Soberania e estultice

Manaus – Igreja Batista Regular Renascer 
Em 27.03.2011
Os conceitos, pressupostos e experiências contemporâneos passam a ser válidos quando fortalecem a realidade, mesmo que frágil, mesmo que falsa, que permita ao homem sentir-se soberano, vencedor. Qualquer vento de argumento, caso proporcione a sensação de liberdade, de autonomia é verdadeiro. As propostas em contrário aos ideais de autonomia e soberania humanas são rejeitadas. Verdadeiro é o vantajoso.
Assim, estranhamente, vivemos uma experiência artificial em que se excluem os contrários às pretensões humanas.
A soberba humana o faz acreditar que verdade está nele, é dele, nada além dele detém as rédeas da verdade. Há uma frenética busca de novas verdades, consolidada está a rejeição dos valores permanentes, das verdades eternas.

Esse contexto criou um padrão de disciplina mental em que vários temas passaram a ser proibitivos, antiquados, sem utilidade prática para as premências humanas: Deus, Deus e sua vontade, seu caráter, sua obra, seu juízo; honestidade, ética, morte, eternidade. Há um Index destas exclusões. 
Questionar as posições válidas com base nas verdades bíblicas faz com que assuntos sejam encerrados, amizades rompidas, famílias divididas. 

Podemos assegurar o cristianismo não é do interesse das pessoas, do mundo em geral. As grandes soluções humanas – segundo eles – prescindem dos valores cristãos. É inocência, estupidez ou ganância o agrupamento cristão para soluções políticas ou corporativas. Não há ponto de contato entre a mente moderna – na busca de novidades que promovam sentimentos de autonomia – e a mensagem cristã. 

Como viver e proclamar as verdades cristãs se ninguém as quer ouvir?  Se utilidade alguma é dada
Deslindam-se duas posições:
(1) Não proclamar o cristianismo;
(2) Pasteurizar o cristianismo de forma a agradar o mundo – retiremos Deus, soberania, juízo, eternidade, ética… por fim Cristo e sua cruz. 

Isto já está em prática diante de nossos olhos, alternam-se entre uma e outra, é chegada a nova – e última – ordem religiosa: os evangélicos. Sumário da abominação erguida com recortes das Escrituras e toda empáfia humana, com suas “verdades” e estratégias. Vencedora, libertadora.

Mas, rejeitando as coisas que para trás ficaram, não acompanharemos a multidão, ofereçamos a Cristo, crucificado, escândalo para os religiosos, para os evangélicos e loucura para os sábios.  Mas é poder e sabedoria de Deus para salvar aos que forem chamados.

Por ela poderei destruir amizades? Poderei.
Poderei separar famílias? Poderei.
Poderei encerrar o assunto? Poderei. 

Mas, clamo ao Senhor de toda a terra, Senhor dos senhores, para que sua graça seja abundante nesta noite, que sua misericórdia seja presenciada neste lugar e que seu santo nome seja engrandecido. A Ele toda honra, toda glória para todo sempre. 
Se tomarmos a seqüência mais simples das Escrituras concluiremos que as primeiras palavras de Deus para o homem foram palavras de bênçãos, para que suas obras neste mundo fossem perceptíveis: “Crescei, multiplicai, dominai”. (Gn 1.28).
Há um nítido cenário de amizade, harmonia, comunhão entre o Criador e a sua criatura.
Percorrendo esse cenário, rebuscamos as Escrituras encontramos a primeira citação de uma ordem do Senhor ao homem. Há, porém por toda a Escritura Sagrada o claro exercício do poder de Deus. Mesmo que rejeitado pela multidão, é necessário considerá-lo, assim, conheceremos mais nosso Deus e mais a nós mesmos.
 “Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gn 2:16)
“Ordenou o Senhor ao homem”, é isto que lemos. Um argumento direto, claro: Deus dá ordens aos homens, encurralados estão todos, segundo lemos no texto sagrado.
O enganoso coração faz com que haja conspiração contra o Todo-Poderoso. Rejeitam a idéia da existência de um ser pessoal superior que se revelou às suas criaturas deixando-nos a Escritura. E resiste ao fato que um dia haverá de prestar contas a Ele.
O salmista no cap. 2.2-3 confirma esse espírito, esse sentimento humano em relação ao domínio e poder de Deus:
“Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas”. (Sl 2.2-3)
É o grito de muitos que aqui estão.  Mas o v. 4 diz:
“Rir-se aquele que habita no céu; o Senhor zomba deles”
A bravata humana de liberdade, é vista por Deus como insanidade, como loucura.  E mais o Senhor diz sobre si. O profeta Daniel:
Ele faz com o exército do céu e os moradores da terra a sua vontade. E quem pode questioná-lo: o que fazes?”.
Sim, nosso Deus tem poder e autoridade sobre tudo e mais… não podemos questioná-lo. 
Precisamos proclamar aos quatros ventos que o nosso Deus sempre oferecerá ao homem o que é melhor para o homem. Leiamos a Carta aos Hebreus, lá diz:
Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo, (Hb 6:13)
As ofertas e mandamentos de Deus foram feitas com base em seu próprio caráter, bondade, fidelidade. Sua soberania é exercida para promover o bem aos homens.
Mas o homem pensando-se forte, eterno, conhecedor de todo bem, manifesta seu coração, sua mente, toda sua energia contra o Senhor, contra sua Palavra. Ousam fazer esses que não passam de pó e cinza.
Aprendamos a soberania de Deus:
Vede agora que eu, eu o sou, e não há outro deus além de mim; eu faço morrer e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar da minha mão. (Dt 32:39 )
Regozijemo-nos em sua benevolência:
Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. (Jo 6:37)
Nenhuma verdade há além do amor, da soberania e benevolência de Deus. Cristo é a manifestação de seu poder e cuidado com cada um de nós.  
Devemos chorar por causa da estultice humana, tanta vida vindo do alto e ele rastejando em busca da morte. 

A velha e única verdade


Excerto de pregação

Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gn 2:16)

Os conceitos, pressupostos e experiências contemporâneos devem obrigatoriamente criar uma realidade, mesmo que frágil, mesmo que falsa, adequada para o homem sentir-se soberano, vencedor. 
Qualquer proposta que obstrua os ideais de autonomia e soberania humanas deve ser rejeitada. Assim, estranhamente, forjou-se uma realidade em que se extirparam todos os elementos que se contrapõem às pretensões humanas. A verdade está no homem, é do homem, nada além deste detém as rédeas da verdade.
Realidade essa estabeleceu uma disciplina mental onde vários temas passaram a ser proibitivos, antiquados e não se prestam ao cardápio da moderna sabedoria. 
Deus, Deus e sua vontade, seu caráter, sua obra, seu juízo; honestidade, ética, morte, eternidade fazem parte desse Index de exclusões. 
A mera menção desses faz com que assuntos sejam encerrados, amizades separadas, famílias divididas. 
Não podemos fugir à conclusão: o cristianismo não é do interesse das pessoas, do mundo em geral. Não é possível um ponto de contato entre a mente moderna e os valores cristãos. 

O conflito foi instalado: como conciliar a proclamação das verdades cristãs à sua rejeição absoluta?  
Deslindaram-se duas soluções: (1) não falar sobre cristianismo; (2) inventar um cristianismo sem Deus, sem juízo, sem eternidade, sem ética… sem Cristo. 

Alternando-se entre uma e outra, construíu-se uma nova ordem religiosa, e a ela denominou-se evangélica. Sumário de uma abominação erguida fugindo das Escrituras e regalando-se na graça, “verdades” e estratégias mundanas.

Porém, há a terceira via, a qual omiti intencionalmente, é aquela que discorre a verdade de Deus, seus feitos, sua bondade, seu juízo. Por ela poderei destruir amizades? Poderei. Poderei separar famílias? Poderei. Poderei encerrar o assunto? Poderei. 
Mas, é que eu proponho a oferecer. 
Nada eu teria a oferecer que não fosse o amor de Deus, sua graça, sua verdade. Que não  fosse Cristo, e este crucificado, escândalo para os religiosos, para os evangélicos e loucura para os sábios.

O benefício do púlpito oferece-me vantagens que delas não abrirei mão. 

Mas, clamo ao Senhor de toda a terra, Senhor de senhores, para que sua graça seja abundante nesta noite, que sua misericórdia seja presenciada neste lugar.

A Ele toda honra, toda glória para todo sempre. 

A vida tragando a verdadeira vida


Ao olharmos em nosso derredor, verificamos que estamos submetidos a uma dinâmica incontrolável que consome  toda a energia disponível em busca da saciedade, em busca da satisfação necessária para justificar aquilo que hoje chamou-se “vida”. 

Não se pode esconder, o mundo corre em busca do “agora”. Nada pode ser para depois, para um tempo depois deste tempo. Esta dinâmica consolidou-se e imprimiu nas pessoas a aflição transparente. Todos são aflitos, nem se sabe porque.

Há um frisson de busca, corre-se sempre, correm todos. O mundo é premido pela inércia do incontrolável.  
O medo da perda, o fracasso assustador e a satisfação fazem qualquer argumentação sobre valores que se contraponham à essa dinâmica da “aflição necessária” ser tratada com indulgência mordaz. Temas como a eternidade com todo seu contexto e implicações, passou a ser parte da agenda do dispensável. Teme-se ou evita-se temas que diminuam a grandeza humana.
Assim, é a essa “vida”, construída por mãos humanas, caminha varonil permitindo a cada um julgar-se senhor do seu destino, imperador da história. 

Absurdamente, a morte foi ceifada do elenco de preocupações das pessoas, do mundo. Para espanto e extermínio da razão, o homem se propõe indestrutível: age como se tudo fosse subsistir para sempre, em especial ele próprio. 


Eternidade, morte, ética e mesmo Deus foram substituídos pela semântica da ousadia. O significado das palavras foi dissociados de seus objetos. As circunstâncias, os coletivos apropriaram-se da realidade e em salto romperam com a razão. 
Logo, a verdade nesta “vida” passou a ser submetida ao interesse pessoal. A contingência é o grande arquiteto da realidade, desde que fortaleça os pilares para um  mundo melhor, sem Deus, obviamente. 

A irracionalidade passou a ser o padrão para inquirir as dúvidas existenciais, desta feita, as estruturas do pensamento da vida lá fora chegaram e convenceram os valores da “vida cristã”. Tudo é aceitável, desde que tenha rompido os laços com o passado.


O cenário (as verdades) que toma conta da vida contradiz as abordagens bíblicas. O futuro é profetizado em desacordo com a sentença do Altíssimo. Pois, o caráter de Deus traz  desconforto e pessimismo incompatíveis com os ideais da secularização cristã, portanto será descartado. Repudiam aqueles que defendem as verdades de “antigamente”.

Não precisamos de esforço para verificarmos que:


1. A apologética cristã passará a ser disciplina apenas para consumo interno das mentes restauradas pelo Senhor. 


2. O evangelismo que se assenta sob o sacrifício – sangue – de Cristo perderá a conectividade com a realidade humana e os cristãos nominais e contextualizados fundirão suas utopias de conquistas e reformas aos mais vis interesses seculares… e lenta e progressivamente se assentará o ecumenismo em prol de um mundo melhor.


3. A santificação será mundanizada a ponto de rirem-se dos contrários.


4. A tentativa de trazer o céu para cá embaixo será a prioridade da igreja. 


Então virá o Senhor, aí sim, porá todas as coisas em ordem! Conforme a palavra de nosso Deus. 

P.S. Meu otimismo é expresso por projetar tal quadro ainda para o futuro. 

Para onde iremos? (O inferno – Parte I)


Pregação 27.02.2011
Mogi das Cruzes

Texto: Jo 6.38 “Para onde iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”.

O questionamento feito pelos apóstolos oferece-nos um grande motivo para meditação: Para onde iremos? Para onde cada um de nós irá? E ao complementar com “Tu tens as palavras da vida eterna” introduz uma perspectiva que tem afugentado o mundo: A Eternidade. Este tema, a eternidade, tem sido intencionalmente repudiado pelas pessoas, não encontro ninguém que tenha prazer em abordá-lo sem temores, e daí o caráter de profunda seriedade que encontraremos a seguir. 

Onde estaremos na eternidade que se aproxima? Isto não apenas merece nossa atenção, exige nossa atenção: Para onde iremos, onde nossas decisões estão nos encaminhando?

Haveremos, todos, de enfrentar tal situação, mesmo que se esquivem muitos dos que aqui se encontram, mesmo que não queiram considerar o assunto. A eternidade se apresenta como a evidência inexorável da impotência humana. Apenas a citação do termo produz desconforto. Mas, deixem-me falar-lhes: a eternidade não é uma opção ou gosto pessoal, não está sob o controle de qualquer um de nós, pelo contrário, ela é a sentença do Juiz de toda terra: ela virá. 


Aconselho a todos que ouçam agora para que possam conhecer e escolher o melhor caminho; a melhor e única vida e vivê-la… eternamente.
Não se deixem levar pelo entendimento, pelo coração, neles há engano, neles há dolo. 

Voltem-se para as verdades, e são muitas as verdades no texto que precisam ser consideradas.

Nele sabemos sobre (1) nosso destino, pois questiona: “Onde iremos?”.
Depois nossa mente é perpassada, quando lemos: “O Senhor tem as palavras”.  
Logo, (2) a verdade não está em nós
Assim, precisamos conhecê-la. 
Por fim diz: “Vida eterna”.  
Somos confrontados: Nosso destino eterno é definido por verdades que não são nossas, que não as conhecemos. 

Que o Senhor derrame sua incompreensível bondade sobre todos nós, de forma que saiamos daqui certos que estivemos sob seu manto de amor e graça. 
A Ele todas as coisas.

Comecemos, pois com o nosso destino: Onde iremos? Onde estaremos daqui a centena de anos? 


Para compreendermos um pouco sobre nosso tempo, consideremos: Muitos dos que aqui estão sentados, acredito, reconhecem que não sabiam que neste domingo de 2011 estariam aqui. 
Não sabiam com quem estariam. Mas chegamos aqui, atravessamos o tempo, nossos dias passados. Casamos com pessoas que nem conhecíamos, tivemos filhos.
Nossa vida e realidade hoje é o resultado das escolhas passadas que fizemos ou mesmo por aquelas que não fizemos, e fomos apenas conduzidos tempo afora, reféns de um contexto incontrolável, quase à deriva. 


Em nossas meditações nos permitimos voltar 10, 20, 30 anos, vemos que hoje vivemos o futuro daquela época. 
Se utilizarmos esta mesma concepção para avaliarmos daqui a 50, 100, 1000 anos, olharemos e de lá veremos que as nossas escolhas de hoje nos conduziram para onde estamos (ou onde um dia estaremos). A cada momento, em cada decisão construímos trilhas para nossa eternidade.
Nossas mentes precisam conhecer a verdade para acomodarem decisões sábias. A tolice, a estultice não nos levará para o consolo eterno do Senhor. 

Assim, alguns conceitos da palavra de Deus precisam, como águas mansas, ter a clareza necessária para facilitar nossas decisões, afastarem de nós os equívocos que nos levam aos erros e por eles à morte e dor.
Temos de considerar o Inferno como uma possibilidade eterna, sim, o inferno. Lá bilhões de pessoas experimentarão a justiça santa de um Deus justo.


Preciso reconhecer que a estultice dos homens  religiosos e a sabedoria de satanás têm desqualificado as verdades relacionadas ao juízo de Deus. 

Toda vocação – perversidade – evangélica tem voltado seus esforços para oferecer a todos um Deus de entretenimento e dedicado a atender a satisfação dos prazeres humanos. Um deus sem valores morais, um deus comprável.

Esse deus jamais esteve assentado em lugares celestiais, jamais criou cousa alguma, e jamais salvará um único pecador do juízo inclemente do Senhor de todas as coisas, o verdadeiro Deus. 
Não se deixem enganar pelo sopro fingido que lhes garante que nada há a temer, que marchamos para um mundo de bem-aventuranças e que agora se inicia a colheita do prazer e da conquista. 
Acautelem-se, pois desse deus caricato, criado pela mente faminta dos senhores da prosperidade, não é o Deus que dos céus derrama sua bondade e amor. 


Contrário  às fantasias evangélicas lemos profecias terríveis: 

porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. (Mt 24:21)

Neste texto há o registro profético da ira de Deus sobre todos que habitam na terra, o juízo contra toda rebeldia e impiedade humana. Contrapondo-se, alguns afirmam que tal profecia reporta-se ao nosso tempo, o que vivemos agora. Isto é, segundo esses senhores vivemos a profética Grande Tribulação.  E outros mais ousados afirmam que nem Grande Tribulação haverá.

Mais leio: 

Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. (Mt 24:29-30)


Segundo a palavra do Senhor os poderes cósmicos serão abalados; o Senhor virá sobre as nuvens com poder e grande glória. Nada no cenário nos diz que vivemos dias da Grande Tribulação antecipando a vinda em glória de meu Deus. 

Qual então o propósito de tais afirmações contrárias à severidade de Deus? O enfraquecimento da idéia do juízo de Deus. O mundo não deve aguardar o Senhor Deus derramar sua ira. 
Experimentamos a ira de Deus? Sim, afirmam esses. Ira em que degustamos os prazeres? que desfrutamos de conforto? Ira sem perseguições. 
Amados, garanto-lhes, estas profecias ainda se cumprirão, e que tais idéias servem apenas para desqualificar o caráter justo do juízo de Deus.  Mundanizar a moral de Deus.

Há alguma relação entre o argumento exposto, que vivemos a ira de Deus, com o conceito inferno existente nas Escrituras? 
Respondo que sim. Tal proposta teológica faz com que o ensino sobre o Inferno ganhe  palidez e se torne risível. Permite que mentes e corações não se apercebam da realidade, tangência e horror das sentenças de Deus. 
Como resultado, brinca-se com inferno dando-lhe a mesma “natureza e verdade” que as a um cenário mitológico, à casa da bruxa má ou mesmo a floresta encantada cheia de duendes. 
Os homens zombam das advertências do Senhor e colocam-nas arquivadas nas prateleiras do entretenimento secular, e isso graças à ignorância e esforço religioso – evangélico –  que anseia por participar e angariar simpatia do mundo secular.

Para esse “movimento religioso” e suas idéias seculares temos uma mensagem vinda do inferno, de suas profundezas. 


No evangelho de Lucas, cap. 16, lemos haver dois homens: um sabe-se rico e outro Lázaro, e ambos morrem. No vv. 23,24, está escrito: 

“No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.


Contrário ao ideal católico-espírita-ecumênico-evangélico que o inferno é aqui mesmo ou apenas um estado de espírito, o contexto garante-nos que o inferno é um lugar (v. 26): “está posto um grande abismo”. 
Esses que em sua sabedoria desfazem das verdades eternas, que enfrentem os textos sagrados, a palavra de nosso Deus. 
Rilhem seus dentes, mas saibam que o inferno é um lugar de tormento, de chamas, com plena consciência da parte dos que lá estão. 
Vejam o homem rico! Pois, tem vívida em sua mente a experiência anterior à sua morte – “envia-me Lázaro” – sabe o nome daquele que esteve em sua casa, lembra-se de seus irmãos, sabe da sentença que sobre ele paira. 
Mas, o ponto mais terrível de seu depoimento: o rico em seu tormento não pede para si misericórdia. 
Saberia ele que o inferno é a justiça plena e irrecorrível do Senhor? 
Sabia ele antecipadamente que o inferno era um lugar de sentença de Deus?
O inferno adverte a todos: Lá há plena consciência que o pecado lhe abre as portas e nenhuma misericórdia há!
Não se deixem enganar, pensando que não há inferno, que não haverá punição. 
Que em Deus há tanta bondade a ponto de que Ele compartilhe dos pecados do homem. 
Não, assim não é, e assim não acontecerá.
Fujam da sabedoria pessoal, da verdade pessoal, fujam das trevas eternas do inferno de terror e dor. 
Os que aqui estão, se não sabiam da verdade, agora o sabem!

Tu me amas? (Despertando com Pedro)

Mogi das Cruzes – SP

Texto: Jo 21.15-25
Chegamos ao final do Evangelho de João temos a certeza que atravessamos lindas páginas de amor, sabedoria e bondade de Deus, suficiente para produzir em nós a mais profunda esperança.
Contudo, precisamos reconhecer… faltou humilhar-mo-nos mais ao Senhor, assim teríamos chorado mais, nos arrependido muito mais. Faltou-nos o quebrantamento publicano: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! (Lc 18:13).
Outra certeza: muito mais há nessas páginas, muito mais a aprender, muito mais deveria ser dito e aprendido para glória de nosso Deus. É necessário o consolo do Senhor: “O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás”. (Jo 13:7). Nossa ignorância foi contemplada e antecipada pelo Altíssimo.
O Senhor, a despeito de nossas falhas, em sua benevolência, dá-nos pacientemente mais e mais de seu conhecimento e de seu cuidado até aquele Dia quando estaremos face a face com Ele, e tudo será novo.
Tu me amas?
Ali mesmo na praia, finda a refeição, o Senhor deixou para trás a escolha feita pelos seus discípulos na noite anterior. Acredito que à parte, apenas com Pedro, o Senhor quebra o silêncio, indagando-o: Tu me amas mais que estes outros? A quem se refere o Senhor? Quais as preocupações povoam a mente do Senhor?
Alguns propõem referir-se aos peixes pescados, isto é, questiona se Pedro amava mais aos peixes que a Cristo. Apesar de possível, vejo mais coerência à história de Pedro, ao contexto e ao caráter de Deus, Senhor propor um cenário com a companhia daqueles discípulos na pescaria e não aos peixes. Assim, distancio-me desta proposta, e entendo que o Senhor procura reconduzir a Pedro às veredas da verdade, às veredas santas do serviço ao Senhor.
E temos a nos apoiar Mc 14.29, quando Pedro ofereceu voto de eterna fidelidade: AINDA QUE TODOS SE ESCANDALIZEM, NUNCA, PORÉM, EU”. E sabemos o sucedido.
Levemos nossas mentes a considerar que o propósito do questionamento do Senhor é esse mesmo: despertar  Pedro. Há em Pedro um sumário de sentimentos e escolhas equivocadas no questionamento: “Tu me amas?”

Nada é colocado em detalhes sobre o que Pedro fez ou deixou de fazer, apenas realça sua verdadeira devoção ao SENHOR. As escolhas de Pedro são figuras vívidas que expressam sua devoção ao Senhor. É esse o primeiro ponto no qual devemos considerar para posicionamento de nossas vidas em relação a Deus: o quanto somos capazes de abrir mão de nossas devoções pessoais para nos aproximar mais de Deus… extraímos a resposta pelas nossas escolhas.
Em sua habitual sinceridade, responde: “Senhor tu sabes que te amo”. 


Apesar de serem os mesmos verbos em nossa Bíblia, Pedro empregou um verbo diferente para responder. E o contexto oferece uma possibilidade do “amo” de Pedro ser menos intenso que o “amo” utilizado pelo Senhor. 
Com cuidado devido, apenas para melhor entendimento do contexto, podemos associar “amo” do Senhor com o “amo” que utilizamos para definir nosso “amar”. Enquanto que o “amo” de Pedro seria o nosso “gostar”, portanto, com menor intensidade. Em nosso cotidiano utilizamos “amar” para expressar um sentimento mais intenso que “gostar”.
Pedro, sabendo ou não o intento do Senhor, desviou-se de corresponder à intensidade da pergunta, e mais, se refugiou na sabedoria do Senhor, ”tu sabes”. Pedro sabe que o Senhor conhecia seu coração, não estava disposto a reviver suas falhas, seus enganos. Para Pedro estava resolvida a questão: “o Senhor conhece o meu coração”.
Caso o Senhor estivesse encerrado neste ponto poderíamos concordar com muitos que se escudam neste argumento para justificar a falsidade em nome do Senhor. É uma outra perspectiva: “o Senhor sabe, o Senhor conhece o meu coração”, soando como refrão autorizador do pecado.
De certa forma, vemos em nosso derredor são inconversos, passando-se como cristãos, como se fossem túmulos caiados.
NÃO FUGIRÃO DO TEXTO:
“ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia”. (Mt 23:27)
Face á resposta do Apóstolo, o Senhor complementa: “alimenta minhas ovelhas”. A essa linguagem Pedro estava familiarizado.
Quantas vezes ouviu: “O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ”? As lembranças dos ensinos do Mestre: “EU SOU BOM PASTOR QUE DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS”?
Estava o Senhor, a despeito de quem era Pedro, oferecer-lhe uma nova oportunidade de servi-lo? Alimentar ovelhas de um rebanho celestial? Confiada lhe seria tal grandeza?
Tu me amas?
Insiste o Senhor: “Tu me amas?” E Pedro novamente utiliza-se da mesma resposta e intensidade para afirmar que sim. Reporta-se novamente ao conhecimento do Mestre: “Tu sabes que eu te amo”. Oferece-lhe um coração contrito e ouve: “Pastoreia (conduz) minhas ovelhas”. O Senhor conhece a história e o coração de Pedro, mas mesmo assim, confia-lhe, além de alimentar, haverá de conduzir as ovelhas do Pastor Ressurreto (Hb 13:20).
O Senhor tem (frágeis) vasos de honra e por meio desses Sua glória é manifesta por toda a terra. 
Tu me amas?
Pela terceira vez questiona-lhe o Senhor, agora sem empregar a mesma intensidade, utiliza-se das mesmas palavras de Pedro: “Amas-me?” (gostas de mim?)
Terceira, três, estes números deveriam afligir a Pedro, pois, sua traição ao Senhor estava vívida em sua mente.
Lembremos que o SENHOR ressurreto estivera entre os seus por apenas por 40 dias. 
Pedro reconhecia sua tão (1) dolorosa bravata de fidelidade, 
(2) os cânticos após a Páscoa quando se dirigiram ao Getsêmane, 
(3) a agressão a Malco, 
(4) o abandono o Mestre, 
(5) a covardia convicta frente aos serviçais… por fim o galo a cantar por três vezes… e a traição. 
Eram mui pesadas tais lembranças.

O Senhor reconhece a FRAGILIDADE DE PEDRO, o peso de suas decisões, porém aceita suas deficiências, sua devoção, e por fim, sua frágil, mas sincera resposta.
Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. (Ef 5:14)
Teria Pedro ENTENDIDO ANTECIPADAMENTE ”eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome”? (At. 9:16).
Tudo ficou para trás, reconhecer a disposição do próprio coração é o que importa a Pedro.
Nos versos 18 e 19, lemos:
“Quando na tua velhice, te levarão para onde não queres ir”.
É sobre como Pedro tributaria a Deus com sua morte. E acrescenta: “Segue-me”.
Mesmo antecipando seus sofrimentos oferecia-lhe um novo começo, uma nova vida, um novo despertar, aprenderia Pedro: “de maneira alguma de deixarei, jamais te abandonarei”.
Palavras que ecoam desde a eternidade, sons celestes que chegam aos nossos corações e nos impelem a irmos em frente, mesmo sendo quem o somos.
Despertam o Senhor a todos os seus, mesmo em nossos erros, em nossas decisões equivocadas, o Senhor está sempre pronto para nos despertar e reconduzindo-nos com amor à sua comunhão… rumo à pátria celestial.
Assim como fez com Pedro.

CLAMEMOS COM OS APÓSTOLOS AO SENHOR: AUMENTA-NOS A FÉ. (Lc 17:5)

O Dispensacionalismo é do diabo?


Mogi das Cruzes – SP


“Repito que os cristãos dispensacionalistas são verdadeiros crentes, no entanto, tenho para mim que o próprio Diabo inspirou a jovem McDonald – para comprovar, basta-nos as Escrituras, além disso, o fato de a Igreja ter, com essa mentalidade derrotista, entregue o mundo nas mãos de Satanás”. 

Texto retirado de http://www.olharreformado.com/2011/02/lutando-para-vencer-ou-porque-sou.html. (acesso feito em 24.02.2011, às 09:46).

Ao ler tal declaração me apercebi de como o desconhecimento pode nos levar a veredictos tão duros, mesmo infantis. E mais, todas as vezes que o pecado está posto frente aos meus olhos, vejo-os em mim mesmo, reconhecendo ter realizado o mesmo trajeto, precipitando-me em tecer opiniões sem os fundamentos necessários.

Há algum tempo adotei como regra de publicação (tornar público – seja em púlpitos, seja em reuniões, seja na web) conhecer minimamente para  também opinar minimamente e não ser apanhado por Pv 29.20.


São as Escrituras que mansamente forjam esta conduta: “Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. (1Co 13:11).
A despeito de incluir os Dispensacionalistas como apóstatas (1 Tm 4.1), acredito que pelo contexto – “verdadeiros crentes” – houve precipitação na categorização da parte do irmão.
Sempre me faço lembrar que todos têm direito a ter opinião, ninguém, contudo, pode se equivocar quanto aos fatos.

Não tenho qualquer interesse ou tentativa de convencimento, mesmo disputa, apenas oferecer sumariamente os fundamentos do Dispensacionalismo.

A HISTORICIDADE  
A questão histórica quando evocada traz com ela sofisma suficiente para que não seja ela a instância final da verdade, pois todos afirmam (até a ICR, pasmem!) que suas doutrinas remontam aos primeiros dias apostólicos. Assim, esse critério, que em nada desfavorece o Dispensacionalismo, não virá na discussão do tema, por acreditar que há outros critérios que podem com tranqüilidade garantir que a origem do Dispensacionalismo não é do diabo.
Ofereço apenas dois, por entender que sejam os portais do tema.
O MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO
A adoção de diferentes métodos fundamenta a variedade de posições teológicas, assim a grande questão é primariamente a Hermenêutica. Há de se concordar da visceral relação do Dispensacionalismo com interpretação literalista das Escrituras (Histórico-gramatical).
Oswald T. Allis, crítico do Dispensacionalismo afirmou em seu livro Prophecy and the church, p.17:
“…denunciam como ‘espiritualistas’ ou ‘alegoristas’ os que não interpretam as Escrituras com o mesmo grau de literalidade que eles utilizam. Ninguém faz essa acusação de modo mais agudo aos dispensacionalistas.”
E conclui:
“a questão da interpretação literal versus a figurada é, portanto, algo que precisa ser encarada desde o princípio”.
Assim lemos uma acusação ao Dispensacionalista quanto à interpretação literal das Escrituras. Não é necessário maior discurso sobre a questão, pois a Reforma fundamentalmente permitiu a adoção (retorno) do literalismo no método de interpretação.
Para encerrarmos a questão lemos Calvino em seu comentário de Gãlatas, p.136; ap. Gerrit Hospers, O Princípio da espiritualização hermenêutica, p.11:
“Saibamos, portanto, que o verdadeiro sentido da Escritura é o sentido natural e evidente, abracemo-lo e permaneçamos nele resolutamente.”
Não podemos negar a existência das figuras, tipos e ilustrações bíblicas, mas a Bíblia explica a própria Bíblia (1 Co 2.13). Toda e qualquer interpretação de figuras, tipos ou alegorias em geral deve ter sua relação expressa nas Escrituras.
AS ALIANÇAS BÍBLICAS 
O conceito das alianças dentro da proposta pela Teologia Aliancista é insatisfatório para explicar as Escrituras, pois despreza as Alianças Bíblicas como determinante do plano escatológico. As alianças de Obra e Graça sustentam a teologia da Reforma, o que não implica em qualquer erro, porém é insuficiente para adentrar no tempo e identificar o propósito de cada época.
Lewis S. Chaffer (Systematic theology, I, p. 156) diz:
“Uma teologia que não penetra bastante fundo nas Escrituras para fazer mais que simplesmente descobrir que, em todas as épocas, Deus é imutável para com os pecadores penitentes, e constrói a idéia de uma igreja universal, que continua através dos tempos, com base na verdade única da graça imutável, não está apenas negligenciando vastas esferas da revelação, mas está colhendo confusão e desorientações inevitáveis que a verdade parcial pode engendrar.”
As Alianças no contexto Dispensacionalista fornecem uma textura maravilhosa, pois constroem, desde seu momento histórico, perpassando por todos os séculos, formando um plano mestre a conduzir todos os fatos vividos a serem vividos pela humanidade.

OS DESDOBRAMENTOS DAS PROMESSAS DE DEUS FEITAS A ABRAÃO E SEUS DESCENDENTES
A Aliança feita com Abrão foi cumprida literalmente – Seu  nome será grande; de ti sairão nações; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra.

A realização literal desta Aliança exige a realização literal de todos seus desdobramentos. Se o (1) nome de Abrão se tornou literalmente grande, se (2) do ventre de Sara saiu-lhe literalmente um filho, se (3) fomos literalmente abençoados em nossas conversões, há de se anuir que terra é terra e que terra de Israel será literalmente de Israel (Gn 13.1;17.8;26.3; 28.13 etc.), bem como a descendência de Davi reinará literalmente (2 Sm 713-16), que é Cristo. Desta feita, Israel e Igreja são instâncias diferentes no plano de Deus e, por conseguinte, são objeto de futuros diferentes (Rm 11).

A perspectiva “derrotista do Dispensacionalismo” advém (1) das profecias sobre apostasia; (2)do mundo ir de mal a pior etc. Que se adéquamm perfeitamente ao atual padrão de santidade (mundanização) da igreja cristã. Que a Grande Tribulação está no porvir e é parte do juízo de Deus sobre todos que habitam na terra.
Esta perspectiva, ainda, garante base para a separação entre Igreja e Estado; por isto não buscamos os poderes políticos; por isto temos a certeza que é Jesus quem iniciará o milênio (que é literal) sem ajuda de nenhum de nós;
Reconhecemos que há dimensões para o termo reino de Deus, não negando sua dimensão invisível, e sem dúvida afirmando sua literalidade e materialidade.
Como levitas não temos direitos a herança da terra, não nos envolvemos nos negócios deste mundo, nosso desejo é agradar Aquele que nos arregimentou. 
Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas. (Fp 3:21)
Por estas razões e muitas outras que não fazem parte do propósito deste post acredito que o Dispensacionalismo não é do diabo, como afirmou o amado.