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A IGREJA E A AMEAÇA DO CORONA VÍRUS

 

Estamos, de fato, diante de uma grave crise – os óbitos, a extensão e a velocidade com que ocorrem as contaminações provam que a humanidade não tem poder diante da ameaça do Corona vírus.
Em seu enfrentamento, muitos textos e manifestações têm sido produzido, orientando condutas, em especial, para o povo de Deus. Vários textos são utilizados para justificar essa ou aquela posição: fechar os templos ou mantê-los abertos? A prudência é uma recomendação de Deus.

Não temos um mandamento objetivo sobre a questão. Deus não disse: “no ano de 2020 ocorrerá uma peste global, e que os crentes devem…”.

Portanto, para qualquer decisão é necessário conhecer o caráter de Deus, suas promessas, saber das aflições previstas, dos planos de Deus para o mundo… e, principalmente, aprendermos como o Senhor e seus servos agiram quando ameaçados.
Tivemos o dilúvio, descrito no Livro de Gênesis, um evento de extensão global, Deus ordenou a Noé construir uma arca, separando-os dos demais. E Noé com sua família, em obediência, não foi condenado com o mundo.
O Livro de Êxodo, quando das pragas sobre o Egito, Deus orientou ao seu povo manter-se separado em Gózem, livrando-os do juízo que caía sobre os egípcios. Os hebreus mantiveram-se separados, e sobre eles não pesou a mão do Senhor.
Tiago ao utilizar Elias – orou e trouxe a seca, depois orou e veio chuva, não nos estimula a repetirmos aquele feito. E o toma para exemplo, cuidarmos uns dos outros, a recorrermos a Deus. (1 Rs 17 e Tg 5). Entendeu o escritor que alguns feitos não seriam possíveis de serem reproduzidos?
Mesmo que tais exemplos não sejam paralelos idênticos, foram escritos para por eles aprendermos. Pelo mesmo motivo, os exemplos pessoais de bravura e medo na vida de Davi, Moisés, profetas e tantos outros, devem ser vistos em seu contexto e aplicados com muito cuidado para atual situação.
Ainda que guardados pelas promessas de Deus, devemos reconhecer o poder das ameaças que se aproximam de nós, e discernir sobre nossa responsabilidade e real capacidade de enfrentá-las. Fugir, ou esconder-se de inimigos mais fortes não significa falta de fé ou covardia. A fé sem discernimento é bravata, falso misticismo, é religiosidade que pode ocultar escusos interesses.
E não é o que Deus nos orienta, pelo contrário somos chamados à razão. Salomão percebeu que “o prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando.” (Pv 22:3).
Os próprios passos e dedicação à vida cristã exigem razoabilidade,  “Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.” (Lc 14:31-32).
O exemplo de José e Maria (Mt 2.13), os pais naturais de Jesus, diante da ameaça de Herodes, responsavelmente, alertados por anjo, e fugiram para o Egito. E muitas crianças morreram diante da situação. Faltou-lhes fé diante de Herodes? Deveriam ter enfrentado a ameaça tão mais poderosa? Decerto que não.
A tentação do nosso Senhor (Mt 4) foram propostas para bravatas e espetáculos produzidos pela falsificação da palavra de Deus, e sabemos quem foi seu autor.

Em sua segunda carta, no capítulo 1, Pedro afirma que as Escrituras (conhecimento de Deus e de Jesus) são suficientes e completas para vida e piedade. Deus recomenda o discernimento.

É sensato perceber que Deus reconhece o saber humano, foi Ele quem o criou, foi Ele quem nos criou. O Senhor recomenda para irmos ao médico, para considerarmos o papel e poder do Estado.
Quando os especialistas alertam para necessidade de combater um mal por meio do isolamento, mesmo que isso seja contrário aos nossos planos e interesses, devemos reconhecer que não temos conhecimento necessário para, responsavelmente, irmos em outra direção.
Pr. Paulo Brasil

 

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