Apenas creia em Cristo

Igreja Batista Regular Renascer
Manaus, 12,dezembro,2010
Com base em Jo 6.28-40.
O texto lido nesta noite, apesar da distância no espaço e na nossa história, é um fato de nosso dia a dia, repercute nos quatro cantos de nosso cotidiano.
1.    É a luta entre a verdade de Deus  e os caprichos da sabedoria pessoal dos homens. A despeito dos riscos, esses insistem em enfrentar o Senhor dos Exércitos.
2.    São verdades de uma razão sem razão saindo em fúria contra a sabedoria, a bondade e o amor de Deus.
O que veremos expressa a convicção dos milhares que formam a pobre pluralidade religiosa. São os travestis evangélicos, o confuso paganismo católico, espiritualidade sem Espírito dos espiritualistas, a arrogância pueril dos agnósticos e ateus e demais arranjos e modismos religiosos que brincam de ser Deus, sem atinarem para as trevas que se avizinham.
É a mesma disposição que hoje temos no coração de muitos aqui sentados, cujos argumentos são construídos, impedindo-os de conhecer a simplicidade e sabedoria do nosso Deus.
Ah! Como tais corações operam contra si mesmos. Nessa luta, fingem-se fortes, não sabem que, à espreita, a morte lhes sorri, que serão apanhados em sua sabedoria.
(Jo 6:28) Perguntaram-lhe, pois: Que havemos de fazer para praticarmos as obras de Deus?
Este tem sido o questionamento da humanidade: Que deve ser feito para agradar a Deus? Todos querem colocar diante de Deus suas obras, seus méritos, suas sabedorias. Não há sinceridade no questionamento, apenas é o ponto de partida para iniciar a oposição ao evangelho da graça de Deus, pois em sua mente pronta está a resposta. Mesmo que represente um desconforto interno, uma desonestidade intelectual, permanecem firmes em sua saga de morte e desesperança.  Mas na firme proposta de exaltação pessoal.
Deveriam saber que todo questionamento que envolve o nome e a vontade do Senhor está sendo descortinada a sentença de morte que paira incessante sobre todos. 
(Jo 6:29) Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.
A boa obra para vida é crer em Cristo, e nada mais, depositar toda sua confiança no Senhor da vida, esta é a resposta celeste, eterna. Pois, apenas Ele é poderoso para infundir a vida em corpos mortais, em mentes sombrias. Este é o grande desafio às mentes soberbas: a simplicidade do evangelho. 
A submissão a Deus por meio da fé em Cristo não tem lugar na razão humana, pois conflita com a fé em si mesmo. É a seiva do prazer que flui e alimenta a tênue vida do homem sem Deus.
(Jo 6:30) Perguntaram-lhe, então: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos e te creiamos? Que operas tu?
Apresentam suas exigências religiosas confrontando a fé em Cristo: sinais. Quem era o Senhor? Que poderia ser feito para evidenciar “a espiritualidade” de Jesus? 
A rejeição ao argumento da fé, e somente a fé, estava posto. Nossos pares, em especial os  pentecostais, estão à procura de algo espetacular, a procura de algo que desça dos céus em bola de fogo ou que imediatamente os transforme e os faça poderosos. A conquista do mundo é a medida da vara.
A  venda da indulgência evangélica: determine, não aceite, aposse-se, prosperidade, saúde, tem substituído a fé em Cristo. Este é o canto e acalanto das multidões.
Procuram um DEUS DE PLANTÃO para atender aos seus “negócios espirituais”.
O evangelho transformador de almas foi posto de lado, surgindo um evangelho de saldo bancário, de exame médicos, conquistas profissionais, de cancelamento de duplicatas, de escaladas de fundo de poços. Todo o aparato psicológico para garantir a superioridade do “evangélico dominador deste século”.
Simplesmente não querem aceitam a fé pura e simples no Senhor, é por demais humilhante. Querem ver atendidos seus anseios, seus critérios, suas propostas. Buscam a chave da exaltação pessoal em nome de Cristo. 
(Jo 6:31) Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer.
Seus sentidos teimam em apresentar argumentos falidos, que nem mesmo crêem, mas é preciso ter alguma coisa para lançar contra o Evangelho do Senhor. Afirmam e criam em suas mentes arranjos para desviarem-se das verdades que se apresentam. Repetem mecanicamente refrãos e ladainhas em respostas aos mandamentos de Deus.
(Jo 6:32)Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.
A correção do entendimento é necessária. Todo aquele que não enfrenta “suas” verdades permanece no erro. Não foi Moisés, mas sim o Senhor que lhes havia concedido o pão que comeram. 
Nada recebemos que não venha do alto, sejamos crentes ou não. “Nenhum poder terias se do céu não te fosse dado”, serviu para Pilatos e serve para todos que aqui estão. Todos somos  devedores do Senhor, mesmo que se acredite acima da necessidade religiosa.
É preciso se deixar ouvir as lições do céu. É preciso saber-se ignorante quanto às verdades de Deus, para que o próprio Deus lhe dê as instruções da vida, para que saiam da morte que não cansa em sua perseguição.
(Jo 6:33-34)Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
Não queiram tirar vantagem pessoal do evangelho que seja além do abandono da vida de pecado que tanto prazer trás.
Não queiram como os judeus o pão para saciar apenas a fome do agora, e não saciar a fome e sede eternas pela quais clamam suas almas.
Não transforme a oportunidade ofertada por Deus em momento de vil vantagem.
Submetem a verdade aos arranjos mentais que verdadeiramente os distanciam mais e mais do Senhor.
E muitos outros há, ousam o cristianismo como espreguiçadeira intelectual, lançando seus devaneios para oferecer um novo contorno às verdades eternas. Afirmo-lhes: o oportunismo é a porta de entrada do fracasso espiritual, da surpresa e morte. Esses continuarão entendendo e divulgando conforme as trevas e interesses de seus próprios corações. 
Estão em busca da verdade oportuna, da facilidade operosa, buscam o que lhes parece moda, o que lhes é adequado, a liberdade do pensador.
(Jo 6:35-38)Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

Mas leio: que a vontade do Pai sobrevirá, que o Pai ordenará e o miserável render-se-á ao Seu irresistível  chamado. 

Nada maior poderia confortar o coração do pregador: não faço a minha vontade, não faço o meu querer, não há resultados pela desenvoltura ou sabedoria pessoal, mas sim, pelo poder e querer do Espírito. 
O que ocorrerá a Igreja do Senhor nesta noite está sob o bem querer e domínio do Altíssimo. A Ele poder, honra e glória eternamente. É Deus quem opera tanto o querer quanto o realizar, Ele quem fará prosperar sua palavra… naquilo que Ele mesmo designou. 
Muitos têm visto, ouvido, contudo, não crêem, e continuará assim, o Juiz de toda a terra lhes dará a paga. 
E diz: TODO aquele que o Pai enviar, ESTE virá a Cristo. E virão tantos quantos foram chamados, tantos quantos tiverem seus corações constrangidos pelo Santo Espírito. Nenhum a mais, nenhum a menos. 
(Jo 6:39-40)E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia. Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
Saiba, pecador, hoje o céu está aberto. Os ouvidos do Senhor estão voltados para confessares os teus pecados, para teu arrependimento, pois não passas de cinza e pó. 
É tempo para contemplares a grandeza, a bondade e o amor de Deus. 
Para que o teu coração aflito descanse de todo peso sobre a mansidão de Cristo, creia, Ele o aliviará. 
A voz imperiosa do Senhor alerta para abandonares tuas verdades, tua religiosidade fútil,  e viveres uma nova vida, que não sabes que existe… vida que não se esvai.
Apenas creia em Cristo, é o clamor dos céus!

O primeiro dia do resto de nossas vidas


A lança da misericórdia e a reedição da desonra imposta foram desnecessárias, o Senhor já se entregara à morte… Jesus está morto. A água e o sangue que saem daquele corpo manifestam o estertor da humanidade vil que compartilhou nosso Deus.

Mateus registra o desfecho final da encarnação do Senhor: “o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era filho de Deus” (27.54).

Há humano espanto com o que podem fazer a inimizade e o ódio contra Deus.

Os que de longe vieram para ouvir o Mestre deparam-se com um corpo inerte pendurado em uma cruz, desfigurado pelos horror imposto por seus algozes. Mudo é o retrato da obra do coração humano.

Há humano espanto com o que podem fazer a inimizade e o ódio contra Deus.

Morto o Senhor do Universo, findam as esperanças, dilui-se a expectativa da glória prometida pelo Santo de Deus. Jaz, traspassado aquele que havia de redimir Israel. Seu destino em nada difere daqueles malfeitores que compartilharam de seus últimos momentos ao seu lado, nada há naquele corpo inerte que não seja humano.

Ao espanto da cruz surgem os anônimos de até então, José e Nicodemos que intercedem junto a Pilatos pelo corpo de morte do Santo. A dignidade e a liturgia clamam por baixá-lo da cruz e depositá-lo em um túmulo. 
Aproxima-se a celebração da Páscoa, algumas horas separam da escuridão da noite que chega. Há pressa nos judeus, aquele cenário cruento não pode emoldurar as luzes do sexto dia. Às pressas enrolam-no com tecido e o deitam em uma cova, jaz o Deus eterno. 

Consumado está, nada mais resta àqueles que Nele depositaram esperança. Retiram-se todos até a manhã do primeiro dia, para a celebração e submissão à morte, a crueldade da morte. Pobre de nós!
  
Assim ficaria, caso não houvesse santidade, poder e fidelidade em Deus. 

Um novo dia, uma nova vida emergiram daquele túmulo, emergiram de Deus. 


Bendito seja o Todo-Poderoso.

A vida que vem do túmulo

Igreja Batista Regular Renascer
Culto Noturno
Manaus, 21,novembro,2010
E acharam a pedra revolvida do sepulcro. Entrando, porém, não acharam o corpo do Senhor Jesus. (Lc 24.2-3)
A vida que se apresenta diante de nossos olhos, cantada pelos poetas, que ajuda a compor enredos e se lança como uma celebração, é na realidade o manifesto da desesperança de toda a raça.
Subordinada aos caprichos da morte fez do homem refém, como um leão condenado que em clausura percorre incessantemente os quatro cantos da jaula a espera do sacrifício.

Para esse nada há além do fechar dos olhos. As ambições, o prazer, os sentimentos, tudo será encerrado pelo manto negro da morte. Não há esperança, a morte é o último ponto, é o fim da percepção humana. A frieza da análise fornece-lhe a miséria vivida: nada há além do visível, nada há além do prazer e das conquistas. Quedou-se à morte, adaptando-se a desesperança que pasteurizou a vida moderna.

As advertências divinas foram lançadas fora, o inferno tornou-se infantil demais para consideração, mesmo que sua vida sejam passos rumo às aflições eternas. Perdida a noção de pecado, a moral decai e o homem regozija-se nas sarjetas imundas de seu cotidiano achando-se superior e, paradoxalmente, quase imortal.

Sem regras, sem família, sem pudor… sem Deus, é o quadro da desesperança cotidiana. Rejeita toda abordagem a respeito da eternidade, satisfaz-se com o engano dessa vida fugidia. Esquiva-se dos preceitos divinos, de seu próprio interior, julgando logrará êxito frente ao Juiz de toda terra.  Jeremias traz a advertência do alto: Por que se queixaria o homem vivente, o varão por causa do castigo dos seus pecados? (Lm 3:39).

A morte, queira o amigo ou não, é a justa sentença de Deus sobre todos. A cada dia ela mostra seu poder, sua marca: crianças, idosos, sábios, indoutos, nobres por ela são ceifados.  Ela está a mostra, cemitérios testemunham com suas as infindáveis cruzes a presença da morte, o pranto, as inócuas missas tecem sua textura entre nós, avisando a todos de sua presença. Sim, assim quis o Juiz de todo universo. Por ela o Altíssimo exibe a insuficiência e finitude humanas.

O que a Escritura tem para esse homem, o que ela tem para abrir sua mente e fazê-la ir além da mesquinhez dos dias maus que se apresentam? A morte passeia vitoriosa, garbosa se mostra em toda a criação. Que poderá fazer o homem?

As Escrituras solenemente afirmam: Jesus, nosso Senhor e Deus venceu a morte, é seu Senhor.

Reúnam-se todos os demônios, satanás, católicos, espíritas, sábios, livres pensadores, cristãos professos, apóstatas e toda multidão de pecadores e venham ouvir: Jesus, o Deus eterno, é senhor da vida e da morte. Sim, foi da vontade de Deus, o Pai, que assim o fosse. 



Declarou desde a eternidade e revelou-nos  séculos antes de vir ao mundo, antes de se fazer carne,  falou:
Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do Senhor? Is 53.1
A advertência divina alertava que a dureza de corações faria com que as pessoas desacreditassem assim, na palavra do Senhor. Não me surpreendo, com a desatenção, com o descaso, com a sabedoria pessoal, com a soberba aqui presente. As ruas do inferno são calçadas de sabedoria e bondade humana.

O Senhor não levou em conta nossos sentimentos, nossos afetos, ao construir seu plano de redenção, o fez para louvor de sua glória, e traria pecadores a conhecê-Lo pelo seu poder e bondade. Jamais nosso Deus realizou a obra da salvação com base na atenção, no discernimento de suas criaturas. Mas, rogo aos ouvintes: abram seus ouvidos, abram seus corações, pois o evangelho é o único meio de fugirem das sendas da morte.
Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Is 53.10

Leiamos com toda atenção, leiamos, pois aqui se encontra a verdade que nos leva para além da morte. O livramento das garras imperiosas das trevas eternas.  Deus em seu amor e santidade teve prazer em expor Cristo na cruz para escândalo de todas as criaturas no céu, na terra. O Santo de Deus, Jesus, deu-se em oferta pelo pecado. O nosso pecado que faz com que Deus estabeleça a sentença de morte, foi lançado sobre Ele naquela cruz.


Ofereceu seu próprio Filho sem pecados, sem mal algum para pagar pelos nossos pecados. O justo pagando pelo injusto; o Santo em lugar de pecadores.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Is 53.5

 A santa Palavra garante-nos: Jesus foi ferido por causa de nossas transgressões, esmagado por causa de nossas iniqüidades. A sentença de morte que estava sobre nós, sobre Ele foi lançada. Apenas a iniqüidade, o pecado que alimenta e entorpece os corações não permite perceber o amor que chega em sua direção: Deus lançando seu Filho sobre uma cruz, sentenciando-o à morte para livrar o miserável pecador.

Procurem na história, nos anais das boas obras humanas e verifiquem se há amor maior que o do Nosso Deus. Vasculhem o próprio coração e se apercebam que estão sozinhos nesta aventura da vida, e sem a companhia do Senhor, foi iniciada a trilha da morte e do desespero eternos. Mas, temos boas novas, o que dizer do túmulo vazio?

Aquele túmulo é o recanto em todo universo escolhido por Deus para fazer brotar a verdadeira vida. No poder Triuno e na assembléia angelical foi sentenciada a morte da morte: a morte morreu. A exuberância da vida foi proclamada. Aleluia! Milhões de aleluias cantaram os céus, ecoaram por toda a terra. A vida de Deus está disponível aos homens.

A morte não pode reter a vida que há em Cristo… o túmulo está vazio. Em profusão sai o vigor da vida.

Esta é a boa nova de salvação: nossos pecados lançados naquela cruz de morte, e nossa vida emergindo do poder de Deus. O túmulo não nos reterá, temos a vida de Cristo, eterna. 

É o desafio dos céus, saiam das sarjetas da desesperança, lancem-se a Cristo, todos os que cansados, cansados dessa vida.

A ressurreição de Cristo é o fim da vida regida pela morte. E é o ministério da vida que desce dos céus e se nos oferece nesta noite.

É a vida que passa pela cruz e vem do túmulo.

Unidos contra Cristo ou A convergência do interesse humano


Manaus, 7, novembro,2010
EBD Igreja Batista Regular Renascer

João (19.14-24)
Na leitura sobre a crucificação de Cristo, impossível é não atentar para as motivações presente. A relação entre os distintos grupos tem matiz próprio, um caráter singular.  Os gentios, na figura de Pilatos, os religiosos, representados pelos judeus e a turba acéfala, que sempre é conduzida. Para chegar à cruz houvera suborno, agressão, coação, falsas testemunhas, covardia etc.

Por que tanto por um maltrapilho? Um qualquer? Sem influência familiar, sem procedência. De tão desprezível, que Natanael inquiriu: Poderia vir algo de bom de Nazaré? Sim, nenhum sentido há, na análise fria da história, que justifique as proporções que alcançaram a morte de Cristo. Apenas encontro respostas ao me debruçar sobre o mal que aprofunda suas raízes no coração de toda a raça humana e nos propósitos eternos do Altíssimo. Sim, há mistérios e propósitos na sabedoria e no plano de Deus.

Sim, Deus derramou seu sangue, o Livro dos Atos dos Apóstolos (20.28) registra: A Igreja que Deus adquiriu com seu próprio sangue, sentença eterna do coração do Senhor, assim, haveria de ocorrer na história. Mas por que tamanha ira? Tantos riscos? Repúdio e abandono de todos?

O Altíssimo será conduzido até o madeiro. A cruz que encerrará seu martírio, que sobre ela passará os últimos minutos desta vida o Senhor da glória, objeto do escárnio dos homens. 


A cruz da morte acomoda a vida, a nossa vida.


O que levou ao povo de Israel a rejeitar o seu rei? O seu Messias? Que relação há na crucificação do Senhor com os nossos dias?

É o desafio que o Senhor colocou diante de nós nesta manhã. Que Ele ilumine nossa vereda, faça, como a chuva serôdia à terra seca, chegar sua palavra aos nossos corações, é a minha oração.


Leiamos Jo 19:15:
Mas eles clamaram: Tira-o! tira-o! crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso rei? responderam, os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César.

Pilatos expõe a figura de Cristo, frágil, ensangüentada e ridicularizada: “Eis aqui o vosso Rei.” É sua falta de apreço pela nação de Israel. Os judeus de pronto aceitam o escárnio romano e se submetem ao poder secular: “nosso rei é César”. Assumem a secularização em lugar dos valores espirituais presente na Lei do Senhor. Onde ficaram as promessas do Senhor? As glórias dos reinos de Davi, de Salomão?

O Deus de Israel prometera aos filhos de Abraão: 

“A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.” (2Sm 7:16). 

Viria pela descendência de Davi, Aquele que seria o Rei eterno sobre o Israel de Deus, e toda a terra. 
Haveria o Senhor das promessas esquecido-se de Israel? Não! Israel, em seus religiosos, tinha voltado suas esperanças, suas motivações para construir o futuro nacional baseando-se em seus interesses, livrando-se da santidade de Deus. As promessas foram perdidas naqueles corações ávidos pelos prazeres ofertados pelo mundo de sucesso, privilégios e riquezas.  
A rejeição à Palavra é a própria rejeição ao Senhor.
Assim, convinha rejeitar A ESPERANÇA DO AMANHÃ prometida pelo Senhor. O cumprimento da promessa sobre o Messias, conforme a vontade santa de Deus, opunha-se à possibilidade de construir o futuro pelas próprias mãos. 
A adoção dos MÉTODOS E REGRAS PAGÃOS, e a subserviência àquele que detinha o poder, PILATOS, tornara-se a decisão mais madura e adequada ao contexto sócio-político. 
Jesus, o verbo em carne, passou a ser um empecilho às conquistas e manutenções sociais daqueles religiosos, sua mensagem, sua disposição, era acentuadamente santa e espiritual.  

Ademais, acabara o tempo para o Senhor cumprir com suas promessas, não havia mais tempo para considerar a soberania de Deus, sua fidelidade. Israel inaugurara um novo tempo, tempo de abandono às verdades, tempo para consumar sua secularização.

Aceitas as regras, Israel tem sua recompensa – seu prêmio: Cristo para ser crucificado. “Então lho entregou para ser crucificado”. (19.16). 

Era-lhes necessário livrarem-se daquilo que se interpunha aos seus interesses. Perfil da igreja que se diz cristã.

O mesmo sentimento, a mesma motivação, a mesma ira contra o Santo permeia entre o povo de Deus. Rejeitam o Cristo das Escrituras, optaram por “um” mais adequado às suas conquistas. Abandonaram a santidade em troca das ribaltas e luzes do pecado e do poder secular. 

Rastejam em busca de ares partidários, uniram-se ao paganismo de Pilatos e mantém falsidade religiosa dos sacerdotes judeus. Sorriem e abraçam-se em unidade ecumênica. A perversidade da igreja apóstata reedita o quadro de rejeição de Cristo. 


Mas, grande é o nosso Deus, e em seu coração, desde a eternidade, estava determinado que a apostasia preanunciaria a vinda do Senhor… Olhemos para o céu de onde virá o Nosso Senhor, que está às portas.


Esta igreja, bem esta igreja, permanecerá na terra!

É noite. (A Malafaia, políticos "cristãos", variantes e afins)

Manaus, 4,novembro,2010


É noite. 
Os sons da traição sussurram pela a escuridão, percorrem os parques. 
É noite nos corações. 
Trinta peças de prata por um salvador.

Entregue por um dos meus.
Este enredo de horror e usura voltará. 
Onde estarão os meus, os meus amigos? Todos me abandonaram. 
Este enredo de horror e usura repertir-se-á.

Rodeiam-me por todos os lados, cercam-me com fúria como se malfeitor fosse. 
São gritos, blasfêmias, acusam-me por ser quem verdadeiramente Sou. 
Esbofeteiam-me sem que mau algum tenha feito. 

Rilham os dentes em ódio. 
Não lhes há satisfação, pois me aumentam a minha dor. 
Perfuram minha fronte, sangro, 
os espinhos dilacerantes encravam mais dor, 
sinto as dores de homem. 

Coroa, mantos e canas fizeram-me rei.
Nada sabem os filhos dos homens.

Minha aparência é horrenda, sofro as dores dos homens, 
nada poderá detê-los. 
Transformei-me no escárnio do mundo, 
há prazer e loucura em meus verdugos. 
Não há limite para maldade dos filhos dos homens.

Não sabem que há mais amor e misericórdia no Pai, 
que seu rancor e ódio em milhões de mundos.
Nem todo mal das hostes de demônios desfaria a cruz. 
Nada me demoverá, seguirei.

São os filhos dos homens em sua disposição de morte, 
matarão o autor da vida, 
rejeitaram o Santo.  
Nada sabem, nada sabem.

Vejo a turba em multidão: Sangue! Sangue! 
Suas bocas urdem enganos, semeiam a morte e clamam por justiça. 
Sua justiça e lei: a vil rejeição do Pai.
Tramas escuras pintam a condenação do Santo. 


Antes do Senhor está a glória dos reinos deste mundo.
Buscam a defesa do prazer e do engano usando o nome do Senhor.

Aproximam-se de mim, mãos que derramarão sangue inocente, 
seguem conforme sua disposição, conforme está escrito.

Erguem a cruz, bendita cruz. 
A madeira, mesmo que para morte, 
sustentará a vida por toda eternidade.

Os pregos traspassam minha carne e ossos, 
sinto as dores dos homens. 
Serei levantado, não tardará, 
virão as trevas, para eternizar o amor, 
para encerrar a minha dor.  

Está consumado!

É noite. 
Os sons da traição sussurram pela a escuridão, 
da noite e dos corações. 

É noite. 
Trinta peças de prata por um salvador.
Chegaram aos púlpitos, chegaram a nós.

Este enredo de horror e usura está posto – repete-se – diante de nós.

Sabedores ou não é como tributam ao Senhor.


É noite, 
conforme está escrito, chegou.


O discurso da cruz

“Pela datação, profundidade e verdade, o texto nos leva a lugares celestiais.”


Por causa disso Ele veio até nós; 
por causa disso, embora fosse incorpóreo, Ele formou para Si mesmo um corpo de acordo com nossa aparência. 
Aparentando ser um cordeiro, embora continuasse a ser o Pastor; 
considerado servo, ainda que não tivesse renunciado à sua condição de Filho; 
sendo carregado no ventre de Maria, embora ainda estivesse na natureza do Pai;
caminhando sobre a terra, mas ainda enchendo os céus; 
aparentando ser uma criança, sem descartar a eternidade de sua natureza; 
sendo investido de um corpo, sem confinar a genuína simplicidade de Sua Trindade; 
sendo considerado pobre, sem ser destituído de suas riquezas; 
necessitando de sustento porquanto Ele era homem, mas sem deixar de alimentar o mundo todo, uma vez que Ele é Deus; 
colocado em forma de um servo, sem debilitar a semelhança com o Pai. 
Ele sustentou cada traço que lhe pertencia numa natureza imutável; 
Ele estava diante de Pilatos, e ao mesmo tempo, estava sentado com Seu Pai; 
Ele foi pregado no madeiro, mas era Senhor de todas as coisas. 

Texto escrito por Melito, bispo de Sardes, por volta de 160 d.C.

Fora estarão os santos

“Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei;” (II Coríntios 6 : 17)

Algo comum às pessoas é a fé religiosa. Pelo menos deste lado do mundo todos, mesmo que em formas diferentes, divulgam – ou divagam – o tema.

O contato com pessoas desse mundo religioso faz experimentar o discurso inflamado destes em defesa de sua fé. São pessoas de vários credos: católicos, evangélicos, espiritualistas e demais heréticos que afirmam possuir fé superior.

Afirmam que a “fé as mantém, e que é um poder de dentro delas”. Para tanto, recorrem, principalmente, às suas obras, suas conquistas, seus pastores, seus líderes, seus padres, sua igreja como evidência de fé, e já incluem, Cristo.

Não há dúvida que fé é um poder, muito menos que ela ajuda em todas as horas. Mas ao citarem que é de dentro delas, do interior, definitivamente, atribuem ao homem sua origem e natureza. Criaram um ambiente de crença com um deus qualquer como objeto e um cristo sem cruz por posse.

Aí reside a força motora da religiosidade que subverteu o cristianismo bíblico. Por meio dela multiplicam-se as manifestações superficiais e inúteis desta fé.
O acesso a esse poder ocorre pela simples adoção de uma plataforma religiosa, ingresso em um grupo, ou mesmo a herança dos pais. E isto é fortalecido pela disposição mental dominante que tudo avalia contemplando apenas os resultados. Assim, pelos testemunhos de prosperidade, curas, revisões conjugais, abandono disso e daquilo, garante-se um deus qualquer, promulga-se a fé ideal. Sem passar pela cruz do Senhor.
Como filhos das trevas, essa fé em nada os constrange, são livres para mentir, para o pecado, para o engano dos púlpitos – que passou a ser negócio. Livres para crerem naquilo que desejarem.
Tive oportunidade de assistir na televisão a liberdade da fé apóstata. Espíritas da LBV com Bíblia aberta falando o impensável do Livro de Apocalipse, também padres em frivolidade infalível fazendo arremedos sobre as Escrituras. Legitimaram a incosistência das Escrituras, cada um fala a sua aberração com ar de sabedoria. Isso os tranforma, mesmo na diversidade, num bloco sólido indestrutível… por mãos humanas. Pois, na falta de regras que lhes dá “vida”, há a tolerância e permissividade necessárias para sua unidade. São multidões sob o espírito do engano. Mensageiros das trevas.
Essa fé que se multiplica em cada esquina, é nova e rebelde. Não reserva a preservação da alma, a santificação do Altíssimo. Projeta-se para além das Escrituras, acima do temor ao Senhor.  Escolheram o peso de seu próprio jugo ao suave jugo do Senhor.
São bem-vindos os homossexuais, os políticos, idólatras, roubadores, maldizentes, os tímidos, e os incrédulos, e os abomináveis, e os homicidas, e os fornicadores, e os feiticeiros, e os idólatras e todos os mentirosos. Sem a cruz do Senhor.
Fora estarão os santos. Não podemos com os vendilhões do templo, Ele os expulsará.
Grande em bondade e misericórdia é o nosso Deus.

A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade.

O Senhor de toda a terra

Morar em Manaus tem alguns privilégios, um deles é conhecer missionários transculturais. 

Com seus locais de trabalho localizados no seio da floresta amazônica, tão recônditos alguns deles, que consomem até 30 dias de viagem, percorrendo rios, igarapés, lagos até chegarem lá.
Tive a oportunidade de ouvir um desses. Falava a respeito de suas experiências em meio aos povos indígenas. Contou-nos, que em certa ocasião, na tribo em que estivera, presenciou um índio, já grandinho, urinar – sim, urinar – sobre seu pequeno filho. Aquilo o revoltou profundamente. 
– Uma barbárie, uma selvageria. Desrespeito a uma pessoa que abrira mão do conforto de sua cidade, do convívio com parentes, pais e amigos para unicamente levar-lhes a palavra da salvação. 

A rigor, sua permanência ali apenas os beneficiaria, não necessitava de nenhum daqueles selvagens para viver sua vida. E, em troca, recebia algo tão hostil submetendo-os – ele e sua família – a tão profunda humilhação.
Sem hesitar, foi até o rádio e comunicou o ocorrido à sua base exigindo imediato resgate. Não ficaria em meio àqueles selvagens, que não sabiam minimamente se comportar de maneira adequada. Aquilo não ocorreria nem com um animal em sua terra natal. Transmitida sua revolta e tomada a decisão, ouviu do outro lado que levaria um ou dois dias até que o avião fosse resgatá-lo. 
Em sua espera abriu sua Bíblia e leu: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” (Filipenses 2 : 8)
Sua mente foi varrida por um facho de luz: O Senhor de todas as coisas, o Deus eterno esteve cá entre nós. Não considerou o fato de ser o próprio Deus, a honra devida foi-lhe , mesmo sabendo… veio. 

Habitar em meio de nós selvagens, inimigos seus, hostis, incapazes de minimamente desejar ou realizar qualquer ato que O agradasse. Malditos por justiça, idólatras por vocação.
Ausentou-se de sua pátria, da adoração das miríades de anjos, do convívio estreito com o Pai, com o Espírito. Experimentou as limitações humanas, a fome, o frio, a ignorância e o ultraje dos selvagens.
Esteve aqui, não por um deleite pessoal seu, mas para morrer pelos seus amados selvagens, e morte de cruz.
Tanta humilhação para tornar possível nosso relacionamento com Ele, fazer-nos seus amigos. A rigor, sem precisar de qualquer um de nós.
Foi aviltado, entregue por aquele que com ele comia, difamado pelos próprios irmãos, abandonado por todos na hora da aflição. Açoitado em praça pública, sem culpas, sem dolo, sem pecado algum caminhou até a cruz e nela bradou nossa liberdade: Está consumado. Ressurgiu da morte, subiu aos céus. E a cada dia nos guarda, sem esquecer de nenhum de nós… e virá nos buscar.
Bendito seja o Senhor.
Lá no meio da floresta o coração altivo daquele missionário precisou do pequeno índio para entender as grandezas do Senhor de todo o universo .
Corações altivos são portais da soberba. Em nossas supostas sabedoria e importância queremos aparentar o que não somos, grandes demais, maiores que o Senhor. Vivemos por nós mesmos, não para o Senhor que vive em nós.
Sensíveis demasiadamente ofendemo-nos em tudo, somos refratários às críticas, às exortações, assim, fugimos das trilhas santas do arrependimento. 
“Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.” (I João 2 : 6)
Ao ser tomado por sentimentos de soberba, altivez lembro-me daquele missionário e daquele pequeno selvagem que Deus utilizou para edificação dele e minha. Sou grato ao Senhor por ter ouvido aquele homem.
E mesmo sem ter estado lá, sempre agradeço e necessito daquele indiozinho lá dos confins da terra.
Só o Senhor é Deus e incontáveis são os seus feitos. 

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.