A palavra carnaval, dentre outras etimologias, vem do latim, carnis levale. Cujo significado é retirar a carne. Ou seja, livrar-se dos desejos da carne.

Mesmo que remonte a períodos ancestrais, chegou aos nossos dias por meio de uma estranha fusão religiosa, em que o paganismo foi integrado à vida nacional.

Sua origem mais recente vem de Roma. Das celebrações pagãs, dedicadas a divindades demoníacas, e mesmo assim, era um tempo de purificação.

Eram festas populares, em que as multidões participavam. Dias de comidas, bebidas, prazeres e danças. Em que cada um poderia representar seu personagem desejado.

A Igreja Católica, mesmo com restrições, em sua visão e interesse, lhe atribuiu significado religioso. Alinhou-o à Páscoa. Que mesmo judaica, já havia sido apropriada pelo catolicismo. Assim, colocou a quaresma, quarenta dias, entre o carnaval, e a páscoa. E, incorporado ao calendário religioso, o carnaval foi abençoado.

E, após a celebração do carnaval, durante os quarenta dias, as portas da Igreja estariam abertas para os carnavalescos, prometendo-lhes o perdão. O clero, os ritos e penitências, eram garantias da reconciliação com Deus.

E, por aqui chegou, pronto para atender aos desejos nacionais e à vida religiosa.

Não demorou muito, e de certa forma, chegou também às igrejas cristãs . Em uma outra dimensão. Por aqui, é interior, contínua e sutil. Nela, as pessoas deixaram que suas mentes e seus corações fossem seduzidos pela celebração de si mesmas. A liberdade e satisfação do prazer, seja na cultura, na arte, na música, na política, nos relacionamentos, na moral e muito mais.

Percebem-se? Não sei. Mas, acreditam que a simples participação nos cultos, nos serviços ou nos rituais religiosos são suficientes para relacionarem-se com Deus. A sedução vivida, permiti-lhes um deus promíscuo, que convive e aceita seus pecados.

Sem dúvidas, o mesmo espírito que chegou aqui celebrando a própria carne, se apropriou de mentes, falaciosamente, cristãs. Sobrevive assim, um carnaval na multidão que se achega aos bancos, que sobe aos púlpitos, e ensina nos templos. Oferecem um clero, ritos, e deuses estranhos.

Celebram o mesmo carnaval.

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