O dia a dia tem imposto sobre nós momentos de reflexões, dúvidas e mudanças; e consultamos nosso coração para estabelecer os próximos passos. 
Conscientemente ou não, o contexto, as amizades, nossas responsabilidades têm exercido grande influência sobre como pensamos e, consequentemente, na nossa forma de viver. Quem somos, o que queremos ser e como devemos viver tem se adequado aos costumes e regras sociais e nossa manutenção na zona de conforto. 
Percebo quando conhecemos uma nova pessoa, um “irmão ou não”. Ficamos divididos entre a “omissão conciliadora” ou “honestidade separadora”. E o que fazer em tal situação? Falamos sobre a ‘nossa religião” ou sobre as últimas, sobre o pôr do sol – ou qualquer outra inutilidade? Temos optado pela preservação do “bom relacionamento”. Temos nos inclinado a ouvir o nosso coração e ao mundo. Como se não tivesse Deus nos alertado e orientado sobre todas as coisas.
Mas ao abrirmos as Escrituras, lemos as cartas que o Senhor nos deixou como guia e alerta, e é o que lemos.
O qual [Jesus] se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, Ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. (Gl 1:4-5)
Nesta uma breve oração somos informados que Jesus morreu para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, e a Ele a glória. Essa é uma grande informação, o Senhor quer que nos livremos de nossas inclinações, do nosso coração.
Mesmo que haja uma explanação mais detalhada do Evangelho nos capítulos posteriores, interessa-nos saber que existe apenas um único e autêntico evangelho. Cuja verdade está na morte substitutiva do Senhor com o propósito de nos livrar do presente século mau. Assim, a morte de Cristo e o livramento do presente século mau – abrir mão do próprio coração – são verdades inseparáveis do Evangelho – são fundamento e propósito. Isso coloca nossa “forma de viver” em oposição ao Evangelho.
Quando abruptamente somos surpreendidos e acusados, vv. 6 a 9: passamos para “outro evangelho”. 

Esqueçamos os crentes da Galácia, leiamos por quatro vezes, há uma grave acusação contra nós: passamos para “outro evangelho” – o evangelho da conciliação social, do acerto secular.
Contrariamente a esta posição, todos nós, certamente, acreditamos que ensinamos e vivemos o evangelho que o Senhor, por intermédio de Paulo, deixou em suas sagradas letras. Nenhum de nós acha que passou para “outro evangelho”. E sempre que lemos tal acusação, dela nos escusamos, apontando nosso dedo em direção a qualquer um outro, nunca nos colocamos como reus.
Acredito que precisamos nos incluir entre aqueles que passaram para o “outro evangelho”, ou de certa forma, invalidaremos ou tornaremos vazia, a acusação feita pelo Senhor. Oportunamente manteremos exclusivamente os gálatas presos à acusação.
As Escrituras ensinam que o “outro evangelho” não leva em conta, ou pouco se importa com a defesa de uma verdade única, por outro lado, nosso coração oferece-nos a tolerância necessária para nos manter e também nossos pares em zona de conforto.
Mas, há um detalhe que integra o evangelho e não integra o “outro evangelho”, sendo bem claro na carta: a confrontação – como método de exposição. 

Paulo, ao defender a verdade do Evangelho, confronta Pedro, confronta a Igreja, confronta irmão, confronta judeu, confronta gentio, discorda do propósito da Lei e, assim, se opõe a tudo e a todos que vivem um “outro evangelho”. Parece-nos bem associar o verdadeiro Evangelho à prática de sua defesa, não apenas a convicções interiores.
Onde estamos? Ou melhor, a quem servimos?
Não devemos subestimar a dificuldade de retornar ao Evangelho do Senhor. Reconhecer que passamos para um “outro evangelho” exigirá mais do que nosso coração é capaz de admitir. 

E novamente lemos:
Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. (Gl 1:10)

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