Mogi das Cruzes

Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? Ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
(Rm 11:34.36)
Este texto parece conflitar com um modelo de cristianismo que tem tomado conta de púlpitos, cátedras e mentes. O cristianismo que não se incomoda de ir além das Escrituras, o racionalismo cristão. 
Mentes sábias abordam a Verdade com argumentos emoldurados pela sabedoria secular, retiram-lhe sua simplicidade e apresentando-o como uma engrenagem de complexo funcionamento. 
Parece-me que há algo de prazer – nessas mentes – em tornar o Evangelho em doutrina de mistérios, para iniciados. Essa proposta emergente de cristianismo se afaga e afoga em delírios filosóficos, na reapresentação das verdades eternas baseando-se em mentes carnais.

Meu argumento provavelmente será visto como anti-intelectualismo, mas gostaria de afirmar que não nego a importância da investigação criteriosa da verdade, defendo porem, que tal empreitada seja feita sob diretrizes adequadas em busca da simplicidade.
O texto traz um questionamento sobre o conhecimento da mente do Senhor, implícita estão a condenação da pretensiosa autonomia intelectual, os riscos da apologética de todas as respostas.

Devemos retirar do texto que ninguém jamais conheceu a mente do Senhor; ninguém jamais foi chamado para ser seu conselheiro, muito menos se tornou Seu credor. E encerra: Ele é Senhor de todas as coisas, portanto, tudo é para Ele, tudo existe por Ele. Nada resta senão Glória eternamente ao nosso Deus, Jesus Cristo. Nada suscita de necessidade de ajuda ou contribuição além da revelação.
Lemos isso em outras partes da Escritura:
“Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal”. (Cl 2:18).
O apóstolo quer confrontar todos os pensadores livres, inquiridores deste século falando-lhes que Deus tornou louca a sabedoria deste mundo. A racionalidade não oferece suporte para  toda a dimensão da verdade. 
Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo”. (2 Co 11:3).
Como poderemos engrandecer Àquele, que está acima de todas as coisas, alicerçados em nossas mentes naturais? Como deixando a simplicidade e pureza que há em Cristo exaltaremos o nome do Todo-Poderoso?
A pretensão racional para responder aos que pedirem a razão de nossa esperança,  transforma-nos em bebedores de leite, pois ainda não superamos os contraditórios, muito menos nos deixamos à leitura meditativa da Escritura. Regalamo-nos em nossas convicções, cansamo-nos dos opositores. 
Assim, colaboramos na construção do cristianismo do final dos tempos.

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