Costumamos tratar este texto (Mt cap. 3) como uma unidade, e partir daí tirararmos uma única conclusão ou deixamos-nos a conclusão de outros. 

Contudo, há questões distintas, públicos e propósitos distintos, uma clara divisão entre temas: a primeira parte trata de João Batista (1-12); e a segunda sobre o batismo de Jesus realizado por João (13-17). 


O esforço a ser feito é encontrar como Jesus “cumpriu toda a justiça”… ou ele não cumpriu?

Alguns comentários afirmam que a Justiça de Deus foi cumprida na cruz, o que de certa forma está correto, e, afirmam,  que não faz sentido acreditar-se que estavam ali cumprindo ou completando TODA JUSTIÇA. Esquecem-se esses que no texto tal proposição é clara. 


Outros dizem que por meio do batismo Jesus se identificou com a humanidade. Além da falta de clareza quanto ao que viria ser essa identificação – se legal ou vital, contraria a encarnação do Senhor. Pois, ao se fazer homem identificou-se completamente com a humanidade (Jo 1.14; 2 Co 5.21). 


Há ainda os que falam da equiparação do batismo com a circuncisão. O batismo seria para o cristianismo o que a circuncisão representa para o judaísmo, além de não ser essa proposta desenvolvida em nenhuma outra parte das Escrituras, não responde ao que significa “cumprir toda a justiça”. 


Ainda outros dizem que Jesus honrou a João e reconheceu o princípio do arrependimento (identificando-se com a minoria crente), isto é verdadeiro mas não explica o “cumprir toda a justiça”.
Definitivamente nenhuma dessas explica o que de fato Jesus quis dizer com: “convém cumprir toda a justiça”.
No primeiro texto há informações que nos auxiliarão em nossa empreitada. Ele se refere a João Batista: 
A profecia que o introduz na história dos judeus, do cristianismo e o fez um cidadão universal, colocando-o na primazia do anúncio e na identificação do Messias. (v.3). Sua pregação contendo advertências, bênçãos e juízos. (v. 7-12). O anúncio da chegada do Cristo. (v. 11-12). O surgimento do batismo associado ao arrependimento. (vv. 6,11). A ideia de limpeza interior ia muito além da liturgia praticada pelos judeus. 
Não há duvida da grande importância conferida a João pelo Senhor em seu plano redentor e no anúncio de sua vinda (Mt 11.11-14)

Jesus dá outra dimensão ao batismo de João

Já o segundo texto inicia-se com o diálogo entre o Senhor e João. 

Observa-se que Jesus chega a João para ser batizado, contudo João se opõe ao intento do Senhor. Se por João saber-se menor que o Senhor (v. 11); se pela completa inadequação da aplicação do batismo a Jesus, não sabemos. Mas Jesus não o propôs relacionando-o ao arrependimento. Afirmaria depois: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8:46 ); e João disse: “Sabeis também que ele se manifestou para tirar os pecados, e nele não existe pecado.” (1 Jo 3:5 ). Ademais, devemos reconhecer a seriedade que o Senhor atribuía ao batismo realizado por João (Mc 11.30). 


O Senhor não refuta ou corrige João por sua perspectiva e objeção, convence-o (“deixe assim por enquanto” v. 15) oferecendo-lhe outra dimensão do que estavam prestes a realizar: “cumprir toda justiça”. Devemos perseguir a evidência textual, Jesus afirma literalmente que “convém cumprir toda a justiça”. Se, de fato, foi “cumprida toda justiça” nesta parte das Escrituras é dada outra dimensão ao batismo de João. 

O conhecimento do Senhor sobre os últimos dias de João

Vejamos o registro de Mateus (4.12-17). Jesus ao saber da prisão de João dá início ao seu ministério. Sim, sabia Jesus que João não retornaria mais à sua pregação, findara sua participação. Passou a pregar a mesma pregação de João: “Daquele momento em diante Jesus passou a pregar e dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus!”. De certa forma o substituiu.
No capítulo 11 do evangelho de Mateus, Jesus em referência a João, deixa implícita sua morte (v. 11-13, 18). Jesus sabe – redundância, em se tratando de Deus – que o ministério e a vida de João estavam chegando ao fim. 

Toda a justiça de Deus

O termo justiça de Deus é parte integrante e dá sentido às Escrituras (Rm 3.21). Sua plenitude e extensão, entretanto, se realizam em uma série de eventos: desde a vinda do Senhor até a consumação de toda sua obra (2 Co 5.21). Não apenas na cruz, apesar da cruz ser seu ponto central: “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1 Co 1:30). 


A justiça de Deus se dá na morte, ressurreição, (Rm 4.25) em sua interseção pelos santos: “Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes, quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8:34). Devemos entender que é parte da justiça de Deus a vinda do Espírito Santo, tanto quanto a exaltação do Senhor: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis”. (At 2:33). E ainda, sua vinda (2 Pe 1.16.17). 


Jesus tem em mente todas as etapas de sua obra e ao propor a João o cumprimento “toda a justiça”, o faz incluindo todos esses eventos. 

O termo utilizado

A palavra “cumprir” é traduzida em outras partes da Escritura como completar, preencher. Isso reforça ainda mais a ideia de realização completa. Adicionando ao fato do verbo se encontrar no tempo aoristo garantindo uma ação realizada e completa. 


O aoristo indica uma ação verbal ou acontecimento, sem definir absolutamente o seu tempo de duração, ou sem definir com precisão o tempo em que a ação ocorreu. É uma espécie de tempo passado indefinido, indeterminado, representa aspecto isolado, pontual e momentâneo. A ação ocorre uma única vez, de uma vez por todas.


O que Jesus e João vão realizar é uma ação completa, e não o início de um processo a ser cumprido ao longo do tempo. Não restariam pendências, naquele ato TODA A JUSTIÇA SERIA CUMPRIDA. Nada seria adicionado ao que eles estavam prestes a realizar ali. Nada haveria na justiça de Deus que não fosse contemplado naquele momento. Não podemos nos esquivar deste fato. 

A completa da justiça de Deus… e Sua multiforme sabedoria

Apesar de ser um fenômeno espetacular que se segue após o batismo (v.16b-17), esse texto é tratado à parte dos argumentos anteriores.  
Obrigatoriamente a descriçào conclui e realiza o que Jesus propôs para João. É nesse texto que há o cumprimento de toda a Justiça. 


Uma espetacular parábola é realizada pelo Senhor, utilizando-se do cenário do batismo: Jesus caminha para águas do batismo, para sua morte. E ao imergir é sepultado, para logo depois ressurgir em sua ressurreição, o prazer do Pai e a vinda do Espírito.

A vinda do Espírito em substituição de Jesus é descrita em João 15:26: “Quando vier o Ajudador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que do Pai procede, esse dará testemunho de mim”.

E diz o texto: “e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.


Um cenário magnífico e perfeito de “toda a justiça de Deus”: vida, morte, ressurreição, satisfação junto do Pai e a vinda do Espírito Santo. 


O Senhor de toda a terra realizando seus feitos. 

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente.

Amém”.


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