(Photo by Magali Brasil)


O mundo moderno tem, como uma grande orquestra, submetido-se e ao mesmo tempo crido na ideia de melhoria, e muito tem sido investido para este propósito.
Várias disciplinas do conhecimento, correntes artísticas, filosofias de vida, falsas religiões, todas essas, de forma incansável, estimulam a valorização do homem e do progresso obtido. Cada novo patamar tecnológico, cada nova descoberta médica ganham relevância e fortalecem o homem, projetando-o para “frente”. 
Assim, o homem passou a ser, segundo ele próprio, o bem maior da vida. Nada do mundo conhecido compara-se ao supremo homem. Todas as forças existentes sucumbem à “grandeza humana”, nenhum valor há à parte das veredas da autoestima, da autoajuda, do autoconhecimento. Perto estamos de atingir ao propósito maior da humanidade: consolidação da autonomia do ser humano. 
Criou-se um imaginário que somente será detido pelo mundo real. Paira no limiar desta maquinação e esforço uma sombra ameaçadora, o “império da realidade”. 
Todas as projeções  que a autodeterminação construiu colide frontalmente com a dura e irrevogável realidade. 
A morte, a dor, os fracassos pessoais ou coletivos travam um torneio contra a exaltação do homem, obrigando-o a esconder sob o tapete de seus devaneios o inexorável. 
Temos, pois, calada e impiedosamente, as limitações reais sobrepujando-se sobre a pretensa autonomia humana, fazendo-o lembrar que são inalteráveis as “regras do jogo da vida”.
A impossibilidade dos ideais tem vindo lentamente para alumiar o desespero coletivo, porém com medo de manifestar-se publicamente, esconde-se no profundo das multidões. 
Cada pessoa convive com seu próprio desespero, inserido nessa trama, tais desesperados são incapazes de observar a sua própria realidade, quanto menos de entendê-la. Resta-lhes divagar e esconderem-se em si mesmos

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