Suicídio – O que orientam as Escrituras




Suicídio.

É possível afirmar o destino de um suicida? É possível ao crente dar fim a sua própria vida? Ou crentes não se matam? Está posta a questão.
Devemos entender a tese, pois apenas assim não nos desviaremos para outras questões, mantendo-nos, de fato, naquilo que nos interessa. 
  
Não está em questão se o crente é autorizado por Deus para tal, pois sabemos que não. Tampouco, se o suicídio, ou qualquer outro pecado, é um comportamento esperado entre os santos do Senhor. Tais questões não devem ser objeto de discussão. Logo, não se trata desta questão, mas sobre os limites de nossa competência para julgar o fato, determinando o relacionamento daquele que tirou a própria vida e Deus. 

E a pergunta a ser feita é, o diz a revelação do Senhor, a respeito do destino eterno daquele que tirou sua própria vida?

Quem somos.
A questão faz parte da aplicação da justiça de Deus. Devemos pois, saber até que ponto estamos autorizados e qualificados para aplicá-la em Seu nome? (Mateus 18.18, Romanos 6.13; 12.1-2; Primeira Coríntios  5.12-13; 6.3).
  1. Nossa comissão. Fomos comissionados para conduzirmos nossas vidas em santidade, lutando contra o pecado. (Levítico. 20.7, Primeira Coríntios  4.9-16, Primeira Pedro 1.15)
  2. Nossa limitação – percepção . Somos limitados em nossos sentimentos e percepções. Isso nos impede avaliar as motivações que produzem os fatos. P. ex. não disciplinamos pessoas por suas motivações, mas por seus atos consumados – o factual, possível de aferir. (Primeira Coríntios  5.12-13, Apocalipse. 22.6)
  3. Nossa limitação – conduta. Mesmo que o Senhor nos garanta o livramento (Primeira Coríntios  10.13), sucumbimos. Sucumbiram grande homens (Gálatas 2.11). As Igrejas de Apocalipse são exortadas sobre seus pecados (2.4, 2.16, 2.20, 3.2). Ainda que revele ingratidão e fraqueza, mesmo remidos, somos pecadores.
Portanto, nos compete a observação dos frutos (Mateus 7.16-20), contudo, devemos reconhecer que não temos a competência para estabelecer o futuro das pessoas – quem estará no céu ou não.  (Daniel 12.9; Mateus 20.23). Doutro modo usurparíamos  prerrogativas divinas.

Se isso posto é verdadeiro, somos capazes e advertidos a considerar os fatos, e não as “motivações”. Em nossa percepção, somos incapazes de esquadrinhar todas as dimensões que envolvem a vida que nos cerca.  Desconhecemos toda a extensão do efetivo relacionamento de uma pessoa com Deus.  

O suicídio é pecado.
De fato, é condenável atentar contra a própria vida, mas Deus NÃO nos conferiu a capacidade para afiançar a respeito das consequências eternas deste ato. Pois, os valores que levam as pessoas às decisões encontram-se fora de nossa percepção.

Podemos afirmar que tirar a vida de forma premeditada, no caso o suicídio, é pecado. Logo, não é o que se espera de um crente – como nenhum outro pecado!
Mesmo que envolto em dificuldades para serem definidas suas causas, tal decisão não decorre da falta de conteúdo das Escrituras, tampouco de uma falha em Deus. Não somos capazes de afirmar o que leva uma pessoa a cometer tal ato, exceto pela falta de confiança nas promessas do Senhor.

Entretanto, é preciso reconhecer que todos morreremos em pecado. A Escritura alerta para nulidade de nossa justiça (Is 64.6); a oferta permanente de perdão implica em nossa fragilidade diante da natureza do pecado, com a que ainda lutamos (Primeira João 1.10). Ninguém nesta carne está fora da ação do pecado, para isso a Glorificação (Primeira Coríntios  15.50, Gálatas 5.17). A santidade exigida deve tomar como base a santidade revelada do Senhor (Habacuque 1.13).

Seja atentando contra a vida, seja atentando contra o caráter de Deus, pecamos, e assim morreremos. São suas infinitas misericórdias que nos garantem o lar celestial. (Lamentações 3.22).

A lição de Sansão.  
É recorrente a questão suscitar a experiência de suicídio de homens que foram usados por Deus. As posições divergem se Sansão e Saul podem contribuir para questão. Quanto a Sansão, a despeito de várias questões, prestou grande serviço ao Senhor, a ponto de estar arrolado na galeria dos homens fiéis. (Hebreus 11). O que deve nos levar a reconhecer que existem mistérios, além de nossa compreensão, quando da aplicação da justiça de Deus aos pecadores. Pessoalmente, entendo que a análise desses episódios pouco contribuem para solução, pois, pertencem a um tempo que exige prudência quanto às suas conclusões, o que ainda, recomenda o Princípio do Distanciamento.

O que de lá podemos afirmar é que temos um Deus misericordioso, e que seus feitos não se podem esquadrinhar completamente. (Salmo 145.3, 139.6,17, Romanos 11.33)

O sangue da expiação.
Outra questão a ser superada, é a discussão sobre o poder e extensão do sangue do Senhor, pois são declarações já estabelecidas, que para nossa discussão não cabem reconsiderações. Pois, de fato, as Escrituras são fartas em afirmar que sua expiação é perfeita e completa, e que se APLICA somente aos eleitos. (Romanos 8.29-30; Primeira João 1.7).

A suficiência das Escrituras.
Devemos recorrer às Escrituras por sua suficiência, e autoridade, assim obteremos as advertências de Deus contra o pecado. (Segunda Timóteo 3.16-17). Nenhum outro instrumento é normativo, inclusive as demais sugestões e experiências virão contaminados por nós mesmos (Provérbios 3.5). E guardando prudência para não ultrapassarmos os marcos estabelecidos pelo Senhor. (Deuteronômio 29.29).

A busca por recomendações específicas que considerem o “suicídio ou o espírito suicida” deve ser realizada.

Os textos a seguir advertem contra a prática de pecados, qualificando-os. O critério adotado para seleção relacionou-os à restrição de acesso ao reino de Deus, a impiedade ou juízo. Ou seja, qualificadores de condenação.  
Apocalipse 22.15.
·         Cães, feiticeiros, fornicadores, homicidas e idólatras e mentirosos.
Apocalipse 21.8.
·         Covardes (tímido, medroso, acanhado), incrédulos, abomináveis, homicidas, fornicadores, feiticeiros, idólatras, mentirosos.
Primeira Pedro 4:3.
·         Dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias.
Primeira Timóteo 1.9-10.
·         Injustos, obstinados, ímpios, pecadores, profanos, ira religiosos, parricidas, matricidas, homicidas, fornicadores, sodomitas, roubadores de homens, mentirosos, perjuros, contra a doutrina.
Colossenses 3:5.
·         Inclinações carnais: a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria.
Efésios 5:5.
·         Devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra.
Primeira Coríntios 6.9.
·         Injustos, fornicadores, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes, roubadores.
Primeira Coríntios 5.11.
·         Fornicador, avarento, idólatra, maldizente, beberrão, roubador.

Temos ainda as Obras da carne. Em Gálatas capítulo 5.
·         Prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas.

A despeito de reconhecer que o elenco de pecados apresentado não é exaustivo, contudo, podemos afirmá-lo como significativo. São estes que Deus nos forneceu para observarmos em nossa vida pessoal, na condução da Igreja e na avaliação de mundo. E a Escritura dispôs daquilo que o Senhor considera suficiente para nossas vidas.

Os textos alistados, inclusive com a descrição das obras da carne, representam várias categorias de prazer ilícito, de pecados. Traz em particular pecados contra a vida: homicídio, matricídio, parricídio, contudo não traz qualquer citação direta a respeito de suicídio.  

É possível, entretanto, alegar-se que o suicídio é consequência de algum desses pecados. Caso verdadeiro, é a prática desse pecado que devemos avaliar, e não o suicídio não listado pelo Senhor.  

A Igreja de fracos e fortes.
Sabemos que há em nosso meio pessoas que não foram regeneradas. Mas, sabemos também, que entre regenerados há os fortes e fracos (Romanos 14.1; 15.1; Primeira Coríntios  4.10; Segunda Coríntios  13.9). No capítulo 8 de Primeira carta aos coríntios, o Senhor ao combater a soberba, nos alerta quanto a existência de irmão fraco. E por isso, devemos ter com eles especial atenção para não os levar ao desânimo, pois são “eleitos de Deus”. (Primeira Coríntios  8.11). 
Aqueles irmãos que em nossa sabedoria afirmamos ser fracos, Deus os chama de amados.

As causas dos suicídios.
A lista a seguir de causas foi obtida de entidades não-Cristãs, inclusive a Organização Mundial de Saúde – OMS.
  • Solidão, Depressão, Fim de relacionamentos, Dinheiro & profissão.
  • Bullying, Transição adolescente para adulto, Perdas.
  • Outras doenças, Homossexualismo.
As causas acima podem ser sumarizadas como conflitos em geral. Que se apresentam com tal poder que leva à pessoa atentar contra a própria vida. Seja uma dificuldade real ou somatizada, reflete incredulidade.

Conclusão
Concluímos que a plena aplicação da justiça de Deus é  prerrogativa exclusivamente sua, privilegiando-nos para expressá-la em nossas vidas e aplicá-la apenas aos pecados perceptíveis e consumados. (Tiago 1.13-15).

E devemos reconhecer, que grande parte da vida de nossos irmãos, está oculta aos nossos olhos. Não sabemos dos efeitos promovidos pela leitura e ensino das Escrituras, tampouco penetramos no coração devocional dos santos do Senhor.

Além de que, estamos diante dos inescrutáveis planos de Deus, onde estão sua misericórdia, graça e justiça(Salmo 139.6), utilizando-os segundo seu santo querer. (Efésios 1.5).

Há em nosso meio fracos e fortes. Com comportamentos variados. Mas, tanto fortes, quanto fracos, morreremos todos em pecados, semelhantemente aos suicidas.

Podemos e devemos afirmar que o suicídio é pecado. Mas, qual o último clamor daquele suicida? Não o sabemos. De fato, não dispomos de critérios bíblicos para separar aquele que morreu endividado, daquele que morreu envolvido em mentiras, tampouco daquele pôs fim à própria vida.

“Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós”. Ou “Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”.(Lucas 23:39-43).

Foram as últimas palavras de dois homens. Apenas o Senhor poderia estabelecer seus destinos eternos. 


Acredito não estarmos autorizados a substituir os “fatos da vida de uma pessoa”, afirmando “juízo” apenas sobre um único e intempestivo ato.

O dogma, neste caso, traz grande risco, por ultrapassar os marcos da revelação do Senhor.  
Ao contemplar a grandeza do Senhor, o salmista reconheceu nossa pequenez. “Tal ciência é para mim maravilhosíssima. Tão alta, que não a posso atingir”. (Salmo 139:6).

Deus, tudo indica, reservou apenas para si a questão.

Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém.(Judas 1:25).

É nossa oração. 

A igreja reerguendo a cruz de Cristo

EBD, Igreja Batista Regular Renascer 
Manaus, 24 outubro, 2010


Vencida a etapa da prisão do Senhor, deparamo-nos com um cenário de horror, onde de um lado temos os sacerdotes e escribas, mais a turba; de outro Herodes, Pilatos e sua dissimulação. Todos estes marcam seus nomes na história pela forma de como encontraram e trataram o Senhor do Universo. 

Face a face com Criador, diante de seus olhos, um homem que foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. (Is 53:23) 

Sim, estiveram frente ao nosso Deus! 
Que podemos aprender de suas reações? Seus comportamentos? Sentimentos? 

Chegamos ao ponto central da história universal, ao ponto mais profundo da estupidez humana: a culpabilidade de Deus. São as horas que antecedem a cruz, a morte de cruz, mais um degrau da humilhação experimentada pelo Senhor da Glória. 


A Insensatez humana 
Sabemos que Deus em sua sabedoria não permitiu que o homem O conhecesse por sua própria sabedoria. Mas não esqueçamos o homem segue segundo seu próprio coração, segundo sua natureza, que o conduz sempre à morte. 


A sabedoria de Deus
Deus, em seu poder, fez convergir para um único evento: gentios, judeus, povos, religião e leis humanas. O retrato do mundo, o retrato da igreja. Nosso retrato pessoal. 

Há um conjunto de percepções registrado nestas passagens nas Escrituras que expressam sentimentos e comportamento daqueles homens, e são os mesmos sentimentos e comportamento por nós manifestados. Pena que nossa soberba não permita alinharmo-nos àqueles judeus e gentios à vergonha da cruz. 


A resistência ao Senhorio 
“E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia! Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte”. (Mt 26.64-66). 

Sacerdotes e escribas atormentados pela possibilidade de Jesus ser quem realmente afirmava ser, vociferam: É réu de morte! Há visível ira e descontrole nesse ambiente. A verdade de Cristo suscita ira dos homens, aos corações iníquos, sabemos disto. Eles desejam um cristo que não seja Senhor. Um cristo sem seu senhorio. Nada pode ser maior que o coração inconverso. Assim diz o coração ímpio: Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. (Is 14:14) Não pode existir Deus que seja Deus. 

Um cristo para entretenimento
Ora, quando Herodes viu a Jesus, alegrou-se muito; pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; e esperava ver algum sinal feito por ele; (Lc 23:8) 

Herodes, em sua soberba, estava interessado em Jesus circense, pentecostal, um cristo que se prestasse fazer-lhe sinais. Ao silêncio do Senhor, sobrevém o achincalhe, o deboche, ridicularizam-nO, vestindo-O de “manto aparatoso” (brilhoso ou transparente). (Lc 23.11). 

Em Herodes, o retrato de um Cristo humilhado com roupas transparentes ou brilhosas. Ridicularizando ao Senhor expressa sua disposição vil. A exposição de Deus aos caprichos insanos promovidos pelo poder secular. Como poderia um filho de satanás louvar o Senhor ou a Ele dar glória? 

Lemos que não encontraram crime algum, mas não perdem oportunidade de humilhar o Senhor da Glória. 

Quanto horror pode haver nas mentes de pessoas que estão (estiveram) frente ao Evangelho salvador e dele fizeram deboche, e agora estão na eternidade. 

O prazer do escárnio 
“Nada verifiquei contra ele dos crimes que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar.” Palavras de Pilatos, que sugere açoitá-lo para agrado dos algozes do Senhor. (Lc 23.14-15). 

Pilatos, por sua vez, não encontra crime algum, mas diz o texto: “nada contra ele se verificou digno de morte. Portanto, após castigá-lo soltá-lo-ei”. Não há crime, mas há poder suficiente para açoitá-lo. Não há em Pilatos motivos para respeito ou dar aas devidas glórias a Jesus. 

Em Pilatos, o descaso a um Cristo qualquer, sem honra. Um Cristo a ser usado, desrespeitado. E mais, em Mt. 27.24 pede água, para simbolizar que não carregaria culpa alguma sobre o que seria feito ao Senhor. São pessoas que vêem como santo, bom, mas não o defendem, não sofrem pelas ofensas feitas a Ele. Na verdade admiram, gostam, mas não conhecem o Senhor. 

Há um fato relevante Lc 23.12, Herodes e Pilatos reataram amizade sobre o escárnio de Cristo. 

Nossa cegueira não nos permite ver o que se passa no mundo religioso em nossa volta: O comércio do Senhor! 

Pilatos é um homem sem tempo para verdade (Jo 18.38). 

A multidão às cegas
Por fim temos a turba acéfala, – semelhante ao que hoje presenciamos: povo “da última vontade”, sempre aptos a seguirem o último vento. Como sempre, a multidão induzida, escancararia sua escolha: “Fora com este, solta-nos Barrabás” (Lc 23.18). Escolha de um homicida, nada mais assustador, e não menos natural: entre Deus e um homicida o ímpio SEMPRE escolherá ao homicida. 

Nosso amor equivocado não nos permite ver o que se passa dentro de nossa igreja: a escolha pelo mal! 


Estão aqui entre nós
Sacerdotes e escribas negando a divindade do Senhor, Herodes interessado em um cristo para entretenimento, Pilatos com seu cristo para desonra e o povo em sua ânsia pelo mal são o registro de cada coração, de cada sentimento… e para vergonha nossa isto é a nossa igreja. 

Sim, estamos frente ao nosso Deus! 
Assim, a igreja deste tempo tem marcado seu caráter e sua devoção ao engano.

A fidelidade eterna do Senhor

A abertura dos Evangelhos oferece-nos um cenário com uma nação dividida entre a acomodação política e a esperança religiosa, donde emanam mistos de sentimentos e expectativas, que se fundiam na vinda do Messias, o Cristo de Deus, para o povo de Israel.

Ora, estas coisas vos tenho dito para que, quando a hora chegar, vos recordeis de que eu vo-las disse. Não vo-las disse desde o princípio, porque eu estava convosco. (Jo 16.4)


O texto que lemos antecipa a mais profunda mudança jamais realizada. Na pequena Judéia Deus mostrará sua sabedoria e poder, seus efeitos se estenderão até aos confins do universo, e todas Suas criaturas contemplarão. O Senhor definirá o ponto central da história humana, de onde os demais eventos, cativos a ele, emergirão.

Parte do plano de Deus que estivera oculto será deslindado, cabendo a um grupo insignificante, de apenas 12 pessoas, iniciar e conduzir essa nova textura, transformando o mundo, as vidas, a cultura, os valores.

Rogo ao Senhor, que os fundamentos assentados permitam uma nova compreensão da vida que temos em Cristo Jesus, conheçamos mais de Deus, do seu plano, sua a graça, do nosso enganoso coração e o propósito de nossas vidas.

Perceber  o Senhor conduzindo todos os fatos, o privilégio da intimidade bendita, vê-Lo como Ele é, o Senhor da história. É nEle que depositamos nossas vidas, a Ele honra e louvor por todos os séculos.
Reafirmamos que toda a nação vivia a esperança e a inquietude da vinda de seu Messias prometido que traria a libertação e o consolo desejados.

Assim, pois, lancemos luz, acendamos nossas lâmpadas, há azeite suficiente para caminharmos em direção ao conhecimento do alto. Disponhamos nossos corações, clamemos ao Senhor para que a colheita seja farta.





A exclusividade do Messias
Começamos entrando em meio a história do povo judeu, à época do Senhor. Aspecto especialmente importante a respeito do Messias é sua relação exclusiva com a nação de Israel. Havia no seio da nação de Israel a expectativa da vinda do Messias, o ungido de Deus. Nenhuma outra nação debaixo do sol nutria essa esperança,  tal sentimento era exclusivo do povo de Israel, apenas este povo, pois, nenhum outro fora escolhido pelo Deus Altíssimo em aliança eterna:

“Assim diz o SENHOR, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre”. (Jr 31.35,36).

 Esta promessa dá-nos justificada certeza que Israel será sempre uma nação diante do Senhor. E declarações textuais do Mestre deixam-nos mais firmes quanto a exclusividade da vinda do Messias: “Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24). Deus se fez carne e veio para os seus, em cumprimento da aliança com Abrão.

A eternidade do Messias
Dentro deste relacionamento com Israel havia a convicção que o Messias de Deus, não abandonaria Israel, pelo contrário, seria seu libertador. Portanto, a morte do Messias era inaceitável. A redenção de Israel não ocorreria, caso seu Redentor morresse. Este sentimento estava sedimentado na mente e nos corações dos filhos de Abraão. Isto justifica a reação dos judeus no cap. 12 de João:

“Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre, e como dizes tu ser necessário que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem?”.

Eis os judeus ante o anúncio da morte do Senhor. Se Jesus era o Messias, e isto já o indicara por diversas vezes, sua morte estava em desacordo com a esperança nacional, não era esse o ensino repetido diariamente pelos doutores da Lei.
O servo sofredor descrito por Isaías (53), que experimentaria a morte, na complexa textura dos personagens proféticos não se sobrepunha ao Messias prometido. O Cristo de Deus não tinha princípio de dias, nem fim de existência, a nação não negociava sua eternidade, o Cristo permanece para sempre.
O anúncio de sua morte é a declaração de sua falsa messiandade.  Para aquele povo era a certeza da impossibilidade de Jesus ser o Cristo, o Messias.
A narrativa carregada de frustração e tristeza na estrada de Emaús, ante a morte de Jesus garante que os israelitas esperavam o Messias eterno, sem passar pela experiência da morte: “Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam.”
Assim, o Messias esperado não passaria pela morte e seria exclusivamente  para o povo de Israel. 

Mais azeite será consumido para mantermos acesas nossas lâmpadas, para contemplarmos a sabedoria do sempiterno Deus.


O Messias morre, e morre pelos seus amados 
Prosseguimos e chegamos ao cap. 13, onde se nos abre uma perspectiva completamente diferente: “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.” 
Estamos diante de um texto que nos arremessa ao interior de uma nova dimensão da verdade revelada. A exclusividade e eternidade do Messias estavam lançadas por terra. “Passar deste mundo para o Pai” implica em sua morte, mas, segundo a mente nacional do judeus, o Cristo de Israel não poderia morrer. E depois lemos:“Amados os seus que estavam no mundo”, a esperar Israel surgem os Amados. O Israel das Alianças, da esperança que não poderia ser esquecida, não fora citada no propósito da morte impossível do Messias. 
Toda a promessa em torno do Libertador  emoldurava-se de um cenário de triunfo eterno em favor dos filhos de Abraão, como a penha sob o martelo, esta esperança particular fora esmiuçada pelos verdadeiros e ternos desígnios e propósitos de Deus em Cristo, antes da fundação do mundo. Israel fora enganado em seu próprio orgulho e cegueira, esteve tão devotado aos rigores de sua Lei, não se apercebeu que fora visitada pelo Deus Emanuel.

Permitimo-nos, desta feita, entender melhor toda motivação e esforço realizado pelos líderes judeus em negar a ressurreição de Cristo. Em seu sepultamento Jesus precisaria ficar retido pela morte, essa nova dimensão do  Messias, os apavorava. A possibilidade da ressurreição do Senhor subverteria  toda a religiosidade praticada, toda extemporaneidade supérflua que caracteriza as doutrinas de fantoches que ainda hoje se multiplicam.

A fidelidade eterna de Deus
Descortinava-se, assim, a majestosa obra de Deus, o raiar do cumprimento da promessa feita ao seu servo Abraão: e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Mas é sempre bom lermos:

“Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes. Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!” (Rm 11.11,12).


Melhor ainda relermos:

“Assim diz o SENHOR, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre”. (Jr 31.35,36).


Há mistérios e desdobramentos que a história fará surgir como luz da manhã que brilhará mais e mais até ser dia perfeito, os planos do Altíssimo serão todos realizados.

A nova história
Continuemos, tiremos nossas sandálias, pois pisamos em terra santa. Os ensinos que vêm dos céus trazem o aroma de salvação, que são ladainha e cansaço para aqueles que, enganados, julgam-se sábios e de corações bondosos. Que o Senhor lhes conceda misericórdia; a nós discernimento, pois clamamos ao Santo Espírito que mantenha nossa luz acesa, conduzindo-nos por veredas santas, trazendo refrigério para mentes humildes e corações regenerados.

Cuidadosamente afirmamos que o anúncio da morte do Messias e a nova condição de Israel, serviram como plainas para prepararem o caminho do Senhor. Surgem perguntas: Com a morte de Messias e a substituição de Israel pelos amados, qual seria o novo plano e quem o realizaria?

O velho homem
O novo plano agora será conduzido de forma a cumprir a promessa de Deus feita a Abraão de abençoar todas as famílias da terra. Resta-nos saber, como será feito? Lembremos o que Senhor diz: Não há um justo, nenhum sequer; salmodiemos: Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Sl 49.7).

O fracasso de Israel sonorizado pelo profeta Isaías: 
“ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim”, 
dá-nos o caráter do homem diante de Deus. Deus com ninguém pode contar para glorificar seu nome. Ademais, as Escrituras registram a vergonhosa saga humana.

1. No Éden, Adão fracassou e o juízo trouxe a morte para todos, e a graça fez derramar o sangue inocente em favor de um casal;
2. Nos dias de Noé a maldade foi multiplicada e o juízo trouxe água sobre toda terra e a graça permitiu a adoração e fez derramar o sangue inocente em favor de uma família;
3. Na nação escolhida o Senhor foi rejeitado e o juízo trouxe cegueira para Israel e a graça fez derramar o sangue de Deus em favor dos crentes por toda a terra.

Não acredito, as palavras do Senhor não me deixam acreditar que a vinda de Seu Filho, sua morte e ressurreição, a monumental história da redenção humana, fosse entregue aos cuidados do homem do fracasso, do homem da mentira, do engano, que vive apenas pela superabundante graça de Deus.

Que homem em si seria capaz para sublime obra de glorificar o nome do Altíssimo?

Convido a todos a si avaliarem. 
1. Antes preciso alertar primeiro a mim e depois a cada um que aqui está.
2. Afastemos as nossas mentes do cântico das trevas que nos sugere a sabedoria que não temos;
3. da nossa bondade que se alimenta dos interesses pessoais;
4. da autonomia do mérito que sempre nos coloca acima das nuvens, quando 5. habitamos no pó vil da mediocridade cotidiana;
6. dos conselhos pérfidos que é dogma na assembléia dos santos.

Temos enganado a nós mesmos, pois supomos, ao contrário das Escrituras, que em nós habita algum bem, que decidimos os destinos e mudamos os decretos eternos do Senhor. Pelo contrário, temos ofertado nossa primogenitura em troca da ribalta do mundanismo religioso.
É urgente, precisamos nos perceber, estamos sem autoridade, sem voz para proclamar a santidade do Senhor; somos como mulas, não reconhecemos nosso dono.
Rasguemos nossas vestes, arrependamo-nos no pó e na cinza, subamos aos outeiros, aos montes, no alto das cidadelas e confessemos: Não somos confiáveis para tão sublime obra. Este é o brado de corações santos, a paz serena da convicção do conhecimento do Senhor: Não somos confiáveis para tão santa obra, choremos o choro  de João na desolação diante do livro do Cordeiro (Ap. 5.4). 
À parte do Santo concluo: Senhor, afasta-te de mim, pois sou pecador.

O novo homem
Se Israel não se apercebeu do Messias, e foi deixado de lado, se não há homem digno para conduzir o estandarte da glória de Deus, pois, em nós nada é confiável, então o que nos faz sentar nesta manhã para ouvir palavras e desafios celestes?

“Não vos deixarei órfãos”, são palavras vindas do céu, é o socorro para que possamos ouvir a verdade do Senhor. O sangue de Emanuel lavando nossas almas, levando nossas culpas e habitando em pecadores. Permitindo-nos, a inconfiáveis, a coparticipação da sua natureza. Enviando Seu Santo Espírito  que poderosamente move  nossa natureza em direção ao que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável. E nos sentamos aqui para ouvirmos  o sopro da vida: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”. A  eterna fidelidade de Deus nos chamou dos quatro cantos da terra, conforme prometera a Abraão. 

A promessa, como a suave brisa que refresca a alma, do longínquo Harã, atravessou mares, campinas, custou vidas – quantas vidas, até chegar aos nossos corações. Não sabíamos que a vida vivia, que os louvores cantavam, que a esperança não estava em nós, senão no santo de Deus, nosso Salvador Jesus. 
Ah! Por todo o universo ecoa a graça de Deus. É por ela que vivemos novas vidas, vidas de prazer no nome do Altíssimo.

A fidelidade eterna de Deus
O texto que lemos antecipa a mais profunda mudança jamais realizada.
A colheita dos frutos nos mostra que servimos ao Senhor da história, a Testemunha Fiel, que em Abraão estendeu seu braço terno e bondoso e acariciou-nos dizendo: Tu és meu.
Comemoremos o Senhor, multipliquemos as aleluias com corais santos façamos chegar nos céus nossas vozes: Só nosso Senhor é Deus.  

A Ele honra, glória e louvor para todo sempre.

A verdade e nada mais

o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade. Jo 16:13

Muitos são capazes de pronto afirmar a obra do Espírito: Convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo, decerto são bíblicas tais afirmações. Há outros que atribuem ao Espírito de Deus um repertório de ações tão circense – exorcizar condicionador de ar, passando pela ajuda a ocultar contrabando até o não embranquecer dos cabelos – que não é proposta minha considerá-lo. Mas acredito dentre esses dois grupos há distintiva ignorância quanto ao ministério do Espírito Santo.

Folgo em saber que muitos outros têm convicção que o Espírito veio para nos preparar para toda boa obra, para engrandecer o nome do Senhor por meio de  vidas. Assim, volto minha atenção para o ministério do Espírito de Deus e o propósito e testemunho da Igreja do Senhor.

Qualquer que seja a abordagem adotada concluirá que o Espírito realiza sua missão cativo às Escrituras, nada fará fora dela. 

A missão da Igreja do Senhor e o ministério do Espírito estão unidos e interdependentes. O testemunho da Igreja do Senhor, de certa forma, permite-nos perceber a ação do Espírito. Sabendo que Seu ministério não se realizará sem a instrumentalidade da Palavra, pois dela depende, logo o testemunho dos santos emergem das santas Letras pelo poder do Espírito .

Tudo Ele faz em nós pela Palavra, nos capacita à submissão, introduz-nos ao reino celeste, prepara-nos para pregação, constrange o pecador, levando-o ao arrependimento, e continuamente faz que aqui haja testemunhas vivas, cidadãos celestes prontos para glorificar Aquele que nos arregimentou.

Deu-nos nova disposição mental, alterou a vida que vivemos, construiu palavras que falamos, deu sentido à comunhão que desfrutamos.

Assim, em nossas escolhas, preferências e intenções haverá de brotar frutos da semeadura feita nos verdes campos das Escrituras. As verdades eternas feito luzes aluminarão o profundo de nossas almas a ponto de abominarmos nossos vis pensamentos e propósitos.

Os textos santos como a chuva serôdia trazem o cheiro agradável da nova estação:

“pois tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer” (Jo 15:15).

Amar as palavras vindas em zéfiros celestiais, palavras do Pai:

“sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo” (Fp 3:8).

O Espírito conduz a mente santa aos arredores da pátria celestial, onde multidões de vozes entoam louvores ao Senhor:

“E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos. Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? Pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos”.

Não posso ir além da verdade, nada mais quero que a verdade. Aceito as “perdas” que ela me impõe, pois sei que são incomparáveis os ganhos eternos, é o  sussurro do Espírito.

A Igreja ousa autonomia, quer além da verdade, mais que o Espírito. Trôpega, saiu à procura da última verdade, para não cair abraça-se  com o mundo… pobre igreja.

Não me permitirei aos estranhos ideais da sabedoria humana, aos discursos da lógica terrena, aos cansativos planos cristãos recheados da astúcia secular, muito menos à esperança estacionada nos corredores da ambição mensal. 


Espero no Senhor pelo Seu sempiterno socorro.

A Ele honra, louvor e glória eternamente.

O filho pródigo na perspectiva Dispensacional

A Parábola do Filho Pródigo. Apesar deste título não se encontrar nos textos sagrados, em nosso país, tornou-se tão popular que muitos lhe atribuem “canonicidade”, não sem lhe dar estranhos significados.

O estudo das parábolas bíblicas é um desafio para todo aquele, que com sinceridade, tenta perscrutar o propósito e o caráter de Deus revelado. A pormenorização, a simetria exaustiva e mesmo o distanciamento impõem riscos e restrições, que a ousadia do intérprete, em não os respeitar, pode levá-lo aos devaneios dos livres pensadores, indo além dos marcos fincados pelo Senhor.

Reconheço que a aplicação das verdades santas serve para todo propósito que há debaixo do sol. Quanto ao significado do texto, o que pairava sobre a mente do escritor no registro sagrado, sua pretensão ao seu destinatário, apenas um único significado foi intencionado. O desdobramento da história tem mostrado que apenas uma única verdade se confirma através do tempo.

Não intento polêmicas, e bem sei da impossibilidade de consenso, mas espero que as divergências sejam feitas após a avaliação criteriosa do texto e venham para o engrandecimento do nosso Deus.

Oro ao Santo para que durante esta caminhada conduza nossas mentes e nossos corações cativos a Cristo.

Antes de considerarmos a parábola é preciso desqualificar o ensino que tenta acomodar às Escrituras a possibilidade de unir luz às trevas; Deus as separou eternamente, mas o homem insiste nessa recriação insana. Falo do uso desta parábola para fundamentar a sombria “doutrina do desviado”, saída do humanismo teológico, tenta justificar-se nesta passagem, ousando acomodar nos braços santos do Senhor o pecador impenitente. Vil tentativa encontrada por pais, pastores, amigos, cônjuges que tentam justificar aqueles que permanecem em trevas, porém “um dia aceitaram” Cristo. Foi-lhes estendida a proteção pentecostal da “doutrina do desviado. Sem base bíblica, e contando ainda, com inúmeros textos em contrário, os versos a seguir são suficientes para nos convencer que tal interpretação é antibíblica.

Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8:30-32)

Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. (Jo 8:34)

Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; (1 Jo 2:4)

Quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo. Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus. 1 Jo 3:8-9


O PLANO DE FUNDO DA HISTÓRIA HUMANA

Tomemos por pano de fundo a promessa de Deus feita a Abrão expressa em Gn 12:1-3.

Ora, o Senhor disse a Abrão:. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Dela, a Aliança feita com Abrão, atribuir-mos três dimensões :


1) Pessoal. “abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu”;
2) Nacional. “Eu farei de ti uma grande nação”;
3) Universal. “e em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

Temos, portanto um painel de motivações e compromissos divinos conduzindo a história humana. Toda a perspectiva Dispensacional repousa sobre o pilar do cumprimento literal da Aliança Abraâmica com seus desdobramentos, da Terra e do Reino para Israel, assim temos os pressupostos desta análise.



O CONTEXTO ANTERIOR E UNIDADE DAS PARÁBOLAS

A idéia que subjaz às parábolas da ovelha perdida e a moeda perdida, falam claramente sobre arrependimento. vv. 7,10, e mantendo o tema do resgate de pecadores.
As parábolas anteriores, ainda sustentam que o perdido é parte de um todo que está incompleto, que ao ser encontrado estabelece sua completude.
É lógico, porém não obrigatório, que a parábola em questão preservasse as idéias desenvolvidas no contexto anterior. Mais reforçam os motivos para aceitar tal possibilidade, quando escritor no v. 11 faz uso da transição, “Continuou” (RA); “E disse” (RC).

OS OUVINTES E SEUS SENTIMENTOS

O público que ouvia o Mestre era constituído de publicanos e pecadores, escribas e fariseus. É textual, vv. 1,2, que os escribas e fariseus consideravam-se à parte da realidade dos pecadores. Há outras passagens que registram esse sentimento, a oração do fariseu Lc 18.10. Na religiosidade dos fariseus está presente superioridade frente a outros grupos da cultura judaica. Isto também é verdadeiro ao se tratar de outros povos, conforme podemos ler em Jo 18:28, onde religiosos judeus não entraram no pretório, ambiente de gentios, pois caso o fizessem seriam contaminados. Esta mesma idéia está presente no livro de Atos; quando Pedro é convencido pelo Senhor a mudar de idéia a respeito dos gentios; os gentios representavam animais imundos segundo a imagem mental do Apóstolo.
Temos bases bíblicas para afirmar que Jesus falava para os judeus que consideravam os gentios como imundos.

Ao chegarmos ao final algumas perguntas precisarão ter respostas:
1. Qual o ensino geral da parábola?
2. Quem são prefigurados nos dois irmãos e no pai?

O FILHO MAIS MOÇO

A descrição feita por Cristo do filho mais moço fornece aos seus ouvintes a convicção que se tratava de um não judeu, pois estava em desacordo aos valores defendidos pelos judeus e fariseus ali presentes. “Guardar porcos e comer as alfarrobas (comida dos porcos)”. O cenário proporciona aos ouvintes a condição para estabelecer que aquele filho não se tratava de um judeu semelhante aos ouvintes. O fato de citar terra longínqua define que o cenário é além das fronteiras da Judéia. A devassidão detalhada associada ao mais moço afasta completamente a possibilidade de referenciar a qualquer dos fariseus.

Há demais detalhes, mas o v. 18,21 nos interessa o arrependimento e a confissão de pecados, “Pequei contra ti”. Isto faz com esta parábola garanta a unidade com as duas anteriores, trazendo a lume o mesmo ensino sobre arrependimento. E definitivamente qualifica o filho mais moço como um não fariseu. As ilustrações descritas a partir v. 22 servem para lançar luz sobre todo o restante da parábola:

1. VESTI-O.

A idéia de trajes está ligada a Justificação, o despir da justiça pessoal, as vestes anteriores, e vestir-se com a justiça de Deus, novas vestes. Conforme Ap 19:8 e foi-lhe permitido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; pois o linho fino são as obras justas dos santos. Comp. com sacerdote Josué (Zc 3.1 ss);Adão e Eva (Gn 3.21).

2. PONDE-LHE UM ANEL
Sinal de autoridade e confiança. José que saiu da masmorra e foi elevado a condição de representante do Rei (Faraó com José, Gn 41.42); Assuero com Hamã (Et 8.2).

3. SANDÁLIAS NOS PÉS

Todos que ouviam a parábola sabiam que a falta de sandálias era a condição própria dos escravos, assim, temos a insinuação de que aquele escravo  passara à condição de filho.

4. REGENERAÇÃO OU NOVO NASCIMENTO
No v. 24 temos a confirmação que o Senhor introduz uma perspectiva estranha aos ouvidos e mentes daqueles homens. “porque este meu filho estava morto e reviveu”. (Ef 2.8). Este mesmo ensino não fora compreendido por Nicodemos em Jo 3.


O FILHO MAIS VELHO

A partir deste ponto, v. 25.

Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.

1. SUA DISPERSÃO TEMPORÁRIA


O local onde estivera o filho mais velho: CAMPO.

Nosso Senhor (Mt 13.30 – Parábola do Joio e do trigo) ensina o campo é o mundo. Isto está de acordo com a proficia:

“Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos (Ne 1:8).

 

2. SUA CONDUTA

DESCONHECIMENTO DOS FATOS OCORRIDOS.

Israel, o Filho mais velho hoje, não considera, nem reconhece a nossa adoção em Cristo Jesus, tal situação, está oculta aos seus olhos, veja. Lc 19.42, quando o Senhor falou a respeito de si mesmo a Jerusalém.

“E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo.” (vv. 27 e 28)

CIÚMES.


Não podemos considerar nenhum outro sentimento, pois o filho reclama da atenção dada pelo pai ao filho mais novo. Que está de acordo com: “Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes.”. Mais: A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus; com seus ídolos me provocaram à ira; portanto, eu os provocarei a zelos com aquele que não é povo; com louca nação os despertarei à ir”a. Dt 32:21

NÃO ACEITA PARTICIPAR DA FESTA oferecida ao mais moço. Assim se apresenta o quadro atual de Israel em relação ao convite do evangelho, em REBELDIA não aceita sua participação na Igreja de Cristo, a festa dos gentios.

3. A VIDA SOB LEI

No v. 29, não entendendo a expressão exata GRAÇA de Deus, o mais velho baseando-se na relação de obediência do seu entendimento da Lei, questiona o pai por haver tratado o mais moço daquela forma e apresenta sua obediência como mérito diante do pai: “Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua”. Somente o povo de Israel poderia se apoiar na obediência com fundamento de justificação. 

4. REJEIÇÃO DA SALVAÇÃO DOS GENTIOS

O v. 30 nos mostra uma chave preciosa para crermos que os filhos são Israel (o mais velho) e a Igreja, os gentios (o mais moço). O filho mais velho usa “esse teu filho” e não “esse meu irmão”. (Ef 2.11-12).

5. A ETERNA FIDELIDADE DE DEUS PARA COM ISRAEL

No v. 31, “Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu”. Que está de acordo com: “Lembra-te destas coisas, ó Jacó, ó Israel, porquanto és meu servo! Eu te formei, tu és meu servo, ó Israel; não me esquecerei de ti. (Isaías 44:21)”



CONCLUSÃO

A parábola ensina que o Senhor preanunciava a salvação dos gentios de acordo com: “Sim, diz ele: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te porei para luz das nações, para seres a minha salvação até a extremidade da terra”. Is 49:6. Mas apresentava-a de forma diferente do proselitismo judaico.

O filho mais moço, impuro aos fariseus, que esteve pelo mundo desperdiçando as riquezas (graça) do Pai, que pelo arrependimento conhece o amor redentor são os gentios, publicanos e pecadores da Igreja do Senhor;

O filho mais velho que ousa viver pela lei, e que não aceita o irmão mais novo é a nação de Israel, a quem o Senhor despertou ciúmes.

A Igreja dos Gentios e a nação de Israel e a figura do pai, o nosso Deus Triuno, que cumpre no presente momento a promessa feita a Abraão trazendo bênção a famílias por toda a terra.
A Ele honra, louvor e glória eternamente.

Que sinal há nos céus?

Então chegaram a ele os fariseus e os saduceus e, para o experimentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas ele respondeu, e disse-lhes: Ao cair da tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se. (Mt 16.1-4).

O relato bíblico envolve dois grupos distintos e com diferenças fundamentais. De um lado os fariseus, profundamente religiosos e observadores da Lei, a despeito de suas crenças estarem carcomidas pela tradição; sentiam-se defensores únicos do Deus de Israel. Já os saduceus eram religiosos oportunistas, seculares em seus interesses, adicionavam e extirpavam verdades da Torá para adaptá-las às crendices contextuais. Inconciliáveis no campo doutrinário estão juntos para confrontar o Mestre. Ao pedirem sinais do céu legitimam-se como defensores dos interesses de Deus. Sinais dos céus foram marcas que autenticaram muitos dos homens enviados da parte do Deus de Israel. Portam-se assim como a instância final da verdade religiosa.


Cristo atribui aos seus inquiridores a capacidade de antever o comportamento da natureza pelo simples olhar ao céu e perceber a aparência do tempo, assim sabiam como seria o amanhã. Nosso Senhor compara tal capacidade a aquela necessária para perceber o momento vivido por aqueles homens. Quais sinais eles desejavam? Todos os sinais haviam sido dados, e estavam diante do Cristo de Deus. Alimentou multidões com poucos pães e peixes, curou cegos, coxos, expulsou demônios, foram inúmeros os sinais. Todos os sinais necessários haviam sido feitos! O Senhor rejeita tal necessidade, pois entende que eles não se davam ao convencimento.

Qual o motivo pelo qual não perceberam o momento em que viviam? O mundo não se curvou ante seus pressupostos religiosos, não atentaram que sua percepção estava embotada. A disposição mental daquela geração a condenou: uma geração má (culpada) e adúltera. Nosso Senhor disse: Receberá apenas o sinal de Jonas. O que para os Judeus representou que o tempo passou sem que se apercebessem da graça do Senhor; não apalparam o verbo da vida. Deixando-os, retirou-se deles. Perderam o “tempo” de suas vidas.
A despeito dos desígnios do Altíssimo, aquela geração é culpada. Estavam atentos apenas para as verdades cotidianas, para suas tradições e convicções religiosas que não lhes permitiram reconhecer o seu Rei.

Estamos às portas da chegada do Noivo, sabemos do momento em que vivemos, ou estamos olhando para o céu apenas em busca de sabermos como será o dia de amanhã?

Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

Santificação. Simples, não?

“… Não julgais vós os que estão dentro?” (I Coríntios 5:12)

Há uma doutrina que ao ser ensinada na igreja, pela sua praticidade, produz interesse imediato, Disciplina Eclesiástica. Dependendo do governo adotado e da disposição em santificar-se, a Igreja submete-a de pronto a testes com os mais diversos exemplos. Muitos deles impensáveis. É desafiador e, ao mesmo tempo, edificante discorrer sobre o que o Senhor autorizou e como fazê-lo para preservar Seu nome e Seu povo. Como as demais, a Disciplina Eclesiástica se fundamenta na revelação objetiva do Triuno Deus.

Aprende-se que é prerrogativa exclusiva da Igreja local. E que deverá ser feita para exaltação do Senhor, como tudo que deveriam fazer os santos. Entendo ser este aspecto um grande facilitador de sua prática. Basta aos envolvidos decisões que engrandeçam ao Altíssimo, por sua vez, isto nos santificará. Simples, não?

Alerta, ainda, que o caminho do amor é obrigatório. Todos os irmãos, em amor, cuidarão do caso. Como o amor não se regozija na injustiça e sim na verdade, a aplicação criteriosa do amor não poderá contrariar a verdade. Simples, não?

Ponto central, a eficácia da Disciplina não pode ser entendida apenas sob a ótica daquilo que será aplicado na correção do irmão – sob disciplina. Ou seja, se o amado retornará ou não ao seio da comunhão. Muito menos temer, pois poderíamos ter cometido a mesma transgressão. Antes, devem todos aplicar a verdade. Plantamos e regamos, mas o crescimento virá do Alto, para o louvor de Sua glória.

Quanto ao rigor da pena, leiamos Hebreus: “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos”. É a oportunidade, infelizmente pela circunstância, de evidenciarmos o cuidado e o amor de Deus sobre um dos Seus. Simples, não?

Aprendida as verdades, a igreja segue sua vida na esperança que não seja necessária a prática doutrinária. Mas ela virá. Quando exigida, espera-se observar o tributo ao Senhor. Fruto de lábios e mentes cativas ao conhecimento da verdade aprendida. Simples, não?

O que vemos? O caminho iniciado é percorrido com um amor entrecortado de sentimentos e disposições naturais. Um estranho amor. Chegam a soluções, com base nesse amor, onde o pecador não é constrangido a abandonar seus caminhos de torpeza. Contraditoriamente, são rejeitados os conselhos eternos do Juiz de toda a terra. A sua citação suscita descontentamento. Vejo que não é simples.

O culto, que deveria engrandecer a Deus e oferecer ao pecador uma oportunidade de reconciliação com o Senhor, é transformado em sessão de tortura, com acusações e defesas sem a Palavra. Não há sofrimento com pecador (às vezes nem nele há), mas sim defesa (pelo menos minimização) de sua conduta.
É, vejo que não é simples.

Chega-se ao veredicto, defini-se o meio de santificação proposto pelo Senhor(?). Todos saem como se nada houvesse ocorrido. Não se dão conta de que acabaram de executar a sentença de Deus sobre o pecado. Os sentimentos, intenções e propósitos da igreja, todos estão dissociados de Deus. Há um alívio administrativo pairando entre sorrisos e abraços. O temor dos santos foi saiu do carimbo da secretaria.

E somos o mesmo corpo. Tenho convicção, não é nada simples.

Como poderá a Igreja do Senhor se santificar? Se não é capaz de julgar os de dentro? Como?

Só o Senhor em Sua infinita sabedoria e bondade nos capacitará.

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.