Manaus, 4,novembro,2010


É noite. 
Os sons da traição sussurram pela a escuridão, percorrem os parques. 
É noite nos corações. 
Trinta peças de prata por um salvador.

Entregue por um dos meus.
Este enredo de horror e usura voltará. 
Onde estarão os meus, os meus amigos? Todos me abandonaram. 
Este enredo de horror e usura repertir-se-á.

Rodeiam-me por todos os lados, cercam-me com fúria como se malfeitor fosse. 
São gritos, blasfêmias, acusam-me por ser quem verdadeiramente Sou. 
Esbofeteiam-me sem que mau algum tenha feito. 

Rilham os dentes em ódio. 
Não lhes há satisfação, pois me aumentam a minha dor. 
Perfuram minha fronte, sangro, 
os espinhos dilacerantes encravam mais dor, 
sinto as dores de homem. 

Coroa, mantos e canas fizeram-me rei.
Nada sabem os filhos dos homens.

Minha aparência é horrenda, sofro as dores dos homens, 
nada poderá detê-los. 
Transformei-me no escárnio do mundo, 
há prazer e loucura em meus verdugos. 
Não há limite para maldade dos filhos dos homens.

Não sabem que há mais amor e misericórdia no Pai, 
que seu rancor e ódio em milhões de mundos.
Nem todo mal das hostes de demônios desfaria a cruz. 
Nada me demoverá, seguirei.

São os filhos dos homens em sua disposição de morte, 
matarão o autor da vida, 
rejeitaram o Santo.  
Nada sabem, nada sabem.

Vejo a turba em multidão: Sangue! Sangue! 
Suas bocas urdem enganos, semeiam a morte e clamam por justiça. 
Sua justiça e lei: a vil rejeição do Pai.
Tramas escuras pintam a condenação do Santo. 


Antes do Senhor está a glória dos reinos deste mundo.
Buscam a defesa do prazer e do engano usando o nome do Senhor.

Aproximam-se de mim, mãos que derramarão sangue inocente, 
seguem conforme sua disposição, conforme está escrito.

Erguem a cruz, bendita cruz. 
A madeira, mesmo que para morte, 
sustentará a vida por toda eternidade.

Os pregos traspassam minha carne e ossos, 
sinto as dores dos homens. 
Serei levantado, não tardará, 
virão as trevas, para eternizar o amor, 
para encerrar a minha dor.  

Está consumado!

É noite. 
Os sons da traição sussurram pela a escuridão, 
da noite e dos corações. 

É noite. 
Trinta peças de prata por um salvador.
Chegaram aos púlpitos, chegaram a nós.

Este enredo de horror e usura está posto – repete-se – diante de nós.

Sabedores ou não é como tributam ao Senhor.


É noite, 
conforme está escrito, chegou.


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