A sinceridade de satanás



Em várias parte das Escrituras satanás é identificado e descrito pelo seu caráter, a mentira. Jesus o nomina como pai da mentira… e diz que sempre foi assim.  

No registro que inicia sua trajetória em nosso mundo, na criação de Deus, é possível perceber sua estratégia, a ilusão, o engano.

Sua proposta, própria dele, portanto enganosa:”Sereis como Deus conhecedor do bem e do mal”, garantiu ainda que Deus não executaria a sentença devida à desobediência (Gn 2.17) .

E estas propostas, por serem fraudulentas, não se cumpriram. Nem as criaturas de Deus chegaram à divindade, tampouco ficaram impunes, e a morte entrou na criação.

E Deus prometeu “alguém” que viria ao mundo, nascido de mulher, destituindo-lhe (satanás) da posição usurpada por meio do engano, da mentira.  (Gn 3.15).

Durante toda história humana, satanás, age poderosamente para evitar que a promessa de Deus seja consumada, a vinda daquele “alguém” ao mundo.

Percebe-se na ação de Caim sobre Abel, na degeneração humana (Gn 6) – lembremos que a promessa seria “o” semente da mulher. Uma ação global para alterar a natureza humana, como forma de impedir a vinda do “alguém” prometido. Deus, por meio do dilúvio, e de uma arca,  reconstruiu a criação e preservou a humanidade. 

Ainda assim, essas intervenções do mal se multiplicam, e marcam a história. 

Com a revelação que a mulher de Gn 3.15, por onde viria a promessas de Deus, era de fato a nação de Israel (Leia Ap 12 e compare com Gn 37), as investidas de satanás passaram a ser mais “objetivas”, são voltadas contra Israel. Lembremos de Faraó, Balaão, das nações inimigas e até do próprio povo do Senhor – Israel, como manifestações contrárias a vinda do “prometido”.

Mas, Deus, por meio dos profetas, permaneceu em suas promessas. E adicionou informações sobre aquele “alguém”, seus feitos e características. O “Ungido do Senhor” é o Messias: Rei e sacerdote de Israel… e profeta.

Assim, chegamos ao cumprimento da promessa: a chegada de Jesus, o Messias de Israel, nascido de mulher, no seio do povo de Deus, na família de Davi, o rei. 

E na morte das crianças, Herodes, foi um instrumento de satanás, como tentativa de aniquilamento daquele prometido à humanidade… o Messias. 

E chegamos em Mateus, diante do Senhor, do Messias, a proposta de satanás… E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. (Mt 4:9).

… sim esta é a sinceridade de satanás: a busca de adoradores.

Devemos reconhecer seu sucesso… apesar de frustrado em seu propósito diante do Messias, ele está na Igreja, e … e em sua eficácia, o poder, e sinais e prodígios de mentira (2Ts 2:9) está construindo seu povo, seus adoradores. 

… sim esta é a sinceridade de satanás: a busca de adoradores.

Precisamos ouvir o Senhor: 

Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. (Mt 4:10)

O dom de línguas no Livro de Atos

O texto não questiona a existência do dom de línguas, apenas oferece uma perspectiva para avaliação sobre sua utilidade ou necessidade em nossos dias. 

Atos 2 e as línguas – Os judeus e prosélitos

A promessa do envio do Espírito para anunciar aos judeus. NÃO HOUVE ORAÇÃO, crentes falaram em idiomas (SEM IMPOSIÇÃO DE MÃOS) que foram entendidos pelos que ali estavam – judeus e prosélitos. Na explicação Pedro lhes disse que se tratava do cumprimento da promessa (Joel) da vinda do Espírito de Deus para Israel, e o juízo vindouro. E lhes anunciou a Cristo. Aparentemente Pedro não falou em línguas. Usou “estes homens” e não nós, não se incluindo. Quando se referiu ao testemunho da ressurreição falou “nós somos testemunhas”, incluindo-se.  (2.15 compare com 2.32). As línguas serviram como sinal da promessa: a vinda do Espírito de Deus para seu povo.

Atos 8 e as línguas – Os samaritanos

O episódio envolve samaritanos e não mais judeus. ORARAM POR ELES PARA QUE RECEBESSEM O ESPÍRITO SANTO. Então LHES IMPUSERAM AS MÃOS e houve algum sinal visível, pois (8.18) diz que Simão “viu” que o Espírito era dado aos samaritanos que haviam crido. As línguas, caso tenham ocorrido, representou a resposta do pedido de Pedro e João. Possivelmente, já haviam entendido o padrão de Atos 2, e perceberam que a separação com os samaritanos havia caído, estes também voltavam a fazer parte do futuro reino – reintegração das 12 tribos.

Atos 10, 11 e as línguas – Os gentios

Após relutar em ir até a casa de gentios, Pedro foi convencido pelo Senhor. ao chegar lá passou a anunciar, que Deus, após sua ressurreição, constituiu Jesus juiz de vivos e mortos. Diferente o argumento de At 2, que diz que Jesus ressurreto foi feito por Deus Senhor e Messias. Caiu o Espírito sobre os que ouviam. Não ouve oração, tampouco imposição de mãos. Os que lá estavam ouviram falar em línguas, conforme ocorreu em Atos 2 (10.47, 11.17).  Pedro entendeu que Deus havia também trazido os gentios para Si.

Atos 19 e as línguas – Os judeus discípulos de João

Este é um grupo de judeus que havia saído da Lei, sem, no entanto, haver conhecido a Cristo. Houve imposição de Paulo e receberam o dom do Espírito.

Sumário de conclusões

Os indícios permitem a afirmar (a despeito de ser um dom do Espírito) que foram faladas línguas absolutamente humanas, pois foram identificadas pelos envolvidos em At 2, e nos demais casos. Nada sugere o contrário.  

Em todos os eventos registrados no Livro de Atos, as línguas serviram como sinal para os discípulos do Senhor. Por elas foi possível entender a extensão de Deus em sua graça. Neste aspecto, ela cumpriria completamente seu propósito. 

Em nenhum dos registros as línguas foram utilizadas para evangelismo, culto, oração ou ensino.

Com os samaritanos envolveu orações, diferente dos demais. Houve imposição de mãos com Pedro e João para com os samaritanos, e com Paulo no episódio envolvendo os discípulos de João, e não nas outras passagens. O que contraria a existência de um padrão ou requisito para a manifestação do dom.

Percebe-se a ausência de repetição, ou seja, para os grupos que experimentaram, Judeus, Samaritanos, Gentios e Discípulos de João, não há registros que voltaram a manifestar o dom.

No capítulo 19 é feito o último registro, no restante do livro há um completo silêncio sobre o tema. Ainda que tenham ocorrido conversões entre judeus e gentios (como o livro registra).

É possível entender que para os discípulos ficara claro que o dom havia cumprido seu propósito.

A tecnologia e o homem dos últimos dias

Na segunda carta a Timóteo, Paulo antecipa como serão os homens dos “últimos dias”. Pessoas acentuadamente egoístas, sem empatia ou sentimentos. Ou seja, a ênfase em si mesmo e o descaso para com os demais.

Esta realidade, obviamente, virá com o esfacelamento ou mesmo a destruição dos valores tradicionais: família, moral, religião, lazer. Contudo, não nos foi deixado o que levaria a humanidade nessa direção. Assim precisamos perguntar: O que de fato poderia alterar as pessoas  no âmbito da mente, a ponto de transformar o mundo?

Uma das respostas envolve a tecnologia. Nada tem produzido mais mudanças ao mundo, ela tem permitido as profundas transformações no mundo que até então conhecíamos.  
A tecnologia, em sua maior visibilidade, as Redes, permitiu e facilitou a comunicação entre as pessoas. A distância foi vencida, criando um mundo de “próximos”. Uma multidão de pessoas entrou para a cidadania desse mundo – uma nova vida. Assim, a tecnologia, esse “estranho organismo”, lançou a humanidade à uma nova realidade – o mundo das Redes.    
Nesse mundo a velocidade e a facilidade fundamentais trouxeram a vida URGENTE, onde a intensa troca de realidade permitiu uma liberdade não experimentada. Paradoxalmente, a mente humana se escravizou a ela, que agora atua também no velho mundo. E a vida urgente que se renova a cada momento, determinou o prazo de validade de todas as coisas, nada é permanente.  
Tal fugacidade chegou aos relacionamentos. Os compromissos, vai e vão, pelo toque de um dedo. Tudo passou a ser frágil, sem compromisso, sem profundidade ou reflexão. A futilidade ganhou importância, ocupando e dando sentido à vida cotidiana.   
Assim, na nova realidade cabem os impossíveis, os contraditórios, a lógica do movimento, o inclusivismo passou a ser uma necessidade existencial. E a nova vida depende apenas de um toque do outro lado da linha.
Veio um novo padrão mental, a excelência do indivíduo, o fez Deus, que cria sua realidade: uma nova humanidade, unida pela e apenas na rede. A tecnologia permitiu uma nova percepção de mundo, e esta prevaleceu: nenhuma verdade pode determinar a vida. Todos constroem seu próprio mundo, sua própria verdade… e a seu tempo. 
Veio a proximidade com distanciamento, com pessoas próximas de seus teclados, mas distantes entre si em seus sentimentos. Não há percepção real do outro, da dor ou do sofrimento, e frases vazias expressam a ausência dos sentimentos.  
A vida de “outrora” perdeu sua importância, mais grave, sua utilidade. É apenas o começo… mas já estamos diante do homem dos ‘últimos dias”.
Recomenda o Senhor… DESTES AFASTA-TE. (2 Tm 3:5)   

O desespero (tardio) de Esaú

O texto tenta expressar os “Esaús” de nosso tempo, 
antecipando-lhes seus sentimentos eternos. 

Pessoas que estiveram tão próximos, mas foram tomadas pelas fascinações do mundo. Trocaram as promessas de Deus pelo prazer transitório do pecado. 
E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura? (Gn 25:32)

I.
Hoje sei, existem cadeias, prisões, locais onde me falta o ar.
não há a liberdade que meu corpo ou alma clamam,
… em vão clamam.
Não há relativos, na liberdade não há pedaços.
Como uma síndrome, sem entender, claro fica não há outro o destino.
O choro profundo e contido são os amigos fiéis,
o grito é meu sonho suspeito,
Sofro baixinho, e a certeza… bem sei, nada volta do abandonado.
II.
Deixo-me às inquietudes, aos grilhões, às masmorras, 
que malditas aprisionam minha mente e oprimem o pensar.
As paredes em mim corrompem os sonhos – nem mais os tenho,
Vem da morte a esperança que não chega?
III.
Sigo caminhando, como a multidão, para dentro de mim,
O meu desespero busca uma primeira esquina – ruas sem fim.
Não percebo se há luz por sobre a minha cabeça,
Meus olhos se fizeram reféns das sarjetas
e decantam as lágrimas do desfeito.
IV.
A vida desistiu de mim, emudeceu,
As escaras em minha alma testemunham.
Dói-me o coração, doem minhas entranhas.
As lembranças, qual casais dançantes, vão e voltam,
numa valsa de pranto e dor – a minha dor!
V.
Quantos louvores, quantas aleluias entoadas.
Meus lábios falseavam na presença magistral de Deus.
Ele estava lá! (ouvia de bocas santas, lábios diferentes).
Enchia o local … nada estava a me esperar.
Aguardavam alguém (nunca entendi, nunca experimentei, nem sei se chegou)
mas eu aos louvores ouvia … as aleluias.
VI.
Cheguei às calçadas, os prazeres e sonhos – julguei-os reais;
degustei sua torpeza.
As noites escuras, sorrisos leais segui … como os queria!
Tantos foram os passos, tantos abraços e o cansaço de lá chegar.
VII.
E longe se perderam-se os louvores e as suaves aleluias.
Ah! Eu já havia chegado aqui, nem sabia que jamais poderia voltar.
Hoje sei, há cadeias, prisões que não podem me libertar.


Ao Senhor honra, glória e louvor eternamente.