O capítulo 19 do Evangelho de João é o registro de um assassinato, e o mais grave, um assassinato coletivo, realizado por religiosos e homens de poder. Um sumário perfeito de toda a humanidade. Sim, foi ela quem matou o Filho do criador do universo, o Senhor de todas as criaturas.

Devemos questionar: Por que sua leitura não traz consternação, não há horror? Por que pouca, ou nenhuma importância é dada a textos que nos acusam de tamanho mal?
Podemos entender, pois um conjunto de eventos entraram no cotidiano da humanidade, os quais sem controle alteraram profundamente a percepção humana, e daí, a perda de significado do texto.   

Devemos reconhecer a enorme diferença causada por este registro durante os primeiros anos, e o que hoje presenciamos. Lá o relato transformou reinos, cidades, vidas, transformou o mundo, que até então conhecíamos.

Isso se deu porque, progressivamente e em oposição, àquela morte, surgiram movimentos diversos para torná-la sem relevância.

A conquista desses ideais ocorreu em várias frentes. A proposta evolucionista negou a existência do Criador, conferiu ao homem uma falsa divindade, e por ela a liberdade para determinar sua própria felicidade. Logo, a permissividade, a baixa moral, foi elevada à “religiosidade”, o que fez com que a vida, ou a morte, fosse banalizada… o passado e o futuro perderam sentido.

Por outro lado, as novas tecnologias forjaram uma dinâmica mental, concedendo ao presente, unicamente ao presente, o momento de viver a vida. E, sem qualquer reflexão, as emoções, repetições e euforia garantiram a satisfação. Agora, as novidades passaram a trazer a felicidade, consequentemente, elas determinaram a verdade. Sem passado, a nova esperança caduca em seu próprio dia. 

Logo, a ilusão do momento, lançou fora a história passada e a esperança futura.
Esse cenário, sem passado e sem futuro, faz com que a crucificação do Senhor não exerça qualquer interesse ou influência entre aqueles que a ouvem. É essa nova humanidade, onde a vida e a morte perderam o sentido.

Inconscientemente, o homem retira de sobre si a responsabilidade que a história lhe impõe. E o engano que o envolve, ao mesmo tempo, dá sentido à sua desesperança. Ainda, que a morte lhe espreite, como uma permanente testemunha, acusando-o por haver rejeitado o autor da vida.

Que o Senhor lhes recobre a visão.

E aquele que viu e testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós creais (Jo 19.35)

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