O ENGODO: POR QUE JESUS DOBROU O LENÇO? (Jo 20.7)


Recebi um texto cujo título é “POR QUE JESUS DOBROU O LENÇO? ” Seu conteúdo faz referência a João 20:7. Que diz: “O lenço, que estivera sobre a cabeça de Jesus, não estava com os panos, mas enrolado num lugar à parte”. 

A intensão do autor é explicar o motivo pelo qual Jesus, depois de sua ressurreição, pegou o lenço que envolveu sua cabeça no sepulcro, pondo-o à parte. Para isto ele recorre ao que chama de “uma tradição Hebraica da época”. Entretanto, nenhuma fonte é fornecida, para garantir a existência de tal tradição. Busquei a fonte que validasse tal tradição, porém sem sucesso.

O contexto da “tradição Hebraica da época”, sugerida pelo autor, envolve uma refeição. Nela há, o amo, e seu servo, além de condutas, e símbolos. Tal tradição encerra-se com duas lições. Ambas se referem a forma com que o lenço é deixado sobre a mesa. São mensagens do Amo para seu servo. Se ficasse embolado sobre a mesa. Significava. Eu terminei. Porém, se o lenço fosse deixado ao lado do prato significava. Eu voltarei.    

Este significado, “Eu voltarei, é utilizado pelo autor do texto para explicar o cenário no interior do sepulcro, após a ressurreição de Jesus. Assim, a forma com que o lenço é deixado sobre a mesa, na tradição hebraica, dá significado à cena no interior do sepulcro. Ou seja, Jesus ao deixar o lenço à parte, no interior do sepulcro, procurava simbolicamente ensinar sua segunda vinda, de acordo com a tradição.

Mesmo sem evidências sobre tal, mas a aceitando. São vários os aspectos em que se percebe o engodo hermenêutico. Distorções e personalismos são adotados para criar formas ocultas e subliminares de chegar à verdade. Vejamos algumas das distorções presentes na explicação do texto bíblico.

O paralelo sugerido pelo autor une contextos adversos. Comparar uma refeição à morte ou ressureição, sem dúvida impõe ao texto o significado que o autor quer, e não o significado que o texto oferece naturalmente. É necessário sair das Escrituras, para artificialmente, encontrar o paralelo pretendido.

E sobre o texto original de João. Lá não diz que Jesus dobrou o lenço. Diz apenas que, o lenço foi enrolado, e deixado à parte. Não há como estabelecer um paralelo entre o cenário descrito no texto bíblico e na lição oferecida pela tal tradição hebraica.

Outra questão, sugerida pelo autor do texto, que foge completamente às Escrituras, é a relação entre servo e o amo, expostos na tradição. Jesus claramente já dissera aos seus discípulos, os mesmos que entraram no túmulo, que não eram servos, mas amigos. Veja, João 15:15. 


Ainda outro ponto estranho, é a “ ilustração oculta” proposta pelo texto.  Já que o lenço dobrado significa, “Eu voltarei! ”. Jesus ensinava sobre sua segunda vinda.  Não há  necessidade de tratar subliminarmente um ensino já consolidado.  Jesus já havia lhes garantido que voltaria. No Evangelho de João, capítulo 14. Jesus diz aos seus discípulos. Não os deixarei órfãos, voltarei. No Evangelho de Mateus, os discípulos perguntam sobre sua segunda vinda. Dois capítulos. 24 e 25, são dedicados a resposta dada. O que torna sem sentido, ensinar por meio de figuras, aquilo que havia sido feito ás claras.
Podemos concluir que tal interpretação é enganosa. Aproveita-se da fragilidade de nossas convicções. Seus métodos desviam-se dos métodos cristãos. De fato, são próprios das religiões de mistérios. O sucesso que faz em nosso meio, mostra a imaturidade e a autonomia religiosa que vivemos. Onde frases bem elaboradas e novidades tem poder para estabelecer uma nova verdade. Vemos que as pessoas estão ávidas por fazer das Escrituras o suporte para seus devaneios, fugindo do que o Senhor nos deixou escrito. 

Precisamos voltar à simplicidade de Cristo.

As Escrituras e as trevas do catolicismo romano


O povo que andava em trevas viu uma grande luz. E sobre os que habitavam na terra de profunda escuridão, resplandeceu a luz.

Este texto está no livro do profeta IsaíasCapítulo 9, verso 2. Faz referência a vinda de Jesus, mas o utilizo para ilustrar o efeito que as Escrituras produziram ao iluminarem o mundo que jazia em trevas, quando dos primeiros sonidos da Reforma Protestante… 


Na terra de profunda escuridão resplandeceu a luz.

Sem dúvida, o mundo de então, cuja religiosidade tinham profundas marcas do ocultismo e charlatanismo. O sofisma da falsa sabedoria e as tradições fortaleciam e alimentavam a ignorância dos povos. 

Eis aí teus deuses! Dizia o clero para caricaturas e imagens de madeira e gesso – deus, obra de mãos humanas. Assim, literalmente, vendiam a esperança de um lugar no céu, cuja única certeza eram os lucros e poder.

Quando as Escrituras brotaram nas trevas, apenas um livro. Mas, que tamanho poder, significou o revelação a autoridade e poder da palavra do próprio Deus ao mundo.

Ficara claro: Deus realmente falava com suas criaturas!!! As portas do céu foram abertas permitindo-nos conhecer o Altíssimo. Não há precedentes na história algo de tamanha magnitude. O mundo jamais foi o mesmo.

A partir de então, a humanidade percebeu a realidade. A liberdade ganhou uma dimensão impensável. Deus deu-se a conhecer, conheceu-se a Deus, o Senhor de todos os homens.

Seu poder e seu amor foram evidenciados. Sim, é Ele quem derrama suas bênçãos com as colheitas, com a sabedoria, com o cuidado. É ele quem imprimiu o amor em nossos corações.
Anunciou, 700 anos sua vinda a este mundo, sua maior manifestação de amor aos homens, Jesus, seu Cristo.  Morreu para chamar à vida aos mortos. O misticismo das velas, o falso poder temporal dos homens, o poder econômico na ostentação litúrgica passaram a ser, o que de fato são, incapazes de dar vida, e dar esperança. 

Apenas pela fé, um simples ato, substituiu a pompa do engano religioso.

A soberania do clero ruiu, os mitos e falsos misticismos foram questionados. 

E o Deus autoexistente, que mesmo além deste mundo, é sobre o mundo, conduzindo-o. Tais conhecimentos passaram a determinar a dinâmica da vida. Sim, veio deste livro, apenas um Livro, a compreensão do passado, do presente, e a certeza do futuro.

Pois, de forma surpreendente, Deus afirma e determina o que virá a ocorrer. E tudo deixou escrito no seu Livro. E apenas nele. 

O Livro. A palavra de Deus.

Sola Scriptura!