Com a chegada do fim do ano, o mundo fica mais cheio de luzes. As cidades se preparam para evidenciar seu próprio brilho. Pessoas saem pelas ruas, ávidas por árvores, presentes, doces, comidas. Estão dominadas pela energia desse tempo, são conduzidas em fila indiana.  

Os sinos badalam em cada esquina, e um velhinho gordo e simpático ganha um emprego temporário. Vestindo-se de vermelho, com um gorro engraçado, e uma linguagem diminuta – HOHOHO – abençoa às crianças conduzidas por pais radiantes. E pela chaminé, um falso encontro está marcado. 

Uma grande festa está em andamento. As roupas brancas, os passes, giros estonteantes e batuques serão a liturgia para um cordão de promessas, e frustradas esperanças. 

Em poucos dias, a explosão de felicidade atingirá a multidão. Uma falsa irmandade unirá a todos. Os bondosos e os bêbados, adúlteros e castos, valentões e efeminados, corruptos e religiosos.  Premidos pelo tempo lançarão bebidas, sementes, simpatias e pedidos, literalmente, perdidos ao vento. 

Os fogos,  com seus rastros, acenderão o céu, determinam o tempo da esperança vivida. Em poucas horas, o dia trará a luz , e nada mudou. Apenas a ilusão sobreviveu.  
É o paganismo que toma conta da terra. As forças das trevas, em nome de Deus, promovem prazer em nome da bondade e realização.

O engano que se aproveitou, mais uma vez, da desesperança, e tudo se passou,  e nada mudou. Tampouco  encontraram o Senhor. 

Sim. Foi apenas mais um natal… e a deseperança exige a espera de mais um outro natal. 

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