Dons de Línguas em 1 Coríntios

AS CIRCUNSTÂNCIAS 

Paulo não se encontra na Igreja de Corinto (1 Co 5.3); obtém informações sobre as desordens que ocorriam na Igreja (11.18,33-34; 14.40). 
Está diante de um grande dilema: São dons de Deus ou pura carnalidade?
Pois, tem experiência a respeito do dom (At 19), e conhece também a realidade da Igreja (1.4-7, 11, 16, 26), que bem poderia expressar “dons” não vindos do Senhor (1 Co 12.1-3)
Assim, em sua resposta, não poderia proibir a prática do dom, por outro lado, pelos resultados – desordens, sabia que deveria interromper tais “manifestações”. 
Logo, devemos ler os textos de 1 Coríntios sobre tal enfoque: Paulo não questiona a existência do dom, contudo, o mantém associado aos ensinos do Livro de Atos. 
Assim, os capítulo de 12 a 14 contém instruções para que a Igreja em Corinto (1) possa validar as expressões e (2) e ponha em bom termo uso do dom. Era, pois, necessário a inibir os falsos dons (carnalidade), mas, ainda assim, conceder a liberdade de exercê-los. Tudo para restabelecer a ordem nas reuniões (11.34; 14.33, 40).
É importante rejeitar a sugestão (quase um devaneio) da existência de um dom de línguas no livro da Atos e “outro dom de línguas” no Livro de 1 Corinto.

O LIVRO DE ATOS E O DOM DE LÍNGUAS 

É adequado consolidar quais os ensinos que podem ser obtidos pelas experiências vividas com a vinda do Espírito e o dom de línguas. Não podemos esquecer que o evento principal foi a vinda do Espírito, sendo o dom apenas sua expressão.

O QUE FOI

Um sinal para os crentes judeus; 
O sinal da vinda do Espírito Santo prometido pelo Pai;
Percepção que incluiria além de judeus, também os gentios como povo de Deus  O Evangelho chegaria aos confins da terra. 

O QUE NÃO FOI

Não foi utilizado para evangelismo, ensino ou adoração; não foi concedido em resposta a pedido de oração ou algum tipo de consagração; não se repetiu. Ocorreu em grupos distintos: Judeus e prosélitos, samaritanos, Gentios, discípulos de João Batista. Não há indícios do dom ser manifestado repetidas vezes no Livro de Atos, mas que ocorreu apenas indicar que determinado grupo experimentava o ocorrido com os judeus crentes (At 2).

O ENCHIMENTO DO ESPÍRITO

As passagens em que claramente houve a manifestação do dom de línguas, temos que ficaram cheios do Espírito (2.4), mas as duas outras ocorrências não ocorrem o enchimento do Espírito (10.44-45) e (19.6). Assim, não é correto afirmar que o falar em línguas é uma expressão do enchimento do Espírito.  

I CORINTIOS CAP. 12

Paulo reafirma a veracidade e variedade de dons, mas estabelece um padrão:
(1) São úteis (1 Co 12.7);
(2) Edificação do corpo de Cristo – cuidado e unidade (1 Co 12.25),
(3) Servir aos outros e não para si mesmo (1 Co 12.28).

I CORINTIOS CAP. 13

Deve-se observar que o Apóstolo escreveu este capítulo para fundamentar e qualificar a prática da comunhão. A observação do amor, que em linhas gerais seria servir ao outro, dá sentido à comunhão, edificação do corpo… ao efetivo uso dos dons.

I CORINTIOS CAP. 14

Ao chegarmos neste capítulo devemos resgatar o que “aprendemos” no Livro de Atos.
As “LÍNGUAS” do Livro de Atos são idiomas (meramente humanos) e são confirmadas pelas orientações do Apóstolo. Verifique o que é dito:
Deveriam ser Palavras inteligíveis (9); existem NO MUNDO. Cita ainda o termo estrangeiro ou bárbaro (10-11, 18-19). E exige que as palavras devessem ter “entendimento” (16).

A “INTERPRETAÇÃO”

No Livro de Atos, o termo Interpretação não pode, nem poderia significar tradução. Na vinda do Espírito Santo, e a manifestação do dom, Pedro é questionado pelos “estrangeiros” que estavam em Jerusalém (At 2.7, 13), pois, ouviam aqueles nativos falarem em seus idiomas, sim, eles entendiam em suas próprias línguas nativas. Pedro, óbvio não precisaria traduzir, ele simplesmente deu “sentido ou significado” ao fato, associando-o à promessa do Pai. Traduzir negaria a natureza do dom. E, novamente ocorreu em Atos 11, quando no questionamento de sua ida à casa de Cornélio. Assim, devemos reafirmar que o dom de interpretação não é dom de tradução. Paulo não se utiliza da palavra tradução para se referir ao dom.  

EXIGÊNCIAS PARA PRÁTICA DO DOM DE LÍNGUAS

A carta exige o dom de interpretação (não é tradutor!!!); exige que haja edificação da Igreja (12-13), assim, sem interpretação o dom não deve ser manifestado, deveria a pessoa ficar calada (27, 28).
Objeta-se o caso de 1 Co 14.2. onde está escrito que falar em línguas, fala em mistérios, fala a Deus. Deve-se utilizar das orientações: Sem intérprete os mistérios não são de importância para Igreja… ficar calado. 
Afirmam outros que Paulo tinha o dom (14.18). 
Mesmo que o Apóstolo afirme sua capacidade, não há registro desse uso. E se a mente ficava infrutífera (14.14), Paulo preferia não o utilizar (14.19). É possível que Paulo utilizasse seu conhecimento e sua experiência para afirmar a falta de propósito do dom para uso contínuo na Igreja. Pois logo depois alerta para NÃO SERMOS MENINOS (14.20).

DEIXANDO A MENINICE… SÃO OU NÃO PARA OS INFIÉIS?

Paulo utiliza-se de uma profecia de Isaías para afirmar que as línguas, SIM, são para os infiéis (22), logo depois afirma que as línguas NÃO são para os infiéis (23). A exortação em direção à maturidade é entender que o dom nos planos de Deus visa a Israel, e que seu propósito. Que falará por meio de outros povos, e mesmo assim Israel não ouvirá o Senhor. contudo quando a igreja se reunir… falar em línguas soará como loucura. Pois o propósito para Igreja já se consumou… lá no Livro de Atos.

CONCLUSÃO 

O dom de línguas é real e concedido por Deus, trata-se de idiomas conhecidos, falado pelos povos da terra;
Foi dado como um sinal para os primeiros crentes, saídos do judaísmo, conforme a promessa do Pai; o que exigiu relacionar a manifestação à profecia (interpretação);
Portanto, o dom de línguas sem relacionar-se com o corpo das profecias, seria destituído de interesse para igreja, portanto deveria ser rejeitado. As línguas atuam e atuarão no plano das profecias – Missões (Mc 16.17) como um instrumento contra os judeus infiéis, pois mesmo assim não ouvirão o Senhor (1 Co 14.21). 

Essa estranha esperança evangélica


Quando raciocinamos levando em conta a linha do tempo é impossível desconsiderar-se a relação que há entre a esperança e o futuro. Assim, obrigados estamos de associar esperança ao futuro.

Muitos desprezam a tese com argumentos infantis, outros fazem uso de sofismas bem elaborados na tentativa de romper os grilhões que unem a esperança e o amanhã. Não se apercebem que tentam lançar a fé no espaço vazio, subtraindo-lhe a espiritualidade exigida por ela (esperança).

Esses, estranhamente, rejeitam o imbricado que há na Salvação e na Escatologia, aproximam-se dos defensores da fé católica romana, um conjunto de palavras sem sentido, esperança sem esperança, apenas fraseologia… e vazio interior.

Tenho o privilégio de conhecer crentes, servos do Senhor, com evidência de salvação sem  possuírem, ou não terem clareza quanto ao plano de Deus para humanidade. Desconversam garantindo que é coisa de somenos, fincam a esperança apenas para o momento presente. 

Acho que assim negligenciam a verdadeira esperança da salvação, pois não permitem o que Deus tem reservado para aqueles a quem ama.

Ao defenderem essa posição, esquecem-se da impossibilidade de dissecar o tempo ao ponto de sabermos quando começou o futuro, e em que ponto estamos dentro da história divina. Colocam no presente todo o esforço e esperança (que é espiritual) do cristianismo. Roubam do cristianismo o tempo futuro. Almejam isolarem-se mentalmente do porvir. Desvinculam-se da história ainda a ser cumprida pela Igreja, pelas nações do mundo; de certa forma, mesmo crendo na soberania de Deus, não perscrutam os planos do Senhor, excluem a esperança do domínio de Deus… e  isso é muito estranho.

Ao olharmos o cenário evangélico, quase nada se lê a respeito da vinda do Senhor, quase não se ouve, de púlpitos inflamados, o anunciar do tempo que vivemos, da iminência de sua vinda (muitos chamam até de “volta”). Vive-se como se o Senhor não estivesse às portas, convive-se com uma esperança desvinculada dos planos de Deus.  

Uma pergunta urge: O que é essa esperança?

Já que ela não alcança o futuro, não se relaciona com a eternidade, seria ela uma “força especial” para conquistas sociais, econômicas, acadêmicas ou políticas para o presente século em que vivemos e nada mais?

Se assim for, essa disposição mental não tem seus frutos provindo das Escrituras, pelo contrário dela saem mensagens que servem de guia para nossa esperança.

Orienta-nos sobre a necessidade de confiança e discernimento em Sua vinda

E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda. (1 Jo 2:28)


Sobre o caráter cristão a ser evidenciado até sua vinda.

Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor.  (Tg 5:7)

Sobre as recompensas que haverá em Sua vinda

Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.( 2Tm 4:8)

Sobre sua vinda ser para vivos e mortos

Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. (1Ts 4:15)


E por fim, esclarece-nos sobre a natureza de nossa (cristã) esperança.
Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, (Fp 3:20)

Com é estranha e externa às Escrituras o que temos visto sobre a esperança evangélica!!!!

Quem és tu Senhor?

OS céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

Após dias cooperando com um pastor amigo na cidade de Jutaí. Chegou a hora de voltar para casa. De barco, teria a frente três dias descendo o rio – os rios, pois seriam vários. Tempo suficiente para conhecer cidades ribeirinhas, os povos etc. Acomodado em uma rede, o fraco vento, mesmo quente, trazia algum refrigério. No porão, madeiras, tambores, caixas e mais caixas e um fusca. Além de algumas redes armadas. Maior calor ainda, e muito barulho. Soube que ali era mais em conta.

Partimos percorrendo os rios que descem em meio as matas. Depois de muitas horas, ao longe, surgia um porto, e lá parávamos. Logo desciam e subiam pessoas, surgiam  vendedores, de picolé até corda para amarrar as redes. Logo depois, voltávamos a navegar e soava o barulho das águas sendo cortadas pela embarcação. 

Havia turistas estrangeiros, índios, comerciantes, aventureiros e outros. E entre esses, alguns se diferenciavam por trazerem consigo uma Bíblia. Isto, depois de salvo, sempre me despertou atenção. As conversas eram inevitáveis, nem todos falavam, mas sempre ouviam.
À noite, contemplava o céu, estava escrito: ”Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?”. Quanta bondade, quanto amor por um miserável. Só o Senhor é Deus.


Um jovem me viu lendo, identificou-se como missionário, aproximou-se para conversar. Contou-me que vinha de uma cidade acima – antes – de Jutaí. E o que havia realizado lá em nome de Deus. Antes de entrar nos detalhes de sua obra, elogiei-lhe o destemor de sair de Manaus para um lugar tão distante. Mais surpreso fiquei ao ouvir que “estava pela fé”. Dediquei-lhe maior atenção ainda. Falou-me de como havia libertado muitas pessoas das garras de satanás; como saía de casa em casa ministrando palavras de poder, tudo em nome do Senhor. Sua estada naquela cidade fora uma bênção, segundo ele.
A cada relato, ele ficava mais forte em suas convicções e de sua importância para o reino. Passou para outros assuntos, ele acreditava em perda de salvação, em desviados, em crentes possessos. Por fim, em seus dons, falou da não necessidade do estudo da Palavra.
Passei-lhe a pedir base bíblica para seu fervor. Retornava com versículos inapropriados, faltava-lhe compreensão básica do cristianismo bíblico. Mesmo assim, mantinha-se firme em sua fé. Ao mencionar a respeito do poder de Deus para salvar quem Ele desejar, ele riu para mim e perguntou: Quer dizer que o homem não pode resistir a Deus? Aquiesci que não. Respondeu-me: Não creio assim. Li o texto de Atos que é utilizado, equivocadamente, na defesa desta posição. Expliquei-lhe, mas não arredou de sua posição.

Como última tentativa, mostrei-lhe II Pedro 2 : 11, onde descreve a superioridade de anjos sobre os humanos. Por fim, aceitou. Prossegui, se o homem sendo menor que satanás pode resistir a Deus, satanás, por sua vez, poderá resisti-Lo muito mais. E concluí: Estaria destruída toda a obra da salvação, todas as promessas, interrompida a vitória da cruz, no sangue do Senhor não há poder algum. Olhou para mim e, um pouco confuso, um pouco irritado, falou: Eu prego o que acredito.
Em sua experiência religiosa, ele expulsando satanás e resistindo a Deus, sobrava-lhe senhorio. Aquele Deus que lhe apresentara não cabia em sua fé, desestabilizava-a, portanto deveria ser rejeitado. Não mais retornou, continuou firme na sua fé.
Quando chegava à noite, sob estrelas, no céu estava escrito: Meu Deus é o Senhor.
Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz. (Sl 19.3)
A Ele honra, glória e louvor de eternidade a aternidade.
 

Apostasia, graças a Deus – III

Apostasia, graças a Deus


Nesta parte descrevo como o sistema apóstata abriu os flancos do Cristianismo e perpetrou sua engenhosa desmontagem das verdades bíblicas.

Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; (Cl 2.8,9)


A formação dos mercadores 
Lemos anteriormente que a rejeição do método de interpretação bíblica deu início à formação de todo o sistema apóstata. Com isso, operou-se um grande benefício em favor do segmento acadêmico da apostasia. O tempo para formação de pastores e professores – multiplicadores – passou a ser determinado pelo período de conhecimento dos caminhos, sempre tortuosos, do aumento da receita da igreja – e da sua própria. A astúcia comercial substituiu a espiritualidade e esforço acadêmico.

Luta franca contra o Cristianismo
A meditação necessária na análise dos textos sagrados foi superada pela interpretação secular. Pastores e professores apóstatas debruçaram-se sobre as Escrituras, alimentados pelos rudimentos do mundo – psicologia, sociologia, filosofia etc. – extrairam significados nunca antes “percebidos”. Dos suntuosos púlpitos aos corredores, uníssonos proclamavam a declaração de rompimento com o Cristianismo Bíblico: doutrina é coisa de homem; eleição é heresia; fé não se discute; ninguém pode julgar; apenas o Espírito (?) confere a verdade. Assim, foram apresentadas suas armas para luta. Luta, sim, contra a fé que, de uma vez por todas, foi entregue aos santos. Consumou-se o cenário, que iniciado no seio do cristianismo, apoderou-se dele, para, por fim, substituí-lo completamente. Começava asim a história de outro cristianismo.

Rejeição aos Santos
Novo Testamento
A partir da introdução de novos conceitos de interpretação – ou mesmo pela ausência deles – o sistema apóstata aprofundou seu distanciamento do Cristianismo bíblico. Rejeitou a perspectiva dos escritores neotestamentários, estabeleceu sua nova visão. Apedrejou os eleitos de Deus; homens que viveram e aprenderam do próprio Mestre. Revelação, Inspiração, Preservação, Iluminação, santas doutrinas que ensinam a profundidade e poder de Deus em levar sua vontade até os confins da terra foram lançadas aos cães.

A Palavra que atravessou séculos alimentando milhões de santos perdeu sua suficiência, sendo necessário ser completada por escritos de homens. A verdade revelada pelo Filho passou a receber adições, ora do espírito – da apostasia -, ora da constante atualização das doutrinas humanistas. As crendices e superstições alcançaram lugar de projeção em meio às novas verdades.

O Cordeiro de Deus perdeu sua suficiência, saindo um Cristo transfigurado para atender aos anseios do homem moderno. Com sua túnica – sem costuras –, ensinando os caminhos da saúde, poder e prosperidade.

Reconceituado o Novo Testamento, com as adições necessárias, mais uma vez surgiram antigas sendas do catolicismo romano, e a autoridade das Escrituras passou para mãos dos homens.

“AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (I João 4:1).



Rejeição aos Santos
Velho Testamento
O testemunho dos escritores neotestamentários – em maioria judia – a respeito do Velho Testamento é o maior legado literário para compreensão da história do povo hebreu. Conhecedores e praticantes da Lei, sob a orientação do Espírito Santo, esses escritores entenderem que a sua história se desenrolara dentro do programa de Deus, fora envolvida em grande simbologia.


Todos os fatos descritos pelos santos profetas, na verdade, projetavam para uma realidade consumada em Cristo. O templo, o sacerdócio, os sacrifícios, as festas foram símbolos cujo significado real foi revelado em Cristo. Sob esta visão, os escritores sagrados recorriam às passagens da Antiga Aliança permitindo aos leitores de todas as épocas, a compreensão correta dos eventos ali registrados. Construíram um arcabouço de valores e significados judaicos inquestionáveis para a Igreja Cristã de todas as épocas. De tal sorte, que santos de todas as eras se apropriaram da importância e do uso harmônico de ambos Testamentos. Como um escriba instruído que tira coisas novas e velhas do infinito tesouro. Sabendo estabelecer a distinção entre as duas instituições divinas, Israel e Igreja no programa de Deus.


Não há uma única linha nos escritos do Novo Testamento que sugira que a Igreja será abençoada com as promessas que foram feitas para Israel. Esta verdade comprometia a sustentação apóstata. Santidade sem barganhas financeiras estava em completo desacordo com a proclamação e a mente do sistema. Apenas heréticos e visionários postulavam que a Igreja receberia a terra e as promessas de Israel.  E foi este o caminho adotado.


A voracidade pastoral necessitava de argumentos mais próximos e adequados aos novos propósitos da igreja. A questão é de negócio – pragmática -, não teológica. Assim, foi necessário adotar um sistema de verdades que apoiasse um discurso voltado para enriquecimento, prestígio e poder. Desta feita foi abandonada a visão de Deus registrada pelos seus santos profetas e apóstolos.

Roubando Israel
Dotados de uma nova visão. O próximo passo foi descobrir um modelo bíblico que se ajustasse aos propósitos seculares da igreja. Pouco esforço precisou ser feito para lograrem êxito. As promessas de Deus para as conquistas de Israel deveriam ser usurpadas e colocadas no coração da igreja. Israel com suas promessas não consumadas seria redimido por meio da igreja. A despeito da violência acadêmica envolvida, esta falácia criou corpo e passou a ser a base de todo sucesso alcançado.

A nação de Israel, objeto das promessas de Deus, foi trazida para dentro dos templos. As promessas que lhe pertenciam, passaram a ser da igreja. Repetia-se a velha ladainha católica com a figura do papa como vigário, substituto de Deus neste mundo. A versão apóstata recuperou os elementos católicos e, além de seu enriquecimento, estendeu aos demais. A igreja – com todos seus representantes- era a voz do Senhor para todos os homens. 

Ser Israel com suas promessas passou a ser razão de ser da vida apóstata. Tomar posse da terra movimenta vida da apostasia missionária. Tomar posse da terra alimenta a carnavalesca Marcha para Jesus ou Brasil para Jesus.

“Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.” (João 17:9)


Coerente com seus anseios de enriquecimento e projeção pessoal, a ordem apóstata colocou-se acima de todos esses fatos, e, em êxtase, se apropriou de todas as promessas terrenas de Israel. Repetiram o Concílio de Trento, reabriram o Cânon e se apropriaram do nome de Israel. Sem história, sem escritos, o escriba da aspostasia subscreveu “OUTRA ESCRITURA”, fonte de águas por onde navega a nau da imoralidade dogmática que caracteriza o sistema apóstata.


Nos seus discursos – quase nacionalistas – exaltam a nação de Israel, mas roubaram-lhe as promessas de Deus. Proclamam uma nação que não existe, Israel sem promessas.  Ao usurparem as promessas de Israel, extinguiram-na, violaram a encarnação do Senhor, sua nação, seus irmãos, sua humanidade, por fim sua obra redentora.


Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei, e o culto, e as promessas; Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém. (Rm 9.4,5)

E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. (2 Pe 2.1,2)

Senhor em tua infinita bondade livra-nos dos homens maus e dá-nos discernimento e entrepidez. 

A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade.

Apostasia, Graças a Deus – II

Apostasia, Graças a Deus


Vimos anteriormente que os ares do humanismo foram gradualmente substituindo os princípios bíblicos. Iniciava, assim, a fundação que daria suporte ao novo modelo doutrinário do cristianismo. Verdades, até então, pilares da fé cristã estavam prestes a serem implodidas. As novas bases doutrinárias emergem das disciplinas sociais: A Psicologia, Markenting, Sociologia, Filosofia etc. Um cenário adequado para resgatar erros teológicos do passado, transformando-os em doutrinas desse novo momento da religião cristã. Uma série interminável de mudanças é imposta ao Cristianismo bíblico que jamais voltará ao seu leito original: As Escrituras.

A mudança do método
A Hermenêutica Bíblica, técnica estabelecida para obter o verdadeiro propósito dos escritos sagrados, foi considerada vilã, responsável pelos entraves provocados por Deus, e lançada em completo abandono. De verdade escrita a Palavra de Deus passa a ser pretexto, usada para toda sorte de propósito relligioso. Tornou-se inevitável uma série de outras violações, a corrupção passa a ser a marca desse novo tempo de apostasia.
Nesse ambiente, perderam-se por completo as referências históricas e culturais da verdade bíblica. Os veículos de comunicação de massa passam a ser os promotores e defensores da verdade; a verdade é estabelecida pela quantidade de repetições. “Assim diz o Senhor” é expurgado da mente do cristão moderno. A liberdade apóstata passa a ser o padrão para se chegar à verdade.

“E viu o HOMEM tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom”.


A mudança de espírito
O Espírito Santo ganhou preeminência submeteu-se a novos interesses, a novos senhores. Multiplicaram-se os plantões de manifestações espirituais, cada uma delas com autoridade celeste. Sem normas para aferição da verdade, a autoridade das Escrituras é apropriada pelo homem, é saqueada pela dinâmica dos “interesses da igreja”. Literalmente, cai dos céus por sobre a terra.
Contrariando aos ensinos de Cristo, a apostasia, com seu espírito, passou a falar por si mesma.


“… O Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará” (João 16 : 13,14)



A profusão doutrinária passa a ser incontrolável: prosperidade, dentes de ouro, línguas estranhas, curas, milagres, sinais, encontros. A santidade sempre evidenciada como marca cristã – que exalta a Deus -, é substituída por popularidade, opulência, corporativismo, atividade política – a exaltação das criaturas. Há um novo espírito orientando a apostasia.



A mudança da natureza humana
A sã doutrina bíblica afirma que o homem é incapaz de compreender verdades espirituais sem ajuda externa. Isto sem dúvida, para a mente apóstata, representava uma barreira a ser transposta. Recordemos a Carta de I Coríntios, em que Paulo afirma:
                          

Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (I Coríntios 2 : 14).

A incapacidade humana em entender e aceitar as verdades divinas é a proclamação que sobressai do texto. Não restam dúvidas que, de fato, havia um grande incômodo a ser superado, e buscar um substituto adequado para atender aos novos propósitos religiosos.

Já introduzido o suporte secular para o desenvolvimento das novas doutrinas e premidos em busca de um novo discurso, a modelagem do novo homem estava pronta. Desconstruíram o homem dando-lhe a liberdade desejada.
A promessa que o batismo católico sempre asseverou, como um passe de mágica foi estendida a todos, resgatando-os, e sem o pecado herdado; capazes de escolher a Deus, livres em suas escolhas espirituais. Apenas com uso da astúcia superou-se a “dificuldade bíblica”, proclamando-a como verdade divina. Estava aberto o caminho para autonomia humana, livrando-a, mesmo que artificialmente, da sua realidade intrínseca.

A mudança da fé
Como efeito dominó, tornou-se imperativo reconceituar as demais doutrinas: o pecado, a encarnação, a soberania, a salvação, a eleição, a adoção, mas sob a ótica dos interesses e adequando-as “à liberdade concedida”. 


A fé salvadora, logo, ganhou contornos meramente psicológicos. Deus é apenas seu consumador, a autoria pertence ao homem. Legitimou-se a realidade espiritual das lideranças, das multidões já instaladas no seio da “fé”, facilitando,ainda, as “conversões em massa”. Pastores, pastoras, apóstolos sem a experiência da Regeneração, passaram a falar de seus próprios interesses e sentimentos. As igejas são transformadas em centrais de negócios e a “vida espiritual” passa a ser regida pelas aberrações dos “desviados”, das “reconciliações”, da “perda de salvação”, a invenção mercadológica da “Igreja com propósito”.


“Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (I Coríntios 3:7)



A salvação é distribuída como propriedade ministerial, sem quotas, sem limites; sem exigências, pode ser descartada e depois tomada de volta. Não importam as advertências, sem qualquer referência bíblica, seguem enganando e sendo enganados.




“E para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos.” (II Tessalonicenses 3 : 2)



A soberania de Deus não é bem vinda pelo cristianismo apóstata.


Com o novo conceito de fé, todo arsenal de crendices populares, superstições passam a ter correspondente na igreja. A umbanda, espiritismo e o catolicismo romano, todo e qualquer credo têm sua expressão de “fé” dentro do sistema apóstata. A oferta da fé aumentará sua abrangência, atingindo – e divertindo – maior público possível.


A violação do método permitiu ao sistema apóstata alcançar o inimaginável: romper com a história, com os escritos sagrados, mudar o propósito da Igreja e de Israel.


É o que veremos na Parte 3.

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

Apostasia, Graças a Deus – I

Apostasia, graças a Deus


Muito há para comentar a respeito do tema, busquei ser seletivo para não ultrapassar os limites do interesse comum. Entretanto, me proponho a analisar essa profusão – e até confusão – de manifestações e doutrinas do que hoje se apresenta como Cristianismo, tentando resgatar o ponto central que acelerou o processo. Meu interesse é fornecer as motivações e desvios que levaram à situação que hoje estamos envolvidos.


Algumas informações a respeito da Apostasia precisam ser antecipadamente consideradas. Evitando assim, que ídéias pessoais tomem o lugar dos conceitos bíblicos. Trata-se, portanto, de um movimento de natureza espiritual, sua extensão chegará aos confins da terra. O seu propósito é substituir o Cristianismo bíblico. Empreendimento já intentado por vários movimentos religiosos, o catolicismo romano e muitas outras seitas; mas de acordo com as Escrituras, nada logrou tanto êxito. Portanto, é inevitável, que cresça mais e mais. Entender o cerne desse movimento é a proposta.
Caberá ao leitor as conclusões.


De pronto reconheço em vários líderes, pastores – e até, quem diria! Pastoras -, “apóstolos” as marcas inequívocas das obras das trevas; e que tenha usado suas convicções e discursos para exemplificar argumentos, mas tento não nominá-los. Percebo, que nessa questão, há acentuado personalismo e muita perda de energia em torno de acusações e defesas. A palavra me satisfaz completamente:
 

Mas estes, como criaturas irracionais, por natureza feitas para serem presas e mortas, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo a paga da sua injustiça; pois que tais homens têm prazer em deleites à luz do dia; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em suas dissimulações, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecar; engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição;
Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito, e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal. (2 Pe 2.12,22)

Não há como precisar seu início histórico, lemos que o primeiro desvio doutrinário surgiu no Éden; podemos, entretanto, afirmar que estava presente e identificada já nos dias do apóstolo João. Seus representantes, à época, apesar de muitos, constituíam-se minoria.

Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.

Reconheço a importância da Historicidade das Doutrinas Bíblicas, mas se trata da análise de suas motivações e propósitos, portanto atemporal.


Das pequenas concessões ao golpe mortal

A religião cristã, que sempre teve como pilar central o conhecimento da verdade e o serviço a Deus, foi golpeada mortalmente, perdendo completamente sua identidade, caiu por terra. Em prol de uma equivocada contextualização, foi permitindo retoques e respirando a brisa que soprava do humanismo. Assim, lenta e progressivamente uma nova perspectiva foi sendo adotada e no aconchego da secularização produziu uma nova realidade para natureza humana. A religião redefiniu sua própria etimologia, reviu sua razão de ser e abandonou a palavra de Deus. Decapitada, passou a rastejar sobre o próprio ventre, sobrevivendo, a partir de então, do pó da terra. Era a nova visão do cristianismo.

Há de se considerar que essa nova ordem surgiu pelo próprio interesse “cristão”. Líderes de intelecto cauterizado e ávidos em conquistas (psicologismo), desejando a qualquer preço (pragmatismo) usufruir dos prazeres e encantos do mundo,  para tanto, mercadejam princípios e doutrinas bíblicas (misticismo).

Dentro das várias dimensões e desdobramentos que envolvem esse novo cristianismo, duas abordagens, em especial, chamam a atenção, a teológica e sua conseqüência prática ou devocional.


Que serão tratadas adiante na Parte 2.

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade