Estando de pé,  um primeiro e comovente abraço em sua auxiliadora graciosa, lado a lado caminham, uma suave brisa recorta os caminhos e enrosca as robustas árvores, é o Jardim do Senhor.
Os pássaros revoam em coreografia oportuna, romantizam e colorem o céu, que de tão belo, parece compreender a oferta. Um sonido vindo de todas as criaturas forma uma monumental sinfonia exultando o Criador.
A graça e santidade preenchem o cenário, antecipam o descanso do Senhor. É manhã e eis que era muito bom.
Houve tarde e manhã, o sexto dia. Há paz, muita paz.
O alvorecer traz uma oferta de amor: “De tudo podes comer livremente. Não comas, porém da árvore do conhecimento do bem e do mal, caso o faças, morrerás”. É a liberdade proposta pelo Senhor… há paz, muita paz.
Quanto tempo resistiu esse cenário? Não sei, apenas sei que os dois, Adão e Eva estavam lá. Homem e mulher, nus, abençoados.
Povoar e dominar sobre toda terra, eis o propósito do Senhor para suas criaturas… tanto amor, quanta honraria dispensada aos nossos pais.  
Antes de sua primeira cria: a prova. O caráter de nosso pais  precisava ser avaliado.
Como a serpente teve acesso aquele ambiente santo? Não sei, apenas sei que estava lá.
A tragédia que alterou a história humana.
Quais os caminhos para tal infortúnio?
A possibilidade da morte viria? Seria real? Seu escândalo se transformaria na nossa maldita companhia de todas as horas. Perdeu-se a simplicidade, não há mais pureza nos pensamentos e sentimentos de Adão. A disposição para própria liberdade inicia o conflito com a liberdade oferecida pelo Senhor.
Iniciam-se os contornos da tragédia da independência humana. A morte se avizinha, Adão terá prazer nela, não resistirá, seu caráter o desqualificará para comunhão eterna com o Senhor.
Os dois frente a frente, a serpente e o homem – e todos nós estávamos nele. Adão sai em busca de liberdade, a sua própria. Isso o consome, arrebata sua mente, seus desejos, é o nosso pai em liberdade de escolha. Livremente sai, quedando-se à liberdade da morte, livre está de Deus. A escolha é feita, a morte funde-se à natureza humana. Homem e morte unidos, e o que Deus uniu não separará o homem.
Um silêncio profundo se abate sobre todo o jardim, calou-se a sinfonia, não há qualquer sopro da brisa,  nada se move, revoadas não há mais. Enredou-nos, a todos, em sua nefasta escolha, morremos em sua liberdade, morremos todos em Adão, todos nós estávamos lá.  Toda a natureza agora geme. A morte passou a todos. Não há paz, não há paz.

A liberdade que conheço é a liberdade para morte!
Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?  

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