O perdão de Deus, o único perdão.


NOSSOS DIAS.
Vivemos dias difíceis, dias em que as teorias humanas se apresentam como norma divina.
A pouca leitura das Escrituras, a frágil meditação têm produzido o ambiente adequado para que o homem religioso, tomando a si mesmo como referência, determine o que é certo, justo e bíblico. Este é o cenário que vivemos ou enfrentamos.
As advertências das Escrituras sobre os dias maus servem para o púlpito apenas, e  deveríamos considera-las para entendimento de nossa realidade, contudo, elas não nos afligem, tampouco nos forjam para o contato adequado com o mundo.
Os conceitos bíblicos estão sendo determinados e orientados pela agenda das redes, pelas tendências do mundo secular, de modo que cada um arbitra sua conveniência às questões fundamentais da fé cristã. Essa dinâmica, pouca leitura, pouca meditação e descaso, fez das Escrituras um ambiente próprio para curiosidades e especulações, e as verdades fundamentais passaram à segunda linha da fé cristã. Nesse contexto encontra-se o perdão ensinado pelo Senhor. Livre e soberano o saber humano estabeleceu seu próprio conceito de perdão,  estabelecendo e, até mesmo, excluindo o que Deus deixou para seu povo.
Este texto, opondo-se a tais tendências, oferece uma perspectiva bíblica a respeito do perdão. Os santos devem avaliar, e as discordâncias serão consideradas.
Que Deus seja engrandecido!
IDEIA & SIGNIFICADO SECULAR
O perdão pressupõe existência de ofensa, ou dívida, sem esta, não existirá a necessidade do perdão. 
Sua ideia é “deixar passar”, “deixar ir”. Significando “a soltura voluntária de uma pessoa, por alguém que detém poder sobre ela”. Em termos jurídicos é “desobrigar de um vínculo legal”. Esses conceitos são obtidos a partir da análise de termos originais e não tinham aplicação ou sentido religioso.
O PERDÃO DE DEUS
Entendendo o conceito secular de “deixar passar”, ou desobrigar de pagamento”, nesse sentido de não cobrar as ofensas, não se ajusta ao que Deus estabeleceu como perdão. Pois, segundo Deus, quanto à ofensa, ou se é inocente ou culpado. Deus não deixa “desobrigado” o culpado, tão pouco “culpa” o inocente. (Ex 34.7; Nm 14.18; Na 1.3). Logo, é necessário entender que o perdão oferecido por Deus tem particularidades que devem ser consideradas afim de entendermos sua justiça. Lembrando que não temos a liberdade para estabelecer o critério da justiça que Deus para perdoar. É Ele o Senhor Justiça nossa. Portanto, a justiça pertence ao Senhor Deus, Ele é o juiz de toda a terra e nenhum outro padrão de justiça pode conflitar com o seu e permanecer justo (Gn 18.25; Sl 9.7-8; 89.14). Mais ainda somos obrigados a entender e a perdoar conforme Ele perdoa, como diz Sua palavra: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Mc 2:7, Lc 5.21).

A EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO PARA O PERDÃO DE DEUS.
Deus não nos perdoa “deixando-nos ir”, pelo contrário, por haver cobrado de Cristo (que nos substituiu, pagando em nosso lugar). Conforme lemos: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. (2 Co 5:21). Assim, não há no perdão de Deus o “deixar ir” sem que Deus haja cobrado de seu Filho nossas ofensas. 

ARREPENDIMENTO & PERDÃO.
O perdão – de DEUS – exige e manifesta o arrependimento – no HOMEM, assim como o arrependimento se realiza no Perdão. Leia o que está escrito: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38). O arrependimento está associado ao perdão. São conceitos interdependentes, não existem isoladamente. Não há eficácia no perdão sem que haja o arrependimento. Por sua vez, o arrependimento sempre será a contrapartida do perdão.

O ARREPENDIMENTO.
As Escrituras (2 Co 7.9-10) nos ensinam que há a tristeza segundo Deus que não traz pesar, e opera para salvação. E alerta quanto à tristeza segundo o mundo que opera a morte. No texto Paulo fala a respeito de duas “tristezas” – cuja origem e propósito são opostos entre si. A tristeza segundo Deus que opera a vida, e a tristeza segundo o mundo que opera a morte. Assim, devemos entender que há dois sentimentos relacionados à ofensa, ao pecado. Deus constrange levando a vida. O mundo, entretanto, leva à morte.
Para melhor entendimento, leiamos Hb 12.16-17. Diz o texto, Esaú querendo “herdar as bênçãos”, não achou lugar para arrependimento. Em sua tristeza – choro – cobiçava resgatar seus direitos perdidos, e não a tristeza pela consciência da ofensa  contra Deus. Logo, o arrependimento é a tristeza pela ofensa cometida, e é promovida do alto, que a ninguém traz pesar (2 Co 7.10 RA).

UMA CONCESSÃO DE DEUS.
Outro aspecto a ser considerado no perdão, é ser ele uma concessão de Deus (Rm 2.4; 3.25). É Deus quem leva o pecador – devedor – ao arrependimento. É Ele quem busca o ofensor para perdoá-lo. Este é o ensino das Escrituras. “Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados”. (Mc 4:12). Da mesma sorte o ato de crer (conversão com o arrependimento) é fruto da misericórdia e graça do Senhor:  “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como [já] vo-lo tenho dito”. (Jo 10:26). Lemos ainda, que todos os detalhes desta vida decorrem dos soberanos conselhos de Deus: “Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem”. (Jo 19:11). Há evidente incapacidade humana em chegar-se a Deus provendo seu próprio arrependimento. A ação poderosa de Deus permite ao pecador o arrependimento. É o que o Senhor ensina: “Instruindo com mansidão os que resistem, [a ver] se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade” (2 Tm 2:25). O Perdão de Deus não apenas exige, mas capacita o pecador ao arrependimento. 
Todavia estamos envolvidos em mistérios, pois Deus em seu caráter santo e justo deixa de perdoar pecadores. Os textos são evidências: “E eu endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército, e saberão os egípcios que eu sou o SENHOR. E eles fizeram assim(Ex 14:4); Então disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus. (Ex 17:14). Deus não perdoou tais homens, poderíamos nós perdoá-los: Faraó? Ou Amaleque? Judas ou, ainda, satanás? Caso o fizéssemos, faríamos Deus injusto, pois estabelecendo outro critério de justiça para perdoar aos  que não foram perdoados por Deus, invalidaríamos Sua justiça.
CRISTO & SUA MISSÃO.
Além de que o Senhor ao vir a este mundo veio para promover arrependimento entre os homens, por ser uma exigência do perdão, que Ele mesmo ofereceria por sua morte. “E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento”. (Mc 2:17).
O PROPÓSITO.
Entendendo que Cristo pagou pelos nossos pecados, Deus nos perdoa em Cristo, logo a morte de Cristo é o único meio pelo qual Deus perdoa o pecador. Assim, todas as expressões presente na morte de Jesus são componentes do propósito do perdão de Deus. Mostrar seu amor (Rm 5.8). A morte de Cristo em nosso favor permitiu nossa reconciliação com Deus (Rm 5:6-10). O perdão (não imputação do pecado) permitiu a reconciliação (2 Co 5:19-21). O fim da inimizade pelo sangue de Cristo (Ef 2:11-16). Assim, podemos concluir que o perdão tem por finalidade nos levar a reconciliação com Deus. Encerrar de vez a inimizade. Ainda temos a ilustração do pagamento de dívida como exigência para reconciliação (Mt 5.24-26).
A ideia que o perdão é para deixar “leve o ofendido” ou “liberar perdão” não procede das Escrituras, antes, é ensino das trevas.

O ENSINO.
Somos obrigados a compreender e praticar o perdão nas mesmas bases praticadas e ensinadas por Deus, não podemos ter nosso próprio padrão de justiça, fazendo de Deus injusto. E Deus determinou que perdoemos mediante arrependimento. Segundo os textos. “[E] percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados”. (Lc 3:3). “Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe”(Lc 17:3-4). E temos novamente Pedro afirmando ser o arrependimento necessário para o perdão. “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2:38).

O APÓSTOLO PAULO.
Paulo ao afirmar que perdoava, o fazia na presença de Cristo, sem oferecer alternativas de fazê-lo fora da justiça de nosso Senhor, pois, caso contrário, satanás seria o vencedor. “… se é que tenho perdoado, por amor de vós o [fiz] na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás” (2 Co 2:10).

CONCLUSÃO. 
Chegamos até aqui e muitos conceitos foram necessários, o que exige um sumário das verdades apresentadas.
1.  Deus, apenas Ele, perdoa pecados. Estabelecendo um único padrão para obedecermos, perdoarmos. Não podemos estabelecer nossas próprias regras de perdão, pois, diferindo de Deus, O fazemos injusto. 
2. Deus exige arrependimento, sem o que não há perdão. Perdão e arrependimento são capacidades espirituais, e não provém do mundo, mas de Deus. 
3. Devemos perdoar por ser mandamento do Senhor, um ato de amor, para uma efetiva reconciliação, para usufruirmos da comunhão.