O tempo de espera

No capítulo 11 de livro aos Hebreus há uma galeria de grandes homens. Homens que experimentaram desafios, estiveram sob ameaças, abandonados, mas permaneceram firmes, pois movidos pela certeza de sua esperança, viviam suas vidas sabendo que algo melhor os esperava.

Assim, viveram e morreram, e seus nomes chegaram aos nossos dias, foram registrados para nosso ensino, para aprendermos com eles, homens que não retrocederam.

O texto que antecede e nos leva a esses grandes homens é:

“Mas o justo viverá pela fé; e, se alguém se retirar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma”. (Hb 10:38-39).

Assim, entendemos que todos esses homens conhecerem, e foram ensinados por Deus, e seguiram em direção à sua esperança – a pátria celestial.  

Seu conteúdo é oportuno para este tempo de pandemia. Quando o desânimo tem encontrado lugar em meio a Igreja do Senhor, e mais deve se aprofundar. As palavras do Senhor mostram seus cuidados e também suas advertências.

Deus nos comprou e, fazendo-nos crer, confiou-nos seus mistérios, em especial colocou em nossos corações a esperança, pois ele virá nos buscar e com ele estaremos para sempre.  

Esta esperança nutre nossas vidas, de modo que desejamos e necessitamos agradá-lo. A comunhão com Ele e com os irmãos são expressões dessa esperança. Não deixemos de congregar, não retrocedamos para a perdição… Ou ouviremos a voz do Senhor: Nesse minha alma não tem prazer. Consideremos tamanha advertência!

Por outro lado, a esperança nos conforma com as palavras do escritor, nos conforma com aqueles homens: Somos daqueles que permanecem firmes na esperança de encontrar o Senhor… em comunhão com ele e com os demais irmãos. Lembremos que o nosso nome também está escrito nos céus, no coração do nosso Senhor.

Importa que os homens assim nos vejam, diz o Senhor que mais perto está.  

O salmo amarelado (91)

salmo 91

O Salmo 91, o Salmo amarelado, é um termo extraído do hábito de muitos manterem a Bíblia aberta neste salmo. O que faz com que essa página fique amarelada pela ação do tempo. Pois, acreditam que seus textos funcionam como um mantra ocultista de poder e proteção… e mostra sua popularidade.

Devemos lembrar que satanás falsamente dele se utilizou na tentativa de se beneficiar e frustrar o plano de Deus.

Portanto, ao seu conteúdo devemos dedicar completa atenção, assim saberemos seu significado.

Duas questões devem ser identificadas e respondidas: (1) o termo AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo são todas as pessoas, qualquer pessoa? (2) Caso seja específico para uma única pessoa, quem é essa pessoa?

É isso que o texto pretende responder, comecemos pelo primeiro questionamento: “AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo são todas as pessoas, qualquer pessoa?”

O salmo inicia afirmando:

“AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.”.

O texto não diz TODO AQUELE, permitindo que entendamos ser qualquer pessoa, ou todas as pessoas. Mas, afirma apenas AQUELE, uma única e singular pessoa.

Acrescentemos que o esconderijo onde “AQUELE habita”, pertence ao Altíssimo, que estabeleceu critérios para os que lá podem entrar (Sl 43.3; 1 Co 6.10).

Assim, o início do texto nega a ideia que “todos” habitarão no esconderijo do Altíssimo. Portanto, as bênçãos contidas do salmo são restritas, não podemos aplicar para todos.

Com nosso primeiro questionamento resolvido, devemos passar para o segundo. Devemos encontrar A quem é dirigido o salmo com suas bênçãos.

No segundo verso, “Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei”.

O salmista se dirige a Deus, o Deus de Israel, usando a primeira pessoa “EU”, que é o mesmo que habita no esconderijo do Altíssimo. O salmista fala de si mesmo, ou fala como se fosse outra pessoa?

Dos versos 3 até o verso 8, estão declaradas as bênçãos: promessas de livramento e de cuidados. Inicia assim: Porque ELE (o Altíssimo) TE livrará. E todas as bênçãos são dirigidas para a pessoa singular, “TU”, pois lemos os termos “te, teu, terás”.

Assim, vemos que as promessas do salmo são exclusivas para alguém tratado pelo pronome “TU”, que é “AQUELE” que habita no esconderijo do Altíssimo.

No versículo 9 diz: “Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação”. Temos confirmado que a pessoa a quem foram dirigidas TODAS as bênçãos, “AQUELE” que habita no esconderijo do Altíssimo é o SENHOR.

O salmista tem por perspectiva a existência de uma pessoa divina, O Altíssimo, que promete bênçãos para outra pessoa divina AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo.

O que é confirmado pelos versos 11, 12 que dizem: “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra alguma”.

O texto é reconhecidamente messiânico, onde há a promessa dos anjos do Altíssimo guardarem o Senhor. Tal texto foi usado por satanás (Mt 4.6; Lc 4.10) para a pessoa do Senhor.

O salmista faz referência ao Deus de Israel, os evangelista utilizam para Cristo.

Temos assim, a segunda resposta: Este Salmo faz referência à vinda do Messias, e aos cuidados da parte do Altíssimo.

Todas as promessas contidas nele foram feitas para Jesus, o Deus de Israel.

Não é ensino do salmo conferir suas bênçãos a partir das necessidades do leitor. E, não se pode transformar as promessas do Altíssimo em um mantra para hora da aflição e sem nenhum conhecimento e compromisso com Deus

 

Qual verdade liberta? (Jo 8.32)

algemas.jpg

Vive-se inserido em uma realidade absolutamente complexa, onde tudo funciona e em harmonia. Desde o pequeno átomo, até a multidão dos corpos celeste seguem a trajetória determinada. Essa complexidade o mundo a chama de natureza, mas Deus afirma que é o seu poder em  preservar sua criação.

Observá-la ajuda a entender a própria realidade humana e algumas características são evidenciadas… (1) o quanto não se sabe, e o mais dramático,  (2) quão dispensável é o ser humano para o funcionamento do que contemplamos.

Esse desconhecimento e a pouca importância seriam suficientes para se afirmar quem de fato somos, e assim pedir-se ajuda. Mas, entorpecidos pela soberba funcional,  conferi-se a sabedoria e importância não possuídas, e segue a existência humana uma trilha sem consciência e sem esperança.

A soberba se impõe à realidade humana fazendo com que o egoísmo e a irracionalidade reajam e pouca ou nenhuma reflexão seja necessária.

Essa condição afirmou-se como suficiência, a tal ponto que nem a fragilidade exposta pela ameaça da COVID, permite a reflexão.

Ignora-se a evidente sabedoria e bondade que nos cercam.

A vida que se nos apresenta é magnífica, é impensável… o pulsar do coração, as espessuras dos quilômetros de artérias necessárias ao sangue manter a vida humana.

Temos ainda, a exatidão das dimensões e da distância do sol gerando a energia para vida tão distante; a lua e suas fases fazendo funcionar as marés… e moléculas se unem fazendo algo completamente diferente… tanta perfeição. Que grande é seu Criador!

Nada se faz e a vida “funciona” , assim, somos beneficiários dessa bondade e sabedoria.

E sem conhecimento de quem somos, as preferências pessoais se fazem “verdades possíveis”, mesmo que o tempo traga o fracasso e as frustrações como sentenças. Esse padrão “mental” se fez cultura e a vida perdeu o significado… para onde segue a humanidade?

E sem conhecimento do Senhor, sem verdade permanecem presos…  livres apenas na ilusão mantida pela soberba

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará… Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (Jo 8, 32, 36)

Voltarei para vós (Jo 14)

Liberdade%2C Ang%C3%BAstia e Morte.jpg

NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vô-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.

Este texto se encontra no Evangelho de João, capítulo 14.

A este texto os mais estranhos significados são dados, muitos dão o sentido que desejam, e perdem suas palavras de esperança. Precisamos conhecer as circunstâncias que antecederam as palavras ditas do Senhor para chegarmos ao seu real significado.

Podemos iniciar no capítulo 12, quando Jesus reafirma o amor de Deus para conosco com sua própria voz vinda dos céus.

Logo após, no capítulo 13, surge o traidor, aquele que levaria o Senhor à morte. Sua reação em afirmar ser necessário assim acontecer a todos perturba. E o medo e a insegurança toma o coração de seus discípulos. Duvidam do Senhor, se seria mesmo aquele a quem esperavam. O Messias das Escrituras não poderia morrer… pensavam.

Esses acontecimentos fizeram com que os discípulos questionassem suas próprias vidas, questionassem a seguir o Senhor.

Não se trata de uma história religiosa, sabem que suas vidas foram transformadas pelo Senhor, mas agora, estão inseguros quanto às consequências, quanto ao futuro. São homens adultos e não crianças, pessoas sinceras que estão aflitas. Portanto, é em resposta às aflições dessas pessoas que o Senhor diz tais palavras.

Não se turbe o vosso coração… crede em Deus, crede em mim… eu vou vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.

Jesus lhes diz que se ausentaria, mas voltaria para buscá-los…  não os abandonaria, seria apenas uma breve separação, logo voltaria. Informa-lhes ainda, sobre o local eterno e perfeito, e que um dia todos com ele estariam.

São palavras para descanso, para fortalecimento da esperança. São promessas, que como uma bandeira, deveria ser alçada quando em aflições.

São palavras de seu cuidado, que se estendem por toda a vida, chegando à eternidade… chegando até àquele lugar. Estamos seguros.

O Senhor é nossa rocha. Sim, o nosso Deus não nos deixou órfãos, tem nos guardado em todos momentos, inclusive em nossas provações… e Ele virá nos buscar.

Acalmemos os nossos corações.

A vida antes desta vida (1 Jo 1)

 

ampulhetas_do_tempo.jpg

(Meditação em 1 Jo 1.1-4)

Antes mesmo que houvesse a criação, essa que conhecemos e dela fazemos parte… já havia vida. Sim, mesmo que não o soubéssemos, já havia vida. Estava com Deus, e foi expressa em sua criação, com santidade, beleza e amor.

Em grandes atos de poder, Deus trouxe a vida à luz, para que pudéssemos nela e por meio dela O conhecer e nEle ter prazer.

Não conhecemos o cenário inicial em que toda criação foi organizada, sua harmonia, os cânticos e beleza. Tampouco, compreendemos como a morte ali se introduziu, roubando da vida sua santidade, roubando da vida sua fonte, que é Deus.

Passamos a viver uma existência que se esvai, separada da sua fonte, existimos, e por tão pouco tempo, apenas à espera da morte.

E fomos surpreendidos, sim, João nos surpreende ao registrar que a vida que no princípio já existia… ele, um mortal, a ouviu, viu, contemplou-a e com … suas mãos a apalpou. (1 Jo 1.1)

É o anúncio da vida… a vida que estava com o PAI, veio a este mundo… Jesus Cristo.

Por duas vezes lemos: vos anunciamos. É para cada um de nós: “a vida eterna que estava com o Pai nos foi manifestada… Jesus nos foi anunciado”. (1 Jo 1.2-3)

Aleluia.

De volta à vida em que a morte não existia. Jesus é o caminho e a própria fonte da vida… a vida que conhece e tem prazer em Deus.

E acrescenta: Estas coisas vos escrevemos para que alegria seja completa… novamente Aleluia. (1 Jo 1.4)

Retornamos à vida com Deus, por meio de Jesus Cristo temos a vida que nós não conhecíamos… e mais, o veremos como Ele é, seremos semelhantes a Ele.

Nossa bendita Esperança.

Ora vem Senhor Jesus.

Que o Senhor nos abençoe.