O que é vontade?

Muito se tem lido e mais escrito a respeito dessa disposição interior. Dentre as dificuldades que se apresentam para atender a este questionamento, a maior é fazê-la de forma compreensível, sem ceder ao simplismo, nem buscar filosóficas e metafísicas prenhes.


Disciplina que tem sido – sem nenhum lastro – utilizada por “psicólogos seculares”, cujas premissas são a inexistência de Deus, do pecado e das verdades eternas. Contrapondo-me por completo a essa “religião dos últimos tempos”, não ouso descobertas, tampouco consenso, apenas organizar – mesmo que para usufruto pessoal – valores e conceitos dentro do universo das verdades eternas do Senhor.

Começo por afirmar que vontade é a energia que impulsiona a ação. A motivação e o estímulo são excitações – internas ou externas – que iniciam a vontade portanto, para fins deste texto, dela fazem parte.

A vontade é uma disposição que se dirige para saciar uma necessidade; é, em tese, a busca pelo equilíbrio, pois, tenta atender ou equilibrar a sensação de ausência. Tendo sua origem em uma fonte interna ou externa, mas despertada pela necessidade de algo indispensável, útil ou cômodo – fome, sede, sensações, conforto, estéticas etc.

Sim, mas qual sua amplitude e quais processos estão envolvidos na realização da vontade humana? Mister tornou-se entender sua relação dentro do homem total, levando-se em conta sua constituição, sua natureza e outras faculdades: o intelecto e sentimentos.

Na relação com a natureza humana podemos afirmar que a vontade é sua escrava e não sua senhora. 
Essa (natureza) se impõe sobre aquela (vontade), condicionando-a e subjugando-a, restringindo sua ação e sua área de interesse – determinando seu o escopo. Assim, toda a vontade ancorada está na natureza humana e dela depende. Que, por sua vez se assenhoreou também do intelecto ou razão e dos sentimentos ou percepção. Aceitando tal realidade, podemos afirmar que a vontade é livre, bem como a razão e a percepção.

As faculdades humanas compartilham das nuanças e, ao mesmo tempo, padecem dos caprichos da natureza humana (mesmo que lógico, é necessário dizê-lo!)

Os mesmos instrumentos internos e processos ocorrem na realização completa da vontade, seja para saciar a sede, dar um passo ou mesmo na busca de satisfazer demandas mais complexas, sempre a vontade percorrerá os mesmos caminhos.
A natureza humana impõe-se de forma condicionante e determinante às faculdades  – vontade, razão e percepção.

Neste cenário há um ciclo permanente, em que a vontade oferece-se à razão que julgará – identificará as restrições éticas ou de qualquer outra natureza, adquiridas com base na percepção, valores, experiências etc. Permitindo ou não a consumação desse impulso. Por fim esse sistema responderá ao impulso da vontade, cedendo ou dispersando-a, atingindo o equilíbrio novamente. 

A natureza humana está restrita ao universo físico conhecido, nesse, nenhum impulso    transporá a clausura do mundo natural. A revelação garante-nos que a natureza humana vive sob o império da morte, e sob tal condição inextricavelmente estão a vontade, a razão e a percepção.

A realidade humana contaminada pela morte fez-se incapaz de anseios além das coisas observáveis. Qualquer conceito ou verdade que sugira romper esses limites aborrece-a, impossíveis de serem concebidas, sendo interpretadas como ilusões ou devaneios, isto diagnostica a condição terminal da morte em que se encontra a humanidade. Tal condição é a morte da razão, dos sentimentos e da vontade. 


Nenhuma faculdade tem alcance para buscar a vida além da “vida conhecida”, pois a vida está fora do “escopo possível” a natureza humana.

A vontade – abatida e refém da natureza morta – busca atender às necessidades naturais do homem e nessa dimensão e dinâmica encontram a razão e a percepção.

Apenas um agente externo à realidade conhecida poderá recriar a natureza humana sob outra energia fundamental, a vida. 


Há necessidade de infusão da vida sobre a morte, rompimento dos limites conhecidos para que a morte seja extinta, circunscrevendo-se um novo escopo. 

Assim, uma  nova natureza impor-se-á sobre a vontade, razão e percepção, trazendo consigo aspirações além das conhecidas pela vontade morta – que conhecemos.  


Nesse novo cenário as necessidades rompem os limites conhecidos, a vontade anela pelas verdades espirituais, a razão discerne o bem e o mal e a percepção rascunha a glória  eterna. 



Uma nova criação, uma nova disposição, uma nova mente… a vida. 


Graças ao Altíssimo por sua sabedoria e benevolência. 

Um comentário em “A vontade e a natureza humana

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