O Reino de Deus: Literal ou Espiritual?

Ao longo da história cristã o reino do Deus tem sido motivo de controvérsia – Milenistas e Amilenistas, em especial. Discute-se sobre o Reino de Deus, se ocorrerá literalmente no futuro, dentro da história humana, com uma sede, súditos, palácio etc. portanto, devemos espera-lo. Ou se o Reino é apenas espiritual e sempre existiu, pois Jesus é o Senhor. E não devemos esperar a segunda vinda do Senhor para instaurar seu reino. Assim, este texto não resolverá a questão, porém como creio que  parte da controvérsia advém do método utilizado para obtenção dos resultados, e pouco, muito pouco, sobre o conteúdo das Escrituras, vários argumentos utilizados devem ser considerados para elucidar alguns pontos.
UM REI EM SIÃO
O Salmo 2.6-9 diz: “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu [te] darei os gentios [por] herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro”. O texto trata de uma promessa feita por Deus: ungiria um rei no Monte Sião, e que reinaria sobre os gentios e por toda a terra. E adverte sobre destruição que será imposta aos gentios – com vara de ferro. A leitura natural do texto deve considerar Sião um lugar literal, e ainda a existência do rei, divino e juiz, nações, gentios etc. alegorizar o texto a ponto de retirar sua literalidade compromete até a divindade do Senhor. E assim, o leitor e não o escritor é quem dá sentido ao texto. 
OS REINOS DO LIVRO DE DANIEL
No capítulo, referindo-se a estátua que o rei sonhara, está escrito: “E depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual dominará sobre toda a terra” (Dn 2:39). Assim, Deus antecipou, por meio de Daniel, os reinos que se estabeleceriam ao longo da história humana. A cabeça de ouro, é Babilônia (Dn 2.38). Antecipou ainda,  o reino Medo-Persa (Dn 5.28), e o império Grego (Dn 10.20). Afirma o profeta:  “uma pedra cortada sem auxílio de mãos feriu a estátua”. Falando ainda sobre essa pedra cortada: “mas, nos dias desses reis, O Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído” (Dn 2.44-45) – referindo ao reino de Jesus. Todos os reinos citados ocorreram literalmente dentro de história humana, sabe-se sua extensão, cada rei, o período de seu apogeu e derrocada etc. O último reino – a pedra cortada sem auxílio de mãos que destrói os pés da estátua – obrigatoriamente precisa ser literal. A afirmação contrária, exige uma clara e inquestionável orientação das Escrituras. 
UM REINO QUE SEMPRE EXISTIU
Já no Novo Testamento, João Batista e Jesus Cristo anunciam o reino dos céus (Mt 3:2; 4:17) – reino de Deus (Mc 1.15). Assim, a ideia de um reino sempre existente contradiz a pregação de João e Jesus que anunciavam que “o reino está próximo”. Ainda Lucas registrou: “E, ouvindo eles estas [coisas], ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e “cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus”. (Lc 19:11). 
O REINO E O PROPÓSITO DA TRANSFIGURAÇÃO
Jesus disse que o reino de Deus seria visto – não disse que chegaria – antes da morte de alguns. O que garante que o reino não estava ali entre eles. “Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns [grifo meu] há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam [grifo meu] ter chegado com poder o reino de Deus [grifo meu]” (Marcos 9:1).  No texto há a promessa para “alguns” dos que ali se encontravam (apenas alguns) que veriam (note bem, veriam)  “chegado com poder” o reino de Deus antes de morrerem. No v. 2, Jesus toma apenas três (alguns dos que se encontravam ali), e os leva em particular, e transfigura-se diante apenas desses [apenas desses], aparecem Elias e Moisés e falam com Jesus transfigurado, de uma nuvem ouve-se uma voz (de Deus) que exalta a Jesus. Subitamente todo este poder e maravilha desaparecem, restando apenas Jesus e seus “alguns”. E ao descer do monte, lhes alerta que não divulgassem o que “viram” até haver ressuscitado de entre os mortos. Esta experiência, permitiu-lhes “ver”,apenas ver, chegado do reino em poder, apenas para três dos que ouviram a promessa. Este foi o propósito da Transfiguração, antecipar para aqueles [e para nós] o reino do Senhor em poder e glória neste mundo.
 O REINO E DISCÍPULOS APÓS A RESSURREIÇÃO DO SENHOR
Os Evangelhos registram, por volta de três anos, o ensino da verdade realizado pelo Senhor.  Chegando ao livro de Atos (1.3) lemos a ênfase sobre o reino de Deus, diz: “ficou quarenta dias falando das coisas concernentes ao reino de Deus”. Aqueles homens, ouviram o Mestre por tantas vezes, mais agora Ressurreto, não poderiam ter uma compreensão inadequada, e nós os corrigirmos. E eles questionam ao Senhor quando Ele virá para restaurar o reino a Israel (Atos 1:6). Ninguém são ousaria afirmar que aqueles homens tinham em mente outra coisa, senão a ABSOLUTA CONVICÇÃOda instauração de um reino literal sobre a terra. Não podemos CORRIGIR ESSES HOMENS, não podemos deles  discordar, foram homens que estiveram com Jesus ressurreto, FORAM ELES OS ESCRITORES DO NOVO TESTAMENTO.  
UM REINO APENAS ESPIRITUAL
Alguns argumentam que Jesus ensinou que seu reino era espiritual e celestial, e de forma alguma um reino literal sobre esta terra que vivemos. Utilizam-se: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:20-21). Não se podemos negar o reino de Deus em sua dimensão espiritual, mas há sólidos fundamentos quanto à sua literalidade. Assim, as Escrituras afirmam ambas dimensões, sem negar uma, para afirmar outra. A leitura no contexto posterior de Lc 17.20-21, ainda falando sobre o reino, o compara aos dias de Noé, aos dias de Ló, diz que virá como um relâmpago. Associa-o ainda, a sofrimentos (literais). Ou seja, associa o reino a fatos da história, personagens literais, sugerindo outra dimensão do Reino.
O REINO E PILATOS
Argumentam, Jesus não negou sua posição de rei, mas apresentou uma visão do reino bem diferente da noção literal: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (João 18:36).  Estranhamente utiliza-se este texto para falar da natureza do reino de Jesus, afirmando estar aí a declaração do aspecto espiritual do reino. Mas, o texto fala de origem e não de natureza. Diz. O reino não é DESTE MUNDO. E afirma, se fosse deste mundo, teriam ministros deste mundo. E conclui: Meu reino não é daqui (origem). O texto precisaria afirmar: Meu reino não é AQUI para corroborar com a tese que Jesus não terá um reino literal sobre esta terra.  Nenhuma alusão à natureza do Reino contém o texto, para invalidar sua literalidade.
 CONCLUSÃO   
A questão não trata se somos ou não submissos ao Rei, isto é apenas um sofisma, desviando-se da questão central. Precisamos responder a seguinte questão: as Escrituras permitem reconhecer que em Jesus, o filho de Davi, Deus cumprirá a promessa feita em 2 Sm 7.12-16?
Sejam os homens submissos ou não, aceitem ou não!

O sinal de Jonas – Continuamos em busca de sinais (Mt 16)

E, chegando-se os fariseus e os saduceus, para o tentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas ele, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se. (Mt 16:1-4)


Há vários termos no texto que devem ter seus significados revistos para que sejam aproveitados pelo Senhor para nosso crescimento.

Fariseus e saduceus.

Comumente associamos os termos a aspectos negativos da fé. O que, de certa forma, é correto, contudo, esses homens foram usados por Deus para manter vivo seu testemunho.

Sabemos que antes do surgimento de João Batista, esses homens contribuíram para proclamação das grandezas de Deus, a despeito de seus corações.  (Mt 23.1-8)

O sinal do céu

E são esses que pediram um sinal do céu. Nenhuma sinceridade havia em seus corações. Pois, há uma rastro de sinais ao longo do cap. 15 que intecionalmente são rejeitados.

E o Senhor, sabendo o intento daqueles corações (Jo 2.25) observa que eles eram pessoas que reconheciam a importância de sinais como antecipação daquilo que estava por vir. Vemos isso pela resposta que o Senhor lhes dá: “Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro…”.

Mas, a busca de preservação de privilégios obscureciam-lhes o entendimento a ponto de desqualificarem os sinais evidentes de que o Senhor era seu Messias tão esperado. Nada mais coerente ouvir: Hipócritas!

Para aqueles ouvintes qual o significado do sinal de Jonas?

A história mostrou-nos que a reconciliação dos gentios (ninivitas) com o Senhor fora confirmada, e poderia ser aquilo que Cristo lhes estava antecipando. 

Outro discurso do Senhor a respeito do sinal de Jonas diz: 

“Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites: no seio da terra. Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. (Mt 12:41-40)

Um apelo ao arrependimento!
Tanto o sinal pedido pelos fariseus e saduceus levariam ao arrependimento, quanto o sinal de Jonas. Qual seria pois a diferença entre eles?

As evidências das obras realizadas everiam conduzir ao arrependimento, na rejeição daquelas evidências viriam com juízo. 

O efeito da morte, sepultamento e ressurreição do Senhor para os judeus deixaria para trás a oportunidade de verem cumpridos diante deles os ofícios de sacerdote, profeta e rei. Mas, a partir de então, seriam revelados em outra dimensão da história da redenção.

A negligência quanto à palavra do Senhor fez com que aqueles homens não percebessem o tempo em que viviam.

A partir de então, Deus, saiu a chamar um povo que não era povo para manter vivo o seu testemunho sobre a terra: nós que não éramos povo, mas que agora somos povo de Deus. Fomos chamados – novos fariseus e saduceus – para discernir o tempo e mundo em que vivemos.

Hoje, 
a apostasia como sinal, não tem sido suficiente para olharmos o mundo por meio da verdade de nosso Deus, e, como fariseus e saduceus, rejeitamos os sinais evidentes de sua vinda, banqueteamo-nos por meio de uma liturgia melancólica ou por meio do sucesso oferecido por satanás. 

Não sabemos o que se deu com aqueles homens, nem o que se dará conosco, mas lemos:
E o Senhor deles se retirou.  

Abraão era amilenista


Ao ouvir que estamos em pleno milênio somos forçados a enfrentar algumas questões a respeito do plano de Deus para a humanidade, sei que não é simples enfrentar ou questionar pressupostos doutrinários.

Quando o assunto é Escatologia, deve-se considerar que há muita dificuldade espreitando-nos. Contudo, mesmo escondidos, existem os esquisitos junto ao burburinho acadêmico. E entre esses, sem dúvidas, está o método aplicado para obtenção da verdade divina – a Hermenêutica.

E parece que foi criada UM especialmente para garantir os pressupostos amilenistas.

Tal método funciona da seguinte forma: Tomemos o texto “Não ficará pedra sobre pedra”.

Em busca do significado da passagem, e de acordo com o uso da hermenêutica amilenista, deve-se saber se tal afirmação – profecia –  já aconteceu (cumpriu-se na história) ou não. Caso tenha ocorrido, a leitura do texto deve ser feita de forma literal. E somente se não fizer sentido, deve-se buscar dentro das Escrituras seu “outro” significado, portanto, pedra significaria pedra mesmo. 

Porém, se o texto ainda não foi cumprido, a abordagem muda completamente, ou seja, o significado das palavras não pode ser literal. Pelo contrário, pode ser qualquer coisa, menos o significado literal do texto. Ou seja, pedra jamais poderia ser pedra. Estranho, esquisito, mas é o que está posto.

É o caso do termo milênio (Ap. 20,2,3,4,5,6,7). Não pode ser milênio (1.000 anos literalmente). Por que? Porque ainda não se cumpriu na história – ou está se cumprindo? 

É incrível, mas é isso o que garante a escatologia amilenista. Dizem: “é preciso tratar os textos escatológicos de maneira particular – mas, isso se aplica apenas aos textos que ainda não se cumpriram”.

Isso nos – obriga – arremete a uma experiência muito rica: Pensemos com Abrão – como se lá estivéssemos.

Ao olhar para o céu cheio de estrelas, ouve: Tua descendência será como estas estrelas. (Gn 15.4-5). 

Sendo Abraão um bom amilenista, podemos imaginar, quanta aflição o acometeu até se cumprir o nascimento de seu filho Isaque. Porque ele, como bom amilenista, SABIA que descendente da promessa, não poderia ser um descendente (literal) – pois, ainda não havia se cumprida a profecia. E como não poderia ser um filho, o que seria comparado às estrelas do céu? O que Abrão pensou significar descendente na promessa de Deus? E já que não havia nascido seu filho, sua hermenêutica amilenista garantia-lhe que poderia ser qualquer coisa, menos um filho.

Porém, após o nascimento de seu filho, ele, como bom amilenista, PERCEBEU que, após a profecia haver sido cumprida, descendência era descendência mesmo, e que seria numerosa como as estrelas do céu. Apesar de tudo AGORA fazer sentido, um misto de Ffustração e alegria lhe tomou, claro. Frustração, pois seu método lhe levara ao erro quanto ao significado da profecia; e alegria por entender que descendência significava LITERALMENTE descendência. 

Assim, somente após o cumprimento da profecia, Abrão, como bom amilenista, viu que estava errado! Que não deveria ter “interpretado” a palavra do Senhor, bastava-lhe haver aceito as palavras em seu significado comum – literal, como em todas as outras vezes que ouviu o Senhor.

Da mesma forma o método amilenista afirma estarmos no milênio e com satanás em prisão – eufemizam, e dizem “com poderes limitados”. (Prisão significar poderes limitados??!!). De onde saiu isto?

Se verdade – satanás está preso – parte das Escrituras precisa ser “revista” para tenha sentido. Senão, vejamos:

Quanto engano há em Pedro ao afirmar que satanás enchera o coração de Ananias (At 5.3);

Engano, maior ainda, em At 26.18, Jesus afirma que satanás tem autoridade para manter pessoas cativas  – mesmo preso? E nisso, errou também Paulo (2 Tm 2.26);

E Paulo, novamente e equivocadamente, em 1 Co 7.5, instrui casais para não serem tentado por satanás (que está preso!).

Em 2 Co 11.14, inutilmente, Paulo afirma que satanás se transforma em anjo de luz. Claro que inutilmente, já que está preso, nenhum efeito isso terá.  

Sem contar com as advertências contra o diabo (Ef 4.27) e a necessidade da armadura de Deus para se prevenir contra ele (Ef 6.11). Acredito que se a abordagem amilenista estiver correta, tais exortações são meramente retóricas. 

E, por fim, em 1 Ts 2.18, Paulo precisa nos explicar que caminho tomava para ir até Tessalônica, pois satanás – que está preso – o impediu.

Mas, Abrão pode nos ensinar muito mais. Após o pedido para imolar seu filho – ainda não cumprido – ele ABANDONOU sua “interpretação particular” daquilo que Deus lhe falava. Como sei? Ao empunhar um cutelo (literalmente) sobre seu filho, ele nos ensina que cumprida ou não a palavra do Senhor deve ser vista em sua literalidade. 

Essa estranha esperança evangélica


Quando raciocinamos levando em conta a linha do tempo é impossível desconsiderar-se a relação que há entre a esperança e o futuro. Assim, obrigados estamos de associar esperança ao futuro.

Muitos desprezam a tese com argumentos infantis, outros fazem uso de sofismas bem elaborados na tentativa de romper os grilhões que unem a esperança e o amanhã. Não se apercebem que tentam lançar a fé no espaço vazio, subtraindo-lhe a espiritualidade exigida por ela (esperança).

Esses, estranhamente, rejeitam o imbricado que há na Salvação e na Escatologia, aproximam-se dos defensores da fé católica romana, um conjunto de palavras sem sentido, esperança sem esperança, apenas fraseologia… e vazio interior.

Tenho o privilégio de conhecer crentes, servos do Senhor, com evidência de salvação sem  possuírem, ou não terem clareza quanto ao plano de Deus para humanidade. Desconversam garantindo que é coisa de somenos, fincam a esperança apenas para o momento presente. 

Acho que assim negligenciam a verdadeira esperança da salvação, pois não permitem o que Deus tem reservado para aqueles a quem ama.

Ao defenderem essa posição, esquecem-se da impossibilidade de dissecar o tempo ao ponto de sabermos quando começou o futuro, e em que ponto estamos dentro da história divina. Colocam no presente todo o esforço e esperança (que é espiritual) do cristianismo. Roubam do cristianismo o tempo futuro. Almejam isolarem-se mentalmente do porvir. Desvinculam-se da história ainda a ser cumprida pela Igreja, pelas nações do mundo; de certa forma, mesmo crendo na soberania de Deus, não perscrutam os planos do Senhor, excluem a esperança do domínio de Deus… e  isso é muito estranho.

Ao olharmos o cenário evangélico, quase nada se lê a respeito da vinda do Senhor, quase não se ouve, de púlpitos inflamados, o anunciar do tempo que vivemos, da iminência de sua vinda (muitos chamam até de “volta”). Vive-se como se o Senhor não estivesse às portas, convive-se com uma esperança desvinculada dos planos de Deus.  

Uma pergunta urge: O que é essa esperança?

Já que ela não alcança o futuro, não se relaciona com a eternidade, seria ela uma “força especial” para conquistas sociais, econômicas, acadêmicas ou políticas para o presente século em que vivemos e nada mais?

Se assim for, essa disposição mental não tem seus frutos provindo das Escrituras, pelo contrário dela saem mensagens que servem de guia para nossa esperança.

Orienta-nos sobre a necessidade de confiança e discernimento em Sua vinda

E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda. (1 Jo 2:28)


Sobre o caráter cristão a ser evidenciado até sua vinda.

Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor.  (Tg 5:7)

Sobre as recompensas que haverá em Sua vinda

Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.( 2Tm 4:8)

Sobre sua vinda ser para vivos e mortos

Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. (1Ts 4:15)


E por fim, esclarece-nos sobre a natureza de nossa (cristã) esperança.
Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, (Fp 3:20)

Com é estranha e externa às Escrituras o que temos visto sobre a esperança evangélica!!!!

A vida tragando a verdadeira vida


Ao olharmos em nosso derredor, verificamos que estamos submetidos a uma dinâmica incontrolável que consome  toda a energia disponível em busca da saciedade, em busca da satisfação necessária para justificar aquilo que hoje chamou-se “vida”. 

Não se pode esconder, o mundo corre em busca do “agora”. Nada pode ser para depois, para um tempo depois deste tempo. Esta dinâmica consolidou-se e imprimiu nas pessoas a aflição transparente. Todos são aflitos, nem se sabe porque.

Há um frisson de busca, corre-se sempre, correm todos. O mundo é premido pela inércia do incontrolável.  
O medo da perda, o fracasso assustador e a satisfação fazem qualquer argumentação sobre valores que se contraponham à essa dinâmica da “aflição necessária” ser tratada com indulgência mordaz. Temas como a eternidade com todo seu contexto e implicações, passou a ser parte da agenda do dispensável. Teme-se ou evita-se temas que diminuam a grandeza humana.
Assim, é a essa “vida”, construída por mãos humanas, caminha varonil permitindo a cada um julgar-se senhor do seu destino, imperador da história. 

Absurdamente, a morte foi ceifada do elenco de preocupações das pessoas, do mundo. Para espanto e extermínio da razão, o homem se propõe indestrutível: age como se tudo fosse subsistir para sempre, em especial ele próprio. 


Eternidade, morte, ética e mesmo Deus foram substituídos pela semântica da ousadia. O significado das palavras foi dissociados de seus objetos. As circunstâncias, os coletivos apropriaram-se da realidade e em salto romperam com a razão. 
Logo, a verdade nesta “vida” passou a ser submetida ao interesse pessoal. A contingência é o grande arquiteto da realidade, desde que fortaleça os pilares para um  mundo melhor, sem Deus, obviamente. 

A irracionalidade passou a ser o padrão para inquirir as dúvidas existenciais, desta feita, as estruturas do pensamento da vida lá fora chegaram e convenceram os valores da “vida cristã”. Tudo é aceitável, desde que tenha rompido os laços com o passado.


O cenário (as verdades) que toma conta da vida contradiz as abordagens bíblicas. O futuro é profetizado em desacordo com a sentença do Altíssimo. Pois, o caráter de Deus traz  desconforto e pessimismo incompatíveis com os ideais da secularização cristã, portanto será descartado. Repudiam aqueles que defendem as verdades de “antigamente”.

Não precisamos de esforço para verificarmos que:


1. A apologética cristã passará a ser disciplina apenas para consumo interno das mentes restauradas pelo Senhor. 


2. O evangelismo que se assenta sob o sacrifício – sangue – de Cristo perderá a conectividade com a realidade humana e os cristãos nominais e contextualizados fundirão suas utopias de conquistas e reformas aos mais vis interesses seculares… e lenta e progressivamente se assentará o ecumenismo em prol de um mundo melhor.


3. A santificação será mundanizada a ponto de rirem-se dos contrários.


4. A tentativa de trazer o céu para cá embaixo será a prioridade da igreja. 


Então virá o Senhor, aí sim, porá todas as coisas em ordem! Conforme a palavra de nosso Deus. 

P.S. Meu otimismo é expresso por projetar tal quadro ainda para o futuro. 

Escatolgia vs. esperança presente

                                                       

A vinda de Cristo, o mundo futuro, a eternidade são temas que estão fora da agenda cristã. As propostas escatológicas causam desconforto à igreja rastejante, que prefere embrenhar-se nas questões sócio-políticas – sem esquecer as ambientais – a contemplar os céus. A exemplo do romanismo, seguem alvissareiros em seu fascínio, ribalta e seguidores sem se deixarem à voz do Senhor:
Como pois dizeis: Nós somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Mas eis que a falsa pena dos escribas a converteu em mentira. (Jr 8:8)
O homem está consolidando seu próprio conceito de Deus. Estabelece sua disposição acima de Deus e, não se submetendo aos Escritos, criou seu Deus, mesmo com temor, segue em sua liberdade religiosa.
Impondo seus conceitos, sua história, orientado por sua lógica e sabedoria, diz o que deve dizer o Senhor sobre o futuro do mundo, das coisas criadas, da eternidade.
A despeito da exortação de Pedro sobre a prontidão ao questionamento de nossa esperança, temos observado que a esperança da cruz tem sido subvertida pelos encantos e falácias do mundo. 
O episódio evangélico volta ao nosso tempo com mais importância e necessidade: “Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas”. Os afazeres seculares têm subtraído a atenção e fornecido a desorientação necessária para criação das alternativas doutrinárias para ajuste aos desajustes apresentados.
Na independência religiosa, na eloqüência das letras, o livro do Apocalipse transformou-se em apêndice doutrinário, peça suplementar, sem conexão com qualquer outro livro das Escrituras. Nem sequer há a proposta para verificação: 

  1. Quais as credencias desse livro? 
  2. Que mensagens, advertências, e principalmente o que ocorrerá conosco, com o mundo? 
  3. Ou será que o Espírito de Deus enganou-se ao referendá-lo como palavra do Senhor?

Os questionamentos por si só relevam a importância de seu conteúdo e doutrina. Senão leiamos a palavra do Senhor:

Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e, enviando-as pelo seu anjo, as notificou a seu servo João; (Ap 1:1)
A origem da revelação é do Senhor (vv. 9,10,17,18);  o propósito é promover esperança e, por fim, os beneficiários são os crentes. Destituir o texto de sua pujança é destruir os pilares hermenêuticos em benefício da razão alterosa.  


O preterismo lançou toda a Revelação num canto escuro da história humana, subjazendo dela um enfadonho e indecifrável texto. 
E mais:
Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. (Ap 1:3)
O adjetivo escolhido por Deus para seus leitores é FELIZ, bem como, aos que ouvem e guardam seu conteúdo, FELIZ. Apenas a autonomia religiosa pode arremessar tal esperança aos sótãos empoeirados da liturgia acadêmica. 
Pouca ou nenhuma importância tem sido dada a este Livro. Para muitos, que insistem em “espiritualizá-lo”, golpeá-lo com “demasia simbólica”, esses gostariam de vê-lo fora do Canon. Talvez, por trazer advertências graves contra o secularismo e mundanismo que tomou acento e os púlpitos da igreja. 


Quão grande a pretensão humana considerá-lo coisa de somenos!

Sob a visão da Contemporaneidade das Igrejas entende-se, que Laodicéia é a predominância de nosso tempo. 
É oportuno verificarmos que Laos significa povo; e que Dikê, costume. Assim convivemos com a Igreja das doutrinas humanas, dos costumes populares. A romanização do mundo cristão da atualidade. Necessário é reafirmar 1.5 que fala: A FIEL TESTEMUNHA.

Renovo aos senhores da cátedra dominante que as credenciais do testemunho contém a autoridade daquele que “O Fiel Senhor de céus, terra, mar e ar”:
E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava montado nele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga a peleja com justiça. (Ap. 19.11).

E a respeito dessa igreja adverte: 

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca. (Ap. 3.15-16).

A oscilação e vestidura  de características dos extremos é a marca predominante de nosso momento. O mesmo corpo que se apresenta com saúde doutrinária, leva, como marsupiais, o secularismo que o afasta do Senhor.

O refrigério para nossa geração não está em nossa sabedoria, mas sim, na longanimidade do Senhor que diz: “vomitar-te-ei”, assim tem adiado seu juízo para um tempo futuro.

Até lá ouçamos a voz do amor de Deus:
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. (Ap 3:19)
Sei poucos ouvirão, pois a multidão tem ouvidos e corações que já definiram a própria esperança. 

Que sinal há nos céus?

Então chegaram a ele os fariseus e os saduceus e, para o experimentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas ele respondeu, e disse-lhes: Ao cair da tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se. (Mt 16.1-4).

O relato bíblico envolve dois grupos distintos e com diferenças fundamentais. De um lado os fariseus, profundamente religiosos e observadores da Lei, a despeito de suas crenças estarem carcomidas pela tradição; sentiam-se defensores únicos do Deus de Israel. Já os saduceus eram religiosos oportunistas, seculares em seus interesses, adicionavam e extirpavam verdades da Torá para adaptá-las às crendices contextuais. Inconciliáveis no campo doutrinário estão juntos para confrontar o Mestre. Ao pedirem sinais do céu legitimam-se como defensores dos interesses de Deus. Sinais dos céus foram marcas que autenticaram muitos dos homens enviados da parte do Deus de Israel. Portam-se assim como a instância final da verdade religiosa.


Cristo atribui aos seus inquiridores a capacidade de antever o comportamento da natureza pelo simples olhar ao céu e perceber a aparência do tempo, assim sabiam como seria o amanhã. Nosso Senhor compara tal capacidade a aquela necessária para perceber o momento vivido por aqueles homens. Quais sinais eles desejavam? Todos os sinais haviam sido dados, e estavam diante do Cristo de Deus. Alimentou multidões com poucos pães e peixes, curou cegos, coxos, expulsou demônios, foram inúmeros os sinais. Todos os sinais necessários haviam sido feitos! O Senhor rejeita tal necessidade, pois entende que eles não se davam ao convencimento.

Qual o motivo pelo qual não perceberam o momento em que viviam? O mundo não se curvou ante seus pressupostos religiosos, não atentaram que sua percepção estava embotada. A disposição mental daquela geração a condenou: uma geração má (culpada) e adúltera. Nosso Senhor disse: Receberá apenas o sinal de Jonas. O que para os Judeus representou que o tempo passou sem que se apercebessem da graça do Senhor; não apalparam o verbo da vida. Deixando-os, retirou-se deles. Perderam o “tempo” de suas vidas.
A despeito dos desígnios do Altíssimo, aquela geração é culpada. Estavam atentos apenas para as verdades cotidianas, para suas tradições e convicções religiosas que não lhes permitiram reconhecer o seu Rei.

Estamos às portas da chegada do Noivo, sabemos do momento em que vivemos, ou estamos olhando para o céu apenas em busca de sabermos como será o dia de amanhã?

Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

Eis aqui tens o que é teu.

Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu. (Mt 25.24:25)

O título deste post foi extraído da resposta dada por um despenseiro do Senhor. Que avaliou sua missão sob uma ótica restrita, sem perceber outras possibilidades reais. É o que acomete a todos.

Cada cosmovisão, e aí incluo a perspectiva escatológica, adotada produz uma disposição mental que leva a desdobramentos, e estes por sua vez, sustentam valores cotidianos da vida cristã. É comum, sem nos apercebermos, formularmos cenários que rejeitam ou alteram conceitos básicos das Escrituras. Ou seja, a visão de futuro exerce um poder sobremodo forte sobre conceitos, preceitos e princípios da fé. Logo, esta expectativa nos aproxima mais ou menos da secularização. A despeito disto, a fidelidade do Senhor tem sido evidenciada pelo cuidado, bondade e longanimidade para com o seu povo. Nisto devemos dar glórias ao Altíssimo. Pois somos o que somos, e mesmo assim, Ele nos tem fortalecido.


Isto posto, podemos avaliar uma posição sob duas perspectivas de futuro com seus valores e conceitos.

A idéia de um reino terreal construído pela Igreja para Cristo.  Implica obrigatoriamente no envolvimento das mentes salvas nos movimentos complexos e sempre pecaminosos da política partidária.

Perspectiva 1. Tal intromissão na vida secular representa mundanismo para os que entendem que o mundo vai de mal a pior, e que Cristo não necessitará de ajuda da Sua Igreja para construir Seu reino. Assim, seria mundanismo e não contribui para o Reino.

Perspectiva 2. Já para os construtores do reino, a conduta apolítica representa apatia e perda de ideais legítimos a serem alcançados pela Igreja do Senhor. Assim seria desleixo com a obra do Senhor e não contribui para o Reino.

São padrões de conduta inconciliáveis, tomando-se por base cosmovisões distintas. É sensato avaliarmos nossa conduta pessoal e, posteriormente a análise do outro, e isto sob a luz das sagradas letras.

Quando passamos a avaliar a “outra” doutrina estamos alicerçados em “nossos” fundamentos, o que nos impede realizar tal análise despidos de tendências. Já li uma avaliação de todas as perspectivas escatológicas em apenas cinco linhas, cujo autor estabeleceu um índice de coerência a cada uma delas: “ruim”; “fraca”; “muito boa”; “possível”. Era perceptível, sua cosmovisão era a única verdadeira.


Esquecemos que abraçamos um sistema de credo cristão por motivos meramente circunstanciais, ou seja, fomos a aquela igreja por convite, iniciamos com um amigo de trabalho, ou na rua de casa, ou pelos nossos pais etc. Poucos, pouquíssimos, fizeram sua opção doutrinária debruçando-se sobre os textos com a hermenêutica adequada, permitindo que o Espírito o conduzisse a toda verdade. Falo do bojo doutrinário, e não do refinamento interminável feito ao longo dos anos em que desfrutamos da companhia e da intimidade do Santo. Dificilmente, alguém passou a ser batista vindo de solidez presbiteriana, tampouco a via contrária foi percorrida. Mas, em maioria, somos batistas ou presbiterianos por um evento inicial totalmente fora do rigor acadêmico. Consubstanciamos os valores de nossos pares.

O desdobramento da história lançará luz sobre aquilo que ainda é profético. Esperar em Deus é uma atitude humilde. É possível que ao assumirmos possibilidades e negarmos outras estejamos expondo nossos corações acima da vontade santa do Senhor. Enterrando talento.


A sistematização das doutrinas, que é bem necessário, nas denominações tradicionais do cristianismo implica na consolidação de valores históricos. A atitude contrária, de derribar os marcos outrora fincados, é uma característica com viés pentecostal, a qual devemos ser prudentes. Entretanto, quando opinamos a respeito das doutrinas tradicionais, as quais não abraçamos, não hesitamos em  em lançá-la por terra. Não permitimos outras possibilidades.  

Santos têm asseverado pontos doutrinários além da revelação, estendendo ou engessando os atributos de Deus tentam conferir-Lhe maior glória ou poder, como se fosse possível ou mesmo necessário. Sabemos, ou imaginamos, que Deus é muito mais que o revelado. Mas nossa crença não pode, para qualquer propósito, ir além da revelação. Ou seja, o Deus Ontológico é o Deus da Revelação.

Esse cenário me remete ao texto de 2 Tm 3:2 por duas questões, isto é, sob minha perspectiva escatológica.
(1) Há no texto, dentre outras, duas características comuns do homem dos últimos tempos: amantes de si mesmos e soberbos. O ensino alerta sobre o equívoco quanto à avaliação pessoal (Rm 12.3) e seu desdobramento natural, que é superestimar seu valor coletivo (Fp 2.3).
(2) Comumente este tem sido aplicado para avaliar o mundo em nosso derredor e excluindo aos santos. É ingênuo pensar que tais características não estão presentes entre o povo de Deus, contaminando corações e levedando nosso meio.

O ardor de nossos corações está sendo moldado pelas “virtudes” destes últimos tempos, fazendo-nos supor sermos servos fiéis além dos “outros”.
A aparência demonstrada leva a conclusão que estamos fartos, sem necessidade de talentos; suficientes para tão pequena obra. Portanto, devemos orar para que o Senhor nos conforme a um caráter mais humilde. 

O desfecho final da parábola certamente não se aplica aos santos.



Ao Deus eterno imortal, honra louvor e glória por toda eternidade.