Aprendendo a tentação (A responsabilidade do santo)


Aproximou-se de mim um jovem e interessado irmão que faz parte da sala de nossa EBD e me falou que gostaria que estudássemos algo sobre Tentação. À época seguíamos normalmente o estudo das parábolas bíblicas. Senti-me, primeiramente, alegre pelo fato de receber um pedido  sobre um tema de valor espiritual – o que não é comum em nossos dias.
Depois, ao considerar o fato com mais  clareza, reconheci que não estava sendo adequado às necessidades daqueles jovens, pelo menos as dele. Sem dúvida o que ensinava revelou-se insuficiente ou em desacordo. 
Descanso no Senhor, pois sei da possibilidade de revermos como O servimos. Hoje reconheço e agradeço, em meu coração, as palavras do irmão, pois, vindas do céu. Graças a Ele por isso.
À minha mente sempre vem, quando medito sobre tentação, o texto de Tiago.

Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos.

Agrada-me sobremaneira este texto, sua objetividade e clareza em muito já me ajudaram a superar dificuldades pessoais, auxiliaram-me em aconselhamentos, e permitiram avaliar melhor as conseqüências do pecado na vida da Igreja. 
O texto não apresenta as armas que dispomos para o enfrentamento das nossas disposições carnais – a leitura, oração, o Espírito, os exemplos, as promessas do Senhor etc., assim considero apenas o tema dentro do texto lido. Reconheço, ficará a dívida, que espero pagá-la oportunamente.
Podemos afirmar que na sabedoria de Deus a tentação é um processo – não um ato, e bem identificado no texto. Há clareza quanto a isenção da agência divina na participação do mal, e por fim, a responsabilidade pessoal do santo na luta contra as tentações e o combate ao pecado. 
Mesmo sem entrarmos em detalhes, podemos sair de nosso estudo com grande capacidade para identificação, luta e vitória contra o pecado. Mas, somos advertidos a adotar uma posição de cautela,  pois não nos tornaremos imunes à tentação, muito menos ao pecado.  Esperamos que o Senhor nos fale de suas promessas, pois nelas há o fortalecimento, fazendo deste texto nosso guia no combate às nossas disposições carnais.
O v. 13 registra: “Ninguém, sendo tentado”. No termo tentado há a idéia de “tentar para ver se algo pode ser feito; tentar uma experiência para verificar como se comporta”. A experiência sensorial é presente, e a força motriz é a incitação ao pecado.


O texto seguinte: “Ninguém diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta”. Logo, toda disposição para o mal que alimentamos não tem o Santo como agente. O texto retira completamente Deus como agente do mal moral sobre a terra. 

Ninguém que tenha disposição para o mal diga que tal disposição provém de Deus.

Estudiosos e estudantes açodados e racionalistas tomam suas mentes e lógicas (veredas de negridão) como vara para provarem o contrário.

No verso 14 passamos a identificar detalhes significativos sobre a tentação. Temos: “Cada um, porém, é:

Tentado – a mesma palavra utilizada no v. 13;
Quando atraído, – capturar com uma isca, enganar através de agrados, enganar, seduzir;
E engodado – girar em torno de algo, desejar o ilícito; algo que ferve imediatamente, logo depois acalma;
Concupiscência – arrastar, seduzido por meretriz; puxar de dentro, arrancar;
É necessária acurada atenção para o que foi escrito:

Cada um é tentado por seus próprios anseios (a soberba – querer ser; olhos – querer ter; carne; querer sentir). 

Está em nós a disposição para o mal, para o pecado. O texto não autoriza a ninguém transferir para satanás, para o mundo ou para qualquer outra criatura a responsabilidade sobre o enfrentamento e as causas do pecado. Desqualifica os demais agentes do mal, exceto um: eu próprio.

Mesmo reconhecendo a existência de agentes externos que nos excitam, são nossas concupiscências que abrem seus braços para acomodar e acalentar tais insinuações. Agrada-nos o pecado!
E mais, essa nossa disposição utiliza de recursos dolosos, fraudes para nos convencer da “nossa necessidade”. Ela funciona com ardor crescente, buscando ser incontrolável (na verdade, quer controlar nossa razão, onde o Espírito coloca suas âncoras), e que encontra justificativa e motivação em nosso interior carnal.
Precisamos bradar isto para nosso coração e para nossa mente:

Está em nós (no cerne da alma do crente. Sim! Do crente) toda a disposição para o pecado, e nos enganamos pelo desejo do ilícito, do mal, e dele tiramos prazer. Apesar de ser engano, falácia, pois não mais precisamos (escravidão ao pecado) do mal para o prazer em nossas vidas. O Senhor, para frustração pentecostal, atribui a culpabilidade do pecado ao crente, e não a satanás. 

Então nosso desejo uma vez
Concebido agarrar para si como prisioneiro; utilizado também para metáforas do desejo sexual;
Dá à luz o – produzir (fruta da semente) sustentar, parir (a mulher)
Consumado, – realizar plenamente; completar com sucesso.
Como proposto no princípio, temos o processo da tentação exposto: Atração, Sedução, Concebe e dá luz ao pecado.  
A atenção ao ilícito é o que a Escritura chama de 
(1) Atração, até esse momento sãos pensamentos pecaminosos que surgem. 
A (2) Sedução é quando passamos a ceder aos nossos desejos, equivocando nossa razão, a nos convencer que podemos. 
Já a (3) Concepção é o engendrar o plano para consumação. 
E entendemos que (4) dar à luz é a materialidade do pecado. A realização plena daquilo que nos chamou atenção, depois convencemo-nos que poderíamos ser, sentir ou ter; depois planejamos e por fim consumamos.
Até a fase da Concepção lutamos contra pensamentos pecaminosos, que a rigor, são lutas cotidianas dos santos, cujo final deveria ser sempre vitoriosos. Mas não se constituem em atos pecaminosos concluídos.
Reconheço que a questão não é rigorosamente aritmética como apresentada, contudo afirmo que o conhecimento do processo – como se dá a tentação – trará grande benefício para o povo de Deus. Tanto para evitá-lo, quanto para julgá-lo (o mal).
E lemos nas Santas Escrituras:

“Não nos enganemos fomos gerados pela vontade do Senhor a fim de que o mundo perceba em nós como exemplares primeiros de sua criação, portanto santos”.

O jovem cristão e a influência do mundo – II

Como na noite anterior observamos, o texto lido inicia com uma conjunção “portanto”, que garante que estamos concluindo argumentações anteriores.

Daremos atenção necessária ao nosso texto, mas de pronto podemos antecipar que ele encerra com a exortação que devemos procurar saber qual a vontade de Deus. Isto trataremos no momento oportuno.
Ao texto:
Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. (Ef 5:1517)
As palavras do v. 15. informam-nos que devemos dar grande atenção, avaliar detalhadamente como andamos, vigília permanente ao nosso comportamento. 

O Senhor oferece-nos a objetividade necessária, lemos (2.10) que devemos andar segundo obras definidas por Deus; (4.1) andar de forma digna ao propósito de Deus para nossas vidas, e por fim diz (4.17) Não na vaidade dos pensamentos dos gentios. Em algumas traduções fala na verdade de suas mentes (dos gentios). Temos obras definidas por Deus eternamente, e para elas fomos chamados e por fim evitar as sendas do raciocínio que outrora nos conduziu, pensamentos que não são os pensamentos do Santo, que levam a caminhos de morte. Eis aqui, temos diante de nós para onde conduzem as influências do mundo.
O texto mais diz: para não sermos néscios. Para não sermos embotados, os tolos operacionais.  Aqueles que muito opinam sobre aquilo que não conhecem. Aqueles que muito agem sem saber qual a vontade do Senhor, e mais, julgam-se baluartes das Escrituras. Foram cooptados pelas influências deste mundo “de sábios de si para si”.

Pelo contrário, somos exortado para agirmos com sabedoria (Cl 4.5):

“portai-vos (andai) com sabedoria com os de fora aproveitando as oportunidades”. 

Sabedoria de palavras, de conduta, de sobriedade, de amizades. Como afirmarmos  venceremos no mundo dos gentios, se nossas amizades são compostas de gentios, se nossos hábitos são dos gentios, se nossos sentimentos e prazeres são de gentios. Nenhuma  oportunidades há para esses que são totalmente gentios, mas em sua bravata pessoal afirma-se cidadão dos céus. Nada desses se aproveitará. A bravata é arma dos ímpios. 

O texto prossegue com “os dias são maus”, que posemos ler: as circunstâncias em estamos envolvidos são adversas à nossa disposição interior, à verdade que ousamos e proclamamos. Não há simpatia ao evangelho autêntico, não há simpatia para com a ética cristã. Se somos tidos como simpáticos quando expomos as verdades do Senhor, com certeza estamos falseando-a. 
Fomos (nossa mente) conquistados pelo mundo, cedemos às influências desse poderoso movimento de idéias e “poderes” da secularidade.

O uso do termo “não seja insensato” traz a idéia de destituído de raciocínio, e logo após afirma: “esforça-te para pegar a idéia, dedica-te” para saber qual é a vontade do Senhor.
De um lado a insensatez de outro a disposição para conhecermos a vontade do Senhor.

Sim! Qual é a vontade do Senhor para cada um de nós nesta noite? Ou seremos tolos para prosseguir na vontade de nossos próprios pensamentos?
É o que veremos a seguir.

Sim, esqueceremos! (Pescando com Pedro)


EBD, 6 de fevereiro, 2011.
manaus.
Igreja Batista Regular Renascer.

É interminável a discussão em torno da vida e de seu significado. Grande parte da discussão, por enveredar pela autoria do acaso, é frívola e sem sentido. Mas, discuti-la sob a perspectiva do ato criador de Deus concede ao tema um significado além de especial. Pois, percebe-se que a vida se mantém por um arranjo maravilhoso proveniente de uma sabedoria além de nossas mentes, além desta vida. E quando abrimos as santas Escrituras lemos a respeito de Jesus que ele é o Deus sustentador da vida, flui em nossas almas o doce privilégio de conhecermos o verdadeiro significado da vida. 
sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, (Hb 1:3)
Mesmo assim, é possível esquecemos tudo que envolveu e envolve essa relação? Sim, é possível.

O aprofundamento do tema nos obriga a reconhecer que a Escritura nos oferece uma dimensão da vida que apenas nela, na Escritura, há clareza, vigor, propósito. Sim, a bondade de Deus tem nos ensinado que existe uma vida cuja natureza está oculta ao mundo. Vida que oferece um real sentido à vida (que dispomos e percebemos). Vida que veio à nossa vida sem que a conhecêssemos: a vida que Cristo vive. Vida que não tínhamos. “Ele nos deu vida” diz Paulo. Não, não está em nós, não pertence às criaturas é um dom.
Que tributo a ela atribuímos? Temos dela nos esquecido.
Do que necessita esta nova e surpreendente vida?   
Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.  (Lc 10:41-42)
E nesta nova vida apenas uma coisa nos é suficiente: aprender a depender do Senhor.
Para tanto, precisamos descer às nossas profundezas e conhecermos a nós mesmos para depois conhecermos Aquele que vida nos deu.
Quem somos nós?
Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. (Rm 7:18).



Somos ansiosos, autônomos, rebeldes, valentes e fracos (oscilantes). Pecadores, mas salvos. Com grande aptidão para exaltação… para esquecermos quem é o Senhor e o que ele tem feito em nossas vidas. 


Precisamos reconhecer que não está em nossa natureza a disposição interior para nos conduzir aos ideais morais, de conduta e ética exigidos por esta nova vida. Precisamos chegarmo-nos à Fonte de onde fluem toda verdade, amor e santidade que tecem as teias da vida concedia pelo Senhor. Logo, nosso interesse deve ser dirigido ao conhecimento dAquele que nos chamou, é  Ele quem nos ensina:
Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças”; (Fp 4:6)
Acheguemo-nos a Ele por meio de armas espirituais, as quais não sabíamos de sua eficácia. Mas temos delas esquecido. 


O Senhor nos confronta: A vida não é mais que alimento e o corpo mais que vestes? É possível esquecer este ensino? 
Sim! É possível.
É possível colocarmos maior importância em nós mesmos que nos sábios planos de Deus? 
Sim! É possível.
É possível esquecermo-nos o que o Senhor fez e faz quando em nossas aflições?
Sim, é possível.
É possível sentirmo-nos sós, mesmo quando em oração sabemos que o Espírito intercede por nós? 
Sim, podemos.
Caso, nós não reconheçamos a disposição de nossos corações, não temos aproveitado o que o Senhor nos tem falado. 
Temos esquecido das coisas doadas pelo Santo de Deus!
Vomemos ao texto lido: “Estavam juntos: Simão, Tomé e Natanael e mais dois”. (Jo. 21.2)
Apenas dois dos discípulos que ali estavam o Senhor não permitiu que soubéssemos quem eram.  Pois os filhos de Zebedeu, de acordo com Mt 4.21, são Tiago e João.  Estavam, pois, Pedro, Tiago e João, Natanael e Tomé. Cada um deles havia convivido com o Senhor .

(1)     Pedro e João Tiago estiveram no monte com o Senhor, ouviram a “voz de Deus”.
(2)     Pedro e João estiveram no túmulo.
(3)     Natanael em seu primeiro encontro antecipou todo o propósito do livro (Jo. 1.49).
(4)     Tomé tivera um encontro pessoal, colocara a mão nas cicatrizes. Senhor ressurreto; 

Todos experimentaram dimensões e realidades celestes. Era possível esquecê-las? Sim, era possível esquecê-las.  
Já havia passado pelo menos 8 dias (Jo. 20.26) da ressurreição do Mestre. Dos que ali estavam é improvável que alguém DESCONHECESSE A RESSURREIÇÃO do Senhor. Mas, esqueceram.
Tiveram a experiência da provisão do Senhor. Em Lucas 22.35 está escrito:
“E perguntou-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada.”
Sim, foram enviados pelo Senhor, e nada lhes faltou. Sabem que o Senhor está vivo e do Senhor EXPERIMENTARAM A PROVISÃO. Faltaria-lhes provisão? Poderiam esquecer-se de que foram sustentados e nada lhes faltou? Mas, esqueceram.
E lemos: “Vou pescar e os demais o seguiram”. Saíram em busca da provisão. 
Muitos de nós ficam surpresos por tal decisão. Como aqueles homens poderiam esquecer de tantas coisas e decidirem voltar ao mar. “Vos farei pescadores de homens” , como poderiam esquecer? Mas esqueceram!


Assim, decidiram eles, assim, decidimos nós. Somo ávidos em sairmos em busca das nossas soluções à parte da Verdade. Seguimos as determinações de nosso próprio braço.
Corrompemos nossos  corações e nossas mentes voltando para secularidade que dela fomos arrastados. Esquecemos da nossa vocação. 
Deixamos de lado a fidelidade do Senhor. Podemos esquecer dela? 
Não, mas esquecemos. 


O que está por trás de nossa nova vida? (1) Quem e (2) por quem foi feita a promessa de nos manter “vivos” (a nova vida):
“Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha outro maior por quem jurar, jurou por si mesmo”, (Hb 6:13).

Tudo quanto o Senhor é. 
O que Ele tem feito, fez e fará por cada um de nós.
Não devíamos esquecer… mas esquecemos. 

Repetimos em nossas vidas a pescaria de Pedro. 
Voltamos ao mar, estamos saindo para pescar.

Pelas misericórdias de Deus.

ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.(Rm 12.1-2)
 

O texto inicia com um termo militar, rogo-vos. Termo utilizado em campanhas militares para o último encorajamento antes da batalha. A tentativa é despertar-nos a índole guerreira. Mas curiosamente, não nos mantém em campos de batalha, não apela aos nossos brios, às habilidades intrínsecas de cada um, não clama por idéias de conquista, tampouco pela vantagem do despojo. Não, aos guerreiros apela para misericórdias de Deus. Preservando a fibra de guerreiros, traz-nos à lembrança o baluarte da gratidão do santo: as misericórdias de Deus. Ah! As misericórdias de Deus.

Outrora, quando guerreiros da morte, com aljavas repletas de dardos inflamados, a espreita, esperávamos uma oportunidade para desferirmos a ira insana contra tudo que se chamava Deus. Como O rejeitávamos. Agora, esta lembrança aprofunda o mistério, alarga a dimensão do Seu amor. Ela que perpassa a alma chega ao mais profundo da consciência dos santos, resgatando a clareza da razão. Aquele bendito dia, quando o TODO PODEROSO com sua destra nos retirou do lodaçal de pecados, nos ergueu, fazendo-nos assentar em lugares celestiais em Cristo.

Ah! As misericórdias de Deus. E a cada manhã, o Senhor as renova, com ela calcamos a vontade inquieta, o brio indevido. É o grito de guerra dos santos guerreiros.

Mas, os olhos guerreiros transbordam. A gratidão inominável e a bondade impossível trazem as lágrimas da incompreensão – bendita incompreensão. Quem somos nós para que nos visite? Tu, Senhor, és o Deus de eternidade a eternidade. Pois, segundo a Tua vontade, operas com o exército do céu e com os moradores da terra, fazes tudo segundo Teu querer.
É pelas misericórdias de Deus que apresentamos nossos corpos, que foram “postos de lado”, prontos para o sacrifício.

O que é nossa vontade, senão a gratidão manifestada? Ela que conduz o guerreiro em direção ao altar. A valentia serena para a lâmina que nos imolará, que ceifará nossas vidas. Oferta viva, santa e agradável ao Senhor, o prazer e a razão dos santos. Faze-nos Senhor conforme teu querer.

A oferta com a mente despida dos prazeres mundanos, dos enganos e dos encantos falazes, da sabedoria mais arguta, do coração mordaz, da vilania do pó desta terra. Sim! Chegaremos ao altar como oferta viva, santa e agradável a Deus. Pela eterna gratidão pelas Suas misericórdias.

Mas para que a despertar valentia se nos exige passiva morte? Para que a exortação última? O Senhor nos responde: Para experimentarmos a boa, agradável e perfeita vontade Dele. Sim, Senhor a tua misericórdia fortalece nossa frágil vontade.

Mas Senhor em tua graça e misericórdia, fortalece teus guerreiros para o que é perfeito, eterno e divino. Guerreiros entregues ao seu Senhor, guerreiros ofertas, guerreiros santos, guerreiros gratos… pelas misericórdias de Deus.

Faz Senhor conforme teu santo querer.

Ao Senhor honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

A oração que não faço.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. (I Co 13.11:12)

Deus é quem nos dá o crescimento, é por Ele que abandonamos as coisas de menino, afirmamos. Mas é muito proveitoso olhar para trás e ver o quanto o Senhor nos conduziu, quanto já abandonamos as coisas de menino. O incentivo do Senhor é para prosseguirmos, é como Lhe agrada. “Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.” (Hebreus 10:39).

Mas por sua vez, pergunto: Tenho aprendido a abandonar as coisas de menino? Tenho enfrentado o meu inimigo ? De quem falo? Assevero, nenhum inimigo é mais assustador e presente que a mente do santo. Reféns do raciocínio deste século mal, fomos forjados pelo momento histórico que vivemos. A forma de pensar dos santos do Senhor tem sido assediada e até consolidada pelas agruras da Queda. Somos miseráveis, mesmo que remidos. Nossa luta interior tem provado isto.


Identifiquei que preciso mortificar minha mente. Adão insiste em querer pensar por mim. Questionei-me, como aprender humildade? Não sei. Caso soubesse, por pretensa humildade, sorveria toda a sua fonte. Gloriar-me-ia em ser o mais humilde dentre todos. Mas ouço a voz do Santo de Deus: “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no SENHOR.” (II Coríntios 10:17). Descubro, então, a fonte da humildade, a palavra do Altíssimo. Preciso sorver dela mais e mais… e, alegro-me, pois sei, suprirá a todos os que sedentos estão. Abandonaremos, sim, as coisas de menino, Adão não mais falará em mim? Temos um grande caminho a percorrer.

E os espelhos de Corinto, famosos por sua superfície polida, projetava a perfeição da imagem. Por ele, permitia-se a realidade mais bela. Nele o belo era maior. Era a Grécia. É a ilustração da nossa – pelo menos da minha – mente. Nela há sedução dos meus sentidos, do meu querer, do meu saber. Nela não está refletido quão pecador sou, assim também é distorcida a grandeza do Santo. Nela reflete o engano proferido: Já não vivo, mas Cristo… !

Deparo-me diante dela, as minhas reflexões são mais profundas, e como abalam o poder das trevas, com todos seus demônios. O espelho da minha mente esconde a volúpia que me impulsiona rumo à exaltação. Lutamos por nós mesmos: a minha doutrina; a pureza da minha fé, a verdade da minha história. Nosso cálice parece transbordado antes mesmo do cálice do Senhor.

Subimos para além da dignidade de nossa vocação. Rejeitamos a servidão para qual o Senhor nos chamou. Precisamos urgente da oração publicana: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!

A Igreja do Senhor padece de soberba, estamos doentes, contaminados pelas ribaltas ocultas em nossos corações. Gloriamo-nos em nós mesmos, mas ousamos, dizendo: É no Senhor.

Miserável homem que sou, quem me livrará desta mente que trago?

O Senhor, apenas o Senhor.

A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade.

Santificação. Simples, não?

“… Não julgais vós os que estão dentro?” (I Coríntios 5:12)

Há uma doutrina que ao ser ensinada na igreja, pela sua praticidade, produz interesse imediato, Disciplina Eclesiástica. Dependendo do governo adotado e da disposição em santificar-se, a Igreja submete-a de pronto a testes com os mais diversos exemplos. Muitos deles impensáveis. É desafiador e, ao mesmo tempo, edificante discorrer sobre o que o Senhor autorizou e como fazê-lo para preservar Seu nome e Seu povo. Como as demais, a Disciplina Eclesiástica se fundamenta na revelação objetiva do Triuno Deus.

Aprende-se que é prerrogativa exclusiva da Igreja local. E que deverá ser feita para exaltação do Senhor, como tudo que deveriam fazer os santos. Entendo ser este aspecto um grande facilitador de sua prática. Basta aos envolvidos decisões que engrandeçam ao Altíssimo, por sua vez, isto nos santificará. Simples, não?

Alerta, ainda, que o caminho do amor é obrigatório. Todos os irmãos, em amor, cuidarão do caso. Como o amor não se regozija na injustiça e sim na verdade, a aplicação criteriosa do amor não poderá contrariar a verdade. Simples, não?

Ponto central, a eficácia da Disciplina não pode ser entendida apenas sob a ótica daquilo que será aplicado na correção do irmão – sob disciplina. Ou seja, se o amado retornará ou não ao seio da comunhão. Muito menos temer, pois poderíamos ter cometido a mesma transgressão. Antes, devem todos aplicar a verdade. Plantamos e regamos, mas o crescimento virá do Alto, para o louvor de Sua glória.

Quanto ao rigor da pena, leiamos Hebreus: “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos”. É a oportunidade, infelizmente pela circunstância, de evidenciarmos o cuidado e o amor de Deus sobre um dos Seus. Simples, não?

Aprendida as verdades, a igreja segue sua vida na esperança que não seja necessária a prática doutrinária. Mas ela virá. Quando exigida, espera-se observar o tributo ao Senhor. Fruto de lábios e mentes cativas ao conhecimento da verdade aprendida. Simples, não?

O que vemos? O caminho iniciado é percorrido com um amor entrecortado de sentimentos e disposições naturais. Um estranho amor. Chegam a soluções, com base nesse amor, onde o pecador não é constrangido a abandonar seus caminhos de torpeza. Contraditoriamente, são rejeitados os conselhos eternos do Juiz de toda a terra. A sua citação suscita descontentamento. Vejo que não é simples.

O culto, que deveria engrandecer a Deus e oferecer ao pecador uma oportunidade de reconciliação com o Senhor, é transformado em sessão de tortura, com acusações e defesas sem a Palavra. Não há sofrimento com pecador (às vezes nem nele há), mas sim defesa (pelo menos minimização) de sua conduta.
É, vejo que não é simples.

Chega-se ao veredicto, defini-se o meio de santificação proposto pelo Senhor(?). Todos saem como se nada houvesse ocorrido. Não se dão conta de que acabaram de executar a sentença de Deus sobre o pecado. Os sentimentos, intenções e propósitos da igreja, todos estão dissociados de Deus. Há um alívio administrativo pairando entre sorrisos e abraços. O temor dos santos foi saiu do carimbo da secretaria.

E somos o mesmo corpo. Tenho convicção, não é nada simples.

Como poderá a Igreja do Senhor se santificar? Se não é capaz de julgar os de dentro? Como?

Só o Senhor em Sua infinita sabedoria e bondade nos capacitará.

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a eternidade.

Santificação sem ver o Senhor

Antes de comentar, preciso fornecer algumas informações, pois caso me avaliem, possam faze-lo sob o que creio.
Vivemos dias maus.

Creio na total incapacidade humana quanto às verdades espirituais; na livre escolha de Deus dos salvos, aqueles que estarão por toda eternidade com Ele; na morte de Cristo para um grupo definido de pessoas; na chamada eficaz de Deus – ninguém resistirá ao Seu chamado, e ainda, creio que os salvos não decairão da graça, e em santificação serão preservados;

Creio que Israel e a Igreja são duas instituições distintas no programa de Deus, no milênio literal, na vinda de Cristo para buscar sua Igreja; na separação completa entre Igreja e o Estado;

Creio que vivemos momentos de apostasia, com seus representantes conhecidos em nosso meio: Malafaia, Terranova, Valnice, Rodovalho, Valadão, Jabes, Hernandes, Brant, RR Soares, Macedo e muitos outros. E que estes trazem o evangelho das trevas.

Creio ainda, que a apostasia é profética e que está em todas as organizações religiosas. E que o secularismo tem contaminado a todos. Isto posto, podemos iniciar.

Há um fenômeno religioso muito comum nas grandes organizações eclesiásticas, que para efeito deste texto resolvi chamá-lo de santificação humana. Que nada mais é que o esforço formal de pessoas para estabelecerem seus credos ou confissões. Para tanto, dá-se a estes a observância e relevância além da Palavra de nosso Deus; desqualificando qualquer outro pensamento, mesmo que possível.

A formação dos credos denominacionais – As Confissões – de forma alguma é coisa de somenos. Contudo, representam um pensamento teológico de um grupo trazendo consigo suas influências históricas. Alguns destes são verdadeiramente bíblicos. Assim os vejo, os avalio, e assim, os respeito. Estabelecer que neles se encerra toda a verdade bíblica, excluindo os demais credos é notadamente imaturo, ou pelo menos presunçoso.

Vejo que algumas confissões são Amilenaristas, outras não; algumas o governo da Igreja tem características em um sentido, outras em outro. Na luta em defesa do Credo, muitos têm distorcido regras hermenêuticas, ferido a história, tornando-se defensores de si mesmos. É a santificação humana indo além da revelação objetiva de Deus, prescindindo do Espírito e das Escrituras.

Dentro desta perspectiva, existem pessoas que chegam ao ponto de execrarem irmãos por estes possuírem uma versão das Escrituras diferente da Trinitariana. Apontar erros, desaconselhar a compra é próprio. Deve-se evitar transformar tal defesa em mandamento. “Viram vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o SENHOR não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra.” (Ezequiel 13:6). Esta posição pessoal fundamenta a santificação humana. É trazer como mandamento do Senhor aquilo que o Senhor não ordenou. Falar além das Escrituras.

O Apóstolo Paulo quando para refutar os riscos que a sabedoria humana oferece, falou: “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.” (I Coríntios 4:6). O Apóstolo temia que irmãos em Cristo pudessem aprender dele outra sabedoria que não às Escrituras.

Não resta dúvida, que, em geral, um dos propósitos das confissões é contribuir para o reino, definindo um perfil doutrinário, e por ele facilitar o conhecimento do caráter de Deus, assim, organiza vida prática e devocional de seus membros.

Há riscos quando revestidos de nós mesmos, definimos os preceitos e princípios sem ver o Senhor.

Vejamos a passagem a seguir que dá a idéia exata da usurpação da Palavra.

“Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas.” (Marcos 7 : 8)

A defesa da tradição sem observância da Palavra é o cerne da santificação humana. O esforço pessoal de estabelecer regras sem a observação dos textos sagrados, sem o Espírito, sem temor.


Homens como esses não ficaram presos aos textos dos Evangelhos, espalham-se em nosso meio. Vejam o que ocorreu em uma capital do norte do país.


O pastor objeto das acusações pediu-me o anonimato. Este pastor foi execrado por defender a posição histórica da vinda do Senhor para buscar sua Igreja. Mesma que tenha confidenciado a um irmão, nunca ensinou em sua igreja. Entretanto, isto chegou aos líderes denominacionais daquela cidade.


Um outro pastor, representando a liderança, acusou-o de herege, afirmando assim, a quebra de distintivos denominacionais. Apressou-se em noticiar o fato às igrejas. Justificou-se como medida de santificação humana, para proteger o rebanho.


O acusador prega livremente que apenas que a versão RC deve ser lida. O que também, segundo os mesmos distintivos, representa quebra. Manifestações diversas da santificação humana. Mas, segundo ele, a quebra deste distintivo é diferente da quebra daquele outro.


A igreja do pastor acusado de heresia ao tomar conhecimento do fato, dividiu-se. Mas, sabiamente, o acusado comunicou que se afastará dela. Que Deus seja louvado.


Este fato mostra que na prática da santificação humana surgem sentimentos espúrios, inveja, torpeza, má fé e sombras das práticas da maçonaria. Em momento algum as Escrituras serviram como guia único da verdade.


Por fim, o pastor acusador, ao ser inquirido sobre algumas de suas posições doutrinárias, afirmou ser calvinista de dois pontos – talvez sejam o ponto final e o de exclamação! É a santificação humana em lugar da condução do Espírito Santo. Agora é por força e por violência. Perderam o temor… em nenhum momento fez-se a acusação em defesa da Palavra do Senhor.


Não tento defender este ou aquele pastor, esta ou aquela posição, mas lamento pela pouca importância que as Escrituras têm tido nestes dias finais. Têm sido preteridas por algo melhor… seja o mamon, seja o poder.

“Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Lucas 16:13)

Vivemos dias maus.

Santos sem a Palavra, sem o Espírito, sem temor ao Senhor.

Só o Senhor é Deus.


A Ele honra, gloria e louvor de eternidade a eternidade.