Ao longo da história cristã o reino do Deus tem sido motivo de controvérsia – Milenistas e Amilenistas, em especial. Discute-se sobre o Reino de Deus, se ocorrerá literalmente no futuro, dentro da história humana, com uma sede, súditos, palácio etc. portanto, devemos espera-lo. Ou se o Reino é apenas espiritual e sempre existiu, pois Jesus é o Senhor. E não devemos esperar a segunda vinda do Senhor para instaurar seu reino. Assim, este texto não resolverá a questão, porém como creio que  parte da controvérsia advém do método utilizado para obtenção dos resultados, e pouco, muito pouco, sobre o conteúdo das Escrituras, vários argumentos utilizados devem ser considerados para elucidar alguns pontos.
UM REI EM SIÃO
O Salmo 2.6-9 diz: “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu [te] darei os gentios [por] herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro”. O texto trata de uma promessa feita por Deus: ungiria um rei no Monte Sião, e que reinaria sobre os gentios e por toda a terra. E adverte sobre destruição que será imposta aos gentios – com vara de ferro. A leitura natural do texto deve considerar Sião um lugar literal, e ainda a existência do rei, divino e juiz, nações, gentios etc. alegorizar o texto a ponto de retirar sua literalidade compromete até a divindade do Senhor. E assim, o leitor e não o escritor é quem dá sentido ao texto. 
OS REINOS DO LIVRO DE DANIEL
No capítulo, referindo-se a estátua que o rei sonhara, está escrito: “E depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual dominará sobre toda a terra” (Dn 2:39). Assim, Deus antecipou, por meio de Daniel, os reinos que se estabeleceriam ao longo da história humana. A cabeça de ouro, é Babilônia (Dn 2.38). Antecipou ainda,  o reino Medo-Persa (Dn 5.28), e o império Grego (Dn 10.20). Afirma o profeta:  “uma pedra cortada sem auxílio de mãos feriu a estátua”. Falando ainda sobre essa pedra cortada: “mas, nos dias desses reis, O Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído” (Dn 2.44-45) – referindo ao reino de Jesus. Todos os reinos citados ocorreram literalmente dentro de história humana, sabe-se sua extensão, cada rei, o período de seu apogeu e derrocada etc. O último reino – a pedra cortada sem auxílio de mãos que destrói os pés da estátua – obrigatoriamente precisa ser literal. A afirmação contrária, exige uma clara e inquestionável orientação das Escrituras. 
UM REINO QUE SEMPRE EXISTIU
Já no Novo Testamento, João Batista e Jesus Cristo anunciam o reino dos céus (Mt 3:2; 4:17) – reino de Deus (Mc 1.15). Assim, a ideia de um reino sempre existente contradiz a pregação de João e Jesus que anunciavam que “o reino está próximo”. Ainda Lucas registrou: “E, ouvindo eles estas [coisas], ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e “cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus”. (Lc 19:11). 
O REINO E O PROPÓSITO DA TRANSFIGURAÇÃO
Jesus disse que o reino de Deus seria visto – não disse que chegaria – antes da morte de alguns. O que garante que o reino não estava ali entre eles. “Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns [grifo meu] há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam [grifo meu] ter chegado com poder o reino de Deus [grifo meu]” (Marcos 9:1).  No texto há a promessa para “alguns” dos que ali se encontravam (apenas alguns) que veriam (note bem, veriam)  “chegado com poder” o reino de Deus antes de morrerem. No v. 2, Jesus toma apenas três (alguns dos que se encontravam ali), e os leva em particular, e transfigura-se diante apenas desses [apenas desses], aparecem Elias e Moisés e falam com Jesus transfigurado, de uma nuvem ouve-se uma voz (de Deus) que exalta a Jesus. Subitamente todo este poder e maravilha desaparecem, restando apenas Jesus e seus “alguns”. E ao descer do monte, lhes alerta que não divulgassem o que “viram” até haver ressuscitado de entre os mortos. Esta experiência, permitiu-lhes “ver”,apenas ver, chegado do reino em poder, apenas para três dos que ouviram a promessa. Este foi o propósito da Transfiguração, antecipar para aqueles [e para nós] o reino do Senhor em poder e glória neste mundo.
 O REINO E DISCÍPULOS APÓS A RESSURREIÇÃO DO SENHOR
Os Evangelhos registram, por volta de três anos, o ensino da verdade realizado pelo Senhor.  Chegando ao livro de Atos (1.3) lemos a ênfase sobre o reino de Deus, diz: “ficou quarenta dias falando das coisas concernentes ao reino de Deus”. Aqueles homens, ouviram o Mestre por tantas vezes, mais agora Ressurreto, não poderiam ter uma compreensão inadequada, e nós os corrigirmos. E eles questionam ao Senhor quando Ele virá para restaurar o reino a Israel (Atos 1:6). Ninguém são ousaria afirmar que aqueles homens tinham em mente outra coisa, senão a ABSOLUTA CONVICÇÃOda instauração de um reino literal sobre a terra. Não podemos CORRIGIR ESSES HOMENS, não podemos deles  discordar, foram homens que estiveram com Jesus ressurreto, FORAM ELES OS ESCRITORES DO NOVO TESTAMENTO.  
UM REINO APENAS ESPIRITUAL
Alguns argumentam que Jesus ensinou que seu reino era espiritual e celestial, e de forma alguma um reino literal sobre esta terra que vivemos. Utilizam-se: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:20-21). Não se podemos negar o reino de Deus em sua dimensão espiritual, mas há sólidos fundamentos quanto à sua literalidade. Assim, as Escrituras afirmam ambas dimensões, sem negar uma, para afirmar outra. A leitura no contexto posterior de Lc 17.20-21, ainda falando sobre o reino, o compara aos dias de Noé, aos dias de Ló, diz que virá como um relâmpago. Associa-o ainda, a sofrimentos (literais). Ou seja, associa o reino a fatos da história, personagens literais, sugerindo outra dimensão do Reino.
O REINO E PILATOS
Argumentam, Jesus não negou sua posição de rei, mas apresentou uma visão do reino bem diferente da noção literal: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (João 18:36).  Estranhamente utiliza-se este texto para falar da natureza do reino de Jesus, afirmando estar aí a declaração do aspecto espiritual do reino. Mas, o texto fala de origem e não de natureza. Diz. O reino não é DESTE MUNDO. E afirma, se fosse deste mundo, teriam ministros deste mundo. E conclui: Meu reino não é daqui (origem). O texto precisaria afirmar: Meu reino não é AQUI para corroborar com a tese que Jesus não terá um reino literal sobre esta terra.  Nenhuma alusão à natureza do Reino contém o texto, para invalidar sua literalidade.
 CONCLUSÃO   
A questão não trata se somos ou não submissos ao Rei, isto é apenas um sofisma, desviando-se da questão central. Precisamos responder a seguinte questão: as Escrituras permitem reconhecer que em Jesus, o filho de Davi, Deus cumprirá a promessa feita em 2 Sm 7.12-16?
Sejam os homens submissos ou não, aceitem ou não!

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