“Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26:38).

Retrucou Silas, o malafaia: Mestre… tristeza na alma? Precisas de mim, pois tenho a cura interior.

Este improvável, blasfemo e bizarro diálogo seria possível se a Cura Interior fosse uma verdade espiritual, se fosse uma provisão de Deus para seus povo.

Pródiga em promover e oferecer novidades – dentes de ouro, línguas estranhas, visões, g12, palavra de poder, orações no alto dos morros, mentalização, positivismo – a apostasia expande suas fronteiras e há muito goza do respeito e da preferência da multidão religiosa ávida pelas “últimas”.

Caso não fosse parte integrante das Escrituras, seria uma tragédia chamar o que está posto de cristianismo. Por outro lado, isso preanuncia a vinda do Senhor – Ele está à porta.

“Ninguém de modo algum vos engane; porque isto [a vinda do Senhor] não sucederá sem que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2 Ts 2:3)

Estamos frente à cura interior, serpenteando-se entre os mais diversos matizes e orientações religiosos, com vários nomes, é aceita por pentecostais e neopentecostais e já outros tantos que se dizem fundamentalistas. Usam-na católicos, psicólogos sobrevivem dela, xamãs e pais de santo oferecem-na como solução para os problemas do indivíduo e mundo.

Mas está de acordo com a palavra de Deus: “Haverá um tempo em que não suportarão a sã doutrina e darão ouvidos às fábulas. Cercar-se-ão de mestres e ouvirão aquilo que lhes agrada.”

Sabendo que a sutileza apóstata se utiliza do desvio (negação) das Escrituras, e sutilmente a adorna com o mantra “em o nome do Senhor Jesus”. Assemelha-se à oferta de cianureto misturado ao leite materno para uma criança.

Busquei ler e ouvir textos que oferecessem os fundamentos dessa prática. Considerei oportuno tratar seus fundamentos, deixando de lado seus pormenores. Li, ouvi (Silas Malafaia, Valnice Milhomens, Isaias Reis, Apóstolos a patriarcas, irmão e amigo, Miguel Ângelo e outros) e selecionei o “ensino” de Silas Malafaia para este post.

Para minimizar os riscos, apresento as frases do próprio “doutrinador” antes de avaliá-las.

Para entendermos a proposta precisa-se reconhecer que cura interior e cura da alma são termos intercambiáveis, significando:

“A cura da alma do homem, – assim conhecida tanto na sociedade como no meio evangélico. O tratamento começa quando passamos a buscar a causa da enfermidade e tentamos ajudar a pessoa a livrar-se dos traumas existenciais.” (Silas Malafaia)

É própria da apostasia a complementação ou similaridade do termo cura da alma na “sociedade e no meio evangélico”. A considerar que seu proponente se julga cristão, há promiscuidade religiosa na afirmação, pois atribui ao psicológico (natural) a estatura e poder do espiritual, trazendo para baixo o que é celeste. Misturando naturezas distintas e contrárias.

Em nenhum local das Escrituras Sagradas as questões relativas à alma ou ao espírito estão circunscritas à dimensão e poder do mundo natural. Nenhum xamã, oficial religioso, psicólogo tem poder para agir na esfera espera de si mesmo. A proposta é de um falso misticismo a servir de engodo aos incautos.Em outro momento malafaia diz: “Na linguagem bíblica, na maioria das vezes a palavra alma é traduzida como coração, e deve ser entendida como a sede da inteligência, dos sentimentos, da vontade e das emoções do homem, onde ficam localizadas as lembranças boas ou más.”

E mais: “O sentimento é uma faculdade da alma. E, cada vez que o homem despreza Deus (sic), fica entregue a sentimentos perversos, sendo levado a padecer de muitas doenças emocionais.”

Outra vez:
“deve ser entendida [a alma] como a sede da inteligência, dos sentimentos, da vontade e das emoções do homem, onde ficam localizadas as lembranças boas ou más”.

De acordo com os textos acima é correto concluir:
O homem é um ser com corpo, alma é espírito. Sendo a alma a sede da vontade, sentimentos, inteligência. E segundo malafaia, alma e espírito são dimensões humanas diferentes e com diferentes propósitos e capacidades.

Tomemos por parte:
A palavra “alma é traduzida como coração” – afirma malafaia. Acredito que ele se enganou. Quem sabe, fosse sua intenção dizer que palavras iguais – no original – são traduzidas ora por alma, ora por coração. De qualquer forma isso não oferece base para afirmar que a alma é isso ou aquilo. É necessário um conjunto maior de versos bíblicos para afirmar tal.

A ideia é garantir que há uma dimensão humana chamada alma e outra – completamente outra – chamada espírito. Onde a alma trata das questões horizontais do homem, por sua vez o espírito das questões verticais, relacionando-se com o mundo das pessoas, ambiente natural e o espírito relacionando-se com o mundo espiritual, as coisas de Deus.

Para que a cura interior se torne “cristã” isso precisa ser uma verdade indiscutível, pois sobre ela se fundamenta a prática da cura. Sem ela a cura interior seria vista por todos como realmente é: um engodo religioso.

Ao tomarmos as Escrituras podemos afirmar que alma e espírito são dimensões diferentes do humano?

Alma é Espírito sem dúvida são palavras diferentes nas Escrituras. Mas seriam “partes” diferentes no homem?

Em muitos casos alma significa o homem como um todo – sem relevância para a questão. Contudo, há muitos versículos que provam que NÃO É POSSÍVEL AFIRMAR que alma e espírito são “partes” diferentes na unidade humana.

Vejamos como são utilizados os termos alma e espírito nas Escrituras:

A alma louva, anela e busca a Deus, semelhantemente o espírito também o faz.

Louvai ao Senhor. Ó minha alma, louva ao Senhor. (Sl 146:1; conf. Sl 42.2; Dt 4.29)
Minha alma te deseja de noite; sim, o meu espírito, dentro de mim, diligentemente te busca; (Isaías 26:9)

Alma e espírito exprimem (sede) sentimentos igualmente.

…falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma. (Jó 7:11)
E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito. (Gn 26:35)
Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou muito, (1 Sm 1:10)

Tanto alma quanto espírito são remidos pelo Senhor.

Os meus lábios exultarão quando eu cantar os teus louvores, assim como a minha alma, que tu remiste. (Sl 71:23; conf. Sl 35:9)
Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, ó Senhor, Deus da verdade. (Sl 31:5)

Tanto alma quanto espírito sobrevivem além desta vida.

Pois não deixarás a minha alma no inferno, … (Sl 16:1; conf. Sl 86.1)
e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu. (Ec12:7)

Tanto alma quanto espírito são opostos à carne.

Amados, … que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma; (1 Pe 2:11)
Porque a carne cobiça contra o espírito, e o espírito contra a carne; … (Gl 5:17)

As semelhanças são inquestionáveis: ambos – alma e espírito – (1) louvam a Deus, (2) manifestam sentimentos, (3) são remidos, (4) sobrevivem a esta vida (5) são opostos à carne.

Pelos versos apresentados é IMPOSSÍVEL atribuir diferenças entre espírito e alma tendo as Escrituras como base.

É loucura ousar que apenas o espírito é objeto da regeneração e não a alma.

Não é cristão acreditar ou afirmar que alma e espírito são dimensões diferentes na unidade humana. Se há cura da alma, ela também é cura do espírito, ambos estão sãos ou doentes.

Na tentativa de transformar “isso” em cristianismo há loquacidade, muitas palavras e um emaranhado de versículos bíblicos, descontextualizados, sem a compreensão correta, sem explicação adequada.

Não há poder, nem conhecimento humano capaz de penetrar nas profundezas da alma – espírito – humana. Católicos, xamãs, pastores evangélicos ou psicólogos ao difundirem tal prática apenas evidenciam as facetas de satanás.

Retornando ao diálogo inicial, apenas a incredulidade poderia sustentar tal insanidade, ou… Deus lhes enviando a operação do erro para acreditarem na mentira.

 

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