“O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado”. Ariano Suassuna

A frase é atribuída a Ariano Suassuna, um grande escritor, que conseguiu de forma particular expressar a preciosidade e singeleza do sentimento nordestino.

Devemos entender sua afirmação no âmbito do mundo das redes (pós-moderno), um ambiente em que não existem fundamentos ou valores permanentes. Onde o prestígio, a fama e as formas exaltam-se sobre a coerência e, consequentemente, sobre a racionalidade.

Assim, a mente humana vive sob um processo de dislexia, onde os significados perderam “o significado”. Não importa o que se fala, tampouco o que se ouve, mas sim, apresentá-lo na rede. E o ciclo do (que hoje) é tido por conhecimento – tudo faz sentido.

Logo, o prejuízo à razão é compensado pelo frenesi da exposição na rede. É a oportunidade (impulso) impondo-se ao conteúdo (significado), e o gosto de cada observador determina a “verdade”. (atende à urgência da rede).

Pois bem, na frase, “O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado”, o autor coloca em oposição o sonho (ou sentimentos) à razão – critérios (nossas avaliações).

Cabe avaliar (usar a razão). A sugestão da razão levar ao imobilismo, é muito estranha (poderia ser dito, é absurda). Pois, é a razão que sustenta o ser, dá-lhe referência, o difere dos animais. Ainda mais, permite o questionamento, a literatura, a ciência, a transferência de conhecimento entre as gerações.

Ao sugerir que a razão leva ao imobilismo, fortalece a ideia prevalente (ideia da rede) que nada tem significado em si mesmo, que as percepções individuais determinam a realidade. Logo, todos, mesmo que em oposição, estão certos, destruindo o mundo que habitamos (dos significados).

Há perda da percepção do conflito de conteúdo, ou seja, Suassuna está certo, como também todos que apresentam argumento contrário à sua tese. Pois, a mente do presente século, aceita a possibilidade de argumentos excludentes entre si, serão ambos possíveis. Ou seja, o observador, sem necessidade do seu significado, determina a realidade.

Esta perturbação experimentada por esta geração é resultado da supressão da verdade (razão). Todos perderam referência, e a novidade (sentimento) determina a conduta, conduz a experiência. Negar a razão, deixando levar pelos sentimentos é rebaixar-se aos animais. É esse o ponto da questão: a mente das redes (Pós-modernismo) faz com que o mundo esqueça sua humanidade.

Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; 2 Tm 4:3

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