Soberania e estultice

Manaus – Igreja Batista Regular Renascer 
Em 27.03.2011
Os conceitos, pressupostos e experiências contemporâneos passam a ser válidos quando fortalecem a realidade, mesmo que frágil, mesmo que falsa, que permita ao homem sentir-se soberano, vencedor. Qualquer vento de argumento, caso proporcione a sensação de liberdade, de autonomia é verdadeiro. As propostas em contrário aos ideais de autonomia e soberania humanas são rejeitadas. Verdadeiro é o vantajoso.
Assim, estranhamente, vivemos uma experiência artificial em que se excluem os contrários às pretensões humanas.
A soberba humana o faz acreditar que verdade está nele, é dele, nada além dele detém as rédeas da verdade. Há uma frenética busca de novas verdades, consolidada está a rejeição dos valores permanentes, das verdades eternas.

Esse contexto criou um padrão de disciplina mental em que vários temas passaram a ser proibitivos, antiquados, sem utilidade prática para as premências humanas: Deus, Deus e sua vontade, seu caráter, sua obra, seu juízo; honestidade, ética, morte, eternidade. Há um Index destas exclusões. 
Questionar as posições válidas com base nas verdades bíblicas faz com que assuntos sejam encerrados, amizades rompidas, famílias divididas. 

Podemos assegurar o cristianismo não é do interesse das pessoas, do mundo em geral. As grandes soluções humanas – segundo eles – prescindem dos valores cristãos. É inocência, estupidez ou ganância o agrupamento cristão para soluções políticas ou corporativas. Não há ponto de contato entre a mente moderna – na busca de novidades que promovam sentimentos de autonomia – e a mensagem cristã. 

Como viver e proclamar as verdades cristãs se ninguém as quer ouvir?  Se utilidade alguma é dada
Deslindam-se duas posições:
(1) Não proclamar o cristianismo;
(2) Pasteurizar o cristianismo de forma a agradar o mundo – retiremos Deus, soberania, juízo, eternidade, ética… por fim Cristo e sua cruz. 

Isto já está em prática diante de nossos olhos, alternam-se entre uma e outra, é chegada a nova – e última – ordem religiosa: os evangélicos. Sumário da abominação erguida com recortes das Escrituras e toda empáfia humana, com suas “verdades” e estratégias. Vencedora, libertadora.

Mas, rejeitando as coisas que para trás ficaram, não acompanharemos a multidão, ofereçamos a Cristo, crucificado, escândalo para os religiosos, para os evangélicos e loucura para os sábios.  Mas é poder e sabedoria de Deus para salvar aos que forem chamados.

Por ela poderei destruir amizades? Poderei.
Poderei separar famílias? Poderei.
Poderei encerrar o assunto? Poderei. 

Mas, clamo ao Senhor de toda a terra, Senhor dos senhores, para que sua graça seja abundante nesta noite, que sua misericórdia seja presenciada neste lugar e que seu santo nome seja engrandecido. A Ele toda honra, toda glória para todo sempre. 
Se tomarmos a seqüência mais simples das Escrituras concluiremos que as primeiras palavras de Deus para o homem foram palavras de bênçãos, para que suas obras neste mundo fossem perceptíveis: “Crescei, multiplicai, dominai”. (Gn 1.28).
Há um nítido cenário de amizade, harmonia, comunhão entre o Criador e a sua criatura.
Percorrendo esse cenário, rebuscamos as Escrituras encontramos a primeira citação de uma ordem do Senhor ao homem. Há, porém por toda a Escritura Sagrada o claro exercício do poder de Deus. Mesmo que rejeitado pela multidão, é necessário considerá-lo, assim, conheceremos mais nosso Deus e mais a nós mesmos.
 “Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gn 2:16)
“Ordenou o Senhor ao homem”, é isto que lemos. Um argumento direto, claro: Deus dá ordens aos homens, encurralados estão todos, segundo lemos no texto sagrado.
O enganoso coração faz com que haja conspiração contra o Todo-Poderoso. Rejeitam a idéia da existência de um ser pessoal superior que se revelou às suas criaturas deixando-nos a Escritura. E resiste ao fato que um dia haverá de prestar contas a Ele.
O salmista no cap. 2.2-3 confirma esse espírito, esse sentimento humano em relação ao domínio e poder de Deus:
“Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas”. (Sl 2.2-3)
É o grito de muitos que aqui estão.  Mas o v. 4 diz:
“Rir-se aquele que habita no céu; o Senhor zomba deles”
A bravata humana de liberdade, é vista por Deus como insanidade, como loucura.  E mais o Senhor diz sobre si. O profeta Daniel:
Ele faz com o exército do céu e os moradores da terra a sua vontade. E quem pode questioná-lo: o que fazes?”.
Sim, nosso Deus tem poder e autoridade sobre tudo e mais… não podemos questioná-lo. 
Precisamos proclamar aos quatros ventos que o nosso Deus sempre oferecerá ao homem o que é melhor para o homem. Leiamos a Carta aos Hebreus, lá diz:
Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo, (Hb 6:13)
As ofertas e mandamentos de Deus foram feitas com base em seu próprio caráter, bondade, fidelidade. Sua soberania é exercida para promover o bem aos homens.
Mas o homem pensando-se forte, eterno, conhecedor de todo bem, manifesta seu coração, sua mente, toda sua energia contra o Senhor, contra sua Palavra. Ousam fazer esses que não passam de pó e cinza.
Aprendamos a soberania de Deus:
Vede agora que eu, eu o sou, e não há outro deus além de mim; eu faço morrer e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar da minha mão. (Dt 32:39 )
Regozijemo-nos em sua benevolência:
Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. (Jo 6:37)
Nenhuma verdade há além do amor, da soberania e benevolência de Deus. Cristo é a manifestação de seu poder e cuidado com cada um de nós.  
Devemos chorar por causa da estultice humana, tanta vida vindo do alto e ele rastejando em busca da morte. 

A velha e única verdade


Excerto de pregação

Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gn 2:16)

Os conceitos, pressupostos e experiências contemporâneos devem obrigatoriamente criar uma realidade, mesmo que frágil, mesmo que falsa, adequada para o homem sentir-se soberano, vencedor. 
Qualquer proposta que obstrua os ideais de autonomia e soberania humanas deve ser rejeitada. Assim, estranhamente, forjou-se uma realidade em que se extirparam todos os elementos que se contrapõem às pretensões humanas. A verdade está no homem, é do homem, nada além deste detém as rédeas da verdade.
Realidade essa estabeleceu uma disciplina mental onde vários temas passaram a ser proibitivos, antiquados e não se prestam ao cardápio da moderna sabedoria. 
Deus, Deus e sua vontade, seu caráter, sua obra, seu juízo; honestidade, ética, morte, eternidade fazem parte desse Index de exclusões. 
A mera menção desses faz com que assuntos sejam encerrados, amizades separadas, famílias divididas. 
Não podemos fugir à conclusão: o cristianismo não é do interesse das pessoas, do mundo em geral. Não é possível um ponto de contato entre a mente moderna e os valores cristãos. 

O conflito foi instalado: como conciliar a proclamação das verdades cristãs à sua rejeição absoluta?  
Deslindaram-se duas soluções: (1) não falar sobre cristianismo; (2) inventar um cristianismo sem Deus, sem juízo, sem eternidade, sem ética… sem Cristo. 

Alternando-se entre uma e outra, construíu-se uma nova ordem religiosa, e a ela denominou-se evangélica. Sumário de uma abominação erguida fugindo das Escrituras e regalando-se na graça, “verdades” e estratégias mundanas.

Porém, há a terceira via, a qual omiti intencionalmente, é aquela que discorre a verdade de Deus, seus feitos, sua bondade, seu juízo. Por ela poderei destruir amizades? Poderei. Poderei separar famílias? Poderei. Poderei encerrar o assunto? Poderei. 
Mas, é que eu proponho a oferecer. 
Nada eu teria a oferecer que não fosse o amor de Deus, sua graça, sua verdade. Que não  fosse Cristo, e este crucificado, escândalo para os religiosos, para os evangélicos e loucura para os sábios.

O benefício do púlpito oferece-me vantagens que delas não abrirei mão. 

Mas, clamo ao Senhor de toda a terra, Senhor de senhores, para que sua graça seja abundante nesta noite, que sua misericórdia seja presenciada neste lugar.

A Ele toda honra, toda glória para todo sempre. 

A vida tragando a verdadeira vida


Ao olharmos em nosso derredor, verificamos que estamos submetidos a uma dinâmica incontrolável que consome  toda a energia disponível em busca da saciedade, em busca da satisfação necessária para justificar aquilo que hoje chamou-se “vida”. 

Não se pode esconder, o mundo corre em busca do “agora”. Nada pode ser para depois, para um tempo depois deste tempo. Esta dinâmica consolidou-se e imprimiu nas pessoas a aflição transparente. Todos são aflitos, nem se sabe porque.

Há um frisson de busca, corre-se sempre, correm todos. O mundo é premido pela inércia do incontrolável.  
O medo da perda, o fracasso assustador e a satisfação fazem qualquer argumentação sobre valores que se contraponham à essa dinâmica da “aflição necessária” ser tratada com indulgência mordaz. Temas como a eternidade com todo seu contexto e implicações, passou a ser parte da agenda do dispensável. Teme-se ou evita-se temas que diminuam a grandeza humana.
Assim, é a essa “vida”, construída por mãos humanas, caminha varonil permitindo a cada um julgar-se senhor do seu destino, imperador da história. 

Absurdamente, a morte foi ceifada do elenco de preocupações das pessoas, do mundo. Para espanto e extermínio da razão, o homem se propõe indestrutível: age como se tudo fosse subsistir para sempre, em especial ele próprio. 


Eternidade, morte, ética e mesmo Deus foram substituídos pela semântica da ousadia. O significado das palavras foi dissociados de seus objetos. As circunstâncias, os coletivos apropriaram-se da realidade e em salto romperam com a razão. 
Logo, a verdade nesta “vida” passou a ser submetida ao interesse pessoal. A contingência é o grande arquiteto da realidade, desde que fortaleça os pilares para um  mundo melhor, sem Deus, obviamente. 

A irracionalidade passou a ser o padrão para inquirir as dúvidas existenciais, desta feita, as estruturas do pensamento da vida lá fora chegaram e convenceram os valores da “vida cristã”. Tudo é aceitável, desde que tenha rompido os laços com o passado.


O cenário (as verdades) que toma conta da vida contradiz as abordagens bíblicas. O futuro é profetizado em desacordo com a sentença do Altíssimo. Pois, o caráter de Deus traz  desconforto e pessimismo incompatíveis com os ideais da secularização cristã, portanto será descartado. Repudiam aqueles que defendem as verdades de “antigamente”.

Não precisamos de esforço para verificarmos que:


1. A apologética cristã passará a ser disciplina apenas para consumo interno das mentes restauradas pelo Senhor. 


2. O evangelismo que se assenta sob o sacrifício – sangue – de Cristo perderá a conectividade com a realidade humana e os cristãos nominais e contextualizados fundirão suas utopias de conquistas e reformas aos mais vis interesses seculares… e lenta e progressivamente se assentará o ecumenismo em prol de um mundo melhor.


3. A santificação será mundanizada a ponto de rirem-se dos contrários.


4. A tentativa de trazer o céu para cá embaixo será a prioridade da igreja. 


Então virá o Senhor, aí sim, porá todas as coisas em ordem! Conforme a palavra de nosso Deus. 

P.S. Meu otimismo é expresso por projetar tal quadro ainda para o futuro. 

Para onde iremos? (O inferno – Parte I)


Pregação 27.02.2011
Mogi das Cruzes

Texto: Jo 6.38 “Para onde iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”.

O questionamento feito pelos apóstolos oferece-nos um grande motivo para meditação: Para onde iremos? Para onde cada um de nós irá? E ao complementar com “Tu tens as palavras da vida eterna” introduz uma perspectiva que tem afugentado o mundo: A Eternidade. Este tema, a eternidade, tem sido intencionalmente repudiado pelas pessoas, não encontro ninguém que tenha prazer em abordá-lo sem temores, e daí o caráter de profunda seriedade que encontraremos a seguir. 

Onde estaremos na eternidade que se aproxima? Isto não apenas merece nossa atenção, exige nossa atenção: Para onde iremos, onde nossas decisões estão nos encaminhando?

Haveremos, todos, de enfrentar tal situação, mesmo que se esquivem muitos dos que aqui se encontram, mesmo que não queiram considerar o assunto. A eternidade se apresenta como a evidência inexorável da impotência humana. Apenas a citação do termo produz desconforto. Mas, deixem-me falar-lhes: a eternidade não é uma opção ou gosto pessoal, não está sob o controle de qualquer um de nós, pelo contrário, ela é a sentença do Juiz de toda terra: ela virá. 


Aconselho a todos que ouçam agora para que possam conhecer e escolher o melhor caminho; a melhor e única vida e vivê-la… eternamente.
Não se deixem levar pelo entendimento, pelo coração, neles há engano, neles há dolo. 

Voltem-se para as verdades, e são muitas as verdades no texto que precisam ser consideradas.

Nele sabemos sobre (1) nosso destino, pois questiona: “Onde iremos?”.
Depois nossa mente é perpassada, quando lemos: “O Senhor tem as palavras”.  
Logo, (2) a verdade não está em nós
Assim, precisamos conhecê-la. 
Por fim diz: “Vida eterna”.  
Somos confrontados: Nosso destino eterno é definido por verdades que não são nossas, que não as conhecemos. 

Que o Senhor derrame sua incompreensível bondade sobre todos nós, de forma que saiamos daqui certos que estivemos sob seu manto de amor e graça. 
A Ele todas as coisas.

Comecemos, pois com o nosso destino: Onde iremos? Onde estaremos daqui a centena de anos? 


Para compreendermos um pouco sobre nosso tempo, consideremos: Muitos dos que aqui estão sentados, acredito, reconhecem que não sabiam que neste domingo de 2011 estariam aqui. 
Não sabiam com quem estariam. Mas chegamos aqui, atravessamos o tempo, nossos dias passados. Casamos com pessoas que nem conhecíamos, tivemos filhos.
Nossa vida e realidade hoje é o resultado das escolhas passadas que fizemos ou mesmo por aquelas que não fizemos, e fomos apenas conduzidos tempo afora, reféns de um contexto incontrolável, quase à deriva. 


Em nossas meditações nos permitimos voltar 10, 20, 30 anos, vemos que hoje vivemos o futuro daquela época. 
Se utilizarmos esta mesma concepção para avaliarmos daqui a 50, 100, 1000 anos, olharemos e de lá veremos que as nossas escolhas de hoje nos conduziram para onde estamos (ou onde um dia estaremos). A cada momento, em cada decisão construímos trilhas para nossa eternidade.
Nossas mentes precisam conhecer a verdade para acomodarem decisões sábias. A tolice, a estultice não nos levará para o consolo eterno do Senhor. 

Assim, alguns conceitos da palavra de Deus precisam, como águas mansas, ter a clareza necessária para facilitar nossas decisões, afastarem de nós os equívocos que nos levam aos erros e por eles à morte e dor.
Temos de considerar o Inferno como uma possibilidade eterna, sim, o inferno. Lá bilhões de pessoas experimentarão a justiça santa de um Deus justo.


Preciso reconhecer que a estultice dos homens  religiosos e a sabedoria de satanás têm desqualificado as verdades relacionadas ao juízo de Deus. 

Toda vocação – perversidade – evangélica tem voltado seus esforços para oferecer a todos um Deus de entretenimento e dedicado a atender a satisfação dos prazeres humanos. Um deus sem valores morais, um deus comprável.

Esse deus jamais esteve assentado em lugares celestiais, jamais criou cousa alguma, e jamais salvará um único pecador do juízo inclemente do Senhor de todas as coisas, o verdadeiro Deus. 
Não se deixem enganar pelo sopro fingido que lhes garante que nada há a temer, que marchamos para um mundo de bem-aventuranças e que agora se inicia a colheita do prazer e da conquista. 
Acautelem-se, pois desse deus caricato, criado pela mente faminta dos senhores da prosperidade, não é o Deus que dos céus derrama sua bondade e amor. 


Contrário  às fantasias evangélicas lemos profecias terríveis: 

porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. (Mt 24:21)

Neste texto há o registro profético da ira de Deus sobre todos que habitam na terra, o juízo contra toda rebeldia e impiedade humana. Contrapondo-se, alguns afirmam que tal profecia reporta-se ao nosso tempo, o que vivemos agora. Isto é, segundo esses senhores vivemos a profética Grande Tribulação.  E outros mais ousados afirmam que nem Grande Tribulação haverá.

Mais leio: 

Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”. (Mt 24:29-30)


Segundo a palavra do Senhor os poderes cósmicos serão abalados; o Senhor virá sobre as nuvens com poder e grande glória. Nada no cenário nos diz que vivemos dias da Grande Tribulação antecipando a vinda em glória de meu Deus. 

Qual então o propósito de tais afirmações contrárias à severidade de Deus? O enfraquecimento da idéia do juízo de Deus. O mundo não deve aguardar o Senhor Deus derramar sua ira. 
Experimentamos a ira de Deus? Sim, afirmam esses. Ira em que degustamos os prazeres? que desfrutamos de conforto? Ira sem perseguições. 
Amados, garanto-lhes, estas profecias ainda se cumprirão, e que tais idéias servem apenas para desqualificar o caráter justo do juízo de Deus.  Mundanizar a moral de Deus.

Há alguma relação entre o argumento exposto, que vivemos a ira de Deus, com o conceito inferno existente nas Escrituras? 
Respondo que sim. Tal proposta teológica faz com que o ensino sobre o Inferno ganhe  palidez e se torne risível. Permite que mentes e corações não se apercebam da realidade, tangência e horror das sentenças de Deus. 
Como resultado, brinca-se com inferno dando-lhe a mesma “natureza e verdade” que as a um cenário mitológico, à casa da bruxa má ou mesmo a floresta encantada cheia de duendes. 
Os homens zombam das advertências do Senhor e colocam-nas arquivadas nas prateleiras do entretenimento secular, e isso graças à ignorância e esforço religioso – evangélico –  que anseia por participar e angariar simpatia do mundo secular.

Para esse “movimento religioso” e suas idéias seculares temos uma mensagem vinda do inferno, de suas profundezas. 


No evangelho de Lucas, cap. 16, lemos haver dois homens: um sabe-se rico e outro Lázaro, e ambos morrem. No vv. 23,24, está escrito: 

“No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.


Contrário ao ideal católico-espírita-ecumênico-evangélico que o inferno é aqui mesmo ou apenas um estado de espírito, o contexto garante-nos que o inferno é um lugar (v. 26): “está posto um grande abismo”. 
Esses que em sua sabedoria desfazem das verdades eternas, que enfrentem os textos sagrados, a palavra de nosso Deus. 
Rilhem seus dentes, mas saibam que o inferno é um lugar de tormento, de chamas, com plena consciência da parte dos que lá estão. 
Vejam o homem rico! Pois, tem vívida em sua mente a experiência anterior à sua morte – “envia-me Lázaro” – sabe o nome daquele que esteve em sua casa, lembra-se de seus irmãos, sabe da sentença que sobre ele paira. 
Mas, o ponto mais terrível de seu depoimento: o rico em seu tormento não pede para si misericórdia. 
Saberia ele que o inferno é a justiça plena e irrecorrível do Senhor? 
Sabia ele antecipadamente que o inferno era um lugar de sentença de Deus?
O inferno adverte a todos: Lá há plena consciência que o pecado lhe abre as portas e nenhuma misericórdia há!
Não se deixem enganar, pensando que não há inferno, que não haverá punição. 
Que em Deus há tanta bondade a ponto de que Ele compartilhe dos pecados do homem. 
Não, assim não é, e assim não acontecerá.
Fujam da sabedoria pessoal, da verdade pessoal, fujam das trevas eternas do inferno de terror e dor. 
Os que aqui estão, se não sabiam da verdade, agora o sabem!

Tu me amas? (Despertando com Pedro)

Mogi das Cruzes – SP

Texto: Jo 21.15-25
Chegamos ao final do Evangelho de João temos a certeza que atravessamos lindas páginas de amor, sabedoria e bondade de Deus, suficiente para produzir em nós a mais profunda esperança.
Contudo, precisamos reconhecer… faltou humilhar-mo-nos mais ao Senhor, assim teríamos chorado mais, nos arrependido muito mais. Faltou-nos o quebrantamento publicano: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! (Lc 18:13).
Outra certeza: muito mais há nessas páginas, muito mais a aprender, muito mais deveria ser dito e aprendido para glória de nosso Deus. É necessário o consolo do Senhor: “O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás”. (Jo 13:7). Nossa ignorância foi contemplada e antecipada pelo Altíssimo.
O Senhor, a despeito de nossas falhas, em sua benevolência, dá-nos pacientemente mais e mais de seu conhecimento e de seu cuidado até aquele Dia quando estaremos face a face com Ele, e tudo será novo.
Tu me amas?
Ali mesmo na praia, finda a refeição, o Senhor deixou para trás a escolha feita pelos seus discípulos na noite anterior. Acredito que à parte, apenas com Pedro, o Senhor quebra o silêncio, indagando-o: Tu me amas mais que estes outros? A quem se refere o Senhor? Quais as preocupações povoam a mente do Senhor?
Alguns propõem referir-se aos peixes pescados, isto é, questiona se Pedro amava mais aos peixes que a Cristo. Apesar de possível, vejo mais coerência à história de Pedro, ao contexto e ao caráter de Deus, Senhor propor um cenário com a companhia daqueles discípulos na pescaria e não aos peixes. Assim, distancio-me desta proposta, e entendo que o Senhor procura reconduzir a Pedro às veredas da verdade, às veredas santas do serviço ao Senhor.
E temos a nos apoiar Mc 14.29, quando Pedro ofereceu voto de eterna fidelidade: AINDA QUE TODOS SE ESCANDALIZEM, NUNCA, PORÉM, EU”. E sabemos o sucedido.
Levemos nossas mentes a considerar que o propósito do questionamento do Senhor é esse mesmo: despertar  Pedro. Há em Pedro um sumário de sentimentos e escolhas equivocadas no questionamento: “Tu me amas?”

Nada é colocado em detalhes sobre o que Pedro fez ou deixou de fazer, apenas realça sua verdadeira devoção ao SENHOR. As escolhas de Pedro são figuras vívidas que expressam sua devoção ao Senhor. É esse o primeiro ponto no qual devemos considerar para posicionamento de nossas vidas em relação a Deus: o quanto somos capazes de abrir mão de nossas devoções pessoais para nos aproximar mais de Deus… extraímos a resposta pelas nossas escolhas.
Em sua habitual sinceridade, responde: “Senhor tu sabes que te amo”. 


Apesar de serem os mesmos verbos em nossa Bíblia, Pedro empregou um verbo diferente para responder. E o contexto oferece uma possibilidade do “amo” de Pedro ser menos intenso que o “amo” utilizado pelo Senhor. 
Com cuidado devido, apenas para melhor entendimento do contexto, podemos associar “amo” do Senhor com o “amo” que utilizamos para definir nosso “amar”. Enquanto que o “amo” de Pedro seria o nosso “gostar”, portanto, com menor intensidade. Em nosso cotidiano utilizamos “amar” para expressar um sentimento mais intenso que “gostar”.
Pedro, sabendo ou não o intento do Senhor, desviou-se de corresponder à intensidade da pergunta, e mais, se refugiou na sabedoria do Senhor, ”tu sabes”. Pedro sabe que o Senhor conhecia seu coração, não estava disposto a reviver suas falhas, seus enganos. Para Pedro estava resolvida a questão: “o Senhor conhece o meu coração”.
Caso o Senhor estivesse encerrado neste ponto poderíamos concordar com muitos que se escudam neste argumento para justificar a falsidade em nome do Senhor. É uma outra perspectiva: “o Senhor sabe, o Senhor conhece o meu coração”, soando como refrão autorizador do pecado.
De certa forma, vemos em nosso derredor são inconversos, passando-se como cristãos, como se fossem túmulos caiados.
NÃO FUGIRÃO DO TEXTO:
“ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia”. (Mt 23:27)
Face á resposta do Apóstolo, o Senhor complementa: “alimenta minhas ovelhas”. A essa linguagem Pedro estava familiarizado.
Quantas vezes ouviu: “O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ”? As lembranças dos ensinos do Mestre: “EU SOU BOM PASTOR QUE DÁ A VIDA POR SUAS OVELHAS”?
Estava o Senhor, a despeito de quem era Pedro, oferecer-lhe uma nova oportunidade de servi-lo? Alimentar ovelhas de um rebanho celestial? Confiada lhe seria tal grandeza?
Tu me amas?
Insiste o Senhor: “Tu me amas?” E Pedro novamente utiliza-se da mesma resposta e intensidade para afirmar que sim. Reporta-se novamente ao conhecimento do Mestre: “Tu sabes que eu te amo”. Oferece-lhe um coração contrito e ouve: “Pastoreia (conduz) minhas ovelhas”. O Senhor conhece a história e o coração de Pedro, mas mesmo assim, confia-lhe, além de alimentar, haverá de conduzir as ovelhas do Pastor Ressurreto (Hb 13:20).
O Senhor tem (frágeis) vasos de honra e por meio desses Sua glória é manifesta por toda a terra. 
Tu me amas?
Pela terceira vez questiona-lhe o Senhor, agora sem empregar a mesma intensidade, utiliza-se das mesmas palavras de Pedro: “Amas-me?” (gostas de mim?)
Terceira, três, estes números deveriam afligir a Pedro, pois, sua traição ao Senhor estava vívida em sua mente.
Lembremos que o SENHOR ressurreto estivera entre os seus por apenas por 40 dias. 
Pedro reconhecia sua tão (1) dolorosa bravata de fidelidade, 
(2) os cânticos após a Páscoa quando se dirigiram ao Getsêmane, 
(3) a agressão a Malco, 
(4) o abandono o Mestre, 
(5) a covardia convicta frente aos serviçais… por fim o galo a cantar por três vezes… e a traição. 
Eram mui pesadas tais lembranças.

O Senhor reconhece a FRAGILIDADE DE PEDRO, o peso de suas decisões, porém aceita suas deficiências, sua devoção, e por fim, sua frágil, mas sincera resposta.
Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. (Ef 5:14)
Teria Pedro ENTENDIDO ANTECIPADAMENTE ”eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome”? (At. 9:16).
Tudo ficou para trás, reconhecer a disposição do próprio coração é o que importa a Pedro.
Nos versos 18 e 19, lemos:
“Quando na tua velhice, te levarão para onde não queres ir”.
É sobre como Pedro tributaria a Deus com sua morte. E acrescenta: “Segue-me”.
Mesmo antecipando seus sofrimentos oferecia-lhe um novo começo, uma nova vida, um novo despertar, aprenderia Pedro: “de maneira alguma de deixarei, jamais te abandonarei”.
Palavras que ecoam desde a eternidade, sons celestes que chegam aos nossos corações e nos impelem a irmos em frente, mesmo sendo quem o somos.
Despertam o Senhor a todos os seus, mesmo em nossos erros, em nossas decisões equivocadas, o Senhor está sempre pronto para nos despertar e reconduzindo-nos com amor à sua comunhão… rumo à pátria celestial.
Assim como fez com Pedro.

CLAMEMOS COM OS APÓSTOLOS AO SENHOR: AUMENTA-NOS A FÉ. (Lc 17:5)

Um novo convite

Excerto de pregação
Igreja Batista Regular Renascer
 

Texto: (Jo 21.10-14)


A Palavra do Senhor nesta manhã, sem necessidade de acurada percepção, nos fez testemunhas do colossal fracasso da pescaria de Pedro e outros discípulos.
E clamamos ao Senhor de toda terra que nos faça, por sua infinita bondade, cativos à sua voz, às suas ofertas, ao seu caráter. Sim, isto clamamos a Ele! 

Presenciamos que após uma noite inteira de malfadado intento, Pedro, Natanael, Tiago, João, Tomé e outros mais retornaram frustrados de sua pescaria. Aos nossos olhos notória punição pela infidelidade cometida.  

Ao acompanharmos o texto, à presença do Senhor foi modificado o cenário de então. À sua voz uma rede repleta de peixes emerge do mar que nada oferecera.
Não sabemos quais sentimentos povoaram a mentes do ex-discípulos, agora pescadores, segundo nossa avaliação, mas seus olhos contemplaram a bondade do Senhor. 
Nossas vidas repetem: “A bondade de Deus desce em direção a terra presenteando-nos com aquilo que necessitamos, e muitas vezes ousamos por métodos estranhos obtê-los”.
Depois, vindo da areia da praia: “Trazei alguns peixes que acabastes de pescar”, saem dos lábios do Santo, que completa: “Vinde, comei”. 
Irmãos, atentemos ao que diz o texto: “peixes que acabastes de pescar”. 
Pergunto-me: Poderia o Senhor atribuir alguma participação àqueles homens ao que fora pescado?  Não, mas nosso Senhor atribuiu o resultado da pescaria a Pedro e seus amigos pescadores, discípulos do Senhor, preciso começar a reconhecer.

Como podemos enfrentar um texto desta magnitude? Como passar sem parar e considerá-lo? 
Seria como passar a caminho de Jericó, deixando aquele homem, enfermo, à beira da estrada. Não o faremos! Seremos o samaritano, providenciaremos com os nossos recursos a recuperação daquele enfermo.
Ao Senhor, que envie a sabedoria dos céus afim de que sejamos contados com os fiéis.

Questiono novamente: O Senhor não considerou a infidelidade de Pedro e dos demais? Não os puniu? E mais, deu-lhes o mérito da pescaria?


Sim, irmãos, depois do que vimos e ouvimos, o Senhor atribuiu a Pedro e aos demais o resultado da pescaria.
Como testemunhas precisamos afirmar que a benevolência de Nosso Senhor colocou um a um, cada um dos 153 peixes naquela rede.
E ainda o ouvimos dizer: “Trazei alguns peixes que acabastes de pescar. Vinde, comei”. 

Para concordar com a avaliação feita pelo Mestre é preciso confessar o nosso pecado de soberba (falta de humildade), insensibilidade!
Comecemos, pois:
Não conhecemos o Senhor nosso Deus como devíamos conhecê-Lo. Voltemos aos textos sagrados e vejamos quem é o nosso Deus.  Leiamos:
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.(Mt 11:29)
Há três andamentos no texto que devem ser revistos: Tomai meu jugo; aprendei de mim e por fim achareis descanso para vossas almas. A Igreja do Senhor não tem andado nos caminhos das Santas Letras!
Como, pois, compreender a humildade vinda do Senhor? 
Em nossos corações há mais disposição em subir acima das nuvens para sermos semelhantes ao Altíssimo, que reclinarmos nossa cerviz para recebermos o jugo do Senhor… que é leve.
Falou o Senhor:
“E encurvam a língua, como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam de malícia em malícia, e a mim me não conhecem, diz o Senhor”. (Jr 9:3)
Devemos clamar aos céus, para que o Santo nos permita caminhar para longe de nossos corações.

Desembaracemo-nos de nossa soberba religiosa, pois é ela quem tenta moldar as grandezas de Deus à nossa insuficiente dimensão, à nossa pequenez. Pensamos ser, em nós mesmos, a medida da verdade!
A altivez da secularidade absorvida por nós tem feito fluir o sangue da igreja do Senhor. 
Aprendemos e nos satisfazemos com modelo do mundo, e quando confrontados com os valores celestes, costumamos rejeitá-los por soarem estranhos demais. Não mais temos sensibilidade para ouvir ao Senhor!
Pois, se pensamos saber algo, é a soberba quem o manifesta;
Se somos procurados para ajuda, é a soberba quem se apresenta.
Vivemos expressando (e desejando) os sentimentos do mundo!

Somos a sempre preferência de nossas ações. O egoísmo é a porta de entrada de nossos corações e não se permite lugar para humildade manifesta do Senhor.
Defendemos nosso ponto de vista, nossos interesses, nossos filhos sem considerar o que diz o Senhor.
Quem ousa praticar (Fp 2:3)? 
nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo.”

Somos cristãos à moda “EU” (ambas maiúsculas).
Despojarmo-nos da glória pessoal é urgente, pois “Se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber”. (1Co 8:2)

Combatemos nos arraiais inimigos a alegada autonomia humana (posto que é falsa), contudo, em nossa terra construímos e permitimos vidas cristãs  repletas de competitividade, mentiras e falsidades, sem o temor e tremor requeridos pelas Santas Letras.

O caráter de nosso Deus tem sido esquecido, mesmo trocado pela complexidade e multiplicidade de nossas “VIDAS CRISTÃS” (nossas conveniências),apartamo-nos definitivamente da simplicidade de Cristo.
Cultivamos com rigor olímpico nossa carne (prazer, conquista, soberba) a despeito da exortação:
“Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. (Rm 8:12-13) 

A despeito da decisão (infidelidade) de Pedro e dos demais, o Senhor os buscou e humildemente os convidou para comerem juntos novamente.

Chamados à comunhão… Pedro aceitou, como também os demais, permaneceram calados, reconhecedores de sua falta.

Há, diante de nossos olhos e ouvidos, um novo convite, um convite para nos chegarmos ao Senhor: “Vinde, comei”.
Para saciarmos nossas necessidades, descansarmos de nossas angústias e aflições. 

Para aprendermos com Ele o perdão, a humildade.
Reconheçamos e abandonemos nossas faltas, insensibilidade e autonomia.
Acheguemo-nos a Ele com a humildade que não temos experimentado e confessando nossos pecados que temos experimentado.
Ele proveu toda nossa necessidade, mesmo que pensemo-nos fortes, ousados na “fé”, sábios…
Fiquemos calados, aprendamos dEle.

Osso dos meus ossos, e carne da minha carne



Sobre este tema poderá ler: 

1. A perda do conceito e valor do amor: 
http://atravesdasescrituras.blogspot.com.br/2014/08/historia-do-amor-parte-i.html

2. A única forma de resgatar o amor:
http://atravesdasescrituras.blogspot.com.br/2014/08/ossos-dos-meus-ossos-ou-historia-do.html

3. A primeira experiência do amor: 
http://atravesdasescrituras.blogspot.com.br/2014/08/ossos-dos-meus-ossos-ou-historia-do_12.html

Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Gn 2:23

Sempre seremos desafiados ao tentar explicar o significado real das palavras quando estas emergem das Escrituras. Conceitos e palavras saídas dos lábios do Senhor exigem atenção, devoção e temor para levarmos todo seu desígnio aos homens. Ao falarmos do Santo, estamos afirmando o que o Ele disse, o que Ele pensa e como Ele é e fará; grande é o desafio. Um desvio nesse sentido compromete a tese, embota a argumentação e passamos a falar de nossa parte e não movidos por Ele.

Quanto mais no ambiente que estamos inseridos, nesse há desvios intencionais, percebe-se a necessidade da idéia paralela, quer de intelectuais com suas elucubrações sem fim, quer de pentecostais com seu pragmatismo insano. Emergem a cada instante novas formulações e experiências como normas vindas do Senhor. Neste modismo apóstata se encontram os conceitos que envolvem e orientam a família cristã. Não julguemos que haja supervalorização, mas realmente é um desafio produzir frutos dignos de arrependimento nesta questão. Mais que em qualquer outra área, os conceitos e princípios seculares tomaram as mentes religiosas dos salvos, permitindo o convívio com o promíscuo sem constrangimentos. Deveríamos, entrincheirados, conferir coisas espirituais com coisas espirituais, para assim, repudiar o liberalismo sutil que nos afaga e o legalismo soberbo que nos engana. 

A psicologia secular passou a definir a conduta e valores e, muita vez, sustenta a “esperança” das famílias cristãs. 

O que aconteceu? Apenas retornando ao ponto inicial onde tudo começou, passeando pelas campinas do Éden poderemos refrescar nossas mentes para contemplar a beleza e propósito de Deus para nossas famílias.

Estamos em Gn 2.18, frente à solidão de Adão, e Deus, compadecido, diz que não era boa. A solução divina permite ao homem uma nova dimensão, aprender a compartilhar em amor. Feito monumental do Criador coloca ao lado do solitário Adão sua auxiliadora bendita, Eva. Nosso pai compreende o que o Senhor fizera, sabe-se homem, e contempla sua mulher, obra das mãos do Altíssimo. Nela fixou os olhos e produziu o mais belo verso jamais feito, que traduz mais perfeitamente a palavra amor: ”Osso de meus ossos, carne de minha carne”. Estava, assim, amor introduzido na esfera humana. Sem a mulher não haveria o amor que conhecemos. Bendito seja Nosso Deus, pelas nossas esposas, filhos e pelo amor que temos. A idéia de ossos de meus ossos traduz a unidade de duas pessoas, são os primeiros passos em direção a constituição do núcleo familiar. 

Deus em sua infinita sabedoria construiu assim o cenário para sua revelação. A revelação plena do Todo-Poderoso, para quem todas as coisas são. Eis o ponto central da odisséia universal: Deus revelando-se às suas criaturas santas. Pois, completa: “estavam nus e não se envergonhavam”. Um estado incompreensível, santidade a ser provada. Ambos em santidade gozavam do privilégio indescritível da comunhão com o SENHOR.

Deus os fez homem e mulher (Heterossexual); e um Adão para uma Eva (Monogâmico). O casamento em santidade e com o Santo Triuno por testemunha, eis o casamento no Senhor.

Contrário às expectativas de qualquer leitor, as trilhas santas do Jardim foram maculadas por aquele que experimentou toda a graça e bondade de Deus. Adão transgrediu, caiu em maldição, separou-se do Autor da vida. Aquele que fora objeto do amor de Deus, que experimentou o amor a Eva sucumbiu ao ter seu caráter testado. A influência externa da serpente, e a influência interna da vontade (ainda livre): boa para se comer; agradável aos olhos; e desejável para dar entendimento, levaram-no a transgressão.

Nossos pais experimentaram a mais profunda alteração que qualquer homem jamais foi submetido: privados do Senhor, mortais e errantes estavam inseridos na dura realidade imposta pela transgressão. Incapazes de reverter a morte que se lhes abateu, perceberam-se em toda extensão que a sentença poderia lhes lançar: “Certamente morrerão”. Perdeu-se o casamento no Senhor.

Mais uma vez objetos da bondade de Deus ouviram a promessa: “a redenção na Semente da mulher”. Iniciaram a trilha do pecado e da morte. Todos que saíram de Eva já não conheciam o Senhor, já não sabiam do amor, já não tinham o dispor que tiveram seus pais. Amantes do pecado, reféns da morte, inimigos de Deus rumavam pelas pradarias áridas de uma vida sem sentido. À noite em contos ao redor da fogueira ouviam da luz, da esperança, da vida perdida no Jardim de Deus.

Como resgatar a família que vivera no Éden? Apenas quando Deus lhes fosse favorável e vissem Aquele que deveria vir. A família santa criada por Deus que Adão entregou à morte seria resgatada para vida em Cristo Jesus. Nele aprenderiam de novo o amor, aprenderiam de novo o louvor, aprenderiam quem é o Senhor.

Voltariam a passear nas veredas santas do Senhor.

A luz da esperança perpetuada em redor daquelas fogueiras acendeu em nossos corações, podemos contar a todos que em Cristo aprendemos o amor, reconstruímos os nossos santos lares para vinda e revelação do Altíssimo.

Recitamos o amor: ”Osso de meus ossos, carne de minha carne”.
Ao Senhor honra, gloria e louvor de eternidade a eternidade.

Nunca vos conheci.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Mt 7:21.23

Notadamente esta passagem envolve pessoas religiosas com práticas pentecostais. Tais pessoas afirmam ter caminhado com o Senhor. Mas, a rejeição proferida cita a prática de iniqüidade, sem aludir ao serviço prestado em nome do Senhor.
O termo iniqüidade, no contexto,  deve ser entendido como “sem obedecer às leis”; “sem regras”, rebeldia. Fica ainda mais evidenciado pelo contraste entre os termos “que herdarão”, com os “que ficarão fora”, pois estes praticam iniqüidade, aqueles fazem a vontade do Pai. Portanto, iniqüidade aqui é desobediência, não fazer a vontade do Pai.
Traduzido por rebeldia em 1 Jo 3:4: “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia”.

Isto é significativo para entender a religiosidade de nossos dias. O pecado permeando a vida religiosa, liberdade devocional sem submissão à Palavra do Senhor.

A rejeição daquelas pessoas não advém das manifestações de poder alegadas – profecias, expulsar demônios, milagres, disto podemos inferir a conduta religiosa. Nosso Senhor as rejeita por algo que a caracterizava sua religiosidade: rebeldia, insubmissão à vontade do Pai. Foram rejeitados pela devoção à revelia das santas leis do Senhor, devoção pessoal sem atentar para Escritura. 
Lendo, observando, convivendo com pessoas que se intitulam crentes percebe-se grande diversidade nos critérios adotados para orientar suas condutas e valores. Há pessoas notadamente seculares que proclamam dos eirados – seus blogs, reuniões, conversas e encontros – hábitos inadequados aos santos. Contudo, consideram-se nos mais altos ideais de maturidade cristã. Ao definiram para si o padrão a ser adotado, violam a liberdade que há em Cristo, tornam-se rebeldes.
São enfáticos no consumo de vinho, no descaso com regras, no desprezo ao outro, na comunhão com as trevas, na irreverência, na audição inadequada, na leitura indigna, na comunhão e no partir o pão, na profanação do santo.
Certa vez recebi a ligação de uma senhora que gostaria de “conhecer mais do Senhor”. Estava à frente de um grupo de outras pessoas em condição idêntica a dela. Perguntei-lhe que igreja freqüentava, e ela, educadamente falou que era mais uma questão a ser resolvida, ou seja, não pertencia a nenhuma. Já antecipei que receberia uma pessoa que se sente acima da igreja. Pessoas assim tendem a criar um cristianismo próprio, a igreja dos santos não é capaz de regulamentar os valores cristãos, está aquém de suas necessidades e propósitos.
Geralmente são pessoas que têm boa formação secular e insistem em colocar as verdades de Deus circunscritas ao seu sistema mental e aos seus interesses. Suas verdades estão fundamentadas em postulados filosóficos com pouco uso das Escrituras. São teólogos de seus fragmentos, não têm profundidade doutrinária, conseqüentemente nenhum pastor, nenhuma pregação edifica suas vidas.
Aspectos mais objetivos e simples das Escrituras, como esperança, salvação, arrependimento, santificação, fundamentos bíblicos são evitados como coisas de somenos. Estão mais inclinadas a temas associados ao pensamento livre, metafísica, sociologia etc. São sem igreja, sem teologia, sem doutrina, sem leis, sentem-se acima das questões fundamentais da fé, são os rebeldes.
Tudo e todos precisam estar condicionados aos seus conceitos e às suas verdades. Não evidenciam mudanças de comportamento, equivocadamente, supõem que o cristianismo é um berço para discursos sem suporte comportamental. Trazem de sua vida “antes de conhecer o Senhor” hábitos e crenças que os mantêm, mesmo que não se ajustem ao padrão do Altíssimo.
Devemos considerar que a passagem registra um evento profético e não apenas um fato possível. A surpresa da sentença prolatada pelo Juiz tem como réplica o orgulho exibido pela ficha de serviços prestados. Mas o desfecho final é significativo: Nunca vos conheci.
Apesar da tragédia do texto, há esperança. O Senhor utiliza um tom de advertência. O tempo verbal utilizado é futuro, portanto ainda a ocorrer. Urge uma avaliação criteriosa da vida que cada um leva, consultar as profundezas de nossos corações para sabermos se de fato o Senhor nos conhece. Servir ao Senhor não traz qualquer garantia de amizade com Ele. 
Ele diz: sois meus amigos se fizerdes o que mando. 

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

Pelas misericórdias de Deus.

ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.(Rm 12.1-2)
 

O texto inicia com um termo militar, rogo-vos. Termo utilizado em campanhas militares para o último encorajamento antes da batalha. A tentativa é despertar-nos a índole guerreira. Mas curiosamente, não nos mantém em campos de batalha, não apela aos nossos brios, às habilidades intrínsecas de cada um, não clama por idéias de conquista, tampouco pela vantagem do despojo. Não, aos guerreiros apela para misericórdias de Deus. Preservando a fibra de guerreiros, traz-nos à lembrança o baluarte da gratidão do santo: as misericórdias de Deus. Ah! As misericórdias de Deus.

Outrora, quando guerreiros da morte, com aljavas repletas de dardos inflamados, a espreita, esperávamos uma oportunidade para desferirmos a ira insana contra tudo que se chamava Deus. Como O rejeitávamos. Agora, esta lembrança aprofunda o mistério, alarga a dimensão do Seu amor. Ela que perpassa a alma chega ao mais profundo da consciência dos santos, resgatando a clareza da razão. Aquele bendito dia, quando o TODO PODEROSO com sua destra nos retirou do lodaçal de pecados, nos ergueu, fazendo-nos assentar em lugares celestiais em Cristo.

Ah! As misericórdias de Deus. E a cada manhã, o Senhor as renova, com ela calcamos a vontade inquieta, o brio indevido. É o grito de guerra dos santos guerreiros.

Mas, os olhos guerreiros transbordam. A gratidão inominável e a bondade impossível trazem as lágrimas da incompreensão – bendita incompreensão. Quem somos nós para que nos visite? Tu, Senhor, és o Deus de eternidade a eternidade. Pois, segundo a Tua vontade, operas com o exército do céu e com os moradores da terra, fazes tudo segundo Teu querer.
É pelas misericórdias de Deus que apresentamos nossos corpos, que foram “postos de lado”, prontos para o sacrifício.

O que é nossa vontade, senão a gratidão manifestada? Ela que conduz o guerreiro em direção ao altar. A valentia serena para a lâmina que nos imolará, que ceifará nossas vidas. Oferta viva, santa e agradável ao Senhor, o prazer e a razão dos santos. Faze-nos Senhor conforme teu querer.

A oferta com a mente despida dos prazeres mundanos, dos enganos e dos encantos falazes, da sabedoria mais arguta, do coração mordaz, da vilania do pó desta terra. Sim! Chegaremos ao altar como oferta viva, santa e agradável a Deus. Pela eterna gratidão pelas Suas misericórdias.

Mas para que a despertar valentia se nos exige passiva morte? Para que a exortação última? O Senhor nos responde: Para experimentarmos a boa, agradável e perfeita vontade Dele. Sim, Senhor a tua misericórdia fortalece nossa frágil vontade.

Mas Senhor em tua graça e misericórdia, fortalece teus guerreiros para o que é perfeito, eterno e divino. Guerreiros entregues ao seu Senhor, guerreiros ofertas, guerreiros santos, guerreiros gratos… pelas misericórdias de Deus.

Faz Senhor conforme teu santo querer.

Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

Fiquemos de pé.

ENTÃO falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; (MT 23.1-3)

Muitos têm empreendido esforços para entender as causas que levaram o Cristianismo, em geral, ser substituído pelo evangelicalismo. É preciso reconhecer que fomos – e somos – responsáveis. Por outro lado, este mesmo quadro, aponta diretamente para mim: derrotado. E devo reconhecer, mesmo que vencedor em Cristo. Perdemos para os falsários, para os mentirosos, entregamos toda a riqueza do mundo. A Palavra e a história não me deixam esquecer, sei, do sangue derramado. Só o Senhor restabelecerá a dignidade do Seu Nome.

Mas mantendo a guarda, preciso olhar para a Palavra e para o mundo, entender o que houve e o que há. O desafio é saber se posso fazê-lo com simplicidade. Ouso que sim. À conclusão surgirão contrários acalorados, o que a fortalecerá ainda mais.


A negligência aos conselhos eternos do Senhor conduzirá a complexidade, erros, ou mesmo inconclusão. Buscá-la, olhando para o alto, trará refrigério, livrando do incômodo da indecisão.
Quais os elementos no contexto de nosso enfrentamento? O espírito secular que influencia a todos, a dinâmica das regras (uma nova compreensão dos textos sagrados para cada momento) e o misto de gente frente às representações religiosas (humanismo religioso). Um ambiente aonde, por retroalimentação entre estes, há bastante energia, garantindo-lhe crescimento e poder. Este é o ponto de partida.
O desdobramento inevitável produzido por este cenário é fragilidade teológica de nossa geração. A mensagem oferecida destituída de fundamentos bíblicos sedimentou-se ao longo das décadas formando um imbricado teológico de impossível sistematização, mas perceptível prejuízo ao Reino.
Outro desdobramento vem da obra missionária. Mudou-se sua natureza, abandonaram o Cristo. Na nova visão de missões, leva-se para além fronteira uma marca comercial e um punhado de truques pastorais. Diferente da mensagem de salvação, a rigor, inaugura-se mais um ponto de coleta. Assim, destina-se, preferencialmente, a atender os bolsões dos necessitados… os ricos.
Reconheço a devastação que a má teologia unida ao esforço comercial das novas missões causaram ao cristianismo, contudo, é na vida devocional dos crentes que vejo a derrota da Igreja do Senhor.
E neste âmbito chama minha atenção dois aspectos. O primeiro é o problema do método. O Relativismo hermenêutico, que trouxe a base para distorção dos textos e sua aplicação para o alcance de metas terrenas, sem abordagem espiritual. Isto será objeto de outra postagem, se Deus permitir.
O outro aspecto, este, muito mais grave, envolve o homem interior: a disposição mental dos santos, a qual não pode ser dissecada para análise acadêmica, pois reside no profundo da alma humana, assim, de interesse vital. Ela afeta a auto-avaliação, sugerindo o estágio de santificação pensado: a meninice indesejável ou maturidade inabalável. O desvio nesta área traz conseqüências práticas danosas no relacionamento do servo com Seu Senhor. (Rm 12.3)
O que muitas vezes traduz maturidade é apenas o prazer da leitura, mas pouca obediência à Palavra. (Tg 1.22) E tal maturidade, real ou não, permite-nos a liberdade. A liberdade de filmes imorais em nossos lares, para depois passarmos uma manhã “em comunhão” com o Senhor. Prévias dominicais movidas pelo requinte secular para, em púlpitos soberanos, exortamos irmãos “desajustados”. As horas no entendimento dos arranjos da política partidária, mantendo a mente e a Palavra fechadanos. Usando da liberdade que há em Cristo para fazer valer a carne. (Gl 5.13) Maturidade presa aos instintos deste mundo? O Senhor diz: “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.” (Tiago 3 : 15)
Além das Escrituras, há abundância de textos produzidos pelos santos, que aparentam ter estado no céu, dada a clareza e verdade expostas. Pessoas – estas sim, ungidas por Deus – a fornecer às nossas mentes “porretes” espirituais para inculcar roteiros maravilhosos rumo à glória futura.
Mas tais manás são ótimos… para serem aplicados ao “outro”. Esse “outro” que nunca está em meu coração, que precisa implodir minha mente sábia para construir a simplicidade de Cristo. Esse “outro” sempre lê por sobre meus ombros; diferente de mim, sempre o vejo necessitado de todos os conselhos celestes. E sempre fora de mim, afirmo que o “outro” não sou eu.
Contrário aos santos, os falsários não têm a Palavra, muitos nem o Espírito. Perdemos para eles,
porque antes perdemos para nossos próprios corações. Sofre a Igreja do Senhor pela maturidade fragilizada de uma vida devocional não vivida.
Lemos e falamos e não praticamos, continuamos sentados na cadeira de Moisés.

Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.