Sabendo, pois, Jesus tudo o que lhe havia de suceder, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? (Jo 18:4)

Após orar ao Pai, nosso Senhor caminha em direção à cruz, segue para o jardim, cruza o ribeiro, dá os passos necessários, todos eles contados, para o encontro fatal, ficará frente a frente ao poder das trevas, como estava determinado desde a eternidade mais remota.

Surge das Escrituras a natureza incansável do deus deste século: “Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna. (Lc 4:13). Seria essa a ocasião oportuna? Judas é seu instrumento. 

Leva consigo as testemunhas que, sem se darem conta, presenciarão o evento central da história humana. O derramamento do sangue de Deus, dali emergiriam raios de luz e vida a cobrir toda superfície da terra; manifestação completa do mais profundo amor.  

De outra direção, outro grupo, se dirige para o mesmo local, em seu meio, Judas, discípulo do Mestre. Tantas vezes ali estivera com o Senhor, para ouvi-lo, compartilhar das grandezas celestes, rirem juntos, para confidenciarem suas dúvidas, seus anseios e aflições.  Apalpou o Verbo da vida, usufruiu de seu carinho, teve o aconchego de sua atenção. Alguma vez olhou nos olhos do Senhor? Pouco provável. Choraram juntos? Muito provável.

Tudo ficara para trás, há outro motivo para aquele momento, vida e morte ficarão frente a frente.

Há satisfação em Judas, não somente pela vantagem financeira, mas, muito mais, há rancor e um grito embargado que confessa sua liberdade. Toda rejeição às sãs palavras será manifestada. Desfeito será o engodo e engano promovido pelos ensinos do Mestre; segundo Judas, nele há falácias e fantasias , muita esperança para quem sonha apenas com o pó da terra. Sua destreza pessoal, sua sabedoria o levam a convicção de sua grandeza e importância daquele momento, é sua grande obra, razão de sua vida.  Tudo como estava determinado, mas livremente o fará.

A turba toma conta do lugar, na aflição, nas palavras, as lanternas buscam as faces que se ocultam pelas sombras e pelo medo, é noite. O som dos passos, dos cacetes repentinamente calam: “A quem buscais?” Judas, emudecido a espreita pelo seu ato, ouve de seus pares: “A Jesus, o nazareno”. João não relata o beijo, não relata a confrontação.  

Na defesa dos seus afirma: É a mim que buscais, deixai ir estes”; ao poder do Senhor dos Exércitos, falseiam as pernas, os corpos por terra caem, postam-se firmes e nada se apercebem; é noite.

A bravata, a espada, o sangue inútil derramado, novamente a eternidade se deixa enxergar pelo tempo: “não hei de beber o cálice que o Pai me deu?” Como estava determinado.

Flui das palavras do Senhor: “Dos que me tens dado, nenhum deles perdi”, aquele que o traía jamais esteve no recato eterno do Criador. Sem qualquer hesitação, satisfez seu intento. 

É noite, será sempre noite… Judas caminha pela eternidade, livremente fez… como estava determinado.

Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.  


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