O sofrimento segundo Deus

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Sabemos que os sofrimentos são reais, sejam eles físicos ou não, nos envolvem por completo, nada fica de fora.

A frustração de desejos, que consideramos legítimos, nos levam ao sofrimento, e com ele, a perda de ânimo, ao enfraquecimento, e por diversas vezes, à falta de saída. Este é o mundo em que vivemos, com dores, conflitos e decepções.

Pedro em sua primeira carta (2.20-21) ensina a percebermos o sofrimento a partir de Deus e não de nós mesmos.

Diz que o sofrimento em troca do bem praticado é agradável a Deus, para isso fomos chamados. Afirma ainda que Jesus, homem de dores e sofrimentos, de quem escondiam o rosto, nos deixou pegadas para que andássemos nelas. 

Fomos alertados que teríamos aflições, sofrimentos, mas ninguém sofreu mais que Ele… e injustamente.

Contudo, é comum entendermos que os nossos sofrimentos são maiores que aqueles sofridos pelo Senhor em nosso lugar.

É também comum, que nossos sofrimentos sejam motivados por interesses não autorizados pelo Senhor. Sofremos em busca da satisfação daquilo que contra a santa vontade de nosso Deus. E, são essas frustrações que nos levam a sofrer, e não nossa infidelidade.

Em tais circunstâncias, tornamo-nos cegos, não percebemos, mas, nos colocamos em oposição a Deus. Esquecemos, muitas vezes, negamos o sofrimento do Filho, o sofrimento do Pai em nosso favor… e em nosso lugar.

Devemos, pois, para superar nossas dores, avaliar os reais interesses que nos levam ao sofrimento.

Caso nosso sofrimento decorra apenas da frustração de nossa carne, devemos confessar nossos pecados, conter tais desejos, e voltar para o consolo da santa presença do Senhor.

Não podemos ocupar o lugar de Deus, colocando em nós dor maior que a dor que lhe causamos por tamanha infidelidade.

Mas, se sofremos fazendo sua vontade, que Deus nós abençoe, pois lhe somos agradáveis.

Oração para estes momentos (aflição)

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O SENHOR te ouça no dia da angústia, o nome do Deus de Jacó te proteja. Envie-te socorro desde o seu santuário, e te sustenha desde Sião. Lembre-se de todas as tuas ofertas, e aceite os teus holocaustos. Conceda-te conforme ao teu coração, e cumpra todo o teu plano. (Sl 20.1-4)

Não cita o salmista a extensão da angústia, tampouco o tempo em que suas palavras seriam úteis. Mas, confere a certeza, que as angústias viriam… e mais, que o Senhor nos ouviria.

Palavras semelhantes vieram de nosso Senhor, quando nos antecipou das aflições que teríamos no mundo, e como o salmista, nos orienta ao bom ânimo, permanecer nele, em Cristo, pois, ainda que aflitos, guardados, teríamos paz. (Jo 16.33).

Portanto, o salmo é uma provisão para dias de incertezas, dias de angústias. São palavras para serem guardadas em nossos corações, pois, delas precisamos… e delas precisaremos.

Mostram elas que o Altíssimo nos ouve desde os céus, onde está seu santuário, chegando aqui em nosso mundo, em Sião… e chega a cada um de nós. Saibamos, Deus está perto, está aqui ao nosso lado.

Atento às nossas súplicas, provê nossa proteção, manifestando seu cuidado como um Pai cuidadoso que guarda o filho indefeso. Foi escrito para que possamos repetir: “O Senhor é nossa fortaleza, socorro presente na tribulação”. (Salmo 46).

O nosso salmo avança, e nossas vidas são depositadas diante de Deus para nossa memória, é o momento para reflexão e clamar por misericórdia:

Não nos impute Senhor  quem somos e fazemos, mas nos veja na cruz, em seu Filho.

São palavras para o tempo de agora, para as incertezas e aflições que atravessamos, momentos para clamar ao Senhor… Ele nos ouve, está aqui conosco, com seu cuidado e livramento (já nos confortou em outras situações). Em cujos pés temos depositado nossas fragilidades, Ele que conhece nossas vidas.

Devemos clamar:

Senhor nos conceda realizar nossos planos…  abrevie Senhor este tempo… por Ti e por tuas promessas Senhor.

Sim, estávamos naquela oração (Jo 17)


Manaus, 04.07.2010. EBD.
Igreja Batista Regular Renascer, Manoa.

Concluiremos hoje nossa caminhada pelo cap. 17 do Evangelho de João, com algumas certezas, uma delas é que aumentou nossa dívida para com o Altíssimo, pois muito mais há que não falamos, muito mais há de esperança que não nos deliciamos. Mas Lhe somos gratos pelo privilégio da leitura da meditação e, a impagável certeza de que tudo que lemos, tudo que ouvimos tem importância e significado para nós.
Ah! Isto é a grande recompensa vinda dos céus, a leitura que renova a vida, subtrai a tristeza e coloca em nossos corações a esperança que não compreendemos. Graças somos ao nosso Deus permitir que a leitura de Sua palavra tenha sentido para nossas vidas.

Precisamos trazer às nossas mentes o que já ouvimos até então, para sabermos o que havia sido construído dentro de cada um de seus discípulos frente às declarações do Senhor. Assim, penetramos pelo Espírito nas grandezas de Deus, assim, sorvemos sua santa sabedoria.

Chegamos ao cap. 16 com o anúncio da partida do Senhor e a vinda do Espírito, no consolo descrito: “não vos deixarei órfãos”. Para aquelas mentes ansiosas pelo Messias, pela consolidação das promessas de Iavé para toda a nação de Israel, a compensação era distante e pouco sentido fazia. O Espírito era demasiadamente vago e distante para afagar a desesperança que se avizinhava na partida do Messias identificado. É esse o sentimento que preenche as almas, permeia os corações daqueles homens impotentes diante de Deus.

Sem identificarmos este fato, e sem considerarmos a sinceridade e humildade que há Cristo, a oração registrada no cap. 17 pode nos levar a conclusões inadequadas, perder o espírito do texto.

E o desafio em retirar a verdade divina do texto se multiplica ainda mais pela dificuldade pessoal frente as expressões de cuidado, amor e carinho que o Senhor manifesta à criatura como nós, é incompreensível.

Sabedores somos que o texto sagrado foi registrado para nos mostrar muito além do poder de Nosso Senhor, seu registro fornece ao meu coração todo vigor necessário para permitir que percebamos que há sinceridade em Cristo, nosso Senhor e Deus. Diferente das frases que hoje ouvimos, das divagações vazias de um lado, e da cunha penetrante dos mecenas de outro.

Como o Senhor nos ensinou domingo passado, Sua oração é verdadeira e é dirigida ao Pai, e com propósitos de formar conhecimento, confiança e descanso sob a poderosa destra de Deus.

Outro questionamento sobrevém sem que possamos detê-lo: Para quem foi  dirigida? Ou melhor em benefício de quem? Estamos incluídos ou não?
Suplicamos ao Senhor que nos permita encontrar a resposta. Oro ao Único Pastor que nos oriente em nossa caminhada por seus campos, nos leve a pastos verdejantes, às águas tranqüilas. Caso nossas mentes fujam em busca de si mesmas, que seu cajado reconduza-as para as veredas da submissão desejada.

Como podemos trançar a textura com as linhas que saem da oração do Senhor e produzirmos um manto santo a cobrir toda a terra da verdade dos céus? Este é o desafio saudável que o Senhor se nos oferece nesta manhã.A Ele honra, louvor e glória eternamente.

Que pessoas permeavam a mente do Senhor a fazer Sua oração?

Aqueles que são

Retiramos do v. 9 a frase que abre os portais, que nos leva aos campos do Senhor: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus”. É necessário adicionarmos ao argumento o v. 6, que diz: “Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra”. Estes dois textos juntos permitem-nos chegar até a eternidade passada, olhar para a vastidão da história a ser cumprida pelos homens.  A partir  de lá contemplamos uma multidão incontável de santos, com seus nomes inscritos na mente de Deus. Ensina o texto: “Eram teus e são teus e eternamente serão teus”. Soa como um cântico dos santos do Senhor em gratidão eterna, subindo aos céus em melodia adornada por um coral da multidão da milícia celestial, louvando a Deus. Eternamente Deus guardou os seus.
Chegamos a este ponto com uma certeza em nossos corações: a oração do Senhor é em favor daqueles que Deus escolhera para sua propriedade desde a eternidade, em um tempo quando não havia tempo.

É de interesse dos santos e para descanso no afago celeste em nosso Deus, identificar quais as características dos escolhidos do Senhor, daqueles que estavam presentes na oração feita ao Pai.   
 
A palavra do Senhor nos orienta para colhermos frutos que se encontram ao nosso alcance, próximas de nossas mãos: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). Aos que se definem propriedades do Senhor, são esses os proclamadores das virtudes do Santo, os que foram chamados das trevas para maravilhosa luz.

Assim, somos ensinados que a oração é feita em favor daqueles que são propriedades do Altíssimo, proclamadores de suas virtudes.

Mais precisamos saber. 

Aqueles que guardam

No v.14 lemos que os proclamadores das virtudes do Pai, não são do mundo. Isto é pouco ou quase nada para questionarmos nossas mentes. Todos freqüentadores de Igreja arrogam pra si tal condição: Não somos do mundo. O que vem a ser mundo? O significado de mundo caiu na prensa relativista, cujo resultado é uma massa disforme, sem textura e sem finalidade objetiva. Assim, devemos entender o conceito de mundo prosseguindo pelas  afirmações positivas das caracetristicas dos proclamadores das virtudes do Pai. O v. 6 afirma que os proclamadores guardam a palavra.

Devemos agradecer ao Senhor por nos permitir a primícia da colheita: Sua Palavra. Esta frase interrompe o ideal da impiedade religiosa que oculta seus pecados e com lábios de hipocrisia utiliza-se da frases “compradas” para serem reconhecidos, para serem incluídos em um reino que não lhes pertence.


Guardar a palavra tem a contribuição do salmista: “Guardo a palavra em meu coração para não pecar contra ti”. (119.11). A palavra é guardada nas entranhas e seus efeitos se estendem por todo corpo, principalmente na mente para impedir que profanemos o Altíssimo. Ainda o salmista diz: “Lâmpadas para o meus pés e luz para o meu caminho”.
Esses são os que guardam a santa Escritura.
Mais caminho há pela frente.

Aqueles que sabem

No v. 8, Nosso Senhor acrescenta outra característica à propriedade do Pai: “Reconhecem verdadeiramente que saí de Ti”. Novamente o texto nos fortalece para sermos enfáticos sobre a dubiedade do coração ímpio, aquele que tenta encontrar morada nos braços ternos do Senhor, sem abrir mão das vilanias do próprio coração, dos prazeres transitórios do pecado. O reconhecimento verdadeiro que Jesus é o próprio Deus coloca-nos frente ao verbo que se fez carne e habitou entre nós.

Deus, em sua natureza, essência, poder, santidade, atributos e toda glória excelsa que não conhecemos está plenamente em nosso Senhor Jesus.

Não estamos diante de um fato religioso apenas,  deparamo-nos com o criador do Universo. Ele nos fez render frente ao seu poder, levou-nos a humilhação necessária, nos retirou das trevas para sua luz, isto nos diz Pedro.

Sua luz tem penetrado em nossas mentes, fazendo-nos sábios nas coisas dos céus, fazendo-nos sábios em abandonar nossa sabedoria, fazendo-nos sábios em discernir entre o bem e o mal. Sim, apenas desta forma, somos proclamadores das virtudes daquele que nos chamou. Apenas assim, podemos ter a convicção impressa em nossos corações que ao orar, nosso Deus intercedia em nosso favor. Podemos compreender o que nosso santo Cordeiro já antecipara: Aqueles que sofreram a profunda mudança promovida pelo Senhor, sabem que só o Senhor é Deus.

“Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.” (Jr 31.33-34).

Aqueles que vivem

Chegamos ao v. 10, e por ele somos levados a contemplar o vale, espalhando-se até os confins, enche toda nossa visão. Que engrandece nosso ser, que justifica aqui chegarmos: “neles, eu sou glorificado.”
Há na oração o pedido ao Pai para que seja glorificado com a glória que tivera antes que houvesse mundo. Não é esta glória que Nosso Deus reivindica aqui, mas sim a manifestação de seu caráter em cada um de nós. Cristo é a expressão exata do Deus invisível, somos exortados para sermos em nossa carne de pecado, a expressão exata de Nosso Senhor. Não pensemos que são convêniencias da igreja, de interesse denominacional, não retiramos este do nós próprios. E emerge das Escrituras quando lemos: “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou”. (1 João 2:6). 
Olhemos para nossas vidas e verifiquemos se alguma glória há; se nosso Senhor tem manifestado sua santidade, seu vigor, sua graça por meio de nossa vida.

Precisamos interromper nossa caminhada, não porque tenhamos chegados às águas de descanso, mas para que reflitamos sobre as nós mesmos, as nossas vidas, as nossas escolhas, nossa relação com o Santo, nossa aceitação dos valores hipnotizantes que o mundo oferece. 

É maravilhoso se podermos concluir: Sim, estávamos presentes na oração feita e que o Senhor orou para que fossemos proclamadores das virtudes.

É maravilhoso verificar que
somos daqueles que são propriedades do Senhor;
somos daqueles que guardam a palavra do Senhor;
somos daqueles que sabem que só o Senhor é Deus;
somos daqueles que vivem pra glorificar ao Senhor… Sim, estávamos naquela oração.

A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade

Por vossa causa (Jo 17)


Manaus, 27.06.2010. EBD.
Igreja Batista Regular Renascer, Manoa.


Amados, nesta manhã abriremos a santa palavra e evidenciaremos que chegamos a um momento novo para nós, e muito mais para aqueles homens que estavam frente ao Filho. Há um sopro celeste vindo em nossa direção. 

Deixemos fora toda a sabedoria que não provém do alto, toda a auto-suficiência vendida nos tabuleiros evangélicos. Vinde e arrazoemos sobre a palavra do Senhor. É sempre difícil, em muitos casos, impossível compreender o amor e o cuidado de Deus por nós, seus filhos. 


A oração lida, as promessas eternas não são mostras de seu poder apenas, são carregadas de carinho e cuidado, há sinceridade no sofrimento de Deus, há sinceridade no regozijo do Altíssimo. Toda a beleza possível há em Deus.

A sujeição aos escritos é imperativa, precisamos resgatar o que foi vivido até então pelos discípulos do Senhor, e inculcarmos em nossas mentes, carregarmos a sabedoria dos céus, sairmos aos campos do Senhor.  




No Cap.16, o Senhor afirmara sobre sua morte, há tristeza e pesar. A morte anunciada desfaz  toda a expectativa messiânica, trazendo abatimento e desesperança. Mesmo a promessa do Espírito era demasiadamente obscura e distante, incapaz de suster a alma de seus discípulos. A última sentença proferida é: “passais por aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Nosso Senhor está diante de homens abatidos, sem convicção, sem esperança.

Entramos no cap. 17, olhemos para o texto, busquemos encontrar as motivações, os cuidados necessários do Senhor. O Espírito exige que reconheçamos:
  • ·         Sua oração é sincera;
  • ·         Ele realmente fala com o Pai.

Precisamos trazer à nossa mesa o pão e o vinho celestes, precisamos resgatar o que o Senhor havia ensinado àqueles homens, precisamos aprender, pois estamos diante do Santo, convidados para o engrandecimento do seu Nome. Rememoremos, pois, que o Santo nos diz: “Eu e Pai somos um” (Jo 10.10); “o Pai tudo lhe confiara” (Jo 13.3); “que tudo que pertencia ao Pai, igualmente pertencia ao Filho” (Jo 16.15).  Que necessidade há do Filho lançar aos pés do Pai suas orações, suas súplicas? Há pedido feito pelo Filho a ser rejeitado pelo Pai eterno? 

Resguardemo-nos das precipitações ou da letargia, mantenhamos nossas mentes cativas ao Santo. Há muito mais para ser servido pelo Senhor, há incontáveis motivos de exaltação do seu Nome.

Em João 12.28 lemos que veio uma resposta dos céus, a voz de Deus que, como trovão respondeu ao Senhor. Enchamos nossos corações de inabalável alegria, leiamos o acalanto celeste: Respondeu Jesus: “Não veio esta voz por minha causa, mas por causa de vós”. (Jo 12:30). Louvemos ao Senhor com todas as aleluias. A resposta que veio dos céus, veio por minha causa, por tua causa. Nosso Senhor dela não precisava, ocorreu para que quando nela aportássemos, tais palavras transbordariam nossos corações de paz e esperança. Como posso duvidar da provisão, do cuidado e carinho que o nosso Deus dispensa a nós, seus filhos? Ergamos alto, mais alto o estandarte da gratidão ao Senhor.  

Pedras preciosas rolam diante de nossas mentes, leiamos mais. Em João 11, ante o poder da morte, nosso Senhor inunda de luz nossas almas, nossas vidas, pois levantando os olhos para o céu diz: “Eu sabia que sempre me ouves; mas por causa da multidão que está em redor é que assim falei, para que eles creiam que tu me enviaste”. (Jo 11:42). 

Oh, Senhor, por causa da multidão tu oraste, pois há sempre a certeza que tuas orações são ouvidas. Não pranteamos, mas deveríamos. Há tanta bondade, tanto cuidado, incompreensível cuidado que vêem dos céus em nossa direção como um manto a cobrir-nos, e se doássemos toda nossa vida, toda a santidade possível, todas as orações realizadas em todas as eras,  todos os santos, não poderiam cobrir nem mesmo sua aba. Batamos em nossos peitos e clamemos: “Ó Deus, sê propício a mim, o pecador!” (Lc 18:13). 
Aprendamos que as orações do Filho feitas ao Pai são por nossa causa, para nosso benefício.

Mais há, e mais veremos.  Guardemos mais espaço no profundo de nossas almas, leiamos com atenção e lentamente: “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas para isto vim a esta hora.” (Jo 12:27). Declara nosso Deus que veio precisamente para hora de sua agonia, para hora do seu horror. A Triunidade Santa mantinha em ordem inquebrantável cada um dos minutos que evolvia o enredo da morte e salvação. Adicionemos ao texto o início da oração lida: “levantou os olhos aos céus, e disse é chegada a minha hora” (Jo 17.1). Estamos diante de uma oração feita por causa de cada um de nós, estamos diante de um plano feito por nós, mas para a exaltação de nosso Deus, a redenção de pecadores, milhões deles por toda a história humana. 

Santo plano, santa oração. Livres do acaso, da improvisação, findam-se as lamúrias de nossos corações, acalmam-se as angústias da alma. Sonatas celestes invadem vindas de todas as direções, penetram pelas frestas em todos os recantos a glória de Deus.

E o santo ofício glorificar o Senhor, é parte de sua oração (17.10), em resposta celeste, luz, milhões de candeias cintilam nos céus, nosso Senhor está no seu templo, à destra do Pai, olhando para os seus santos por toda a terra e proclama aos quatro cantos do universo, chegam aos nossos ouvidos, penetram em nossos corações: “Isso o fiz por vossa causa”.

Saiamos repletos da glória dos céus, há um plano, uma oração, uma súplica ao Pai, ela foi escrita, é para nosso ensino, pois pela espera e consolação, mantemos a esperança. E as aflições do mundo presente são instrumentos para honra e glória de nosso Senhor. 

Concluo: É sempre difícil, em muitos casos, impossível compreender o amor e o cuidado de Deus por nós, seus filhos. 


Bendito é o Senhor.
  

A oração que não faço.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. (I Co 13.11:12)

Deus é quem nos dá o crescimento, é por Ele que abandonamos as coisas de menino, afirmamos. Mas é muito proveitoso olhar para trás e ver o quanto o Senhor nos conduziu, quanto já abandonamos as coisas de menino. O incentivo do Senhor é para prosseguirmos, é como Lhe agrada. “Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.” (Hebreus 10:39).

Mas por sua vez, pergunto: Tenho aprendido a abandonar as coisas de menino? Tenho enfrentado o meu inimigo ? De quem falo? Assevero, nenhum inimigo é mais assustador e presente que a mente do santo. Reféns do raciocínio deste século mal, fomos forjados pelo momento histórico que vivemos. A forma de pensar dos santos do Senhor tem sido assediada e até consolidada pelas agruras da Queda. Somos miseráveis, mesmo que remidos. Nossa luta interior tem provado isto.


Identifiquei que preciso mortificar minha mente. Adão insiste em querer pensar por mim. Questionei-me, como aprender humildade? Não sei. Caso soubesse, por pretensa humildade, sorveria toda a sua fonte. Gloriar-me-ia em ser o mais humilde dentre todos. Mas ouço a voz do Santo de Deus: “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no SENHOR.” (II Coríntios 10:17). Descubro, então, a fonte da humildade, a palavra do Altíssimo. Preciso sorver dela mais e mais… e, alegro-me, pois sei, suprirá a todos os que sedentos estão. Abandonaremos, sim, as coisas de menino, Adão não mais falará em mim? Temos um grande caminho a percorrer.

E os espelhos de Corinto, famosos por sua superfície polida, projetava a perfeição da imagem. Por ele, permitia-se a realidade mais bela. Nele o belo era maior. Era a Grécia. É a ilustração da nossa – pelo menos da minha – mente. Nela há sedução dos meus sentidos, do meu querer, do meu saber. Nela não está refletido quão pecador sou, assim também é distorcida a grandeza do Santo. Nela reflete o engano proferido: Já não vivo, mas Cristo… !

Deparo-me diante dela, as minhas reflexões são mais profundas, e como abalam o poder das trevas, com todos seus demônios. O espelho da minha mente esconde a volúpia que me impulsiona rumo à exaltação. Lutamos por nós mesmos: a minha doutrina; a pureza da minha fé, a verdade da minha história. Nosso cálice parece transbordado antes mesmo do cálice do Senhor.

Subimos para além da dignidade de nossa vocação. Rejeitamos a servidão para qual o Senhor nos chamou. Precisamos urgente da oração publicana: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!

A Igreja do Senhor padece de soberba, estamos doentes, contaminados pelas ribaltas ocultas em nossos corações. Gloriamo-nos em nós mesmos, mas ousamos, dizendo: É no Senhor.

Miserável homem que sou, quem me livrará desta mente que trago?

O Senhor, apenas o Senhor.

A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade.