Sansão – Soberania e responsabilidade humana II


Mogi das Cruzes
06.09.2011

A narrativa, repentinamente, nos toma de assalto: o primeiro registro da vontade de Sansão vem carregado de pecado, de oposição ao Senhor, Sansão deseja casar-se com uma mulher estrangeira (14.1,2).

De pronto seus pais tentam confrontar-lhe, demover-lhe da ideia de casar-se com aquela mulher: não haveria alguém que pertencesse ao povo de Deus para tal (14.3). Mas, resoluto em sua disposição de satisfazer seus anseios, reage: “só desta me agrado”.

Mesmo estupefatos, estamos frente à primeira manifestação da soberana vontade de Sansão. Essa o afasta da vontade de seus pais e da vontade do próprio Deus.

Esse contexto tem sido utilizado para arrolar o Senhor no pecado de Sansão – atribuir à soberania de Deus a participação no pecado – ou mesmo para reduzir de Sansão a responsabilidade por sua escolha (sua vontade). 


Para que entremos no torneio: (Jz 14.4)
“isto vinha do Senhor”.
E mais:
“Senhor procurava ocasião contra os filisteus” (esses dominavam sobre os israelitas). 

Deus utilizara-se do domínio filisteu para quebrar a cerviz de Israel, mas, ao mesmo tempo, buscava  livrar por meio de homens (Juízes) como Sansão, pois para isto nascera – a soberana vontade de Deus.


Uma pergunta se torna imperiosa:
O que vinha do Senhor, estaria o Senhor associado ao pecado de Sansão?

Não podemos ser meninos no juízo, na malícia, sim!



Busquemos a resposta que seja ajustada ao caráter revelado de Deus. Considerando o texto, podemos inferir duas possibilidades:


    Deus incita Sansão ANTES para que ele venha a gostar da mulher estrangeira. Deus leva Sansão a gostar da mulher estrangeira (a priori), colaborando com a vontade  – e pecado – de Sansão;


    Deus incita Sansão DEPOIS deste ter afirmado sua vontade – “só desta me agrado”.  Assim, Deus o leva a consolidar seus sentimentos (sua vontade) em relação à mulher estrangeira. (a posteriori).


Quanto à primeira possibilidade, ela coloca o Senhor como instrumento de tentação para Sansão, levando-o a se apaixonar pela mulher estrangeira. Mas, temos a palavra de Deus que nega tal possibilidade:
“que Deus não tenta ninguém, que somos tentados por nossa própria concupiscência” (Tg 1.13).

Deus não constrange ninguém a pecar, não participa do mal (moral). Tal hipótese é contra sua natureza santa.
E mais, o Senhor proíbe o relacionamento que Sansão carrega em seu coração. Sobre relacionamento com  estrangeiros o Senhor diz em Dt 7.3-4:
não contrairás com elas matrimônios; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; pois fariam teus filhos desviarem-se de mim, para servirem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.

A palavra de Deus desautoriza esta possibilidade, e desqualifica toda falácia e sutileza neste sentido. É insustentável a argumentação que Deus levou Sansão a pecar.

Sansão foi enredado por sua rebelde vontade, por suas próprias convicções, pois, atendendo ao seu coração desprezou as instruções do Senhor. 


Sua vontade convenceu sua razão, essa sucumbiu face ao seu enganoso coração. 

A partir desse ponto inicia-se a decadência de Sansão, e logo mais estará face a face com as consequências de sua própria vontade.

Não é cansativo lembrarmos que “Senhor procurava ocasião contra os filisteus”, e que realizaria Sua vontade. 

Há a expectativa que Sansão considerasse seu nascimento, vida e história e… como serviria ao Senhor. 

A vontade pecaminosa apenas é refreada pela disposição em obedecer. A superação deste conflito nos transforma em servos. 
Homens de grande vontade, de grande determinação são pródigos nas sendas da dor e solidão. Não há conquistas espirituais sem caminhar pelas trilhas do quebrantamento da nossa vontade.  


Sansão é insaciável na busca de satisfazer sua vontade, mai e mais desce em direção ao pecado. Seu caráter é marcado por sua vontade soberana, a negligência com as verdades divinas, a desobediência aos pais, disposição para vantagens pessoais e por fim desprezo à vida.

Em sua vida – conforme está escrito – por duas vezes clamou ao Senhor, apenas para satisfação e vingança pessoal.
Mas Deus, por meio dele, livrou durante vinte anos os Israelitas das mãos dos filisteus.

São muitos os mistérios circunscritos no ambiente que envolve a responsabilidade humana e a soberania de Deus, mas entendo que Deus propusera em seu coração coisas muitos maiores para Sansão.

Quanto ao texto de Hebreus cap. 11, apenas evidencia a bondade e misericórdia de Deus em resgatar o nome de um homem que foi caracterizado por colocar sua vontade antes da vontade de Deus. 

Sansão – Soberania e responsabilidade humana I


Mogi das Cruzes
06.09.2011

Quatro capítulos, apenas quatro capítulos são dedicados a Sansão, um libertador de Israel, voltamos a ler seu nome em meio a outros grandes nomes, homens que foram aprovados diante de Deus pela demonstração de sua fé em Hebreus cap. 11.


Nesses capítulos, estupefatos assistimos a maior reversão de expectativa de todo texto sagrado, pois a história de Sansão permite-nos adentrar um pouco mais na disposição e o poder da vontade humana. 


Sansão oferece-nos o registro de um homem em busca de sua satisfação. É sobremaneira prudente dispor nossa mente e nosso coração para percebê-lo sob a perspectiva religiosa, pois apenas assim, veremos como um homem desconsidera valores, consequências e sentimentos, sob a soberania, e ao mesmo tempo, benevolência do Senhor.
Qual o limite da vontade humana? Ao empreender minhas escolhas, poderia considerar que há outro plano para minha vida? Tudo está determinado e não tenho escolhas? Reconheço não ser suficiente para tais respostas, mas a empreitada nos oferece desafios e avaliações oportunas para nossas vidas, para percepção de nossos corações.
Exortados somos pelo Altíssimo para Dele pedir sabedoria. Peçamo-la, pois Ele liberalmente nos dá. Supliquemos ao Senhor, para que venha sobre nós sua graça; que abra nosso entendimento afim de que aprendamos dEle; pois apenas por Sua benevolência poderemos imprimir suas verdades em nossos corações, saindo daqui hoje certos de termos estado com Ele. 
O texto escolhido contém a vida de Sansão, se mais há, não nos foi revelado, precisamos tomar apenas o que está escrito para conhecê-lo melhor. O que podemos antecipadamente afirmar: Sansão é um homem determinado em atender à sua vontade, a despeito de conselhos e instruções… e principalmente da vontade de Deus.
O Livro de Juízes é marcado pelo recrudescimento do pecado da nação de Israel. O cap. 13.1, assim inicia:
“Tendo os filhos de Israel tornado a fazer o que era mal perante o Senhor, este os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos”.
Não há por parte da nação disposição favorável ao nome do Senhor. Não há citações de homens em retidão diante de Deus; Israel está sob disciplina, e essa é feita por meio dos vizinhos filisteus. E nosso livro assim se encerra:
“Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”.
A liberdade pessoal é a marca da nação de Israel, a vontade de cada um é soberana, mesmo que os conduza à escravidão. [Toda semelhança com nossos dias, mesmo que, parte do programa de Deus, mostra a dureza de cerviz do povo de Deus.]
Em meio a esse cenário Deus estende sua benevolência a uma família, cuja mulher é estéril, dando-lhe um filho (13.2,3). Transversal à desobediência do povo, Deus age para que seu plano seja consumado. 
Em (13.5,7) sabemos que aquela criança é consagrada a Deus desde o ventre de sua mãe. O menino é nazireu (separado e dedicado ao Senhor).


Logo Manoá, pai daquele que viria ao mundo (13.12), buscou ao Senhor para saber sua vontade (de Deus):
(1) como deveria criar a criança e;
(2) como aquela criança serviria ao Altíssimo.
A vinda da criança é antecipada por cuidados paternos e pela atenção de Deus. Nenhum desleixo ou negligência são permitidos. 
A própria mãe da criança deveria adotar cuidados especiais para consigo mesma, tudo para que a vontade do Senhor fosse cumprida (13.4,13).  
Por fim lemos que o menino nasceu foi-lhe dado o nome Sansão (talvez, pequeno sol) e cresceu e o Senhor o abençoou (13.24). 


Um cenário cuidadosamente foi criado e adequado para que a vontade santa do Senhor prosperasse por meio de, agora nominado, Sansão.  


Sansão é o homem que encerra a atenção de seus pais e do próprio Deus para uma grande obra.

Olhando a cruz .

Mogi das Cruzes.
04.09.2011

Morreu o Senhor.  Está consumado! O último brado, depois apenas a liturgia perversa da morte. Há silêncio em toda imensidão do universo. Jaz em uma vil cruz o Senhor deste universo. Sobre aquele corpo está a sentença e o registro da perversão humana.
As perguntas em profusão são lançadas aos quatro cantos da terra, como estrelas cadentes trazendo luz sobre nossas mentes sombrias, questionemos:
Por que morreria o autor da vida, aquele em que nele tudo subsiste?
Seria apenas a evidência da maldade contínua do desígnio do coração do homem, em que não há restrição para tudo que intentam fazer?
Por quem viria a vida, a paz? 
O que de Deus podemos aprender naquela cruz?
Nas santas palavras do Senhor aprendemos o amor, a retidão e a justiça…  não haveria também na cruz, além do pranto e dor, toda a justiça, todo o amor? 
Percorramos as sendas de sabedoria do Senhor Deus, deixemo-nos levar pelo Seu Santo Espírito. A Ele tributemos antecipadamente toda a honra, todo louvor, toda glória. 

Leiamos João 19.30 diz: “Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito”.
O Senhor em Sua Palavra afirma que a morte é a sua sentença contra o pecador. Todos nascidos de Adão estão sob acertada sentença: a morte. O salário do pecado é a morte ouvimos de lábios infantis em cada uma de nossas salas. Mas, lhes pergunto: Quanto ao meu Senhor? Como foi parar naquela cruz?
Recorramos à sabedoria de Deus, esqueçamos nossas experiências e deduções contaminadas, à Sua palavra, Evangelho de Lucas, cap. 1:
“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai, ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó e o seu reinado não terá fim.”
E mais:
 “este ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus.”
A eternidade santa do Senhor – o Filho do Altíssimo – viria experimentar este mundo caído, este mundo de horror e corrupção.
Não olvidemos: O Filho do Deus Altíssimo, o rei eterno é santo, separado em sua disposição, mas eternamente Deus, é agora humano em sua natureza.
O eterno, transcendente alojou-se na dimensão finita, carente de sua glória, cá esteve. Deixou as marcas de suas alparcas sobre o pó desta terra que não ousaria retê-lo.

Por que morreu então meu Senhor? O Espírito mais nos diz: 
“Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai. “(Jo 10:17-18)
Encontramos um facho de luz que alumia nossas mentes e corações. Palavras de Nosso Senhor: “Ninguém a tira de mim, eu de mim mesmo a dou”. O Santo eterno ofereceu-se voluntariamente para morrer. O profeta Isaías afirma que Ele não cometeu injustiça, nem houve dolo de sua boca (53.9).

Sigamos pela vereda do justo que está clareando mais e mais. “Está consumado, e rendeu o espírito”: O meu Deus se deu à morte. Mesmo assim há mistério em demasia, pois nada, nem ninguém, poderia tirar a vida do Eterno : Mas o Senhor morreu!!
Mais luz a nos iluminar nessa manhã: “Foi da vontade do Senhor… se puser como oferta pelo pecado… e a vontade do Senhor prosperará em suas mãos”. (Is 53.10)
Não podemos negar, diante estamos de um plano de sangue, morte, justiça e vida. A morte de Jesus abre o cenário de glória de SI mesmo… e inexplicavelmente nos incluiu. 

Glória ao Senhor!
Ainda o profeta Isaías (cap. 53), diz: 
“ferido por causa da transgressão do meu povo”. Precisamos mais saber sobre a ferida de nosso Senhor. “meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.”

E mais:
mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu”. (11,12).
Sim, as Santas Letras confortam coração, confortam a alma. Nosso Deus, em amor e misericórdia, ofereceu-se voluntariamente para morrer por causa de minha transgressão, por causa de meus pecados, por causa da minha miséria, resolveu tomar meu lugar…e nada poderia fazer e nada fiz.
Nossa Oração é que nos arrependamos, choremos, ergamos aos céus nossos pedidos de misericórdia, pois é grande o nosso pecado. A vida de Deus em lugar de nossas transgressões. Como entender tão grande amor?

Como Pedro falemos: “Afasta-te de mim Senhor, pois sou pecador!”. 
Sim, naquele madeiro de Sua morte, está a nossa vida. Naquele madeiro não apenas estava escrito: Jesus Cristo, o nazareno, rei dos judeus. Naquele madeiro estava escrito com sangue nossos nomes e milhões de outros nomes pelos quais o Senhor deixou-se à morte, homens, mulheres, crianças que arrependidos, prateariam dizendo: “Dá-me de beber essa água”.
Está consumado, nada há para ser feito. Rejubilam os céus, e salmodiemos, pois o nosso Deus assim o quis.