O homem ao atribuir à sua percepção a única instância para validação da realidade e da verdade, concluiu que o que não é perceptível ou provável  não é real, não existe. Assim, criado um novo padrão de verdade, o homem passou a definir e ser o autor de toda a verdade. Uma grande obra em seu “benefício” foi iniciada. 

Sob tal perspectiva e sem dispor de outra possibilidade, o homem passou a ser senhor de todas as coisas. Passando a ser digno de todo o louvor e glória, e a vida ganhou traços bem definidos: a realização humana em si, por si e para si. (busca a qualquer preço da felicidade e do prazer). 

Nesse seu novo sistema de verdades não coube o que se entendia até então por esperança mas, agora, autor da verdade e senhor da criação, tudo poderia ser feito em seu benefício.

E na crueldade lógica da desesperança a vida sucumbe à morte. Pois, na falta de esperança a morte é senhora, portanto, ela e não a vida, passou a ser reguladora da existência do novo homem. Em contra partida, sua ilusão e euforia foram lançadas contra as paredes do mundo real, fazendo-o perceber face a face com um inimigo invencível: a morte.

Uma “nova vida” que sucumbe à morte, fez com que todo os planos, interesses e verdades passassem a ser circunscritos à morte. A desesperança assim o exige. 

Com a missão definida, percebeu que a extensão da vida – limitada pela morte – não garantiria seus ideiais de prazer e felicidade. Esse passou a ser o dilema da existência humana: Como encontrar a plena realização em um período de tempo tão exíguo?

Luziram no horizonte os raios que levariam a humanidade viver um novo momento em sua história. Deu-se início à “Sociedade da Morte”. Lembremos que são tempos de uma sociedade sem esperanças!
Ajustes eram necessários para atender a desesperança humana. Com propósitos tão claros de satisfação, o homem dependia apenas de si mesmo para realizar sua missão.
Para tanto, o homem lançou mão de seu “sonho de criador” (Gn 3.5) para estabelecer a nova ordem.  
Com a nova esperança refém da morte, foram erguidos novos pilares para construção de uma sociedade, capaz de suportar, suprir e nutrir a felicidade humana. A soberania da busca da felicidade e prazer suplantaram a razão.
A necessidade de realização – chegar à felicidade – exigiu, e ao mesmo tempo possibilitou, do homem desprender-se dos limites impostos pela razão (entenda isto como história, ética, moral etc.).
Nessa nova ordem, sendo o homem protagonista da história, seu querer é suficiente para lhe garantir e tornar lícito o usufruto daquilo que seus olhos veem, do que seu coração deseja e daquilo que aspira ser (Gn 3.6). 
Cada um, para “viver a vida”, ficou livre para construir sua própria realidade, sua verdade seus conceitos, sua moral, sua ética. Assim, a vida, sempre prestes a ser tragada pela morte, poderia ser explorada ao máximo.
A despeito de Deus considerar a morte um inimigo, e, em certa dimensão, ainda a ser vencido (1Co 15.26), o homem, investido de seu poder, antecipou a solução: a morte é apenas um evento natural e necessário à vida. A desesperança cunhou tal proposição, soou como verdade e a vida passou a ser meramente acidental, ou melhor, um descuido da morte.A verdade que a vida era subjugada aos limites da morte, impôs certo desespero branco à humanidade.  Já que, segundo o homem moderno, a morte é senhora da vida e nada há além dela, nem nada poderá mudar tal realidade. Tudo que restará é a convicção que a morte é fim de todas as coisas.  

De pronto, percebeu-se que o mundo real de então era incapaz de alimentar e satisfazer as demandas dessa “nova consciência”.
A garantia da felicidade passou a depender, de certa forma, de uma revolução semântica. Tudo precisou mudar, e o império da novidade impôs a reconceituação de todas as coisas, sob a égide de: o novo é certo, o velho é errado.
A mudança constante passou a ser forma e razão de viver. Não se achou lugar para os absolutos, para os permanentes. A velha vida, com seu prazo de validade expirado, foi banida na nova ordem. 

Um novo – e último – momento da glória humana passou a ser construído.

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