A inocência do pecado


Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto não sejais participantes com eles“.
(Ef 5.6-7)


O mantra da nova ordem infunde a todos o direito irrestrito de estímulo à autossatisfação e a autoestima.

Essa proposta – cultivo da egolatria – fissurou os alicerces do equilíbrio da sociedade, dos povos, transformando a vida comunal, trazendo a insegurança para o interior das pessoas e fragilizando os relacionamentos.

A falta de utilidade do “outro” – ou apenas sua mera utilização para atingir objetivos – é marca desse cenário “evolutivo”: a vantagem pessoal em busca de prazer é a meta e meio de vida.

Sem inocência, os pais forjam às suas crias desde tenra idade, projetando-as para viverem como se donas do mundo fossem. Oferecendo-lhes, mesmo que mentirosamente, a falta de limites como guia fundamental. Nada deverá ser coibido.

A percepção de mundo é extraída da realidade virtual e sua sutileza, onde todos são deuses e a vida é extremamente barata e inútil. Criam e recriam vidas por compulsão obstinada… é o ambiente de (de)formação mental dessas gerações.

Enfrentam a realidade com desprezo a tudo que se interpõe à sua soberania, ou o que lhes escape ao controle. (Neste grupo se encontram os próprios pais, professores, os mais velhos, as regras, os limites). É garantia pétrea a manutenção do itinerário de prazer e poder.

Esta virtualidade fútil induz e exige a fuga da cruel “realidade”, então, bem-vindas são as drogas (lícitas? Ou não). É a manutenção e aprofundamento do mundo virtual de poderes e sensações.

As figuras masculinas e femininas saíram da percepção dos infantes. Lares perderam seus modelos de macho e fêmea, não tem nos pais referências, seus ideais são sorvidos dos superstars – loucos, drogados, homossexuais, ladrões – e estranhos. 

Essas crias debruçam-se sobre uma vida assexuada. Absorvem seus conceitos e valores em alta definição dos monitores coloridos polvilhados de bichinhos ou bichinhas sem distinção de gênero. Assim, livres, formam seus conceitos sem suporte moral. 



Por outro lado, a “cultura adulta” passeia livre para que todos antecipem sem responsabilidade as orgias e práticas sexuais. Um cardápio perfeito para distorção de mentes e corpos que ainda nada sabem a respeito de reciprocidade (direitos e deveres). E mais infantes virão frutos do prazer e poder da inconsequência consentida e aprovada.

E o mais absurdo, é que tal cosmo visão blindou-se, revestiu-se de uma couraça de sabedoria e autonomia, em que toda objeção é marginal, ilegal ou retrógrada, e nessa sarjeta passeamos nós, os cristãos.

Imóveis e permissivos somos cooperadores desse mundo falacioso, e mais, queremos nos apresentar como sábios e contextualizados, ignorando os mandamentos do Senhor, insistimos em sermos protagonistas.