Qualquer pessoa que se debruce sobre as Escrituras, crendo ou não, encontrará lá a história a respeito de um Deus pessoal, bondoso e justo… e com imenso poder, poder sobre toda a criação que vemos e sobre aquela que não vemos.
Um pequeno texto pode sintetizar esta afirmação: 
que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade; chamando do oriente uma ave de rapina, e dum país remoto o homem do meu conselho; sim, eu o disse, e eu o cumprirei; formei esse propósito, e também o executarei. (Is 46:10)
E não raramente ouço a frase que é pertinente ao teor das Escrituras: A Deus pertence o amanhã.
É necessário avaliá-la, pois ela carrega consigo – a possibilidade de – muita impiedade. Há, pelo menos, duas perspectivas que devemos considerar. Uma, é aquela que se propõe a afirmar ser Deus o senhor de todas as coisas; outra é aquela que rejeita ou nega a primeira. Para efeito deste texto, ater-me-ei à segunda perspectiva somente.
A síntese do momento que vivemos – os dias são maus – oferece o perfil contextual da afirmação. A despeito da adoção de qualquer das nomenclaturas ou silogismos para rotular a presente geração, algo é posto sobre este momento: vivemos um tempo de visionários. A era do planejamento, do lançamento dos “valores para um mundo melhor”. Tal  desintoxicação dogmática funciona como uma nau sobre a ondulação das novidades culturais. Muitos, tomando-se por esclarecidos assentaram-se em seu convés. São aqueles   sempre superiores em seu olhar e falar, mais sintonizados e abertos às novas tendências.
Em contatos – inevitáveis – com representantes dessa geração (são os Y, ou mesmo Z, ou A…) percebe-se a intensa rejeição dos temas pessoais que envolvam a eternidade, submissão ao Altíssimo, as verdades eternas.

Presumem-se construtores do futuro, para isso planejam institucionalmente, desenham o amanhã, contudo, rejeitam pessoalmente a ideia de eternidade. Disso sobrevém a incoerência entre seus sentimentos e práticas – o planejamento das corporações – e a sua perspectiva individual. 


Esse cenário de poder e sabedoria é mantido pela construção de um universo sobre falácias conceituais que, em via de regra, apropriam-se das verdades bíblicas para fortalecer as “verdades Y”, sempre em oposição a Deus. Maltrapilham – não sei se existe tal verbo – os dogmas, os princípios, a ética em busca das “razões para viver”. 
Quando questionados a respeito do futuro pessoal, ouvimos “a Deus pertence o amanhã”. Tal resposta não afirma a soberania de Deus, pois este fora está das concepções do homem deste presente século mal, pelo contrário, fugindo de conflitos interiores, sobejam “sabedoria”, lançando para o acaso e para irrelevância a questão. Estranhamento fogem do tema dos quais são especialistas.
Nada é mais estúpido que a tentativa esconder sobre o tapete da razão a existência da eternidade. Nada mais irracional que desvincular as escolhas das suas consequências. Contrariando princípios físicos, a lógica e, o que é mais simples e grave, a experiência, assim singram os mares rumo a eternidade sem planejamento.
É preciso reafirmar que as escolhas escoam rumo ao futuro “construído”, nele todos estaremos. 


Somos responsáveis pelos atos praticados e seus resultados diante dos homens e inexoravelmente diante de Deus.
Nenhum planejamento pode negligenciar a certeza do encontro com o Senhor, pois Ele assim o determinou… sim, a Ele pertence o amanhã!
E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas. (Hb 4:13)

2 comentários em “A Deus pertence o amanhã

  1. Paulo,Penso que nunca se falou tanto de Deus como hoje, nesta geração, neste século… seitas e mais seitas pipocam por aí, reproduzindo a \”sua\” verdade anunciada como bíblica. E, na maioria, quanto mais falam, tanto mais se afastam do Deus Soberano.Sabe de uma coisa meu irmão, basta que aceitemos o Deus soberano, sendo conscientes da nossa responsabilidade pessoal, ainda que não consigamos ter a exata compreensão de como isto funciona. Uns querem explicar exaustivamente com proposições simplistas do tipo: Deus é autor do mal; outros, em outro extremo, abandonam-se inteiramente ao mistério, resignando-se em não conhecer e tampouco avançar naquilo que foi revelado.Porém, creio, há coisas que jamais compreenderemos exaustivamente, por pertencerem exclusivamente ao insondável conhecimento de Deus.Como sempre, ótimo texto.Ricardo.

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  2. Irmão,grato pela visita e pela, sempre presente, sabedoria.A ideia é apresentar pessoas – algumas se dizem irmãos – que utilizam-se das Escrituras, mas enebriadas pelo secularismo, formam conceitos e fraseologias em nome de Deus, entretanto negando-Lhe o poder.Em Cristo

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