Ressurreição – Pequenos detalhes

A Ressurreição conforme apresentada nas Escrituras, revela aspectos grandiosos. Se, por um lado, ela evidencia que Deus é o Senhor da história, Por outro, exige atenção, pois, envolverá a todos. É ela quem abrirá os portais da eternidade, encerrando a vida como a conhecemos.

Longe de ser uma novidade, essa expectativa se confunde com a história do homem. O livro de Jó, que registra um período de 2 mil anos antes da vinda do Senhor, já a contemplava. Em seu capítulo 19. 25, Jó afirma que veria Deus em outro corpo. Sim, Jó vivia a esperança de um dia estar com o Senhor… E em outro corpo.

Além de Jó, profetas a anunciaram. Jesus a confirmou. Temos relatos, em que multidões dela testemunharam. E o encontro do apóstolo Paulo com Jesus ressurreto, mudou para sempre sua vida. Passando a dedicar todos seus dias na proclamação da esperança da ressurreição.

As Escrituras conferem à ressurreição de Jesus igual historicidade dada ao decreto de César Augusto, à existência de Quirínio como governador da síria, o matança das crianças no reinado de Herodes. 

A despeito das evidências históricas, o homem a rejeita, negando-a por completo. O que, em nada diminui sua importância ou sua realidade.

Precisamos iniciar, discernindo sobre sua real natureza. Sabemos das muitas pessoas que voltaram a vida, depois de haverem morrido. Entre eles, Lázaro e o filho de uma viúva em Naim. São registros confiáveis do Velho e Novo Testamento. Contudo, nenhum destes trata de ressurreição. Apesar, de fato, haverem voltado da morte, o termo ressurreição não se aplica. Não por um detalhe teológico, ou capricho denominacional. O fato dessas pessoas voltarem a morrer, prova que não houve ressurreição.

A ressurreição é bem mais que voltar à vida. Jesus, não apenas voltou à vida, ele venceu a morte definitivamente. E ouçam isto… Jesus vive… E jamais morrerá. Sua vida que não tem fim. E seu corpo ressurreto é livre do poder da morte. É livre da ação do tempo. Nenhuma corrupção o atingirá. 

Sim, sua ressurreição revelou a existência de uma nova natureza corpórea. Até então desconhecida.

Paulo dedicou uma parte significativa de sua carta aos coríntios dando detalhes sobre a ressurreição. E o fez como sendo a fase final da semeadura. Uma grande colheita, a se estender por toda a terra. Ele nos faz lembrar que essa já foi iniciada, sendo Jesus seu primeiro feixe (capítulo 15:20). À semelhança de Jesus, a colheita também nos atingirá. Então, experimentaremos o poder da ressurreição, semelhantemente a Cristo. 

E mais sabemos sobre a ressurreição do nosso corpo. Está escrito:
E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou doutra qualquer semente. (capítulo 15:37).

Devemos observar a continuidade existente entre a semente, e a planta por ela produzida. Pois, o paralelo, ensina que o corpo que temos, como sementes, serão transformados, dando lugar a um novo corpo. E, sobre a natureza desse corpo, está escrito:
Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará na incorrupção. (capítulo 15:42).

O corpo corruptível, que hoje temos, será transformado em um corpo livre da corrupção. Todos teremos corpos eternos. Para horror ou para honra entraremos na eternidade. 

Assim, entenderemos o significado da vitória da cruz…  
Quando isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. (capítulo 15:54)…

Então, Face a face com Senhor, o veremos. E para sempre com ele estaremos.

Aleluia Senhor!

Que vida é esta que temos?


Igreja Batista Regular Renascer
Manaus, 28,novembro,2010




Havia mulheres que seguiam a Jesus, e após vê-lo no túmulo, Lucas registra (23.56): “Então voltaram e prepararam especiarias e unguentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento.
Restou-lhes o sábado para descansar e no primeiro dia retornar ao túmulo para completar a liturgia da morte e dor.
Nada mais restava àqueles que acompanharam o Senhor, aqueles que vieram de longe ouvi-lo, o silêncio preenchia o ar.
Vidas lançadas fora, desperdiçadas, frustraram-se os planos, sucumbiu a esperança… a morte, mais uma vez, triunfara.
Não há mais um grupo de discípulos em torno do seu Mestre; não mais se ouvirão os discursos celestes de sabedoria e verdade.  Apenas a morbidez de um túmulo e um corpo a ser preparado para eternidade.
Os olhos marejados de lágrimas embotam a visão que caminha penosamente pela solidão escura da madrugada, segue em direção aos portais da morte.
Aqueles passos (e os nossos também) são surpreendidos pelo túmulo aberto, vazio e pelo anúncio angelical: “Por que buscais entre os mortos aquele que vive?” (Lc 24.5). 

Como compreender: Não há ninguém no túmulo!  O que fizeram com o meu Senhor? 

Entre o horror da morte e o absurdo da esperança inusitada anunciou-se a vida. 
A luz celeste alumia o outeiro da morte, trazendo-lhe vida. 
A vida sobrepujou a morte!
É o ponto central da história humana, começara ali a vida. Quem poderia nos explicar? Quem poderia nos dizer o que é isso? De onde poderiam vir palavras para nos desvendar o mistério da morte que sucumbiu, ou mesmo da vida infinita que surgiu? 
As Sagradas Letras nos oferece um sumário de encanto, de espanto e vida. A vida que se impôs sobrenaturalmente à morte que existia. O ânimo de uma vida que expirava foi vencido pelo Espírito da vida que não se esvai. 

São manifestações de poder e graça que chegam desnudando a morte, expondo-a a ignomínia. 

Leiamos Romanos cap. 6, e deixemos que o anúncio dos céus, o anúncio de Deus, aprofunde-se em nossos corações. Através da palavra do Senhor aprenderemos a vida que recebemos, que projeta-se de tão profundo mistério que a razão caminha lenta a procura de vigor celeste para explicá-la.

E o regozijo do meu coração irrompe: Meu Senhor já não morre mais. 

“sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele.” (Rm 6:9)

E as Santas Letras avisa-nos foi nos dado vida, quando estávamos mortos (Ef 2.1-2). 

E mais: 

Se fomos unidos a Ele na morte, também o seremos na ressurreição (Rm 6.6). 

Que vida nos foi dada em Cristo? Que vida é esta que emergiu para afrontar a morte?
1.    A vida que nos matou (6.2); “para ele morremos”
A vida que recebemos matou a morte que entranhava o mais profundo do nosso ser. Que conspirava contra a vida, contra o Santo de Deus. Temamos aqueles que lutam para manterem-se vivos por suas religiões, por seus votos, por seu sucesso.  
2.    A vida que nos transformou (6.4); “novidade de vida”
A vida que recebemos transportou-nos das trevas para o reino de luz de Seu Filho. As coisas velhas se passaram, eis que TUDO se fez novo. Temamos aos que carregam continuamente seu passado, que falam a respeito do céu sem desejá-lo.
3.    A vida que não morre mais (6.5) “Unidos com ele, na morte e na ressurreição”
A vida que recebemos não desvanece, mesmo que o homem exterior esteja à morte, o homem interior se renova a cada manhã. Sustentados pela graça e pela misericórdia do Nosso Deus. Temamos aos vivem na força do próprio mérito e sabedoria; que Cristo é apenas um suporte para atender suas ambições.
4.    A vida que não se submete ao pecado; (6.6) “não sirvamos ao pecado”
A vida que recebemos é plena de liberdade, somos livres para sermos santos, para atender Àquele que nos arregimentou. A liberdade para praticar a justiça de Deus. Temamos àqueles que compartilham com o mundo e sonham com o mundo e tripudiam dos céus, e aqui firmaram suas tendas.
Esta é vida que flui dos céus preenchendo nossas almas, animando nossos corações e iluminando a nossa esperança.
A vida que nos faz contemplar o céu de onde virá meu Senhor, que nos sustenta, ainda que tenhamos de caminhar pelo vale da sombra da morte.

Brademos:  
Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (1Co 15:55)
Louvemos ao Senhor, pois a nossa vida é a vida dEle. 

A vida que vem do túmulo

Igreja Batista Regular Renascer
Culto Noturno
Manaus, 21,novembro,2010
E acharam a pedra revolvida do sepulcro. Entrando, porém, não acharam o corpo do Senhor Jesus. (Lc 24.2-3)
A vida que se apresenta diante de nossos olhos, cantada pelos poetas, que ajuda a compor enredos e se lança como uma celebração, é na realidade o manifesto da desesperança de toda a raça.
Subordinada aos caprichos da morte fez do homem refém, como um leão condenado que em clausura percorre incessantemente os quatro cantos da jaula a espera do sacrifício.

Para esse nada há além do fechar dos olhos. As ambições, o prazer, os sentimentos, tudo será encerrado pelo manto negro da morte. Não há esperança, a morte é o último ponto, é o fim da percepção humana. A frieza da análise fornece-lhe a miséria vivida: nada há além do visível, nada há além do prazer e das conquistas. Quedou-se à morte, adaptando-se a desesperança que pasteurizou a vida moderna.

As advertências divinas foram lançadas fora, o inferno tornou-se infantil demais para consideração, mesmo que sua vida sejam passos rumo às aflições eternas. Perdida a noção de pecado, a moral decai e o homem regozija-se nas sarjetas imundas de seu cotidiano achando-se superior e, paradoxalmente, quase imortal.

Sem regras, sem família, sem pudor… sem Deus, é o quadro da desesperança cotidiana. Rejeita toda abordagem a respeito da eternidade, satisfaz-se com o engano dessa vida fugidia. Esquiva-se dos preceitos divinos, de seu próprio interior, julgando logrará êxito frente ao Juiz de toda terra.  Jeremias traz a advertência do alto: Por que se queixaria o homem vivente, o varão por causa do castigo dos seus pecados? (Lm 3:39).

A morte, queira o amigo ou não, é a justa sentença de Deus sobre todos. A cada dia ela mostra seu poder, sua marca: crianças, idosos, sábios, indoutos, nobres por ela são ceifados.  Ela está a mostra, cemitérios testemunham com suas as infindáveis cruzes a presença da morte, o pranto, as inócuas missas tecem sua textura entre nós, avisando a todos de sua presença. Sim, assim quis o Juiz de todo universo. Por ela o Altíssimo exibe a insuficiência e finitude humanas.

O que a Escritura tem para esse homem, o que ela tem para abrir sua mente e fazê-la ir além da mesquinhez dos dias maus que se apresentam? A morte passeia vitoriosa, garbosa se mostra em toda a criação. Que poderá fazer o homem?

As Escrituras solenemente afirmam: Jesus, nosso Senhor e Deus venceu a morte, é seu Senhor.

Reúnam-se todos os demônios, satanás, católicos, espíritas, sábios, livres pensadores, cristãos professos, apóstatas e toda multidão de pecadores e venham ouvir: Jesus, o Deus eterno, é senhor da vida e da morte. Sim, foi da vontade de Deus, o Pai, que assim o fosse. 



Declarou desde a eternidade e revelou-nos  séculos antes de vir ao mundo, antes de se fazer carne,  falou:
Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do Senhor? Is 53.1
A advertência divina alertava que a dureza de corações faria com que as pessoas desacreditassem assim, na palavra do Senhor. Não me surpreendo, com a desatenção, com o descaso, com a sabedoria pessoal, com a soberba aqui presente. As ruas do inferno são calçadas de sabedoria e bondade humana.

O Senhor não levou em conta nossos sentimentos, nossos afetos, ao construir seu plano de redenção, o fez para louvor de sua glória, e traria pecadores a conhecê-Lo pelo seu poder e bondade. Jamais nosso Deus realizou a obra da salvação com base na atenção, no discernimento de suas criaturas. Mas, rogo aos ouvintes: abram seus ouvidos, abram seus corações, pois o evangelho é o único meio de fugirem das sendas da morte.
Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Is 53.10

Leiamos com toda atenção, leiamos, pois aqui se encontra a verdade que nos leva para além da morte. O livramento das garras imperiosas das trevas eternas.  Deus em seu amor e santidade teve prazer em expor Cristo na cruz para escândalo de todas as criaturas no céu, na terra. O Santo de Deus, Jesus, deu-se em oferta pelo pecado. O nosso pecado que faz com que Deus estabeleça a sentença de morte, foi lançado sobre Ele naquela cruz.


Ofereceu seu próprio Filho sem pecados, sem mal algum para pagar pelos nossos pecados. O justo pagando pelo injusto; o Santo em lugar de pecadores.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Is 53.5

 A santa Palavra garante-nos: Jesus foi ferido por causa de nossas transgressões, esmagado por causa de nossas iniqüidades. A sentença de morte que estava sobre nós, sobre Ele foi lançada. Apenas a iniqüidade, o pecado que alimenta e entorpece os corações não permite perceber o amor que chega em sua direção: Deus lançando seu Filho sobre uma cruz, sentenciando-o à morte para livrar o miserável pecador.

Procurem na história, nos anais das boas obras humanas e verifiquem se há amor maior que o do Nosso Deus. Vasculhem o próprio coração e se apercebam que estão sozinhos nesta aventura da vida, e sem a companhia do Senhor, foi iniciada a trilha da morte e do desespero eternos. Mas, temos boas novas, o que dizer do túmulo vazio?

Aquele túmulo é o recanto em todo universo escolhido por Deus para fazer brotar a verdadeira vida. No poder Triuno e na assembléia angelical foi sentenciada a morte da morte: a morte morreu. A exuberância da vida foi proclamada. Aleluia! Milhões de aleluias cantaram os céus, ecoaram por toda a terra. A vida de Deus está disponível aos homens.

A morte não pode reter a vida que há em Cristo… o túmulo está vazio. Em profusão sai o vigor da vida.

Esta é a boa nova de salvação: nossos pecados lançados naquela cruz de morte, e nossa vida emergindo do poder de Deus. O túmulo não nos reterá, temos a vida de Cristo, eterna. 

É o desafio dos céus, saiam das sarjetas da desesperança, lancem-se a Cristo, todos os que cansados, cansados dessa vida.

A ressurreição de Cristo é o fim da vida regida pela morte. E é o ministério da vida que desce dos céus e se nos oferece nesta noite.

É a vida que passa pela cruz e vem do túmulo.

Não tendes nada para comer?


Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Responderam-lhe: Nós também vamos contigo. Saíram e entraram no barco; e naquela noite nada apanharam.  Mas ao romper da manhã, Jesus se apresentou na praia; todavia os discípulos não sabiam que era ele. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, não tendes nada que comer? Responderam-lhe: Não. (Jo 21.3-5)

Não tendes nada para comer? Esta pergunta dirigida a um grupo de pescadores que volta de seu turno de trabalho soa estranha, até um pouco estúpida. Como não teriam aqueles homens o que comer após uma noite no mar? Todo pescador sempre volta com o resultado de sua pesca. Mas a resposta dada foi NÃO. Nada havia pescado, sua jornada em busca de peixes, absurdamente, não proporcionara o fruto mínimo de seu labor. 

Aqueles homens experimentados no mar, experimentados em fisgar peixes, não apenas não dispunham de peixes para sua alimentação, mas foram obrigados a expressar a condição em que se encontravam: sem o elemento essencial de sua vida, o significado maior de seus esforços. A razão de toda aquela noite.
A pergunta feita pelo Senhor aos seus discípulos oferece-nos um significado magnífico.

O questionamento feito aos seus discípulos se deu no Mar de Tiberíades, aqueles homens experimentaram três anos de convívio intenso com o Senhor, de ensinos soberbos e profundos, de experiências arrebatadoras que jamais humano algum compartilhara: curas, milagres, o monte da transfiguração e o anúncio das profecias de morte e ressurreição do Deus eterno. 

Haviam estado em um túmulo, em que a morte fora vencida, o corpo que lá jazia à morte, agora vazio, celebrava a vida que prevalecera, conforme a soberania e amor do Altíssimo. Sim, aqueles homens, agora pescadores, voltavam de um dia de labuta, um dia de fracasso e frustração. Não tendes nada para comer? Não. A condução do argumento divino os faz verbalizar a insuficiência humana.

Temos os nossos pares contemporâneos, dentro e fora da igreja, pessoas que ouvem falar das grandezas de Deus, convivem com os santos, vêem a maravilha que o Senhor tem feito transformando vidas, mas continuam vivendo dias de frustração e fracasso.  Não que lhes falte o peixe ou frutos de seus trabalhos, mas lhes falta vida. Não perceberam o significado do túmulo vazio do Senhor, não foram arrebatados pelos santos textos da Palavra. Vivem vidas sem perceberem que nada tem para comer, são pobres, cegos e continuam nus. 

Um dia, o ressoar da voz do Senhor, mesmo estranho, estúpido, chegará: Tens vida para viver? Responderão: Não, nenhuma! 

Pois quem é Deus, senão o Senhor?

Tenho lido, procurado, e raro encontro a pureza e a santidade que a Tua Palavra semeou por toda a terra. E em lugar dela, a sabedoria humana, com arrogância e sutileza, tem sido apresentada.

Rebusquei nas lembranças, tentei pela história, e por elas atravessei séculos, vi a Tua verdade moldar o tempo, vi varões com estandartes erguidos, saindo em direção aos quatro cantos da terra, proclamando a convicção mais profunda e a submissão incontrolável ao nome do Altíssimo.  Em seus corações estavam impressas palavras de amor, palavras de esperança, sua linguagem eram cânticos sem a torpeza e a vulgaridade que dela se orgulhavam os homens da terra. Saí aos confins à procura desses homens, neles tenho todo o prazer. Onde estarão? Pois sei, também procuram a Tua palavra.

Vidas, vividas na certeza que o Santo esteve aqui entre nós, falou-nos palavras, sopro de poder, vida e paz, suficiente para imprimir a eternidade nas profundezas de nossas almas. Como celebrávamos, nas noites de lua, sob as estrelas, entoando louvores: “O Senhor falou conosco e o fez face a face, grande é o Senhor”. Era como a “luz da manhã ao sair do sol, da manhã sem nuvens, quando, depois da chuva, pelo resplendor do sol, a erva brota da terra” (2 Sm 23:4). Firmada para todo sempre está Senhor a tua Palavra no céu, regozijávamo-nos com o salmista.
Não mais ouço as vozes que aos milhares entoavam os louvores santos exultando o Senhor. Das vozes de outrora, apenas o balido de ovelhas e o mugido dos bois da insolência religiosa. Removeram os limites antigos, limites que nossos pais fixaram, e jamais os restabelecerão. 

Que desencanto ou encanto corrompeu esse cenário? Quero rever esses registros de amor e glória do Eterno.


Em arenas mundiais, o sonido das trombetas jazeu ao cânticos das trevas. Multidões pululam em histeria religiosa, feito gafanhotos, espalham-se por toda a face da terra, aos milhares em marcha cega e razão corrompida, ocupam espaços, criam seus próprios modelos, promoveram e comemoram a morte da palavra do Santo, destruíram os verdes campos da semeadura. Há podridão e fumaça pelo ar, enredam-se em seus desvarios sem qualquer moral, sem nenhum temor, enganam a esperança, esperança natimorta.  Em estupidez mambembe regozijam-se na dureza e morte de judaizante coração, “eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela”. (Jr 6:10). Comerão e beberão e morrerão.  

Mas não somos assim, conosco está o Senhor: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça”. (Is 41:10) A verdade será proclamada, ela descerá dos céus como a chuva serôdia, sim, virá. É a vocação de nossas almas, o sentido de nossas vidas, nada nos deterá.

A pleno pulmões, ergo minhas mãos, aceno para que me vejam: aqui, aqui. Tropeço em mim mesmo, não nas palavras. As multidões em vão obstruem meu caminho, chegarei à frente. Ao redor há confusão, idolatria, caixas registradoras, concorrência gospel, visões, milagres, promoções e indulgências evangélicas. Reafirmo em meu coração: não estive enganado todo este tempo, sei quem é meu Senhor. Eu quero silêncio, já ouvi demasiadamente, já chorei em borbotões ouvindo e vendo o que tem sido lançado contra o nome do Altíssimo. Cale-se toda terra, cessem os sacrifícios imundos, os milagres comprados, a provisão de corações famintos. De nada servem as liturgias com os seios a mostra, a sobriedade pública do adultério oculto; não se acheguem com a unção das trevas, nem ofereçam o sucesso de Judas, mercadejado em troca de sangue inocente.

Ouçam: “Portanto, assim diz o Senhor Deus: Como te esqueceste de mim, e me lançaste para trás das tuas costas, também carregarás com a tua luxúria e as tuas devassidões”. (Ez 23:35).
Começarei pela ignomínia da cruz, da vil cruz, que serviu de brutal moldura para humilhação sofrida pelo Criador e Senhor de todo universo. O regozijo na terra e a celebração das trevas contrastavam com os anjos dos céus, que estupefatos, contemplavam meu Senhor na cruz. “Está consumado”, seu grito de dor foi a minha liberdade; estendeu-se além dos confins das distâncias incontáveis, o universo parou para espiar o espetáculo de sangue e dor, de manto e espinho, de profanação e deboche, e se fizeram trevas sobre toda a terra incrustando de horror e salvação a história dos povos. A santa e redentora morte do meu Senhor, o espetáculo de Deus em favor de miseráveis. Não, nada foi em vão, nada será em vão.

Ele viu o fruto do trabalho da sua alma, e ficou satisfeito com sua posteridade,  percorriam em sua mente miríades de miríades de santos, registro celeste de livros eternos, selos divinos de esperança e glória, oculta em Deus. “Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos”. (Is 53.10). Tua posteridade Senhor, somos tua posteridade. Ah! Senhor meu, Deus meu. Bendito és tu Senhor de eternidade a eternidade.

Nosso Deus desceu à morte, que não pode detê-Lo, ressuscitou e não morre jamais. Em sua inusitada e incompreensível graça, presenteou-nos com Sua vida, vida que não definha. Ouçam mais uma vez:Por isso não estamos desfalecendo; mas, ainda que o nosso homem exterior é lançado em ruína, o interior, contudo, é renovado de dia em dia”. (2 Co 4:16). E mais, “já não vivo, mas Cristo vive em mim”, sorvi tais palavras, santas palavras. Foram substituídas pela ânsia do sucesso pessoal, pela ribalta política, destruídas pelo cristianismo da terra, o fogo profano das multidões, sucumbiram à tentação. Rilham os dentes e avançam com seu poder contra os santos do Senhor, mas nossos olhos abertos estão, e descansam no consolo divino: ”Não temas; porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles”. São dos nossos em seus cavalos e carros em nosso derredor, em nossa defesa.    

Ouçam novamente: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que eu sou o Senhor” (Jr 9:23-24). Não cederei à astúcia humana, ao arremedo da autopromoção, abomino as querelas dos pensadores, do vagar metafísico em torno do próprio ventre. 

Nada tenho em mim, muito menos de mim para falar, falarei do meu Senhor, e o farei pelo Espírito. Minha glória está em conhecê-Lo, o Senhor dos Exércitos. E como o rei Davi O exultarei: “Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque Teu é tudo quanto há no céu e na terra; Teu é, Ó SENHOR, o reino, e Tu Te exaltaste por cabeça sobre todos”. (1Cr 29:11).

Aqui estamos, baluartes da Palavra de Salvação, desafiamos esta geração, que não conhece a palavra do Senhor, reúnam-se todos, filósofos, livres pensadores, evangélicos, padres, puristas, espiritualistas, pastores da usura e lancem suas maldições, seus milagres, suas indulgências, suas perguntas sobre nós. Em nossas vidas está a oferta do brasão da esperança eterna, com o nome do Senhor dos Exércitos gravado em nossos corações.  Proclamemos com a convicção mais profunda e a submissão incontrolável o nome do Altíssimo. 

Exalto meu Senhor com o cântico de Davi:

“Livrarás o povo que se humilha, mas teus olhos são contra os altivos, e tu os abaterás. Porque tu, Senhor, és a minha candeia; e o Senhor alumiará as minhas trevas. Pois contigo passarei pelo meio dum esquadrão; com o meu Deus transporei um muro.

Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito, e a palavra do Senhor é fiel; é ele o escudo de todos os que nele se refugiam. Pois quem é Deus, senão o Senhor? e quem é rocha, senão o nosso Deus? Deus é a minha grande fortaleza; e ele torna perfeito o meu caminho. Faz ele os meus pés como os das gazelas, e me põe sobre as minhas alturas. Ele instrui as minhas mãos para a peleja, de modo que os meus braços podem entesar um arco de bronze”. (2Sm 22:28-35).

Bendito e Santo é nosso Deus que com amor eterno nos amou e com benignidade nos atraiu.
A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade.