Aproximou-se de mim um jovem e interessado irmão que faz parte da sala de nossa EBD e me falou que gostaria que estudássemos algo sobre Tentação. À época seguíamos normalmente o estudo das parábolas bíblicas. Senti-me, primeiramente, alegre pelo fato de receber um pedido  sobre um tema de valor espiritual – o que não é comum em nossos dias.
Depois, ao considerar o fato com mais  clareza, reconheci que não estava sendo adequado às necessidades daqueles jovens, pelo menos as dele. Sem dúvida o que ensinava revelou-se insuficiente ou em desacordo. 
Descanso no Senhor, pois sei da possibilidade de revermos como O servimos. Hoje reconheço e agradeço, em meu coração, as palavras do irmão, pois, vindas do céu. Graças a Ele por isso.
À minha mente sempre vem, quando medito sobre tentação, o texto de Tiago.

Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos.

Agrada-me sobremaneira este texto, sua objetividade e clareza em muito já me ajudaram a superar dificuldades pessoais, auxiliaram-me em aconselhamentos, e permitiram avaliar melhor as conseqüências do pecado na vida da Igreja. 
O texto não apresenta as armas que dispomos para o enfrentamento das nossas disposições carnais – a leitura, oração, o Espírito, os exemplos, as promessas do Senhor etc., assim considero apenas o tema dentro do texto lido. Reconheço, ficará a dívida, que espero pagá-la oportunamente.
Podemos afirmar que na sabedoria de Deus a tentação é um processo – não um ato, e bem identificado no texto. Há clareza quanto a isenção da agência divina na participação do mal, e por fim, a responsabilidade pessoal do santo na luta contra as tentações e o combate ao pecado. 
Mesmo sem entrarmos em detalhes, podemos sair de nosso estudo com grande capacidade para identificação, luta e vitória contra o pecado. Mas, somos advertidos a adotar uma posição de cautela,  pois não nos tornaremos imunes à tentação, muito menos ao pecado.  Esperamos que o Senhor nos fale de suas promessas, pois nelas há o fortalecimento, fazendo deste texto nosso guia no combate às nossas disposições carnais.
O v. 13 registra: “Ninguém, sendo tentado”. No termo tentado há a idéia de “tentar para ver se algo pode ser feito; tentar uma experiência para verificar como se comporta”. A experiência sensorial é presente, e a força motriz é a incitação ao pecado.


O texto seguinte: “Ninguém diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta”. Logo, toda disposição para o mal que alimentamos não tem o Santo como agente. O texto retira completamente Deus como agente do mal moral sobre a terra. 

Ninguém que tenha disposição para o mal diga que tal disposição provém de Deus.

Estudiosos e estudantes açodados e racionalistas tomam suas mentes e lógicas (veredas de negridão) como vara para provarem o contrário.

No verso 14 passamos a identificar detalhes significativos sobre a tentação. Temos: “Cada um, porém, é:

Tentado – a mesma palavra utilizada no v. 13;
Quando atraído, – capturar com uma isca, enganar através de agrados, enganar, seduzir;
E engodado – girar em torno de algo, desejar o ilícito; algo que ferve imediatamente, logo depois acalma;
Concupiscência – arrastar, seduzido por meretriz; puxar de dentro, arrancar;
É necessária acurada atenção para o que foi escrito:

Cada um é tentado por seus próprios anseios (a soberba – querer ser; olhos – querer ter; carne; querer sentir). 

Está em nós a disposição para o mal, para o pecado. O texto não autoriza a ninguém transferir para satanás, para o mundo ou para qualquer outra criatura a responsabilidade sobre o enfrentamento e as causas do pecado. Desqualifica os demais agentes do mal, exceto um: eu próprio.

Mesmo reconhecendo a existência de agentes externos que nos excitam, são nossas concupiscências que abrem seus braços para acomodar e acalentar tais insinuações. Agrada-nos o pecado!
E mais, essa nossa disposição utiliza de recursos dolosos, fraudes para nos convencer da “nossa necessidade”. Ela funciona com ardor crescente, buscando ser incontrolável (na verdade, quer controlar nossa razão, onde o Espírito coloca suas âncoras), e que encontra justificativa e motivação em nosso interior carnal.
Precisamos bradar isto para nosso coração e para nossa mente:

Está em nós (no cerne da alma do crente. Sim! Do crente) toda a disposição para o pecado, e nos enganamos pelo desejo do ilícito, do mal, e dele tiramos prazer. Apesar de ser engano, falácia, pois não mais precisamos (escravidão ao pecado) do mal para o prazer em nossas vidas. O Senhor, para frustração pentecostal, atribui a culpabilidade do pecado ao crente, e não a satanás. 

Então nosso desejo uma vez
Concebido agarrar para si como prisioneiro; utilizado também para metáforas do desejo sexual;
Dá à luz o – produzir (fruta da semente) sustentar, parir (a mulher)
Consumado, – realizar plenamente; completar com sucesso.
Como proposto no princípio, temos o processo da tentação exposto: Atração, Sedução, Concebe e dá luz ao pecado.  
A atenção ao ilícito é o que a Escritura chama de 
(1) Atração, até esse momento sãos pensamentos pecaminosos que surgem. 
A (2) Sedução é quando passamos a ceder aos nossos desejos, equivocando nossa razão, a nos convencer que podemos. 
Já a (3) Concepção é o engendrar o plano para consumação. 
E entendemos que (4) dar à luz é a materialidade do pecado. A realização plena daquilo que nos chamou atenção, depois convencemo-nos que poderíamos ser, sentir ou ter; depois planejamos e por fim consumamos.
Até a fase da Concepção lutamos contra pensamentos pecaminosos, que a rigor, são lutas cotidianas dos santos, cujo final deveria ser sempre vitoriosos. Mas não se constituem em atos pecaminosos concluídos.
Reconheço que a questão não é rigorosamente aritmética como apresentada, contudo afirmo que o conhecimento do processo – como se dá a tentação – trará grande benefício para o povo de Deus. Tanto para evitá-lo, quanto para julgá-lo (o mal).
E lemos nas Santas Escrituras:

“Não nos enganemos fomos gerados pela vontade do Senhor a fim de que o mundo perceba em nós como exemplares primeiros de sua criação, portanto santos”.

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