Mogi das Cruzes



  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24)

Lembro-me, quando ímpio, como era desgastante perscrutar algumas áreas da vida e, por outro lado, o ambiente no qual estava imerso era incapaz de oferecer as respostas que meu coração exigia. Os únicos recursos eram a falácia e loquacidade, que entorpeciam, por pouco tempo, as aflições da minha alma.

Mesmo a construção dos questionamentos era por demasiado complexa, o raciocínio cogitava e enredava argumentos que chegavam a um ponto de de tanta fragilidade que urgia abandoná-los. Assim, estava em um ciclo de questionamentos, considerações e frustrações ininterrupto e, ao mesmo tempo, desafiador. Mesmo sem respostas seguia vida – ou morte? Não sabia – afora.

Reproduzia as especulações dos sábios, essas com mais rebusque, caminhavam pelas mesmas veredas da inconclusão que eu já conhecia. Nelas não estava a verdade buscada.

Percorria os poetas, esses circunavegavam com suas muitas palavras, apenas por pouco tempo. Serviam apenas para o engano de corações adolescentes e mentes pueris.
Não havia na realidade posta as respostas para acalmar a alma de um questionador em busca da verdade – em fuga da aflição.
Como poderia eu romper com a própria natureza, que me escravizava e encontrar a verdade? Nem este argumento era capaz de construir. 

Como poderia saber que a verdade não estava disponível ou alcance, mesmo não pertencia ao mundo?  
Como poderia a razão humana – meu único instrumento de busca – ser neutra, se escrava? Incapaz de encontrar o que não conhecia? Não poderia elaborar um questionamento de tamanha estranheza e magnitude.
  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”(Rm 7.24)
Busquem sábios, poetas ou sonhadores, nenhum deles será capaz do questionamento: Cadê a verdade?

As dimensões experimentadas pela razão afirmam sua incapacidade estrutural e sua naturza, e nós rejeitamos tal evidência. Nossa razão não cogita a necessidade de  reconstrução – um novo nascimento, uma nova mente, uma nova razão. 
Importa-vos nascer de novo, diz o Senhor! (Jo 3.7)

Como a razão poderia abrir mão de si mesma para se tornar plena, tornar-se de fato razão? Impossível para razão humana cogitar tal possibilidade. 
Como poderia reinventar-se? Pois, autônoma se pensa? Como poderia libertar-se de tão grande peso – de si mesma? Se escura está para verdade?

Que aflição é essa que nada a sacia? A cada manhã a própria mente, que se mostra incapaz, revolta-se e se acusa.

O Homem – ah! o homem – no silêncio de seu desespero, vocifera: “A realização pessoal movimenta-me”. Para onde? Questiono. 

  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”. (Rm 7.24)
O relato de Deus admoesta a todos: a razão humana é agente e, ao mesmo tempo, obstáculo para compreensão e solução da questão.  

Vítimas de si mesmos, banqueteiam-se na fugacidade e no engano. Jamais por si mesmos questionarão:

  “Maldito homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”(Rm 7.24)
Hoje sei que  só há esperança quando se encontra a verdade. 
Render-se é a palavra de ordem.
“Vinde todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. (Mt 11.28)

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