A vida antes desta vida (1 Jo 1)

 

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(Meditação em 1 Jo 1.1-4)

Antes mesmo que houvesse a criação, essa que conhecemos e dela fazemos parte… já havia vida. Sim, mesmo que não o soubéssemos, já havia vida. Estava com Deus, e foi expressa em sua criação, com santidade, beleza e amor.

Em grandes atos de poder, Deus trouxe a vida à luz, para que pudéssemos nela e por meio dela O conhecer e nEle ter prazer.

Não conhecemos o cenário inicial em que toda criação foi organizada, sua harmonia, os cânticos e beleza. Tampouco, compreendemos como a morte ali se introduziu, roubando da vida sua santidade, roubando da vida sua fonte, que é Deus.

Passamos a viver uma existência que se esvai, separada da sua fonte, existimos, e por tão pouco tempo, apenas à espera da morte.

E fomos surpreendidos, sim, João nos surpreende ao registrar que a vida que no princípio já existia… ele, um mortal, a ouviu, viu, contemplou-a e com … suas mãos a apalpou. (1 Jo 1.1)

É o anúncio da vida… a vida que estava com o PAI, veio a este mundo… Jesus Cristo.

Por duas vezes lemos: vos anunciamos. É para cada um de nós: “a vida eterna que estava com o Pai nos foi manifestada… Jesus nos foi anunciado”. (1 Jo 1.2-3)

Aleluia.

De volta à vida em que a morte não existia. Jesus é o caminho e a própria fonte da vida… a vida que conhece e tem prazer em Deus.

E acrescenta: Estas coisas vos escrevemos para que alegria seja completa… novamente Aleluia. (1 Jo 1.4)

Retornamos à vida com Deus, por meio de Jesus Cristo temos a vida que nós não conhecíamos… e mais, o veremos como Ele é, seremos semelhantes a Ele.

Nossa bendita Esperança.

Ora vem Senhor Jesus.

Que o Senhor nos abençoe.

Para quem iremos nós? (Jo 6)

A leitura de João cap. 6, se encerra com o questionamento a respeito dos efeitos do ensino do Senhor sobre sua divindade, e seu poder em conceder a vida eterna. E assim, ao mesmo tempo, deixava claro a inutilidade da religiosidade humana (56-63). As pessoas que lhe ouviram, objetaram-se à vida eterna oferecida por, e em Jesus.

A argumentação contra Jesus teve início ao afirmar sua origem celeste (divina, v. 41). Os judeus com base em suas convicções e conveniências religiosas, não permitiam um relacionamento real com Deus, insistiam em vê-lo apenas como uma figura local, um mestre com bons ensinos, negaram a si mesmos o reconhecimento que Deus (Emanuel) os visitava. 

A história do povo judeu, e as distorções adicionadas ao longo do tempo, forjaram na nação a soberba necessária para assim construírem um padrão meramente litúrgico no relacionamento com Deus.  

A presença e os ensinos de Jesus levavam a todos a renunciar às suas tradições, sua soberba e objeto de adoração.

Nem mesmo seus discípulos, que conviveram com ele, presenciando seus sinais, renunciariam às suas religiosidades em favor da verdade do Senhor, e escolhendo a si mesmos, o abandonaram (v. 66).

Por fim, Jesus confronta os “12”. Em troca lemos: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

Tão perto estiveram todos do Senhor: a multidão, os judeus e os discípulos que o abandonaram. E ainda em meio ao que o reconheceram, suas palavras da vida eterna estava Judas… que por fim seguiu seu próprio conselho. 

Nossa gratidão ao Senhor por nos manter.

A Esperança


e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós; (1 Pe 3:15)
É perceptível a pouca importância dada ao sentido das palavras. A própria linguagem, tão poderosa, está sendo reduzida, tornando-se incapaz de oferecer o real sentido aos objetos, aos sentimentos, ao mundo. E isso afeta profundamente a vida e tudo que ela representa, pois, a falência dos significados é a falência da própria vida. 

As pessoas cada vez menos desejam entender o que cada palavra propõe, e equivocadas em seus desejos, dão seu próprio significado a vida. O caos as espreita. 
Essa autonomia permitiu a perda do significado de verdades fundamentais da vida… o que faz com que ela, banalizada, lentamente, perca seu sentido. Vive-se sob uma realidade líquida e sem forma onde cabem todas as “verdades” – um “tempo de coisa nenhuma em direção ao nada”. (1 Co 1.20, 27)
O pensar passou a ser determinado pelo lazer de um lado e a aversão do outro, nada além disso. O agradável é aceito como verdadeiro, aquilo que questiona o prazer é rejeitado, tornando-se mentira. Nenhuma reflexão fora desta dinâmica orienta ou faz sentido. 

Os pensadores falam a respeito dela apenas por meio de divagações vazias e superficiais – apenas pão e circo. Com isso, perdem-se os significados: da beleza, do amor e, principalmente, da esperança – deixando-a longe da Esperança de “outrora”. (Gl 5.8)
A ideia de que não vale a pena pensar, não vale a pena rever os fundamentos da vida, destruiu a possibilidade de saber da Esperança. (1 Tm 6.17)

É oportuno resgatar seu significado, seus valores e propósitos pela importância da Esperança na vida. Desafiando àqueles que, em seu estado de prazer, precisam acolher a verdade da Esperança. (Rm 5.5)
O que é Esperança? 
A Esperança e sua importância prática  
Pode-se afirmar que a esperança é o guia da vida. Tudo que pensamos, fazemos, falamos e somos expressam-na, e por ela são determinados. Ela permeia todo nosso ser, queiramos ou não. 
A cosmovisão de cada um depende e reflete sua esperança. Quanto mais sólida a esperança, mais pacífica e ordeira a vida passa a ser. Toda a crise experimentada – crimes, adultério, corrupção, desordem, drogas, infelicidade – decorre, em grande parte, da relação do indivíduo com sua esperança – ou com a falta dela.Assim, ela determina o presente. (Rm 12.12)
A Esperança e sua relação com o futuro 
Ela, obrigatoriamente, está localizada em um ponto futuro e a ele nos une. A certeza de seu cumprimento é indiscutível, influencia o pensamento e garante a conduta. Ela é a certeza do futuro, logo não dependerá daquele que espera. Caso dependesse, não seria Esperança, mas, apenas espera – ocorrendo no tempo daquele que espera. A esperança depende de alguém fora e acima daquele que espera. Aquele que tem poder sobre todas as variáveis e até sobre o tempo, de forma que seja capaz de consumá-la. (Cl 1.15)
A Esperança e sua natureza
Aqui temos uma luta conceitual afim de diferenciar o que é Esperança e o que é conquista. 
A conquista depende do mérito, e a este premia – a dívida que o mérito exige. Não se pode relacionar esperança ao mérito pessoal, definitivamente isso não é esperança, isso é conquista. Nem tudo aquilo que esperamos é esperança. Se há mérito envolvido não é esperança, mas a justa espera da retribuição. 
Já, a Esperança não depende do mérito daquele que espera, ela decorre da bondade dAquele que a consumará. Não está premida pela dívida, mas sim pelo amor. (Gl 5.5)

A Esperança e o seu objeto
Este ponto contribui para esclarecer o anterior: a Esperança, obrigatoriamente, une-nos ao que é impossível a ser obtido pelo mérito. A Esperança sempre estará fora da capacidade de conquista do homem. Tudo aquilo que podemos fazer, obter ou construir não pertence à Esperança. O objeto da esperança é o impossível de ser conquistado (Cl 1.5,27). 
A Esperança deve ser concebida, primariamente, pela compreensão dAquele que prometeu (Rm 5.5) e de seu objeto “não esperável”. Assim, estamos falando do relacionamento com o “não esperável” – fora do universo de conquistas humanas (Tt 1.2).
A Esperança e seus valores
Resta-nos reconhecer que é necessário trazer “o não esperável” para dentro de nosso mundo, para nossa realidade. É necessário definir o arranjo conceitual e nele inseri-la.
Como conceito, é percebida pela fé, molda a conduta e exige o conhecimento de seu objeto e de seu autor. Contudo, depende apenas, para sua consumação, de seu Autor. (1 Tm 4.10; 6.17)
Sim, é preciso acreditar em tudo que se encontra nos “arredores da esperança”. Mas, a fé deve ser entendida dentro de sua real eficácia: um sinal interior que nutrirá o que espera com a certeza de sua consumação. Contudo, devemos afirmar que a fé não é a Esperança, nem a garantia de sua realização.
CONDUTA.
É um sinal exterior que a esperança exige. A disposição interior que é capaz de orientar as escolhas, que evidencia a certeza que a Esperança se consumará – “aquele glorioso dia”. Mas, o comportamento identifica a Esperança, mas não é a esperança, nem a garantia de sua consumação.
AUTOR.
Sim, é preciso que aquele que prometeu seja suficientemente poderoso para GARANTIR que todas as coisas relacionadas à esperança se consumarão. 
É necessário um real relacionamento entre aquele que espera e o autor da Esperança.
Saber de seu poder, seu amor e cuidado, pois só assim saberá de sua capacidade em cumprir todas as promessas – Esperança.
Como resultado haverá paz naquele que espera, pois, sabedor que nenhum mérito ou poder seu será exigido, mas apenas o poder dAquele que, em amor, prometeu, pois é fiel e não negará a Si. (Rm 15.3)
Sim, há uma única Esperança (Ef 4.4)- a eternidade com o Senhor, um único fundamento – Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 
Bendito seja o Senhor Deus, Pai de nosso Deus e Salvador e seu Espírito que mantém viva nossa esperança. 
A Ele toda a honra e glória pelos séculos. 

Amém.