O texto tenta expressar os “Esaús” de nosso tempo, 
antecipando-lhes seus sentimentos eternos. 

Pessoas que estiveram tão próximos, mas foram tomadas pelas fascinações do mundo. Trocaram as promessas de Deus pelo prazer transitório do pecado. 
E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura? (Gn 25:32)

I.
Hoje sei, existem cadeias, prisões, locais onde me falta o ar.
não há a liberdade que meu corpo ou alma clamam,
… em vão clamam.
Não há relativos, na liberdade não há pedaços.
Como uma síndrome, sem entender, claro fica não há outro o destino.
O choro profundo e contido são os amigos fiéis,
o grito é meu sonho suspeito,
Sofro baixinho, e a certeza… bem sei, nada volta do abandonado.
II.
Deixo-me às inquietudes, aos grilhões, às masmorras, 
que malditas aprisionam minha mente e oprimem o pensar.
As paredes em mim corrompem os sonhos – nem mais os tenho,
Vem da morte a esperança que não chega?
III.
Sigo caminhando, como a multidão, para dentro de mim,
O meu desespero busca uma primeira esquina – ruas sem fim.
Não percebo se há luz por sobre a minha cabeça,
Meus olhos se fizeram reféns das sarjetas
e decantam as lágrimas do desfeito.
IV.
A vida desistiu de mim, emudeceu,
As escaras em minha alma testemunham.
Dói-me o coração, doem minhas entranhas.
As lembranças, qual casais dançantes, vão e voltam,
numa valsa de pranto e dor – a minha dor!
V.
Quantos louvores, quantas aleluias entoadas.
Meus lábios falseavam na presença magistral de Deus.
Ele estava lá! (ouvia de bocas santas, lábios diferentes).
Enchia o local … nada estava a me esperar.
Aguardavam alguém (nunca entendi, nunca experimentei, nem sei se chegou)
mas eu aos louvores ouvia … as aleluias.
VI.
Cheguei às calçadas, os prazeres e sonhos – julguei-os reais;
degustei sua torpeza.
As noites escuras, sorrisos leais segui … como os queria!
Tantos foram os passos, tantos abraços e o cansaço de lá chegar.
VII.
E longe se perderam-se os louvores e as suaves aleluias.
Ah! Eu já havia chegado aqui, nem sabia que jamais poderia voltar.
Hoje sei, há cadeias, prisões que não podem me libertar.


Ao Senhor honra, glória e louvor eternamente.

2 comentários em “O desespero (tardio) de Esaú

  1. A preocupação, ansiedade e desespero de Esaú sempre foram pelas coisas terrenas, sua alma estava ligado a este mundo e não a Deus.Suas lágrimas é segundo este mundo que produz a morte, mas a tristeza segundo Deus produz verdadeiro arrependimento.

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