É comum ouvirmos – de líderes, pastores e cristãos em geral – ou lermos orientações para casais, casamento, filhos… família, sem que haja a correta e necessária separação entre o que o mundo atribui ao termo e o que Deus planejou, criou e revelou nas Escrituras. 


Comete-se um grande erro quando, a partir do que vemos e sabemos, a respeito de família que está diante de nós, acreditamos ser o modelo original de Deus. 


Para que entendamos o que se passou ou quais mudanças houve, precisamos recorrer as Escrituras, pois nela temos todo o ensino a respeito da grande mudança que sobreveio à “família de Deus”.
No capítulo 19 de Mateus, Deus nos deixou um precioso texto a respeito da família em dois diferentes momentos da história humana. Entendê-los é fundamental para nos alinharmos à mente de Deus e separarmo-nos da “sabedoria deste século”. 
Vejamos o que Deus nos ensina:
O argumento inicia-se com fariseus que desejam testar o Senhor a respeito do repúdio da mulher pelo marido – em nosso tempo, podemos chamar de separação dos pais, portanto sobre família. 
Em resposta à questão, Jesus diz (v. 4): [Deus] “fez no princípio macho e fêmea os fez”. O termo “princípio” reporta-nos ao momento da história em que Deus criou sua família – “macho e fêmea os fez”. 
Em seguida, v. 5 explica-nos quando ocorreu “o princípio” (v. 4):

“Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”. 

Não há dúvidas a respeito do tempo que se refere o termo “princípio”: precisamente momento da criação da mulher realizada por Deus – livro de Gênesis 2.18-24.

É sempre bom lembrarmos que o contexto da criação utilizado pelo Senhor é ANTERIOR ao pecado de Adão, é ANTERIOR à morte. Um tempo do qual não há registro material – exceto as Escrituras. Sem morte, sem dúvida, a natureza humana completamente diferente da que hoje temos e conhecemos. 
Ainda sobre o tema (v. 8), Jesus afirma que Moisés permitiu a separação em virtude da “dureza de coração” dos hebreus. O termo dureza de coração ao longo das Escrituras é uma metáfora do pecado. 
No contexto, o termo “Moisés” deve ser entendido como o próprio Deus. Pois, se refere a autoria de textos do Velho Testamento. Portanto, Deus foi quem concedeu ao povo o “direito” de separa-se.

Que fato fez com que Deus no princípio afirmasse que o homem e mulher fossem uma só carne, para que depois, por meio de Moisés afirmasse que homem e mulher já não fossem uma só carne? O que explicaria? O motivo? Algum evento ocorrera entre o “princípio” em Gênesis e o tempo da “carta de divórcio” de Moisés em Deuteronômio para que Deus permitisse tal carta. E o texto responde: a dureza de coração do povo – o pecado. 

E, depois volta a afirmar que não foi assim desde o “princípio”. Ou seja, no “princípio” não havia necessidade de tal instrumento pela ausência da “dureza de coração”. Leiamos assim: a família de Deus é anterior ao pecado. A família que subsistiu, sob o pecado e a morte, não é a família de Deus. 
Sim, estamos diante de uma detalhada e esclarecedora descrição sobre a grande mudança que ocorreu com a família criada por Deus no “princípio” e a família do “tempo de Moisés”: os efeitos do pecado no mundo, inclusive na esfera familiar. 
Só assim podemos entender o que Deus construiu segundo seu caráter e sua santidade que ficou no Éden e o que vemos. Portanto, é correto trazer à discussão os efeitos do pecado sobre a humanidade e consequentemente sobre a família. Mesmo parecendo pessimista, as Escrituras garantem que a família criada por Deus sucumbiu ao pecado (Rm 3.23).
A correção conceitual será feita somente se submetida ao conhecimento de Deus e de Seu propósito para família. É vã a busca de soluções ou conceitos originados no humanismo em geral, na psicologia, na filosofia e nas religiões, decerto, de lá nenhuma utilidade será obtida. 
Não que Deus tenha sido “incapaz” de preservá-la, mas repousa sob mistérios a escolha livre de Adão pelo mal. E ainda o fato da total incompatibilidade entre Deus e o primeiro Adão, em que Deus puniu a todos: homem, mulher, natureza, o próprio satanás, trazendo a morte como pena pelo pecado.
Em Cristo, e apenas Nele, Deus, de certa forma, nos remete ao princípio, em que podemos olhar para nossas esposas e dizer: Carne de minha carne, ossos de meus ossos… recriada em santidade e trazida por Deus. 
A Ele toda honra e glória.

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