Mogi das Cruzes – SP


“Repito que os cristãos dispensacionalistas são verdadeiros crentes, no entanto, tenho para mim que o próprio Diabo inspirou a jovem McDonald – para comprovar, basta-nos as Escrituras, além disso, o fato de a Igreja ter, com essa mentalidade derrotista, entregue o mundo nas mãos de Satanás”. 

Texto retirado de http://www.olharreformado.com/2011/02/lutando-para-vencer-ou-porque-sou.html. (acesso feito em 24.02.2011, às 09:46).

Ao ler tal declaração me apercebi de como o desconhecimento pode nos levar a veredictos tão duros, mesmo infantis. E mais, todas as vezes que o pecado está posto frente aos meus olhos, vejo-os em mim mesmo, reconhecendo ter realizado o mesmo trajeto, precipitando-me em tecer opiniões sem os fundamentos necessários.

Há algum tempo adotei como regra de publicação (tornar público – seja em púlpitos, seja em reuniões, seja na web) conhecer minimamente para  também opinar minimamente e não ser apanhado por Pv 29.20.


São as Escrituras que mansamente forjam esta conduta: “Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. (1Co 13:11).
A despeito de incluir os Dispensacionalistas como apóstatas (1 Tm 4.1), acredito que pelo contexto – “verdadeiros crentes” – houve precipitação na categorização da parte do irmão.
Sempre me faço lembrar que todos têm direito a ter opinião, ninguém, contudo, pode se equivocar quanto aos fatos.

Não tenho qualquer interesse ou tentativa de convencimento, mesmo disputa, apenas oferecer sumariamente os fundamentos do Dispensacionalismo.

A HISTORICIDADE  
A questão histórica quando evocada traz com ela sofisma suficiente para que não seja ela a instância final da verdade, pois todos afirmam (até a ICR, pasmem!) que suas doutrinas remontam aos primeiros dias apostólicos. Assim, esse critério, que em nada desfavorece o Dispensacionalismo, não virá na discussão do tema, por acreditar que há outros critérios que podem com tranqüilidade garantir que a origem do Dispensacionalismo não é do diabo.
Ofereço apenas dois, por entender que sejam os portais do tema.
O MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO
A adoção de diferentes métodos fundamenta a variedade de posições teológicas, assim a grande questão é primariamente a Hermenêutica. Há de se concordar da visceral relação do Dispensacionalismo com interpretação literalista das Escrituras (Histórico-gramatical).
Oswald T. Allis, crítico do Dispensacionalismo afirmou em seu livro Prophecy and the church, p.17:
“…denunciam como ‘espiritualistas’ ou ‘alegoristas’ os que não interpretam as Escrituras com o mesmo grau de literalidade que eles utilizam. Ninguém faz essa acusação de modo mais agudo aos dispensacionalistas.”
E conclui:
“a questão da interpretação literal versus a figurada é, portanto, algo que precisa ser encarada desde o princípio”.
Assim lemos uma acusação ao Dispensacionalista quanto à interpretação literal das Escrituras. Não é necessário maior discurso sobre a questão, pois a Reforma fundamentalmente permitiu a adoção (retorno) do literalismo no método de interpretação.
Para encerrarmos a questão lemos Calvino em seu comentário de Gãlatas, p.136; ap. Gerrit Hospers, O Princípio da espiritualização hermenêutica, p.11:
“Saibamos, portanto, que o verdadeiro sentido da Escritura é o sentido natural e evidente, abracemo-lo e permaneçamos nele resolutamente.”
Não podemos negar a existência das figuras, tipos e ilustrações bíblicas, mas a Bíblia explica a própria Bíblia (1 Co 2.13). Toda e qualquer interpretação de figuras, tipos ou alegorias em geral deve ter sua relação expressa nas Escrituras.
AS ALIANÇAS BÍBLICAS 
O conceito das alianças dentro da proposta pela Teologia Aliancista é insatisfatório para explicar as Escrituras, pois despreza as Alianças Bíblicas como determinante do plano escatológico. As alianças de Obra e Graça sustentam a teologia da Reforma, o que não implica em qualquer erro, porém é insuficiente para adentrar no tempo e identificar o propósito de cada época.
Lewis S. Chaffer (Systematic theology, I, p. 156) diz:
“Uma teologia que não penetra bastante fundo nas Escrituras para fazer mais que simplesmente descobrir que, em todas as épocas, Deus é imutável para com os pecadores penitentes, e constrói a idéia de uma igreja universal, que continua através dos tempos, com base na verdade única da graça imutável, não está apenas negligenciando vastas esferas da revelação, mas está colhendo confusão e desorientações inevitáveis que a verdade parcial pode engendrar.”
As Alianças no contexto Dispensacionalista fornecem uma textura maravilhosa, pois constroem, desde seu momento histórico, perpassando por todos os séculos, formando um plano mestre a conduzir todos os fatos vividos a serem vividos pela humanidade.

OS DESDOBRAMENTOS DAS PROMESSAS DE DEUS FEITAS A ABRAÃO E SEUS DESCENDENTES
A Aliança feita com Abrão foi cumprida literalmente – Seu  nome será grande; de ti sairão nações; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra.

A realização literal desta Aliança exige a realização literal de todos seus desdobramentos. Se o (1) nome de Abrão se tornou literalmente grande, se (2) do ventre de Sara saiu-lhe literalmente um filho, se (3) fomos literalmente abençoados em nossas conversões, há de se anuir que terra é terra e que terra de Israel será literalmente de Israel (Gn 13.1;17.8;26.3; 28.13 etc.), bem como a descendência de Davi reinará literalmente (2 Sm 713-16), que é Cristo. Desta feita, Israel e Igreja são instâncias diferentes no plano de Deus e, por conseguinte, são objeto de futuros diferentes (Rm 11).

A perspectiva “derrotista do Dispensacionalismo” advém (1) das profecias sobre apostasia; (2)do mundo ir de mal a pior etc. Que se adéquamm perfeitamente ao atual padrão de santidade (mundanização) da igreja cristã. Que a Grande Tribulação está no porvir e é parte do juízo de Deus sobre todos que habitam na terra.
Esta perspectiva, ainda, garante base para a separação entre Igreja e Estado; por isto não buscamos os poderes políticos; por isto temos a certeza que é Jesus quem iniciará o milênio (que é literal) sem ajuda de nenhum de nós;
Reconhecemos que há dimensões para o termo reino de Deus, não negando sua dimensão invisível, e sem dúvida afirmando sua literalidade e materialidade.
Como levitas não temos direitos a herança da terra, não nos envolvemos nos negócios deste mundo, nosso desejo é agradar Aquele que nos arregimentou. 
Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas. (Fp 3:21)
Por estas razões e muitas outras que não fazem parte do propósito deste post acredito que o Dispensacionalismo não é do diabo, como afirmou o amado. 

4 comentários em “O Dispensacionalismo é do diabo?

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