revoga-se a construção histórica das doutrinas. Quebram-se paradigmas por meio de solução trazidas do mundo secular, sem esperanças.

Neste caso a obtenção da verdade não advém da maioria, e sim, da metodologia.

Todas as vezes que alteramos o sentido natural de uma palavra, devemos fazê-la escravizados ao contexto, às passagens paralelas ou algum outro aspecto, nunca ao cunho teológico ou denominacional. A teologia não pode definir o significado das palavras, isto pertence ao campo da Hermenêutica. 

Quando assim o fazemos, estamos incluindo as “subjacências” a Palavra do Senhor, afirmando o que Deus falou, mas por meio de nossas mentes.   

O método definitivamente nos orienta ao encontro da verdade, quanto mais particular formos em nosso método, mais ouviremos nossos próprios corações, e menos a palavra do Senhor. 

Que o Senhor seja bondoso, a Ele honra, louvor e glória. 

Glossário da Apostasia – Julho 2010

Este glossário – que sempre estará incompleto – teve início após algumas postagens sobre a Apostasia. Verifiquei que sorrateiramente eles adotaram – apropriaram-se indevidamente – conceitos cristãos com sentido completamente estranhos às Escrituras.

O significado de cada termo é criado a partir de declarações de apóstatas famosos, e não famosos, e possíveis respostas a questionamentos sobre “sua fé”.

Adicionei comentários e opiniões minhas. Apesar de alguns serem risíveis, minha intenção é alertar ao verdadeiro povo de Deus sobre os riscos que há na concessão aos filhos das trevas.
Temo que tais conceitos e costumes em nome do “amor” adentre ao acampamento dos santos.

Sabia que seria muito difícil mantê-lo pela dificuldade de absorver toda sorte de desvarios produzida pelos porta-vozes das trevas. E agora verifico que a proposta inicial de mantê-lo em ordem alfabética não poderá ser mantida. Tenho que organizá-lo cronologicamente, assim a cada novo vento de doutrina levantará a poeira da heresia trazendo novos termos e conceitos, sempre que possível, os lançarei.


“… Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?” (I Coríntios 5:6)

Boa leitura.

IMPUTAÇÃO. Palavrão, palavra de baixo “escalão”. Não convém aos santos.




EXPIAÇÃO. Deve a tudo custo ser evitada, por meio dela vem a fofoca. Foi isso que levou Davi a pecar, ele estava expiando Bate-seba e deu no que deu. O negócio é manter os olhos nos negócios. Ou ainda, os últimos piados dados pelo pintinho morimbundo.









JUSTIFICAÇÃO. É quando faltamos com nossos dízimos e ofertas e por falta de fé satanás nos leva a mentir, tentando enganar o Ungido do senhor, nos justificando.



CESSACIONISMO. É esse pessoal que gosta de aparecer, ficar sempre com notícias extravagantes, falando mal dos nossos líderes. Satanás é sujo gosta de sensacionalismo. 



COSMOVISÃO. É uma ótica?  Vídeo game 3D?








PATRIARCA. Identifica o iniciador (pai) de algum grupo étnico, cultural etc. Autodefinição do Terranova. Como não é de Israel, muito menos da Igreja, deve ser das trevas, da heresia, do engano religioso. Isso devemos reconhecer, cai-lhe muito bem: O Patriarca das Trevas. 
Incomodará muito aos Malafaias, Santiagos, Felicianos, Valadões, Soares, Macedos e toda sorte de hereges.






MALAFAIA$MURDOCK. Nova unidade monetária descoberta no mundo evangélico e pela incessante determinação para enganar às pessoas. Seu cálculo não é complexo, mas de discutida metodologia. Por observação pode-se esmiuçá-lo. Vejamos, junte duas – podem ser mais – pessoas desonestas (perceba sua semelhança com Judas, o traidor), dê-lhes poder de falar sem que sejam confrontadas com a verdade e pronto, temos R$1.000,00.  



CAIO FÁBIO. Ele diz: Agora sim, eu vejo! Até o próximo escândalo, ou antes disso em edição extraordinária.



O homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado. Saúdam-te todos os que estão comigo. Saúda tu os que nos amam na fé. A graça seja com vós todos. Amém. (Tito 3.10-11,15)


A Ele, somente a Ele, glória, louvor, gratidão, honra para todo o sempre.

Presciência, a soberania do acaso



Igreja Batista Regular Renascer. 
Manaus, 08.08.2010.

Sabendo, pois, Jesus tudo o que lhe havia de suceder, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? Jo 18:4

Este texto ressalta e salta aos nossos olhos: “Sabendo, pois, Jesus tudo o que lhe havia de suceder”. Traz a clareza dos céus, simples assim, Nosso Senhor sabia o que lhe sobreviria, sempre soube.

Como podem a partir daqui ensinar algo que não chegue até o trono soberano do Deus Altíssimo? Como ousam alguns a colocar o próprio coração como guia das verdades eternas?

Mesmo assim, em sentido contrário, vem o desafio feito pelo ensino das milhões de vozes mundo afora, vozes que são ouvidas. Elas forjam  texto dando-lhe um novo sentido, assaltam nossa consciência na busca de roubar Deus de Deus.  Incluem a soberania do acaso em lugar do poder de Deus, são tentativas de sedução e tem logrado êxito, vejam a multidão que aceita tal infâmia, e ainda sorri altiva.

É a oferta das glórias e reinos da terra, fazer do homem senhor, dar-lhe as rédeas do destino de todo o universo, enquanto o Criador é feito refém dessas escolhas, isto é o que propõem.

Não nos deixemos seduzir por tais ensinos, são doutrinas das trevas, a obra mestra da sabedoria humana.

Não nos deixemos enganar por essa falácia evangélica, pois nada mais é que a incredulidade ungida pela psicologia, filosofia e seus agregados naturais. Estão entorpecidos e rugem em nosso derredor para tragar corações altivos. acautelem-se desses lobos, que nem mais aparência de ovelhas possuem.

Que o Senhor seja abundante em meio de nossa congregação, luz às nossas mentes e conforto aos nossos corações seja nossa oração.

Percorreremos as sagradas Letras e mais uma vez não me furtarei de afirmar quem é nosso Deus. Comecemos pelos momentos que antecederam o texto lido, iniciemos na última páscoa. 

“E achou Jesus um jumentinho e montou nele, CONFORME ESTÁ ESCRITO: Não temas, ó filha de Sião; eis que vem teu Rei, montado sobre o filho de uma jumenta”. (Jo 12:14)

É a chegada do Senhor em triunfo para ser aclamado Rei, conforme Zc 9.9. Estava ali um pequeno animal, nunca montado para servir ao Senhor em sua chegada a Jerusalém. Desceria entre hosanas e aleluias das multidões para que se cumprisse as Escrituras, caso não o fizessem as pedras o fariam, a Palavra do Senhor se cumpriria.

Lemos mais, “Em verdade o Filho do homem vai, CONFORME ESTÁ ESCRITO a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! bom seria para esse homem se não houvera nascido.” (Mt 26:24).

Deus nos deu palavras para uso em seu sentido natural, comum, e devemos lê-las de acordo com essa graça. Vale ressaltar que nem a soberba punida em Babel revogou-a, pelo contrário multiplicou-a: a comunicação se dá pelo sentido natural das palavras. E isso se multiplica através das Escrituras, onde há poder e soberania: Jesus sabia tudo o que viria acontecer.

Prossigamos um pouco mais, leiamos a sentença do Mestre a Judas: “o que pretendes fazer, faze-o depressa” (Jo 13.27). Assim satanás e Judas em conluio, reproduzido nas ribaltas evangélicas de nossos dias, saiu para realizar livremente a determinação do Senhor.  Como negar soberano poder sobre satanás, sobre Judas, sobre todos os eventos, tudo se ajustaria à sua caminhada rumo ao Calvário.

E em oração ao Pai: “nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se CUMPRISSE A ESCRITURA. (jo 17:12).  Apenas os onze discípulos, ficariam com o Senhor, e outra vez lemos, ”para que se cumpra a Escritura”. Uma textura eterna de poder e honra são desenhadas por este dois textos: O cumprimento da Escritura, o mandamento do Senhor e a vontade escrava de Judas.

Somente a desonestidade intelectual ou incredulidade tentam diminuir a forças dessas evidências. Toda a realidade que percebemos e que não percebemos foram determinadas conforme o conselho do Santo Deus  na eternidade passada.

Prossigamos, Marcos nos relata: “E eles, havendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras”. Um pequeno coral entoa louvores, e caminha ao lado Deus de Israel, na verdade antecipam a morte do Senhor, que em meio a eles caminha sabendo TUDO O QUE LHE HAVIA DE SUCEDER. O Senhor tem contado todos os passos que dará … como ovelha muda perante seus tosquiadores segue rumo à cruz, em Isaías o Senhor determinou.

E mais, antes que chegasse o beijo da traição, antecipa a reação de todos seus discípulos: “Todos vós esta noite vos escandalizareis em Mim; PORQUE TEM SIDO ESCRITO: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas. (Mc 14.26-27).  

Com coração abatido, sabe que ouvirá de todos, “Ainda que seja necessário, morrerei por ti” (Mc 14.31). Há tristeza e pesar no semblante do Cristo de Deus, assim frente à criaturas tão pequenas e frágeis, pensando contribuirem para o Mestre, manifestam sua bravata contrária às Escrituras. Todos deixariam o Mestre só, igual faríamos caso lá estivéssemos. A promessa de fidelidade eterna é declarada ao Senhor, que sabe resistiria apenas alguns minutos,CONFORME ESTAVA ESCRITO.

Pergunto: O Senhor construiu esse cenário, ou apenas se aproveitou da crueldade humana, em apatia celeste? Ao ver a morte do Filho, morto pelo acaso, propôs a redenção? 

Os textos lidos reafirmam a soberania de Deus e garantem que os ensinos contrários vem daquele sob maldição do “rastejarás sobre o pó da terra”. 

Percebamos sobre o poder de mudar todas as coisas: ”Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (Mt 26:53.54). Havia no Senhor todo o poder e autoridade para cancelar a sentença da cruz, mas não o fez para que se cumprissem as Escrituras, para que a vontade e a palavra do Pai conduzissem a história. 

Todos os pequenos e grandes detalhes foram soberanamente determinados para que o Santo chegasse à bendita cruz. E para regozijo nosso e confrontação com nossos adversário lemos: “Jesus, o nazareno, varão aprovado foi entregue pelo  desígnio e presciência de Deus.” (At 2.23). 

É hora de por de lado nossos fardos, lançarmos mãos de nossas espadas, é a luta contra as hostes do mal. Leiamos novamente, para o relato da morte de Jesus, Deus utilizou o termos DESÍGNIO E PRESCIÊNCIA. Jesus foi morto de acordo com a presciência de Deus. Isso exige nossa atenção:

Nossos acusadores humanistas – e há aqui seus representantes – afirmam ser a presciência a aceitação da parte de Deus das decisões humanas. E vendo Deus  antecipadamente – daí, dizem eles, a presciência – todas as coisas que adviriam montou seu plano.  É isso mesmo que pensam homens e mulheres cujo coração tem se elevado acima das nuvens. Não afastemos nossas mentes desta afirmação: Isso é ensinado mundo afora, e, pior, aprovado por homens e mulheres que se dizem povo de Deus.

Asseveram eles, que Deus viu que iria ocorrer, e daí AJUSTOU seu plano. Logo presciência é a passividade poderosa de Deus, pois fez um plano baseado nas escolhas humanas. 

Ao aceitar tal tese – violência hermenêutica e corrupção exegética, além de um engodo etimológico – concordamos que nossa salvação foi obra do acaso. Isto posto, destitui de Deus o poder de santificar-nos, de preservar-nos e mais chegaremos ao céu baseados em nós mesmos. O Senhor dos Exércitos, o Santo viu que eu iria crer; mais, viu que iria me santificar; mais, viu que “não me desviaria”, viu que cheguei ao céu. Essa abordagem não é a salvação por obras? Não há Deus Pai na escolha, Deus Filho na redenção e Deus Espírito na santificação. Presenciamos a exumação das doutrinas romanas. A morte ressurgiu em manto evangélico. É o poder das trevas, e sutilmente sem imagens – não nas paredes. Assim, é possível entender o cristo evangélico, pois nada mais é que  retórica e mantra.

Mas quantas vezes lemos que o Filho do homem vai conforme está escrito? para que se cumprisse a Escritura? Há dolo no Altíssimo que se fez poderoso apenas para nos impressionar? Seu poder nada me oferece além de minhas próprias possiblidades? Esse é o deus que tem sido pregado por lábios profanos. Anátema sejam todos que proclamam tal discurso, são porta-vozes das trevas, não lhes tarda o juízo lavrado desde a eternidade.

Não, assim não, esse não é nosso Deus que escreveu com sangue o caminho da paz e liberdade. Que desde a eternidade determinou todas as coisas conforme o conselho de Sua vontade, senão, leiamos o que foi estabelecido para seu Filho: Nascido de uma virgem, na cidade de Davi, anunciado por João, o batista, traído, abandonado, pendurado no madeiro, morto desde a fundação do mundo, em glória ressuscitou, subiu aos céus. O Rei, Justo e Justificador, Juiz, Alfa e Ômega e tanto mais que Ele próprio, em sua humildade não revelou.

Adverte aos seus adversários: “Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:47).

Conforta os nossos corações pois nos chama para Si e ensina: A fé não é de todos, isto nos basta, levantemo-nos. 



A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade. 

Há um Deus, bem sei.


A qualquer deus – se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

William Ernest Henley

Este frenesi da insanidade é a suma da compreensão religiosa de nossos dias, e bem poderia ter sido cunhado por lábios  “evangélicos”. 
Pois sei, há nesses, em suas entranhas, suficiente experiência e convicção interior para fazê-lo, contudo, ainda lhes falta a forma de expressá-lo claramente. 

Sempre é bom lembrar que o Cristianismo atravessou séculos de história erguendo estandartes da convicção do relacionamento real com o Altíssimo. 
E não foi sem luta, sem sangue, muito sangue foi derramado para que pudéssemos ouvir vozes celestes trazendo-nos os louvores da salvação.

Deus enviou homens, os quais, o mundo não é digno, 
para o resgate de nossas almas. 
Conhecemos a Deus, ou melhor, Ele nos fez conhecê-Lo, 
e mesmo com nossas almas insubjugáveis, Seu poder prevaleceu, e não poderia ser diferente. 
Pensáva-nos senhores de nossos destinos, mas reféns do pecado e da morte morríamos em nossas convicções, em nossa sabedoria.

Havia certeza que o Deus pessoal, eterno, criador de todas as coisas, Se comunicou com suas criaturas, revelando-Se; 
verdade eterna e mandamento do Senhor.

O que fizeram com nosso Deus? 
Arrancaram suas entranhas, remontaram seus valores, desnudaram-no, iniciando uma trilha descendente e sem retorno.  
Encontraram nesse novo deus uma forma intocável de suficiência.  

Nada mais resta, tudo foi perdido, caiu em mãos aflitas, conduzidas por mentes confusas, é o legado do homem moderno, sempre ávido pelas conquistas seculares. 
Reféns de seus instintos naturais, destituíram os valores cristãos, 
trouxeram o lixo psicologista, descobrindo a temática e a exploração “evangélica”. 
Alçaram suas vozes, em gritos desautorizados propugnam toda sorte de vantagens e ofertas.

Tornaram-se  senhores, assumindo o controle sobre a vida e a morte. 
Marcham  altaneiros de aparência, mas bêbados,  cambaleiam pelas sarjetas, em seu interior há podridão e vergonha. 
Abandonando o sangue do Senhor, se enredam pela política, pelo devaneio intelectual, o espiritismo, o mundanismo. 
Infames dizem:”São esses os caminho do Senhor”.  

Vencedores, conduziram o Senhor, sem nenhuma elegância, até a porta dos fundos;
sumiram com Ele dos discursos, dos corações e mentes.  
 Já não vemos o Senhor, apenas uma turba religiosa comandando sua própria alma, pensam eles.

Mas eu sei em quem tenho crido:


Há um Deus, bem sei, 
pois em sua graça e poder,
 subjugou mi´alma insubjugável.
Com sangue e amor fez-Se dono de meu destino.
Deixo-O conduzir-me, ainda que pecador, 
e escravo, vivo pela bondade do meu Senhor.

A Ele honra, glória e louvor. De eternidade a eternidade.

Como estava determinado


Sabendo, pois, Jesus tudo o que lhe havia de suceder, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? (Jo 18:4)

Após orar ao Pai, nosso Senhor caminha em direção à cruz, segue para o jardim, cruza o ribeiro, dá os passos necessários, todos eles contados, para o encontro fatal, ficará frente a frente ao poder das trevas, como estava determinado desde a eternidade mais remota.

Surge das Escrituras a natureza incansável do deus deste século: “Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna. (Lc 4:13). Seria essa a ocasião oportuna? Judas é seu instrumento. 

Leva consigo as testemunhas que, sem se darem conta, presenciarão o evento central da história humana. O derramamento do sangue de Deus, dali emergiriam raios de luz e vida a cobrir toda superfície da terra; manifestação completa do mais profundo amor.  

De outra direção, outro grupo, se dirige para o mesmo local, em seu meio, Judas, discípulo do Mestre. Tantas vezes ali estivera com o Senhor, para ouvi-lo, compartilhar das grandezas celestes, rirem juntos, para confidenciarem suas dúvidas, seus anseios e aflições.  Apalpou o Verbo da vida, usufruiu de seu carinho, teve o aconchego de sua atenção. Alguma vez olhou nos olhos do Senhor? Pouco provável. Choraram juntos? Muito provável.

Tudo ficara para trás, há outro motivo para aquele momento, vida e morte ficarão frente a frente.

Há satisfação em Judas, não somente pela vantagem financeira, mas, muito mais, há rancor e um grito embargado que confessa sua liberdade. Toda rejeição às sãs palavras será manifestada. Desfeito será o engodo e engano promovido pelos ensinos do Mestre; segundo Judas, nele há falácias e fantasias , muita esperança para quem sonha apenas com o pó da terra. Sua destreza pessoal, sua sabedoria o levam a convicção de sua grandeza e importância daquele momento, é sua grande obra, razão de sua vida.  Tudo como estava determinado, mas livremente o fará.

A turba toma conta do lugar, na aflição, nas palavras, as lanternas buscam as faces que se ocultam pelas sombras e pelo medo, é noite. O som dos passos, dos cacetes repentinamente calam: “A quem buscais?” Judas, emudecido a espreita pelo seu ato, ouve de seus pares: “A Jesus, o nazareno”. João não relata o beijo, não relata a confrontação.  

Na defesa dos seus afirma: É a mim que buscais, deixai ir estes”; ao poder do Senhor dos Exércitos, falseiam as pernas, os corpos por terra caem, postam-se firmes e nada se apercebem; é noite.

A bravata, a espada, o sangue inútil derramado, novamente a eternidade se deixa enxergar pelo tempo: “não hei de beber o cálice que o Pai me deu?” Como estava determinado.

Flui das palavras do Senhor: “Dos que me tens dado, nenhum deles perdi”, aquele que o traía jamais esteve no recato eterno do Criador. Sem qualquer hesitação, satisfez seu intento. 

É noite, será sempre noite… Judas caminha pela eternidade, livremente fez… como estava determinado.

Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.